Em busca da cura

1 Prólogo - Não importa se é antiético


Notas iniciais
Oieee, mais uma fic, curta como o de costume, será três capítulos e já está tudo devidamente escrito, o primeiro capitulo está curto, mas os outros dois são bem maiores.
Espero que gostem, e desculpem os erros, vendo um é só comunicar que tentarei o arrumar o mais depressa possível.
Boa leitura.

Na janela escorria as pequenas gotículas de água daquela noite chuvosa, deixei meu o rosto entre as mãos para esconder meu choro calado. Estava derrubado naquele momento, eu estava sem armas, não sabia o que fazer. A poucos anos havia perdido minha esposa por uma doença degenerativa, ela ficou cega, impossibilitada e de cadeira de rodas, muitos diziam que eu deveria agradecer, pois muitas pessoas entravam em estado vegetativo, porém... O que diabos eu teria para agradecer? Agradecer a uma doença? Eu havia perdido minha fé, tanto no homem como naquele que dizem tudo ver, e agora... Via-me mais uma vez em prova de fogo, meu filho com uma doença rara deitado sobre a cama desacordado.

Ele precisava de sangue.

E para completar minha sorte?

Não posso doar por ter um sangue incompatível.

Eu estava a beira da loucura, queria chorar, mas já não se havia mais lágrimas a se derramarem, respirei fundo, meu corpo estava tremulo, encolhi-me contra a cadeira sentindo o meu peito falhar, olhei para o lado, vendo a única pessoa que eu amava em ruinas e não havia nada que eu podia fazer, estava desnorteado, detonado. Era apenas a sombra do homem que já fui, eu já não acreditava em mais nada, nem no amor, nem em deus, eu não acreditava nem mais na vida ou na morte, eu não tinha sentido, eu estava perdido.

Um cão sem rumo desviado de sua estrada pela dor, queria gritar, mas minha garganta estava seca, via-me sem forças e só piorava cada vez que eu olhava para aquele monte de máquinas que mantinham sua vida, era doloroso. Eu faria qualquer coisa para ver sua melhora. Trabalhava duro para bancar o melhor hospital do estado, mas... Dinheiro não era tudo, não era sua cura.

Toquei meu próprio rosto sentindo a minha temperatura fria, estava quase morto, faltava apenas enterrar. O que eu faria? Sem meu filho o que restava-me? O que servir-me-ia? O que poderia ser feito?

Eu faria de tudo, nem que tivesse que dar minha vida no lugar da sua. Passei a mão pelos cabelos lentamente apertando alguns fios, precisava urgente de arquivos de pessoas para averiguar seus tipos sanguíneos, mas isso era antiético.

Cadeia, ética, morte, isso não me importava mais, eu estava desesperado, eu era a ultima chance de meu filho, eu não me reprimiria, daria tudo de mim, faria do possível ao impossível para salvá-lo.

Levantei-me o olhando, abracei meu próprio corpo sorrindo da forma mais dolorida que havia sorrido em toda minha vida, um traço torto era feito em minha face, um nó se alojava em minha garganta e as lágrimas acumulavam-se no canto de meus olhos.

Por que quando amamos alguém e somos felizes algo sempre estraga essa felicidade? Por que a vida é um lugar cheio de pessoas tristes, alegres e infelizes? Onde a felicidade se esconde? E por que eu não sei nenhuma respostas para essas perguntas?

A vida era uma incógnita, uma alavanca que a morte puxava sem a menor piedade, sem a menor dó. Era um ser perverso. Um nó alojou-se em minha garganta enquanto eu me guiava desnorteado pelos corredores, abracei meu próprio corpo em busca do calor que o moletom já não me trazia mais.

Senti meu corpo ser parado por mãos rudes de alguém conhecido, olhei para cima avistando Hyuuga com a cara amarrada entregando-me uma pilha de papeis, eu não acreditava naquilo, ele estava arriscando a sua carreira para me ajudar, ele era um ótimo amigo, eu não o merecia, estava tão perdido o que eu faria sem ele? Como conseguiria os nomes das pessoas daquele enorme hospital, eu precisava de sangue como um vampiro, um sangue especial, um sangue raro capaz de salvar o bem mais precioso que eu poderia ter.

Eu estava em cacos, limitei-me a sorrir, caso algo desse errado não pensaria duas vezes em levar a culpa em seu lugar. Engoli a seco, Junpei não pensou duas vezes em girar seus olhos e dar-me as costas, enfiou as mãos no jaleco branco, a pouco ele havia se tornado chefe dos enfermeiros.

Suspirei pesadamente andando rapidamente para fora do hospital, olhando para as pessoas com aspecto de tristeza como acompanhantes sentados nas cadeiras sem nada mais poderem fazer pelos seus entes queridos, apenas esperando a morte chegar, a ala terminal era a mais triste de todas, os pacientes já infelizes esperavam pelo fim, cansados de lutar por uma vida que já não tinha salvação, cansado de vê o sofrimento nos olhos de quem amavam.

O corredor da morte... Era como chamavam. Somente em saber que temos alguém naquela ala, dói, e como dói. Pior que um milhão de agulhas perfurando seu peito, muito pior, essa dor comparada a essa simplesmente não é nada. Vi uma mãe inconsolada aos prantos, doeu-me na alma aquela cena por momentaneamente passar em minha cabeça que o próximo poderia ser meu filho. Correr era o que eu mais queria, mas eu não podia.

Apresei ainda mais os meus passos, a cada minuto que se passava nessa enrolação poderia causar o fim da vida de meu filho. Desci as escadas rapidamente, não poderia esperar pelo elevador que levaria um século naquela hora, precisava averiguar de uma vez aqueles papeis, essa é a minha única esperança.

Passei pela recepção apressadamente, rumei até o estacionamento aonde com muito custo obtive êxito em abrir a porta de trás do carro. Pousei os papéis ali para poder ir ao meu apartamento analisar tudo. Tomei a frente do veiculo fechando a porta e passando o cinto de seguranças, não me demorei a ligar o carro e sair com ele pelas ruas movimentadas de Tokyo.

Estava cansado, a fraqueza se apoderava de meu corpo, a dias não comia direito, afinal nem tinha apetite para isso. Estava com sono, também não dormia a semanas, estava praticamente morto em vida, as olheiras em minha face eram eminentes. Porém prestei atenção no que fazia um acidente de carro não resultaria em boa coisa naquele momento, checava os retrovisores e não esquecia-me de ligar as setas como deveria.

Ao chegar em meu apartamento, deixei o carro na garagem do prédio. Tirei o cinto pegando a chave enfiando no bolso da calça jeans, recolhi toda a documentação fechando a porta com o pé, andei pela recepção entrando no elevador vazio para poder subir mais depressa ao meu andar.

A cada segundo que aquela caixa metálica se demorava era uma nova agonia em meu eterno sofrimento, o tempo passava tão lento e rápido ao mesmo tempo; lento demais para o elevador chegar e rápido demais para que eu pudesse salvar meu filho.

Engoli a seco suspirando aliviado quando a porta abriu-se finalmente. Andei a passos largos inteiramente apressados chegando ao meu apartamento, coloquei os papéis sobre a mesa da cozinha e tornei para fechar a porta com a chave.

Espalhei os papeis pela mesa e coloquei os fones de ouvidos puxando a cadeira teria um grande percurso e nem que levasse a noite inteira eu descobriria um doador possível.

Notas finais
Foi isso ._. O que acharam? Opiniões e criticas são sempre bem vindo ^^
Até o próx amores ♥