Em busca da verdade
6 Capítulos 4 Parte 1-3
Nem tudo são flores
Continuamos andando para pegar a primeira aula a tempo, Bella me ajudou com as muletas que ''acidentalmente'' caíram. O dia estava bom demais para ser verdade, até aquele ser repugnante aparecer, aquele... aquele... alien pervertido. Que não sabe fazer outra coisa a não ser irritar as pessoas.
Tentei me distrair ou disfarçar, mas parece que ele consegue tudo o que quer.
– Olha só quem está aqui... — Olhando pra mim de cima a baixo ele fez uma cara confusa arqueando uma sobrancelha.
– Oi pra você também. — Respondi com um meio sorriso querendo passar, esbarrei nele de proposito. Minha amiga ficou só olhando, não disse nada.
– Parece que alguém está de bom humor hoje, não é mesmo princesinha?
– Eu não estou a fim de te aturar hoje. – Acho que o maior prazer da vida dele naquele momento era me infernizar.
– Nem ontem, hoje ou amanhã... Sabe acho que é isso que eu gosto de você. Sua sinceridade é o que mais admiro. — Continuei andando com minha amiga, ele nos seguia de preferencia — Existem poucas pessoas que são assim como você...
– Sério, por que você não vai embora de uma vez por todas? Porque você está dizendo a mesma coisa de maneiras diferente e isso me irrita, então... Adeus.
Continuei andando com dificuldade, acabei tropeçando em alguma coisa, Bella me segurou, mas derrubei uma das minhas muletas. Quando me virei para pega-la David foi mais rápido pegando a muleta me dando.
– O que quer que eu diga? — Perguntei olhando para aqueles olhinhos brilhantes do gato do Shrek.
– Um obrigado já basta. — Respondeu.
– Nããoo... Não to afim. — Peguei minha muleta.
– Cass, você não precisa ser tão grossa — Bella colocou a mão no meu ombro — Eu sei que você não gosta dele tanto assim, mas poxa ele está sendo legal e você só conhece ele o que? No máximo um dia ou dois? – Onde estava Duda para bater na cabeça da Bella com força?
– Sinto muito, mas sabe quando você já não gosta da pessoa a primeira vista? — olhei para ele de cima a baixo — Então...
– Cassie, olha aqui, você não tem o direito de falar assim com ele. Deixa de ser essa criança mimada. — Me segurou pelos dois ombros e me sacodiu fazendo minha muleta cair de novo.
David ficou olhando para nós duas como se fossemos um jogo de ping-pong, eu não sabia a certo se ele estava se divertindo ou me caçoando, mas vi um sorriso em seu rosto.
Fiquei um pouco constrangida, o bom é que eu tenho uma cara de pau tão grande, mas tão grande que eu chego a ter orgulho de mim mesma.
– Tudo bem, obrigada... Podemos ir? – Olhei para ela com desleite, ao sair andando lembrei-me que havia derrubado uma das muletas, ao voltar para busca-las David havia sido mais rápido que eu a entregando para mim.
– Obrigada... – Antes que eu percebesse Bella já havia saído de fininho há muito tempo.
Mais uma das coisas que eu deveria colocar em minha lista... ''Matar Bella e esconder o cadáver''. Essa mulher parecia uma ninja.
– Parece que devemos ir... — Apontou ele com a cabeça — já que sua ''amiguinha'' foi sem você. Acho que ela não te ama para te deixar aqui comigo. Sabe com um ''alien'' vai que eu faço alguma coi...
Antes que ele pudesse terminar de dizer o que estava falando eu o segurei pelo colarinho de sua camisa com uma mão e disse olhando em seus olhos bem perto, consegui sentir seu hálito, e disse com as palavras mais devagar e mais rápidas ao mesmo tempo, quase em sintonia e claro cerrando os dentes para mostrar meu lado bem agressivo.
– Olha aqui, se você está pensando em tramar alguma coisa ou me fazer de idiota, pode esquecendo porque hoje eu não estou pra brincadeirinhas entendeu?
Ele deu um sorrisinho diabólico.
– Ah... Você está falando sobre o ocorrido da semana passada? Não se preocupe, eu te perdoou – Ergui a sobrancelha irritada. – Qual é, foi uma piada.
Claro que ele se lembrava do que ele havia feito quando nos esbarramos pela primeira vez. Mas como tudo é motivo de piada...
– Piadas só são engraçadas quando os dois sujeitos participam, entendem e acham graça. Ao contrario disso elas não prestam.
– Eu vi enquanto você corria dando risada. — Ele parou de andar e cruzou os braços me encarando.
– É diferente. – Mais um pouco e eu bateria nele.
– Diferente? Confessa princesinha, você só esta tentando arranjar argumentos para parecer que esta certa ou você só esta com vontade de conversar comigo e não tem coragem de admitir. — Pegou em meu queixo levantando um pouco dizendo bem pertinho de mim olhando para minha boca.
– Eu o que? — Fechei os olhos, agarrei sua mão, olhando em seus olhos, cravei minhas unhas nela — ai como isso foi bom, ele fez uma carinha de feliz e decepcionado ao mesmo tempo, difícil de dizer, respirei fundo e disse — Vamos logo antes que eu me arrependa de ter de ficar junto com você por um bimestre inteiro.
– Bravinha? Hum... Gostei. — Mas que cara de pau ele tinha. — Há se eu não me engano ontem você faltou. Na verdade eu te vi entrando na escola e quando fui te procurar não te achei. Na sala de aula eu te vi pela janela, você estava correndo em direção ao bosque. Cara não achei que você fosse burra o suficiente pra ir naquele lugar sozinha. – Provocar-me deveria ser seu esporte preferido.
Fechei o punho para dar um soco nele, me virei com tudo derrubando uma de minhas muletas, meu punho foi em direção ao seu rosto. Num piscar de olhos fiquei pasma, ele segurou minha mão com milímetros de distancia de seu rosto. Ficou me encarando, virou o rosto um pouquinho para a direita simbolizando ''você não quer realmente fazer isso, quer?''.
Em questão de segundos ele me prensou contra a parede. Baixou minha mão bem de vagar chegando bem pertinho de meu rosto, mais uma vez pude sentir seu hálito, parecia que escovou os dentes a pouco tempo de tão fresco que estava.
Assustada era pouco, arregalei os olhos. Ele abaixou minha mão com delicadeza e disse.
– Eu esperava mais de você — Colocou a mão sobre o peito — estou magoado, profundamente magoado. — como se isso fosse verdade.
– Você me provocou você começou. Você... Você... — Agora eu tinha certeza de que ele iria me matar, ele já tinha cara de gente mafiosa, agora então...
– Tudo bem, tudo bem, calma, não aconteceu nada. — Tá agora eu estava realmente assustada.
– Toma, da pra fazer um pequeno favor? – Entregou-me a muleta e colocou a mão no bolso como se fosse pegar algo. Eu já estava pronta para jogar as muletas para o alto e sair correndo. Com certeza ele tinha uma arma no bolso ou algo muito pesado para me bater na cabeça.
– Qual? — Perguntei hesitante.
– Quer parar de derrubar essa bendita muleta? — Olhei pra ele e dei um pequeno sorriso ele também sorriu. Confesso que sou um pouco exagerada, mas precaução é sempre bom.
– Ok. — Dei de ombros e pelo incrível que pareça nós não brigamos o resto do caminho. E ele tirou o celular do bolso e não um tijolo como eu havia pensado, fiquei feliz por ele não querer me matar.
Espera... Será que ele não fez isso por que tem muitas testemunhas aqui? Ai meu pai, melhor eu andar armada também é sempre bom ficar esperta.
– Mas você merecia aquele soco!
– Se você tivesse me dado aquele soco, com certeza você estaria com problemas.
– Da um tempo vai.
Na sala de aula tivemos que ficar juntos, fiquei olhando para ele o tempo todo tentando adivinhar o que ele veio fazer aqui. De tantos lugares no mundo veio parar justo aqui. Porque ele parece ser inteligente, mas ao mesmo tempo tão ingênuo ou burro.
Nem vi o tempo passar, por mais que eu não prestei atenção na aula, bem que tentei, só consegui prestar atenção em outras coisas não tão importante assim, mas na hora parecia que eu estava fazendo a coisa certa. Não, eu não botei fogo na mochila daquele bostinha, mas até que não era uma má ideia... Muuahh... To brincando, to brincando.
Nos cinquenta minutos em que ficamos juntos, sim juntos porque sentamos um do lado do outro. Fiquei só observando-o, tentei dormir, abaixei a cabeça, coloquei o caderno na cara, mas toda vez em que tentava cochilar o alien ali me acordava, falava que ia chamar o professor ou qualquer coisa que me fizesse não querer dormir, tipo quem faz isso em pleno último ano do ensino médio? Irritava-me de toda maneira possível para me manter acordada, mas o que realmente importa é saber: Quem é ele e o que faz aqui? Será que um dia terei minhas respostas? Não importa se ele veio só de coincidência, mas me escolher pra ficar com ele? Ele é retardado?
Eu sei que isso são perguntas de filmes etc... Mas se acontecesse alguma coisa ou algo diferente? O problema é que mesmo eu querendo algo diferente ainda sim tinha um pouco de medo de tudo que pode me acontecer. Meu livro de aventuras diz que tenho de ser corajosa e não ligar muito para o que acontece, mas mesmo assim a vida é muito perigosa, será que eu vivo ou sobrevivo?
Ao mesmo tempo em que eu quero mudar meu jeito de ser, eu quero ser um exemplo aos que me rodeiam. E ainda sim me dá aquele medo que fica dentro de nós, mas ele esta escondido mais tão escondido que nem eu sei onde esta, porque se eu soubesse com certeza já teria as respostas para todo esse ''sofrimento''.
Voltando ao assunto... Merda, merda, merda, disfarça, disfarça ele está olhando. Ele está olhando, ele está olhando... Oh meu Deus... Espera ai, ele está rindo? Ele não é normal ou será que ele é normal e eu que sou a doida histérica? Essas perguntas são realmente necessárias? Eu realmente estou falando comigo mesma? Ai... Esquece, desisto disso...
Quando eu estava realmente desistindo daquela conversa bati com força minha cabeça na mesa, foi sem querer, mas aiii... doeu... Enquanto eu estava com a cabeça baixa e lamentando minha dor, eu pude ver ele me olhando. Senti seus olhos sobre mim.
Qual é... Isso era mesmo necessário? Ficar me olhando o tempo todo? Tá, eu não sou nem uma santa, mas... Espera o que isso tem a ver? Aiii... desisto de mim mesma. Tchau, e isso é tudo pessoal.
– Hei acorda. Cassie acorda... CASSIEEEEE... — Acordei e um pulo que quase cai da cadeira.
– Ai meu Deus... — Dei um sorrisinho para todos que estava me encarando, claro com esse vexame tem que me olhar mesmo. Levantei da cadeira apontando o dedo em sua cara. — Que que foi? Não basta eu estar grudada em você? Você ainda tem que me fazer passar vergonha? – A aula já havia acabado? Quantas horas eu havia dormido?
Não bastava ele me deixar falando sozinha ainda fiquei gritando como doida enquanto ele simplesmente saiu andando.
– Hei... Me espera.
Ai droga quase me esqueci, minha perna, não doía, mas ainda me incomodava muito. Percebi que depois que eu quase cai da cadeira, não tinha quase ninguém em sala de aula, nem mesmo o professor. Credo, como essa gente era rápida pra essas coisas. Estudar ninguém quer né? Falou a ''nerd'' da escola.
Peguei minhas muletas e minhas coisas, fui atrás daquele encosto de gente. Como ele era rápido, não demorei nem um minuto e ele já estava longe o suficiente pra me fazer desistir no meio do caminho. Parecia até um ninja, daqueles que você pisca duas vezes e ele já esta em Roma.
– Cass, hei. — Minhas amigas, graças a Deus, eu estava precisando de rostos conhecidos e bem conhecidos.
– Oi, Duda e Bella... Ai... Como me cansa... — Passei a mão em minha testa limpando o suor.
– E o que esta te cansando? — Questionou Bella.
– Não o que, mas quem. — Respondi com ênfase.
– E quem está cansando você? — Perguntou Duda.
– Quem mais? Adivinha. Se acertar ganha um sorvetinho. — Fiz biquinho provocando-as.
– Oh eu sei, eu sei. — Bella levantou a mão.
– E quem seria? — Não deu nem tempo da Bella responder e Duda a cortou respondendo bem rápido
– E quem mais? O bonitão lá né querida! Como vocês são lerdas. -Fiz uma cara confusa e demos risadas juntas.
Bonitão? Jura?
Eu olhei para a Duda e depois para a Bella, coitada a Bella fez um cara de tristeza. Não teve como não rir.
– Olha ele nem é essas coisas não, nada de Deus grego como vocês ficam imaginando. — Apontei para cara da Duda. Ele segurou meu dedo e torceu ele.
Ai que bruta.
– Ata e você nem vai aproveitar né?
– Não querida... — Engrossei a voz um pouquinho terminando com um sussurro puxando meu dedo de volta.
– Ah para vai, vai dizer que não deram nem um beijinho nem nada do tipo? — Fiz uma cara confusa quando me lembrei da cena do quase beijo, de uma hora atrás. Sim isso mesmo, bem na hora que quase dei um soco nele. Elas arregalaram os olhos e ficaram me encarando, tipo... Conta logo. — Conta como foi isso ai!
– Aii, quem sabe um dia eu conto. Mas sabe ele parece ser do tipo controlador e que só quer brincar com as pessoas. Na verdade quero uoutro tipo de romance... — Fiz uma expressão de poder e vitória, igual aos animes, meio que aquela expressão diabólica que só eu entendia. Minhas amigas ficaram me encarando com medo, muuaahh, objetivo concluído.
– Cass, por favor, não haja assim perto de nós, ainda não estamos acostumadas com suas loucuras. Você concorda com isso Bella? E é claro que ela concorda. — Duda nem deixou a garota responder e logo foi colocando palavras em sua boca.
– Qual é, convivem comigo há tanto tempo e ainda tenho que ensinar a vocês como eu sou? Isso é triste é muito triste e desconfortável. Quer saber não quero mais conversar com vocês. – Comecei a andar.
Eu estava decepcionada. Mentira estava nada. Às vezes eu era muito brincalhona e não ligava para o que os outros diziam, acabava levando as coisas tão na esportiva que eu deveria ser a maior atleta desse país. Frase de Facebook? Talvez, mas não posso negar que seja a verdade.
E elas nem vão vir atrás de mim? Magoou.
Andar com uma bolsa, duas muletas e meu pensamento não era tão fácil quanto parecia. Logo mais avisto Bryan.
– Oi, Cass... Está tudo bem? – Fez uma expressão de preocupado que quase acreditei.
– Não...
– Não?
– Não, quer dizer, sim... É complicado. Não importa, então... e você está bem ?
– Sim e acho que... — Me olhou de cima a baixo duas vezes — Você não está tão bem assim...
– Sobre aquele incidente da semana passada, não se preocupe já estou bem, serio não tem com o que se preocupar, bom se é que esta preocupado... – Sorri envergonhada.
Ao passar a mão nos cabelos acabei sendo desastrada – como sempre, derrubei minha bolsa. Rá, não foi à muleta dessa vez.
– Hei, hei calminha ai. Deixa que eu te ajudo. – Ele pegou minha bolsa, tentei ser educada, mas não deu certo.
– Não precisa... – Diminui a voz.
– Eu insisto. – Levantou-se me entregando a bolsa.
– Me desculpe, mas não gosto de me sentir uma inutil, ainda mais quando não consigo fazer ás coisas sozinha. – Encarei o chão envergonhada.
– Isso não é coisa para se envergonhar – Ele ria.
– Qual a graça?
– Você. – Me encarava, como ele conseguia sorrir com olhos dessa maneira?
– Eu? – Agora eu estava confusa.
– Você é doidinha... – Doidinha? – ...diferente, não aceita certas coisas, se alguém brigar com alguém que você gosta, então essa pessoa estará ferrada. E para finalizar, você gosta de ser independente.
– E você descobriu isso tudo em uma semana? – Ergui a sobrancelha rindo.
– Tenho meus contatos. – Sorriu.
Isso foi sinistro, não sei se eu ficava feliz ou com medo. Às vezes eu acho que sou um pouco bipolar, mas só um pouquinho.
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