-Pronto, senhor. Está finalizado. Seu registro está pronto e você poderá agora ficar hospedado conosco.

Rupert assinou todos os papéis que pediram-lhe. Em seguida um funcionário apresentou-lhe seu quarto. Era pequeno e continha um beliche. Para o que ele estava buscando, era mais do que suficiente.

Após bater com a cara no muro algumas vezes, ele havia decidido que era hora de parar de tentar. Simplesmente o mundo não se revelou um lugar convidativo e ele estava cansando de tentar se encaixar em um mundo assim, que oferecia apenas tapas na cara e fechava a porta na cara de quem sequer tentasse ou ousasse tentar mudar as coisas para melhor ou tentar criar e/ou trazer uma solução pacífica para tudo.

Ele trouxe consigo um diário. Já que iria viver ali por tempo indeterminado, talvez por mais tempo do que imaginava, não havia mal algum em manter um registro de como os seus dias e suas lembranças estavam decorrendo, e de como seus tempos passados estavam pululando sua mente.

Deitou-se na cama. A cama era bem confortável, como o gerente do albergue lhe prometera.

Fez a primeira coisa que lhe veio a mente — e que talvez seria algo bastante comum de ocorrer ali, na sua nova situação de vida.

Enterrou a cara no travesseiro e começou a chorar.

...

...

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Com o tempo, o choro deu lugar ao sono pesado e profundo. Que ótimo. Não lutou contra o sono. Se deixou levar e adormeceu.

Sempre tivera problema com sono. As vezes dormia de mais, as vezes, dormia de menos.

E pensar que durante uma época as pessoas achavam que ele saía escondido para namorar, quando na verdade apenas estivera adormecido, e por isso não respondia ao mundo exterior rapidamente. As vezes ele sentia falta de ter momentos só para si, desde que fossem momentos que ele pudesse decidir quando começavam e quando terminavam.

Enquanto sua mente vagava a ermo devido ao sono profundo, algumas lembranças povoaram a mente de Rupert. Seu antigo nome... ele mudara ao se mudar para o albergue, talvez como uma tentativa talvez pífia de deixar sua antiga vida para trás, visto que não se orgulhava de muita coisa nela.

Conseguia por vezes sentir a brisa oceânica e um pouco do calor do litoral nordestino entrarem pela janela do albergue.

Sentiu falta da pessoa que o chamava de "amor" por vezes através de mensagens de texto e de áudios, as vezes também por ligações telefônicas. Sentiu falta da pessoa com quem sempre conversava seja no início do dia, seja no final do dia. Sentiu falta de ter sempre com ela, aquelas conversas em que contava as coisas boas que lhe haviam acontecido, com a esperança de que um dia pudesse lhe contar tudo isso pessoalmente.

Ainda gostava de ver o acatar que colocara em seu perfil na rede social, que mostrava uma moça negra beijando um rapaz branco. Como se representasse um eventual encontro e relação entre os dois.

Se arrependeu de ter deixado emojis de raiva em mensagens numa das conversas que tivera com ela. Eu queria ter pedido desculpas a ela por "mais" essa infantilidade; pensou Rupert com um sabor amargo na boca.

Eu gostaria sim de ter vivido um romance, mesmo de ter vivido um romance clichê, talvez. Eu gostaria de ter vivido, de ter "podido" viver, várias coisas.

Sentiu falta de várias coisas. Era um alívio que estivesse dormindo profundamente, pois, se estivesse desperto, com certeza as lágrimas voltariam.

Notas finais
É certo que haverá outros capítulos, só não sei se serão muitos. Não ligo de sangrar para os tubarões. Afinal, quem estará errado serão os tubarões. Agradeço a todos que lerem e que quiserem compartilhar suas impressões sobre esta visão narrativa que estou apresentando.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.