Em busca da cura
3 Não importa se o preço é pago pelo corpo.
Notas iniciais
Olhei para o relógio vendo que eram sete horas, acariciei a bochecha de Naoto que ainda se encontrava desacordado, não pude evitar em sorrir ao fitar seus finos traços delicados, eu o amava, mas amor era uma palavra muito simples para o que eu sentia por ele. Beijei-lhe a testa, sobre sua pele pálida ligeiramente mórbida, afagando seus cabelos lisos calmamente. Cada minuto parecia uma eternidade naquele dia.
Escutei um ruído na porta, olhei para trás, sentia meus olhos marejarem, porém as lagrimas estavam bem presas em meus olhos, encarei o homem a minha frente, ele era de fato alto, e os cabelos arroxeados continuavam os mesmos que desta vez estavam preso em um coque baixo e frouxo, alguns fios sobre caiam em sua face ocultando um pouco os olhos tediosos em tom de púrpura pairava sobre mim, analisando-me soltando um curvar de lábios, em um sorriso sádico... logo seu sorriso desmanchou-se caindo sobre meu filho. Engoli a seco ao ver seu olhar frio sobre ele, frio, sem emoção nenhuma, ele não era assim, eu não entendia motivo para tanto ódio, tanta raiva.
– Vamos tirar logo o meu sangue –, elevou ambas as sobrancelhas. Apenas acenei em resposta dando um pequeno selo na testa de meu filho me levantado, passando por ele de cabeça baixa, o mesmo me segurou pelo braço abaixando o seu rosto para perto de minha orelha. – Tem certeza? Depois não terá mais volta, o farei sofrer até que não lhe sobre mais o amor próprio –, riu em deboche.
– Tenho certeza! – A muito eu não sabia como era me amar, se é que algum dia eu me amei, era um inútil, incapaz de proteger quem amava, era um fracassado. Bom era não, ainda sou.
Ele soltou-me dando um sorriso debochando, eu gostaria de saber naquele momento o que se passava em sua mente, porém, mais uma vez nada fiz ou falei. Ele encaminhou-se para fora do quarto me acompanhando, estava a procura do médico responsável pelo meu filho; cruzei meus braços diante do corpo abraçando-me em seguida, estava nervoso, com medo. Estava apreensivo era verdade, mas estava um pouco mais leve, como se tivesse cumprido um objetivo, finalmente conseguido proteger quem eu amava, não tive tempo com a minha mulher naquele ano em que descobrimos, nosso filho tinha apenas um ano de idade, eu cuidei dele sozinho enquanto dava todo apoio a ela, o amor de minha vida, eu nunca mais amaria ninguém que nem à ela e jamais me relacionaria novamente com qualquer outra, o tipo de amor que eu mantinha era único, vindo para ela desde sempre, afinal nos conhecíamos desde que eu nasci e eu sempre à amei.
Riko perdão, era tudo que eu gostaria de lhe pedir, não sabe o quanto lhe amei e o quanto lhe amo; meu peito se aperta em apenas me lembrar de seus olhos castanhos brilhantes. Minha garganta se embolava somente em pronunciar seu nome, eu não poderia nem olhar uma foto sua sem ao menos ficar atormentado com os acontecidos daquele ano, um sorriso tristonho fora o que brotou em meus lábios naquele momento. Toda vez que me ponhava de frente ao espelho via apenas um homem frustrado, amargurado. Ao fim do corredor extenso era palpável o cheiro de dipirona misturado aos produtos de limpeza aos exageros, girei a maçaneta de prata que abria uma porta branca que me dava acesso ao medico responsável pelo meu filho, a cada movimento, a cada passo naquele dia era uma vitória.
(...)
Observava meu filho recebendo as ultimas boças de sangue, seu cardíaco já estava se estabilizando, suspirei em alivio o fitando pelo vidro da UTI em que estava. Pousei minha mão sobre o vidro que nos separava, passei a mão pelo meu braço ligeiramente nervoso e ao mesmo tempo aliviado, meu sorriso agora não era tão dolorido.
– Obrigado –, sussurrei baixo passando mais uma vez por cima do meu orgulho olhando para aquele ao meu lado de esgueira, de forma um tanto discreta, ele olhou-me de volta inclinando sua cabeça para trás enfiando as mãos no bolso da calça
– Não vai me agradecer por muito tempo e isso pode ter certeza. — Senti a sua mão sobre o meu pulso. – vamos logo quero receber meu pagamento agora! –Puxou-me –, e não reclame de nada, afinal quem quis assim foi você. – Suas íris estavam nubladas por algo que desconheci.
Engoli a seco acenando lentamente me deixando ser puxado mesmo que contra gosto. Não nego que estava temeroso sobre o que poderia me ocorrer naquele momento; neguei com a cabeça e mordi o lábio inferior fortemente. Fui largado no banco de trás de seu carro, ele bateu a porta altamente tomando a frente do veículo, me sentei no banco direito pondo o cinto de segurança, olhei seus olhos pelo retrovisor, ele me olhava de uma forma... Superior como se simplesmente eu fosse um pedaço de carne a ser picado ou golpeado pela faca mais afiada da terra. Olhei para baixo, mas ainda ousei sorrir, meu filho ficaria bem e isso era o que importava, caso ocorresse algo contra mim ele ainda teria o Hyuuga, a pessoa mais confiável que conhecia, o meu melhor amigo irritadinho desde a época em que ainda usávamos fraudas.
Ele dirigia em alta velocidade, desviava dos carros, motos entre outras coisas que interferiam em seu caminho, parecia apressado, afinal de contas não é qualquer pessoa que dirigisse acima de oitenta numa cidade movimentada. Me encolhi contra o banco apreensivo, pular pela janela do carro seria uma boa opção, porém eu iria seguir com minha palavra até o fim, não importando as consequências.
(...)
Ele parou em frente a uma casa grande enfrente a uma enorme loja de doces, não estranhei ele morar em um lugar assim, um completo viciado em açúcar que era; não demorou-se a abrir a garagem com o controle remoto adentrando a mesma fechando a porta em seguida, ele desceu rápido mal tive tempo de retirar o cinto quando a porta se abriu e eu fui puxado com certa violência para fora. Ao entrarmos em sua casa, notei que era tudo um tanto formal e arrumado para um preguiçoso que ele era, mas não duvido que tenha alguém que se responsabilize pela limpeza. O chão inteiramente entapetado por um carpete negro um tanto quanto profundo, a escada recentemente polida ostentava o cheiro da cera.
Algo deslizou em meu couro cabeludo, seus dedos apertaram meus fios os puxando praticamente me arrastando pela casa, a dor era eminente, meus olhos encheram-se de lágrimas pelo ardor, mas nenhum som emitir, o deixei me arrastar daquela forma, ele subiu as escadas e eu em uma tentativa de acompanhá-lo tropeçava em meus próprios pés. Ele abriu a primeira porta que revelava uma suíte, não tive tempo de analisar nada e fui jogado em cima da cama enorme que jazia no meio do cômodo. Minhas pernas foram afastadas, entre elas encontrava-se Atsushi que não demorou em mais uma vez puxar-me os cabelos começando a morder fortemente meu pescoço.
– Isso não acabará rápido, você não sentirá prazer, no dia de amanhã não poderá sorrir, pois eu, não tenho dó nem piedade –, sussurrou rente a minha orelha fazendo com que todas a lembranças ruins do que ele havia me feito rondarem minha mente castigando-me, meus olhos ficaram estateladas quando dei conta do que ele queria.
Eu sequer havia realmente beijado um outro homem, exceto pela vez que ele me forçou pelo desafio do colegial, funguei, até onde ele iria para me ver quebrado? Ao menos ele salvou o meu filho, eu posso aguentar isso, não posso? Vai doer? Vai. Mas quem se importa? Eu sei que no fundo eu sim, mas... Eu não me arrependo, era a vida de meu filho que estava em jogo, a minha é mera futilidade comparada com a dele; seus dentes mordiam sem nenhuma consideração minha pele a marcando, perfurando, deixando-a com diversas marcas roxas, vermelhas entre outras tonalidades. Suas unhas arranhavam minhas laterais por dentro da blusa angustiando-me, era horrível, a vontade de gritar era grande e a apreensão somente crescia em meu peito.
– Não passa de uma vadia fodida –, murmurou em um rosnar segurando minha blusa puxando-a para os lados a rasgando.
O olhei sem nenhuma expressão, como da vez que ele me beijou, como se ele não significasse nada, como se suas atitudes me fossem apenas uma pedra em meu sapato. Lembro que daquela vez ele ficara sem reação, mas eu sabia que agora era diferente, ele estava muito mais entusiasmado em me ferir, fitei o teto sentindo apenas uma lagrima escorrer pela minha face, suspirei encolhendo os ombros e tratei de limpar a mesma ocultando minha fraqueza naquele momento; engoli a seco enquanto um grande nó se alojava em minha garganta me sufocando causando um ardor que eu nunca havia sentido em minha vida.
Murasakibara não demorou-se em rasgar o resto de minhas roupas deixando-me inteiramente nu, eu apenas gostaria de saber como sairia de lá sem roupas; fechei meus olhos tentando me distrair do que acontecia, sem obter nenhum sucesso, seus lábios e dentes marcavam todo o meu tronco, quase arrancando meus mamilos com as sugadas e as mordidas, suas mãos apalpavam minhas pernas as marcando com seus dedos longos, os dedos de sua mão destra deslizaram entre minhas pernas chegando as minhas nádegas, e com isso me remexi aflito ao sentir o ardor dos dedos tentando invadir-me. Resmunguei em dor tentando o empurrar, inutilmente, ele era bem mais forte que eu. Estava com medo e os dedos dele estavam me machucando, me remexi, queria que ele parasse, mas eu não tinha nenhuma reação concreta.
– Agradeça por eu estar lhe preparando! – Rosnou afundando ainda mais os dedos dentro de mim, tentei chutá-lo mas apenas recebi uma bofetada no rosto que tombou para o lado, meus olhos transbordaram em lágrimas, arfei engolindo a seco, meu orgulho estava sujo de lama.
Arfei por ar, estava realmente com dor, seus dedos não cabiam em mim, mas ele insistia, agarrei a roupa de cama com os meus dedos, apertando com força tentando controlar a minha dor e não gritar apavorado, mas não podia evitar as lágrimas, elas eram traiçoeiras. Seus dedos moviam-se para trás e para frente, girando, cutucando, arranhando por dentro causando-me uma dor horrenda, insuportável, solucei baixo, inteiramente desnorteado. Ouvi um estalo de língua por parte de Atsushi que retirou seus dedos de dentro de mim.
– Tire minhas roupas –, ordenou.
Neguei com o olhar, mas irritá-lo, ainda mais naquele momento, não seria uma escolha sábia; levei meus dedos a sua camisa social a desabotoando, estava tonto, sentia o ar cada vez mais denso, quando cheguei no último botão lhe arranquei a camisa, deixei com que as minhas mãos caíssem para baixo, eu não queria que aquilo ocorresse, mas eu não tinha escolha. Desfivelei o cinto que ele usava desabotoando e baixando o zíper em seguida, aquele lugar estava quente. Assustei-me com o volume ali presente que pulsava insistentemente conforme minhas mãos tratavam desajeitadamente tirar aqueles empecilhos.
– Anda logo com isso. – Murmurou entediado, sua voz estava mais grave e um tanto rouca. Mordi meu lábio inferior suspirando angustiado, terminando de arrancar sua calça junto a cueca, virei o rosto para o lado, eu não queria ver nada, apenas terminei de tirar com os pés. – O que está esperando? – Riu segurando meu queixo fortemente com as pontas dos dedos. – Chupe –, olhou-me como se eu fosse um lixo inferior, e foi o que eu me senti naquele momento, um merda, um nada.
– Não quero –, sussurrei quase sem voz fugindo o meu olhar do dele, me sentindo um merda, eu não queria tocá-lo, daquela forma era humilhante.
– Temos um acordo, pouco me importa se você quer ou não, chupe agora, estou mandando! – Rosnou tal como uma fera puxando-me os cabelos fortemente. – Seria uma pena se alguém desligasse os aparelhos quem mantem a vida de seu filho, não é mesmo?
Arregalei meus olhos, estava com vontade de mata-lo, como ele poderia me ameaçar com o meu filho? Desgraçado!
– Não toque em meu filho –, rosnei, irritado, a única coisa que poderia me tirar do sério seria atentar contra a única coisa que restava-me.
– Então faça o que eu estou mandando, sabes muito bem do que sou capaz –, soltou-me um olhar intimidador no qual fiz questão de devolver. Ele poderia fazer qualquer coisa comigo, menos com meu filho isso eu não permitiria nem que eu tivesse que matá-lo.
Ele se sentou na cama, me ajoelhei na mesma me abaixando, roçando meu nariz no pé de sua barriga fechando os meus olhos para não vê o que fazia, desci a minha boca pelo rumo sentindo sua glande entre meus lábios, seus dedos agarraram meus cabelos fortemente empurrando minha cabeça contra seu falo forçando-me a pôr na boca, porém, mau consegui pôr a metade. Meu maxilar doía por estar com a boca aberta ao máximo; comecei os movimentos, sua mão me auxiliava no que eu fazia, a vontade de morder era imensa, porém nada fiz, reprimi toda aquela vontade que tinha de me livrar dele. Apertei meus olhos com força sentindo a ponta de seu falo contra a minha garganta causando-me ânsia de vomito, escutei alguns gemidos roucos vindo dele o que apenas me deixou confuso e irritado, se me odiava tanto por que queria tanto me foder?
– Põe tudo na boca, puta –, mandou dando-me um fraco tapa na face empurrando ainda mais seu falo em minha boca, meus olhos produziram poucas lágrimas no qual foram bem presas para que não corresse o risco de transbordar.
Não era como se eu conseguisse colocar tudo aquilo na minha boca, levei as mãos para o que faltava o masturbando, me sentia perdido, me sentia um lixo usado que logo seria descartado, mas tudo com o tempo é esquecido, assim penso eu. Porém, besta do jeito que sou, as lembranças tornariam a atormentar-me querendo ou não. Sua cintura moveu-se para frente simulando uma estocada em minha boca que me deu uma grande vontade de golfar.
– Olhe para mim! – Ordenou-me mais uma vez. Abri os olhos o fitando, não sabia que forma eu estava, apenas senti as lagrimas que segurava descerem por minhas bochechas, pisquei lentamente tentando evitar que mais delas escapassem.
Atsushi soltou ar pelo nariz fazendo a volta de um sorriso maldoso nos lábios puxando ainda mais meus cabelos movendo seu quadril novamente em minha direção, fazendo-me sentir as veias de seu falo salientarem como se a humilhação que eu estava sofrendo naquele momento o excitasse, era uma tortura psicológica, naquele instante eu não passava de um brinquedo para sua diversão; ele me puxou e me jogou na cama, ficou sobre mim novamente abrindo minhas pernas e se encaixando entre elas, sentia seu falo ereto contra a minha bunda e seus lábios tomaram os meus em um beijo sedento, sua língua se forçava contra a minha fazendo-me entrelaçá-la, eu não queria beijá-lo, mas não tinha escolha.
Suas mãos me puxaram em sua direção adentrando-me de uma vez, meus olhos dobraram de tamanho, soltei um barulho alto angustiado contra seus lábios arranhando seus braços fortemente, enquanto as lágrimas se aglomeravam em meus olhos mais uma vez transbordando, eu estava farto de chorar, porém não conseguia evitar. A dor percorria por todo o meu corpo, segurava em seus braços com força gemendo contra seus lábios, meu corpo tremia, sentia minhas unhas encravarem cada vez mais em sua pele tentando de forma inútil suportar aquela invasão; enquanto eu sentia a dor, ele sentia o prazer; gemeu rouco rebolando contra minhas nádegas esfregando-se em mim fazendo com que eu sentisse nojo de meu próprio corpo.
– A-Atsushi...– Arfei baixo em meio aos soluços de desespero, estava angustiado, atormentado pela dor que aumentava gradativamente a cada movimento circular que ele executava contra o meu corpo.
– Apertado –, arfou direcionando suas mãos as minhas nádegas as apertado, cravando suas unhas nas mesmas arrancando fiapos de pele. – Rebole. – Mandou em um rosnar.
Gemi em angustia tentando me remexer contra o seu quadril, sentindo pontadas agudas em dor, abri mais as minhas pernas fechando os meus olhos conseguindo um pouco mais de êxito ao tentar rebolar, meu coração estava acelerado, desnorteado, sentia-me febril com seus toques, estava sendo um ser desprezível, sentia asco de mim mesmo naquele momento. Seu rosto apoiou-se na volta de meu pescoço gemendo baixo, em um tom rouco com um sorriso maroto que jazia sobre seus lábios, estes que voltavam a marcar minha pele grotescamente. Lhe dei um grande arranhão nas costas com as pontas dos dedos conforme a dor aumentava; eu o arranhava insistentemente, tanto que as pontas de meus dedos já doíam e criavam bolhas. Meu eu estava sendo morto naquele momento e tudo não tardou a piorar; ele começou a estocar-me.
Ele passou a me estocar com violência, indo fundo e bruto, seu quadril se afastava e em seguida se chocava com força contra as minhas nádegas formando um estalo erótico que ecoava pelo quarto, naquele momento eu queria ser surdo e não poder ouvir nenhum daqueles sons. Ele gemia em prazer e eu em dor, era algo contra a minha vontade, mas eu não tinha o direito à escolha. Seus testículos batiam contra as minhas nádegas enquanto seu falo me invadia cada vez mais em investidas nem um pouco delicadas. Algo frio desceu por entre minhas pernas na mesma proporção em que as lágrimas desciam em minha face angustiando-me cada vez mais. A cama batia contra a parede causando um grande baque. Eu sentia-me no inferno estando em um purgatório.
– Assuma que está doendo! – Rosnou contra meu pescoço me dando tapa nas pernas. – Assuma que está vivendo um pesadelo em minhas mãos! – Puxou meus cabelos atacando minha epiderme com mordidas.
– Por que? O que eu fiz de tão ruim para que me odiasse Atsushi? – Foi tudo que eu disse, estava fadigado, era uma mágoa de anos, o que eu havia feito de tão agravante para que ele me detestasse? Para que ele quisesse vê-me tão acabado e humilhado?
– Nasceu –, rosnou me dando um tapa nas laterais de minhas pernas movendo-se ainda mais bruto sendo curto e grosso em sua reposta rasgando minha pele com seus dentes fortemente, era a pior coisa do mundo, seu pênis raspava em minha próstata a deixando dormente. Meu corpo tremia não estando preparado para suportar tal brutalidade, tentei chutá-lo em um momento de raiva, mas nada ocorreu, não conseguia mover a minha perna, meu quadril doía demais.
– Eu tenho nojo de você...– Sussurrei em meio ao choro, meu coração rebuliçava no peito angustiado, só me senti pior ao escutar uma baixa risada por parte do mesmo.
– Eu também tenho nojo de você, ódio, desprezo, você Teppei não passa de um nada, um merda, uma vadia, um fracassado.– Lambeu minha orelha lentamente.
– Eu não sinto nada disso por você, sentimentos fortes demais para alguém que não me significa nada.– Rebati sentindo meu coração em pedaços, onde eu havia errado? Apenas não aguentava mais nada, porém eu não conseguia desistir, era algo que não mudava, por mais para baixo que estivesse tentava de tudo para ser feliz, mesmo isso acontecendo eu ainda lutaria, esta era a verdade.
Ele deferiu outra bofetada em meu rosto mordendo meu pescoço fortemente afastando minhas pernas investindo cada vez mais forte contra mim fazendo o som grotesco do bater de nossos corpos ecoar por todo o cômodo. Solucei baixo angustiado com a dor devolvendo o tapa, estava em fúria como nunca. Arranhei suas costas com mais força, em pura raiva pela forma que estava sendo tratado, eu não suportava aquilo.
– Arranhe mais que eu gosto, vadia. – Esbofeteou meu rosto com mais força indo ainda mais fundo em meu interior e meu estomago se incomodava pela profundidade. Puxei os cabelos cumpridos de tom roxo mordendo seu pescoço cravando meus dentes em sua pele e puxando, afim de machucá-lo. O gosto de sangue tomou conta de meu paladar, ele puxou-me os cabelos estocando profundamente dando-me um tapa, pegando meu queixo parando as estocadas passando a mão por baixo de mim puxando-me para sentar sob seu colo.– Cavalgue –, ordenou-me.
O olhei irritado e ele riu, queria socá-lo, espancá-lo até que ele parasse de me tratar daquela maneira rude e asquerosa. Forcei minhas pernas subindo e descendo o meu quadril sentindo seu falo completamente dentro de mim se afundando enquanto sentava-me em seu colo. Suas enormes palmas deslizavam em meu corpo lentamente chegando as minhas nádegas apertando calmamente roçando seu nariz em meu pescoço com calma segurando minha cintura fortemente. Parei os movimentos que fazia contra seu corpo já que não poderia fazer se estava praticamente imobilizado, estranhei mas logo ele fez manejo para que eu continuasse, fora uma situação demasiada estranha.
Abracei o seu pescoço com os meus braços erguendo-me e soltando o meu peso, tendo-o como auxilio suas mãos me fizeram rebolar em seu colo e ir cada vez mais fundo em meu interior. Arranhei seu pescoço puxando seus cabelos mordendo mais uma vez sua pele para impedir um grito que insistia em querer escapar-me pela garganta, estava doendo cada vez mais, olhei para as manchas de sangue nas cobertas e me desesperei momentaneamente, ele estava me ferindo, ele gostava disso, então... Isso apenas poderia significar uma coisa em minha mente... Que ele era um:
– Monstro –, sussurrei contra seu pescoço enquanto as lágrimas bolavam em minha face mais uma vez.
– Exatamente. – Sussurrou de volta. – vadia. – Apertou minhas nádegas com força as separando tomando meus lábios em um selinho estralado.
– Não me beije – rosnei feito fera lhe deferindo um tapa na bochecha, ele sorriu de forma marota. Seu rosto fora para o lado enquanto sua pele tornava-se avermelhada, sangue escorreu pelo seus lábios, que o mesmo limpou com o polegar.
– Recusou-me novamente, não é Teppei? – Questionou olhando para baixo. –Sempre me recusando como se eu fosse um leproso, vive me perguntando do porque lhe odeio e nem percebe a maneira que sempre agiu comigo... – Arranhou a lateral de meu corpo com a outra mão fazendo-me descer em seu falo com ainda mais força.
– Eu nunca fiz nada –, solucei enquanto meu queixo tremia e mais e mais lágrimas escorriam pelo meu rosto, eu não fazia a menor ideia do que ele falava! – Você quem sempre me humilhou Murasakibara! – Acusei.
– A culpa é sua! – Rosnou. – Se eu lhe trato e tratei assim és porque sempre foi a sua culpa. – Afirmou, revoltando-me com sua fala.
– Minha? Como minha? Eu nunca lhe fiz nada, se quer contava ao diretor que era você que fazia-me todas aquelas "brincadeiras" comigo, nunca revidei, nunca tentei me vingar, diga-me, como a culpa pode ser minha? O que eu fiz para que me humilhasse tanto? — Perguntei já sem paciência e confuso com tudo, minha mente estava turva e lenta, eu nada compreendia. Fui arremessado contra a cama conforme ele puxava meus cabelos fortemente tomando-me os lábios em um beijo voraz, que me sufocava, que me dava angustia. Tentava soltar-me, porém não conseguia, Atsushi tinha o triplo de minha força. Quando finalmente ele soltou-me, pude fitar as íris arroxeadas.
– Por que rejeitou o que sentia por você... – Fora direto em suas palavras.
– E o que sentia? – Elevei ambas as sobrancelhas. – ódio? Asco? Raiva? Nojo? Desprezo? – Revirei os olhos. Como eu iria aceitar esses sentimentos? Eu não iria aceitar seu ódio, menos ainda o seu asco, raiva e seu desprezo.
– Tudo isso eu passei a sentir depois de ser rejeitado –, puxou-me os cabelos começando a estocar desenfreadamente deferindo-me tapas impiedosos. Gritei altamente lhe dando um soco por conta dos meus reflexos, por um momento pude jurar que ele iria me bater ou algo do tipo e por isso havia o socado do nada.
– Desculpa –, pedi sem perceber colocando os meus dedos sobre a vermelhidão do soco que logo ficaria roxo. – E quando lhe rejeitei? – Perguntei. – Pelo que lembro você sempre me tratou dessa forma... – Pisquei lentamente massageando o futuro hematoma.
Sua mão prendeu meus pulsos acima de minha cabeça pressionando contra o colchão, ele virou o rosto para o lado mais uma vez, não por uma agressão minha óbvio, já que não havia como bater nele. Mas pude notar que seu olhar de ódio se desfez. Murasakibara não respondeu-me, apenas voltou as estocadas mais uma vez insanas. Joguei a minhas cabeça para trás abrindo mais as minhas penas sentindo-o se apertar ainda mais contra o meu corpo, ele era pesado, mas nada além do que eu poderia suportar, ele era alto sim, muito alto, mas eu não era tão baixo assim, apesar dele está me estocando de forma insana eu conseguia suportar tais investidas. Seu falo começou a pulsar ferozmente dentro de mim, desesperei-me, eu não queria que ele despejasse aquele líquido grotesco dentro de mim, tentei empurrá-lo mas não conseguia, estava arfante, esgotado, tentava a todo custo tirá-lo de cima de mim porém não conseguia, outro soluço de desespero deixei escapar.
– M-M-Murasakibara... P-Por favor... Tu... Tudo menos isso...– Pensei que ele não aceitaria o que eu pedi, ele me sorriu maldoso, me magoei ainda mais, ele não tinha nenhum escrúpulo para me machucar cada vez mais, ele gozaria em mim, ele terminaria de me quebrar como queria e isso atormentava-me.– Por favor...–fechei os olhos sentindo as lágrimas escorrerem por minha face, estava aflito, desesperado, se ele fizesse isso eu nunca o perdoaria, eu não tinha magoa de si e sempre levei tudo o que fazia como brincadeira idiota de criança, mas agora ele estava passando de todos os limites.
– Me dê um bom motivo. – Estalou a língua puxando meus cabelos lentamente apertando minha cintura me puxando para si indo cada vez mais fundo dentro de mim; engoli a seco segurando em seus ombros tentando fugir, meus olhos mais uma vez encheram-se de lágrimas transbordando mais outra vez.
– Eu não tenho um bom motivo, eu só não quero isso, não desse jeito, por favor, não me magoe dessa forma, eu não quero me senti um lixo usado... Eu não tenho um motivo que o convença, estou apenas lhe pedindo... – Fechei os olhos novamente esperando o que ele decidiria.
– Mas é o que eu quero, que se sinta um lixo usado. – Sussurrou contra minha orelha. – Apenas um verme que somente serve para ser fodido e jogado fora, essa é somente sua utilidade. – Segurou meu queixo fortemente me obrigando a olhá-lo.
Nada disse, o fitei com um semblante de nada, ele não voltaria atrás, ele não merecia mais que eu me sentisse mal, ele apenas me feria e gente assim não merecia que eu me importasse, fiquei quieto, fosse o que fosse eu teria que suportar, eu não tinha escolha, eu não tinha nenhuma saída. Ele gemeu rouco roçando seu nariz ao meu consequentemente roçando seus lábios aos meus. Ele parou o que fazia rebolando contra meu colo, fechei meus olhos fortemente a espera do desfecho de tudo. Meu coração estava dilapidado em um milhão de pedaços, apertei as cobertas severamente forte.
Um vazio apoderou-se de mim, abri meus olhos inteiramente desnorteado olhado para os lados perdido, estava zonzo, senti os jatos contra meu peitoral. O olhei incrédulo, ele havia mesmo se retirado antes que gozasse em mim? Ele... No fim ele não era tão ruim como parecia ser; suspirei em alivio abraçando suas costas colocando o meu queixo sobre seu ombro beijando o seu rosto sem ao menos perceber de forma agradecido que estava.
– Obrigado Atsushi – , o apertei respirando em alivio, estava menos magoado com aquele seu ato. Ele respirou profundamente deslizando sua mão sobre minhas costas logo afastando-se de mim com aquele ar indiferente, alheio a tudo a sua volta: entediado.
– Tome um banho, está imundo. – Resmungou ranzinza.
– Uhun... – Resmunguei de volta tentando me levantar, sentindo-me completamente dolorido caindo em seguida na cama gemendo em dor.
– É melhor dormir –, jogou um blusão em minha direção. — O garoto não vai fugir e o hospital não mudará de lugar. – |Resmungou.
Peguei a sua blusa sem contestar colocando a mesma que ficou cumprida, me deitei daquela forma de barriga para baixo com os olhos fechados sentindo dor demais para me mexer. Abracei seu travesseiro, mesmo estando quebrado, para baixo, inteiramente destruído, não importava, meu filho estava bem e isso era o que de fato valia a pena. Senti um peso sobre mim, ele estava me abraçando com força, eu não entendi aquilo, mantive-me em silêncio, com ele sobre mim. E no fim mesmo eu não entendendo o porquê ele me respeitou... Ao menos parecia que sim afinal ele não gozou em mim, se ele o fizesse esse seria o meu fim.
– Obrigado Murasakibara. – Sussurrei baixinho me encolhendo contra a cama, mesmo que ele não fosse digno de agradecimentos. Virei-me para ele abraçando seu corpo de volta, ele poderia ter me feito mal, porém havia salvado a pessoa mais importante para mim.
– Você é estranho... – Sussurrou selando seus lábios aos meus e dessa vez o permitir.
– Olha quem fala. – Retruquei com fraco ar de riso. Ele fechou seus olhos sem expressão apoiando sua cabeça sobre meu ombro. Soltei seus cabelos suados para lhe afagar os cabelos. – O que você tem? – Questionei notando que algo de errado passava consigo, estava claro, era eminente isso em seu olhar.
– uhnnn eu gostava de você maldito! – Sussurrou o possível problema.
– Quanto amor... – Franzi a testa conturbado com a informação, afinal ele nunca dera indicios de nada, se quer deu uma pista, eu tinha uma cabeça e não uma bola de cristal! – Não acredito nisso, desculpe. – Pedi.
– Mas eu gostava! – Retrucou infantil me apertando ainda mais.
– Não parece. – Lhe retorqui rapidamente arfando altamente por ar, estava inteiramente desnorteado e desconfortado naquele momento, afinal se bem sabia o amor de Atsushi era Himuro ou até mesmo Akashi.
– O ódio é um sentimento muito forte para se sentir por um ninguém, eu lhe odeio porque gostava de você, mas quem disse que você abria espaço para que alguém gostasse de você? Sempre com aquela mulher se não com o quatros olhos e o cara esquisito que não me lembro mais o nome. – Reclamou tal como uma criança.
– Atsushi, como eu poderia ser ao menos seu amigo se simplesmente você me tratava feito um cão sarnento? – Questionei inteiramente perdido, nunca tinha me visto numa situação como aquela!
– A culpa era sua e ponto final se você não ficassem apenas com aqueles três eu não iria me irritar tanto e assim eu não iria lhe castigar. – Rebateu beijando o meu pescoço de forma carinhosa. – Mas você ter perdido certa coisa comigo eu posso reconsiderar o meu ódio... – Apertou minhas nádegas com força.
– Minha divida já está paga. – Murmurei afastando suas mãos de minha bunda, meu rosto aqueceu-se por conta do constrangimento.
– Sim pagou... – Apertou a minha cintura beijando a minha testa demoradamente.
– E então? – Questionei elevando a sobrancelha ligeiramente desconfiado para com seus toques, estava um tanto quanto amedrontado, nunca havia conhecido Murasakibara assim... Tão de perto.
– E então nada... Não vou continuar machucando-o.– Respondeu com os olhos fechados inflando as bochechas.
– Então desculpe-me pelo soco sem fundamentos. – Segurei seu queixo analisando o machucado que já começava a ficar roxo, deslizei meus dedos sobre aquela região com calma.
– É meio que justo não? – Elevou uma das sobrancelhas.
– Justo por que? – Perguntei confuso.
– eu lhe machuquei muito um soco é até pouco. – Respondeu-me.
– Você ajudou meu filho, ele está a salvo agora, então não têm problemas, – um largo sorriso alastrou-se em meu rosto, a muito eu não sorria daquela forma, estava aquecido por dentro, eu havia conseguido salvá-lo, nada mais importava
– justo então? – Indagou.
– justo!– Concordei sorrindo mais uma vez abraçando ele não era tão ruim assim ou eu estava ficando completamente louco.
– Depois de tudo... Quando tudo acabar, quando você for embora... Voltaremos a ser breves desconhecidos um para o outro não é? – Soltou uma risada nasal, uma risada amargurada. – Cada um com sua vida
–Você que sabe...– Sussurrei me sentindo cada vez maia cansado e tonto pronto para dormir a qualquer segundo.
– Hmmm... – Murmurou baixo apoiando sua cabeça sobre meu ombro me apertando beijando-me o maxilar, seus dedos longos tornaram a me afagar calmamente. O olhei sonolento ele estava me sorrindo de uma forma diferente, não tinha mais deboche e nem raiva como antigamente e por isso sorri-lhe levando a minha mão trêmula para seus cabelos lhe afagando vagarosamente. Era um momento que não precisava de palavras, mesmo que ele tivesse segundas intenções ao me ajudar, no fim tudo valeu a pena e teve sua resolução, uma vida fora salva, e uma intriga resolvida.
Seus lábios grudaram aos meus lentamente os pressionando com certa força, senti sua língua pedir passagem e pensei em negar, mas por fim entreabri meus lábios aceitando o ósculo. Aos poucos o toque fora se suavizando, como se não fosse tão forçado, algo que surgira naturalmente. Afundei meus dedos nas madeixas roxas o apertando fortemente; ao nos separamos teve uma intensa troca de olhares, como se naquele momento não existisse um mundo a nossa volta, seus olhos refletiam o quão agitado ele estava mesmo que não demonstrasse, involuntariamente a conexão dos olhos se quebraram, as bocas se entreabriram sem palavras, estávamos olhando um para a boca do outro descaradamente. Senti-me estranho por ansiar pelos seus lábios mas não pensei muito e logo o beijei por vontade própria. Fiquei por cima de si segurando em seu rosto mordendo seu lábio interior. Ele deslizou suas mãos pelo meu corpo lentamente parando no fim de minha cintura subindo mais uma vez somente por acariciar, ele me odiava tanto no passado que me incomodava de um jeito absurdo.
No fim era como todos diziam, o amor e o ódio andavam de mãos dadas; Eu não posso dizer que estou satisfeito com essa satisfação, mas assim como o sangue de Atsushi curou Naoto, por quê não o seu amor não poderia curar a minha dor pela perda de Riko? Não era a mesma coisa, eu sabia, todavia, todos sofremos de alguma doença, uma defasagem, um sofrimento. Apenas não podemos amuar, precisamos sempre ir em busca de nossa cura. E talvez Atsushi não fosse apenas a cura de meu filho como a minha, assim como talvez eu fosse a sua.
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