Em meio as trevas...

3 Casar com um mafioso?


Notas iniciais
Oiiiiin!! Como prometido, mais um capitulo! bjs

Henrique resolveu me apresentar o prédio por completo, era muito maior do que aparentava. Ele não me apresentou muitos detalhes, era claro que eu ainda não era uma menina de confiança para aquilo, e nem pretenderia, eu não queria fazer parte daquilo. A máfia poderia pensar que eles estavam me usando, mas era eu que iria usá-los para descobrir tudo sobre o assassinato do meu pai.

ꟷ Acho que deve estar cansada.. – Henrique comentou enquanto caminhávamos pelo corredor.

ꟷ Muito. – Admiti, o dia foi estressante.

ꟷ Eu vou te levar em casa. – Ele disse colocando as mãos em minhas costas e me guiando até um elevador.

Descemos juntos no elevador em silencio, quando saímos, a boate já estava em seu horário de funcionamento e lotada.

ꟷ Você ainda está aqui, garota problema? – Agnes disse se esbarrando em minha frente, ela estava carregando algumas bebidas e estava vestida em uma calça justa e uma regata preta por cima tinha um avental.

ꟷ Sim, mas estou de saída. – Disse, Henrique nos olhava e pegou um drink na bandeja de Agnes.

ꟷ Observando meu visual, pensou que eu era uma prostituta hoje de manhã, não é? – Ela disse rindo.

ꟷ Você também pensou o mesmo sobre mim.

– Justo. Eu tinha manchado minha roupa com vinho e peguei um dos vestidos das meninas.

ꟷ Agnes é metade garçonete e metade administrativa do bar. – Henrique disse rindo simpático, era a primeira vez que eu o via sorrir tão leve.

ꟷDesculpa, se eu dei a entender que pensei que você era... – Falava sem graça.

ꟷ Desencana, garota-problema. E aí não vai beber? – Ela disse estendendo a bandeja.

ꟷ Ah não obrigada. – Disse desanimada.

ꟷ Teve um dia difícil? Muitos ainda virão, então porque não? – Ela dizia dançando balançado seus cabelos curtos e Henrique ria da cena.

Sorri levemente da cena e caminhei até a saída, Agnes me pareceu uma garota louca e legal, mas nem isso me fazia sorrir, nem isso me tirava das sombras que estava vivendo.

...

Estava na sala daquela mansão enorme, já era de madrugada, mas não tinha sono. Susi provavelmente estava dormindo, o velho do Aleksander tinha viajado mais uma vez, Henrique estava resolvendo alguma coisa da máfia que ele limitava a me contar.

Me sentia zonza desde que o motivo de eles me sequestrarem foi esclarecido, eles queriam minha ajuda para vencer uma guerra contra a máfia russa, eu ainda não entendia direito o que havia gerado o conflito entre elas, na verdade eu ainda não sabia muita coisa sobre aquela base criminosa, da qual eu ajudaria para achar e me vingar do assassino de meu pai, me deram um nome, mas não confiava neles, precisava saber de toda a verdade

Distraídas nesses pensamentos solucei de susto ao ver um corpo cair quando a porta da frente se abriu. Era Henrique ele estava machucado, tinha o rosto ensanguentado e um ferimento na perna.

ꟷ Ah meu Deus, o que houve com você? – Disse me aproximando.

ꟷ Pequenos problemas no trabalho. – Ele disse sorrindo e depois entrou em uma crise de tosse do qual saia sangue.

O levantei com dificuldade e o coloquei no sofá, o olhava aflita não sabia o que fazer e todo aquele sangue me apavorava.

ꟷ Não gosta de ver sangue? – Ele perguntou com a voz fraca ao me ver olhar atentamente para as minhas mãos sujas.

ꟷ Não, muito. – Disse nervosa- O que eu faço? – Perguntei.

ꟷ Eu preciso que chame Susi. – Ele disse quase adormecendo.

Já havia passado alguns minutos, Susi tinha cuidado dos ferimentos de Henrique, ele não quis ir ao hospital e me aparentava estar um pouco melhor, apesar de o achar pálido demais.

ꟷ O que houve? – Perguntei, enquanto Susi terminava de enfaixar seus ferimentos.

ꟷ Consegui isso para você. – Ele me entregou um HD externo todo detonado – Aí tem informações que precisamos.

ꟷ Isso aqui já era. – Eu disse como se fosse obvio.

ꟷ Foi o que todos os técnicos disseram, mas tenho certeza que você consegue recuperar. – Ele disse e suspirei.

ꟷ Tudo bem, eu vou tentar.

ꟷ Ótimo. – Ele disse levantando e mancando até a porta.,

ꟷ Caíque devia descansar. – Susi o alertou vendo que ele sairia de novo.

ꟷ Tenho que ir à boate resolver algumas coisas. Não tenho tempo para descansar.

ꟷ Eu poderia ir com você? – Perguntei e ele me olhou surpreso – Poderia ir adiantado. – Disse balançando o HD em minhas mãos e ele assentiu.

Estávamos na sala de computadores, era o tipo de quartel general da máfia, eu tinha conseguido recuperar alguns arquivos do HD, e não era nada bom para os Machiellos, era um arquivo com o nome e detalhes de vários integrantes da cosa nostra.

ꟷ Droga! – Henrique disse quebrando algumas coisas em cima da mesa e o olhei receosa.

ꟷ Eles não deviam saber tanto sobre vocês. – Falei avaliando os arquivos.

ꟷ Não, não deviam. – Henrique disse me olhando furioso e apenas ergui minhas sobrancelhas.

Henrique me diria alguma coisa ou me passaria um tipo de sermão, mas logo um dos seguranças dele entrou no cômodo, estava pálido e atordoado.

ꟷ Senhor Henrique, o seu avô passou mal, está sendo levado ao hospital. – Ele disse angustiado.

Olhei para o Machielo paralisado em minha frente, até ele retornar os sentidos e sair correndo pela porta, junto com o segurança.

ꟷ Que dia animado esse. – Falava sozinha e suspirei olhando para a tela do computador,

...

Fui para o bar, estava vazio, a madrugada já estava acabando e o dia amanhecendo, Agnes estava limpando as mesas do lugar e colocando garrafas vazias em uns caixotes. Sentei em uma das mesas e ela logo colocou um largo sorriso ao me ver:

— Garota problema, você por aqui? – Ela disse se sentando na mesma mesa que eu – Pelo visto ainda vigiada. – Ela disse olhando para os seguranças que ficavam me olhando de longe.

ꟷ Eles ainda têm medo de eu fugir. – Disse rindo.

ꟷ E não quer mais? – Ela perguntou.

ꟷ Talvez, mas tenho que resolver algumas coisas antes. – Disse e ela assentiu.

E realmente eu queria voltar para casa, mas eu queria descobrir toda a verdade sobre o meu pai antes e o melhor era me concentrar naquilo, e não em fugir.

ꟷ uuh quanto mistério – Ela disse brincalhona- Toma cuidado viu? Fica atenta sempre, nem todos aqui são confiáveis.

ꟷ Eu sei, eu vou tomar cuidado. – Afirmei.

ꟷ Nossa que olheiras, você está horrível. – Ela disse me observando.

ꟷ Passei a noite em claro. – Disse sem graça.

ꟷ Vamos ao shopping? Podemos fazer compras, parar em um salão, lá tem um espaço ótimo de massagem. Você está precisando relaxar. – Ela disse levantando e indo até o balcão do bar, pegou sua bolsa e caminhou até a saída do estabelecimento.

ꟷ E aí você vem ou não? – Ela perguntou pondo as mãos na cintura impaciente.

ꟷEles não vão deixar eu sair. – Disse como se fosse obvio e levantei caminhando até ela.

ꟷ Let’s go, garota problema. – Ela disse me puxando.

Quando íamos saindo dois homens grandes e altos ficaram em nossa frente, demos dois passos para trás e olhei nervosa para Agnes.

ꟷ Para onde pensa que ta levando a garota, Agnes? – Um deles que tinha um moicano roxo perguntou.

ꟷ Ao shopping, ora! – Ela disse erguendo as mãos.

ꟷ Machiello disse para ficarmos de olho nela. – Ele disse ríspido.

ꟷ Então espero que gostem de shopping e tenham passos largos para nos acompanhar. – ela disse balançando os ombros e entramos em um carro preto. Pude ver o rosto de aflição dos dois brutamontes, mas logo nos seguiram em outro carro.

***

Cheguei à mansão dos Machiello cansada, o dia no shopping tinha sido divertido, Agnes conseguia levantar o meu humor, tínhamos passado a maior parte do tempo em um salão de beleza, até Dick pintou o moicano de verde e deu adeus ao roxo do cabelo, ele era divertido e tornou-se um dos meus brutamontes favoritos, se isso realmente fosse possível.

ꟷ Até mais, Dick. – Disse rindo ao cruzar a porta de entrada.

Logo que saí vi Henrique conversando com dois homens de brancos, mas desviou o olhar deles para mim, ele me fitava furioso e dispensou os dois homens.

ꟷ O que pensa que ta fazendo? – Ele perguntou furioso.

ꟷ Chegando do shopping com Agnes. – Disse despreocupada.

ꟷ Eu sei, Marcel me informou, o que eu to querendo dizer... – É claro que Marcel, o brutamonte 2 tinha informando a Henrique, Dick estava distraído demais com o dia de beleza.

ꟷ Eu não fugi Machiello, como pode ver, então sem chiliques. – Disse me sentando.

ꟷ Eu sei que não vai fugir, até mesmo porque não pode, nem mesmo se tentar. – Ele disse arrogante e revirei os olhos. – Eu precisava de você para saber mais coisas do HD.

ꟷ Caíque, o senhor Aleksander quer vê-los. – Susi disse descendo as escadas.

ꟷ Quando diz vê-los, quer dizer eu e ele? – Perguntei apontando para mim e depois para Henrique.

ꟷ Ande, meu avô detesta esperar. – Henrique disse antes mesmo de Susi responder e subiu a escada, logo depois eu o segui imitando uma versão terrível da voz dele em sinal de birra.

...

Entramos em um quarto no segundo andar da casa, com certeza, era o mais bonito da mansão. Fiquei surpresa ao ver Aleksander em uma cama, cheio de aparelhos respiratórios, ele não me parecia em uma situação muito boa. Henrique se sentou na beirada da cama ao lado do avô, atencioso e cuidadoso. Já eu fiquei perto da janela do quarto, olhando para o vermelho das cortinas.

ꟷ Senhorita Lancaster, pode se aproximar? – Aleksander falou com a voz rouca e tossiu um pouco, e logo o obedeci.

Fiquei em pé ao lado oposto do de Henrique na cama, o velho me olhava concentrando, ali na cama parecia tão inofensivo, me lembrava um vovô dócil pela imagem, mas eu sabia que tinha muitas mortes e crimes perversos nas suas costas.

ꟷ Parece que a situação não está nada boa para o senhor, não é? Então, Deus realmente existe. – Disse passando os olhos por todos os aparelhos médicos ali, Henrique grunhiu com meu comentário e o velho riu.

ꟷ A velhice chega para todos, minha querida. – Ele disse dócil, apesar de estar por trás do meu sequestro, ele me tratava com tanta educação – Até mesmo para um homem poderoso, como eu. – Ele disse tossindo e Henrique o olhava preocupado e atento.

ꟷ Essa é a parte justa da vida. – Disse com um sorriso sarcástico no rosto e o velho deu uma outra risada.

ꟷ Você é tão parecida com o seu pai.. – Ele disse e logo desmanchei o meu sorriso, como ele conhecia o meu pai? Porque o meu pai se envolveria com um mafioso?

ꟷ Muitos dizem que me pareço mais com minha mãe... – suspirei.

ꟷ Eu nunca conheci sua mãe pessoalmente, mas a beleza com certeza é dela, com sua sorte, o físico de seu pai você não herdou.

ꟷ Eu também não conheci minha mãe, mas eu conheci o meu pai e não consigo ver em que situação vocês poderiam se conhecer. – Disse e ele tinha um sorriso indecifrável no rosto, era por isso que eu temia Aleksander, a gente nunca poderia prever seus pensamentos, eu não era confortável com nada que eu não sabia e que eu não poderia conhecer.

ꟷ Um dia talvez compartilhemos esse assunto ou não – Suspirei pesado, eu queria saber agora, mas ele ignorou isso e continuou — Mas o real assunto que eu pedi para os dois vierem aqui é que como veem estou muito doente.

ꟷ Você vai ficar bem, meu avô. – Henrique disse segurando a mão do avô que sorriu.

ꟷ Eu também queria acreditar que eu poderia ser imortal, mas não posso. – Aleksander disse irritado e Henrique abaixou a cabeça escondendo seus olhos.

ꟷ Preciso passar o poder da máfia para você, Henrique, antes que alguém da segunda família tome o que é nosso por tradição.

ꟷ Mas nono, eu prometo que vou tomar providencias quanto a isso...

ꟷ Eu sei que vai, mas não há tempo. Você precisa se casar para assumir o poder da máfia, só um homem honrado pode ser líder, porem o seu projeto de casamento anterior não veio a ocorrer. – Os dois conversavam a respeito daquilo tudo e eu apenas observava atento.

Foi uma surpresa descobrir que Henrique já ficou noivo antes, não consigo imaginar uma mulher que queira construir uma família naquela situação, pelo que Susi me contava das máfias durantes as nossas conversas, era que todas as mulheres da máfia tinham que ser submissas aos seus maridos e fiéis as inúmeras leis e tradições da máfia. Uma mulher decente não iria querer se tornar integrante daquela quadrilha criminosa.

ꟷ Então, pensei em uma solução ótima para o nosso problema e que muito me agrada. – O velho dizia satisfeito e Henrique o olhava curioso, já eu só pensava nos cupcakes que Susana fazia na cozinha, estava com fome.

ꟷ Que solução? – Henrique perguntou ansioso.

ꟷ Já mandei organizar sua festa de casamento, porque amanhã você se casa com a senhorita Lancaster. – Aleksander terminou a frase e quem antes estava despreocupada com tudo aquilo, tomou um choque, ou seja, eu engasguei com a minha própria saliva na minha garganta.

Notas finais
Esperando o comentários de vocês, amanha estarei respondendo bjs :)