Em busca de tudo.

1 Capítulo 1- Antônio


Notas iniciais
Olaaaaar, me contem no final da história o que acharam no final.

–Antônio-

O sinal tocou, mas não era o que avisava que a aula iria começar. Bem, digamos que seria, se não estivesse erroneamente programado.

Antônio correu como um louco, mas não em direção à escola, não em direção à sua sala, não naquele dia. Aquele era o dia em que sentir-se-ia livre de professores, diretores, pais, amigos falsos e principalmente da matemática. Aquele era o dia que ele mais esperava no mês. A data? 13 de maio, e naquele dia ele podia fazer o que bem entendesse.

O ponto era que, enquanto corria, Antônio pensava em como seus colegas sabiam que ele nunca chegaria na sala de aula naquele dia, assim como sabiam os seus professores, sua diretora cuspidora de fogo também tinha a consciência disso. Porém, nenhum dos exemplos citados anteriormente se importava com esse fato.

Antônio jogou seu skate no chão e correu ainda mais para poder alcança-lo. Uma vez feito isso, ele remou pela cidade sentindo a brisa bater no seu rosto como se lhe segredasse sussurro aos ouvidos.

Ah. Como Antônio adorava essa cidade, na verdade ainda ama, porque Antônio ainda não morreu e, não pretende bater as botas assim tão cedo, meus amigos.

O inverno havia chegado mais cedo naquele ano, de tal maneira com que os dias ficassem mais cinzentos e as pessoas ganhassem mais elegância, como se o inverno acalmasse o urso interior que a maioria tinha no verão e houvesse o posto pra dormir.

O rapaz foi vagando pela cidade vislumbrando-a, saíra de um bairro nobre, quase no centro da cidade, agora estava em um dos seus bairros favoritos. Esse tal bairro era feito de uma mistura de prédios enormes, casa antigas e pequenos sobradinhos. Mas o que mais interessava a Antônio eram os grafites. Não grafites comuns, aqueles eram grafites coloridos, sensatos e que passavam mensagens de certas ideias sobre o mundo como Antônio nunca havia imaginado antes.

Acabou que nosso rapaz parou bem na frente de um muro, e nele havia um grafite novo, cujo Antônio apaixonou-se a primeira vista.

Pegou o maço de cigarro no bolso, botou um na boca e o ascendeu, contemplando a obra anônima. “Como alguém consegue fazer algo tão lindo e não o intitular de seu? ” Pensou com seus botões. Não havia nenhum rabisco fingido de assinatura no muro, Antônio sinceramente não entendia como alguém com tanto a dizer ao mundo podia esconder-se atrás de desenhos denunciantes de seus pensamentos.

A cabeça de nosso jovem adulto, que ainda era chamado por muito de adolescente pelo simples fato de não ter a responsabilidade toda nos ombros assim como os adultos propriamente tinham, era um pequeno conflito no qual ele não saberia explicar o que acontecia, ou por onde começar.

Por que saia todo dia 13? E se dia treze fosse domingo, ele ainda sairia vagando pela cidade em busca de uma resposta para seu conflito interior? Por que ficava tão angustiado por causa de um grafite qualquer na rua? Por que nunca chamava ninguém para acompanha-lo? Nem mesmo seu melhor amigo poderia ir nessa aventura junto a Antônio?

Ora, se nem ele sabe as respostas, como eu saberei, caro leitor?

Mas voltando a história, o garoto tragou o cigarro de cravo com um pouco mais de vontade, como se aquilo ajudasse-o a achar algo que fizesse sentido no desenho no muro, aquilo falava sobre o governo atual. Mas também relatava a falta de cultura que a sociedade ia ganhando ao longo do tempo, mas o que mais intrigava Antônio era a mulher metade raposa que estava no meio da confusão no muro.

Por que uma raposa? Por que ela estava chorando? Por que naquele muro? E mais uma vez Antônio perdeu-se em seus devaneios particulares. Mas dessa vez, foi diferente.

Algo apenas chamou nosso protagonista dessa história. Ele corria o risco de atender o chamando e nunca mais voltar de seus pensamentos mais profundos. Porém, era dia 13, consequências não o assustavam.

No canto do muro começou a imaginar quem havia feito o tal desenho. Decidiu-se por ser uma garota, cujo não era aceita pelos pais. Essa garota estaria a beira de seus 19 anos e queria ser artista, viver de suas mãos e imaginação, pintar, esculpir, grafitar e até mesmo cobrir o mundo com suas ideias inacabadas.

Seus pais queriam que ela fosse promotora, queriam que ela se casasse com alguém poderoso, que não amaria nem se tivesse uma arma apontada na nuca.

Antônio riu por um momento, sabia que seria loucura, mas viu-se capaz de passar horas a fio conversando com essa garota imaginária, cujos traços grafados no muro ora eram selvagens com um lobo, ora delicados com uma borboleta pousando sobre um flor. A garota parecia estar com raiva, algo havia lhe acontecido, mas o que seria? Há muito seu cigarro já havia acabado, mas o menino mal tinha notado isso, sendo que a bituca apenas jazida na calçada junta com várias outras.

Decidiu então que a menina-raposa seria uma reflexão sobre quem a olhasse. A ruiva era pequena, com olhos grandes e orelhas abaixadas, com uma boca pequena, provavelmente sendo severamente mordida em seu interior pelos dentes que habitavam o lugar, e por fim, uma enorme cauda, cuja era agarrada pelos braços da menina como um bichinho de pelúcia. Essa garota chorava pelos outros, que não podiam, ou não conseguiam chorar seus sentimentos.

Sentiu tudo isso fluindo com um rio voraz naquele muro, era impossível olhar para apenas uma parte do desenho, mas não havia como olhar todos os pontos de uma vez só. De modo com que o grafite causasse um sentimento de desespero que logo era transpassado para a menina-raposa que segurava sua cauda como uma criança assustada.

Será que um dia Antônio seria capaz de tomar a atenção dos outros com algo feito por ele mesmo, assim como a garota indesejada pelos pais conseguiu fazer com ele? Talvez um dia Antônio deixasse seu conflito virar público para pessoas com ele poderem contemplar sua imensidão de palavras embaralhadas que circundavam sua mente na velocidade de um trem-bala.

Então nosso rapaz olhou par ao horizonte sem fim, onde tudo era possível, e perdeu-se para sempre, ou melhor, até o fim do dia de número 13 em devaneios sobre a garota-raposa e as dores que ela tomava dos outros.

Notas finais
deem review na história e comentem o que acharam! ps: qualquer erro no texto me avisem, por favor. BJS KRIDOS
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.