Em Vermelho
2 Quando se torna real
Notas iniciais
A Claridade se tornava um tanto incomodo, o cheiro de lírios se juntavam com as margaridas e rosas das quais transmitiam a sensação e o cheiro da primavera que se espalhava. O grunhido após receber a claridade a acordara, seu corpo dolorido era difícil de manter-se depois de movimentos que antes normais, pareciam agulhas a entrar em sua pele. Após seus olhos se abrirem, enquanto esperava sua visão acostumar-se, Lucy observava aquele grande quarto. Com dificuldades se levantou assentando-se, estava em uma cama talhada em madeira branca e decoradas com cortinas de ceda, o que podia-se lembrar uma cama de contos de fadas com seu criado mudo escuro ao lado.
Olhava suas vestes, uma camisola de cor branca e laços rosa claro, uma certa curiosidade e receio por saber quem trocou suas roupas a deixava confusa, então, se levantou daquela cama, com sua mania de tocar os pés descalços no chão, deixou os chinelos que estavam ali de lado, enquanto caminhava em direção a um grande espelho que enfeitava aquele quarto, seus cabelos estavam soltos e seu rosto com curativos, ergueu sua roupa observando as estranhas ataduras que a incomodava e as tocava sentindo fisgadas doloridas.
— Então... aconteceu, não foi? — O espelho de alguma forma, não mostrava apenas seu reflexo, mas insistia em refletir seus sentimentos de estar sozinha da forma mais doce e tortuosa. Novamente, o cheiro das flores ressaltava o quarto, foi de encontro a janela que mesmo em meio aquele inverno parecia mostrar uma mudança de estação escondida quando observou o pequeno campo de flores variadas mesmo em baixo do céu acinzentado.
— Vejo que acordou disposta. — Disse uma voz feminina assustando Lucy que virou rapidamente observando a mulher em frente a porta. — Pode ficar calma, não pretendo machuca-la.
— Quem... Quem é você? — Indagou a menina espavorida.
— Meu nome é Rebecca... Rebecca Koling, para ser mais exata. — Respondeu observando-a.
— Pode por favor me dizer porque estou aqui? O que esta acontecendo? Sinto que estou em um labirinto de fatos e perguntas sem respostas, sem saída. — A menina depositou sua confiança naquela mulher a sua frente, aproximou-se e tocou-lhe os ombros com suas mãos rebaixando sua cabeça.
— Fique calma... Todas as questões, em breve serão respondidas, tenha paciência, peço mesmo sendo um pedido egoísta no meio de tantas coisas que esta passando.
Lucy fitou aquela mulher de cabelos negros que em seu sorriso amarelo parecia não saber como conforta-la em meio a situação apropriadamente, mas fora o bastante para se sentir em um local seguro enquanto estava sendo observada por seus olhos negros. As mãos brancas e quentes da mulher levantava seu rosto.
— Vamos, tem que se recompor. — Falou tentando animar pelo menos um pouco o ambiente que havia se tornado pesado. — Vá tomar um banho, bela adormecida, tem um banheiro a esquerda no corredor, após isso, desça as escadas, estaremos esperando lá. — Abriu seu sorriso caloroso.
A menina limpava suas lagrimas enquanto esboçava um pequeno sorriso.
— Obri... — Quando havia dado por si, a mulher havia sumido repentinamente, mas ainda assim completou a frase. — gada. — Seu dia havia se tornado um pouco mais luminoso, mas suas forças estavam limitadas, rodeou o quarto com os olhos e acima de uma comoda estava algumas mudas de roupas e uma toalha ao lado.
A espreita na porta de madeira escura estava a menina e seus olhos castanhos, abria a porta deixando o fio de luz que se formava no chão do corredor escuro se expandir com um pequeno ruído.
— A direita... — Sussurrava enquanto caminhava pelo piso amadeirado fosco, os quadros pendurados em suas paredes em bege eram de alguma forma um tanto intrigantes e assustadores, pois a cada passo que a garota dera sentia que os olhos em tintas diferencias a observa-la. Pinturas, vasos antigos, portas aleatórias, papeis de paredes floridos, até chegar ao banheiro era este tipo de decoração existente, a menina girava a maçaneta dourada inspecionando o ambiente e logo o adentrou, deparou-se com seu reflexo em um espelho acima da pia de mármore e despiu-se, tirava as ataduras em seu corpo com cautela, seu corpo que mostrava os ferimentos fora ignorado após a imagem do mesmo ser daquela noite aterrorizante se tornar visível, Lucy sentou-se no chão gélido encolhendo-se tentando afastar de si, tudo o que lhe causava horror, mas seus pensamentos não a deixavam em paz.
Ela havia ligado a torneira esperando a água morna encher a banheira, se acalmava lentamente enquanto via as ondas da água se formarem, estava impressionada, nunca havia visto uma banheira daquelas, achava que era uma coisa totalmente fora de seu mundo. Colocou seus pés dentro d'água e assentou, seu corpo emergia até ficar completamente submerso, uma sensação única de se livrar de tudo e de todos os jeitos que a palavra "sujeira" pode ser retratada. Depois de restarem alguns pingos que formaram uma breve linha em seu corpo, pegou a toalha e se secava, enxugava seus cabelos e fitou as roupas que haviam lhe entregado.
— "Estaremos esperando lá", foi o que ela disse. — Relembrava a frase dita mais cedo. — Tem mais pessoas?... — Colocou suas novas roupas de baixo e aprontou-se com o vestido marrom que lhe foi dado, um pouco infantil, mas suave a altura dos joelhos e clássico com detalhes em bege.
Ela caminhou não muito longe para chegar as escadas, seu receio de descer a deixava por mais tempo entre a descida e o segundo andar olhando para aquele ultimo degrau, criou sua determinação e desceu, seus pés faziam um som abafado em meio ao carpete vermelho que havia naquela escada, sua mãos naquele corrimão a apoiava em sua descida, seus olhos agora observavam aquele lugar grande onde havia uma mesa de centro com várias cadeiras, que para sua surpresa, quem as ocupavam eram pessoas que a encaravam.
— Então finalmente acordou! — Um jovem de cabelos castanhos havia levantado, empurrando a cadeira para trás, sua feição alegre fora mostrada o que surpreendeu a menina.
— Zack! Vai assustar a garota! — Repreendeu a menina de cabelos loiros quase brancos, fazendo o garoto se assentar. — Parece o vestido que emprestei ficou ótimo em você! — Sorriu se aproximando.
— A-ah! Muito obrigada pelo vestido! — Agradeceu envergonhada.
— Não precisa agradecer. — Riu — Meu nome é Melissa, prazer, Lucy.
— Prazer... Mas como sabem meu nome? — O silencio instalado o que deixou a desejar respostas, das quais falaram que seriam respondidas.
— É uma historia bem longa, criança. — Um homem havia saído de uma sala, foi surpreendente tanto em sua chegada quanto em sua aparência, seus olhos castanhos claros com profundas olheiras, não deixaram de mostrar sua jovialidade. — Aliás, sou August. — Completou retirando suas luvas de couro das mãos mostrando curativos.
Naquela enorme sala, com suas janelas de vidro deixavam a luz alaranjada entrar naquele local, as nuvens se abriam pouco a pouco, assim como a mente de Lucy, que determinada a falar em meio daquelas pessoas perguntou.
— Onde na verdade eu estou? Quem são vocês? Porque tudo isso tem que acontecer comigo? Porque minha vida não consegue mais seguir como antes? Porque?... — Seus estavam marejados, mas não iria chorar, como prometera a si mesma naquela manhã que nunca derramaria uma lagrima sequer.
Entre tantas trocas de olhares, quem iria responder aquela figura insegura e confusa?
— Porque não contam para ela? Essa garota é a que mais tem direito de saber de tudo o que está acontecendo. — Uma menina com coroa de flores havia interferido.
— Então porque não começa a responder as perguntas dela, Hellena? — Falou Zack com rudeza.
— Você sabe que sou uma das piores pessoas para isso. — A garota revirou seus olhos azuis.
— Parem com isso! — Gritou Melissa que bateu na mesa, os copos se mexeram quanto ao pequeno estrondo, fazendo todos a dupla se calar. — Sei que é difícil explicar, mas ficar brigando entre si nunca vai resolver nada, porque estamos tão relutantes contra isso? Como Hellena disse, Lucy é quem mais tem o direito do conhecimento disso.
As discussões haviam cessado, o local estava quieto por breves segundos até a porta do que seria a cozinha se abria, uma mulher com longos cabelos negros tirava seu avental e analisava a porta com as mãos para poder pendura-lo. Seus olhos obscuros foscos eram como se estivessem perdidos, até se encontrarem com o olhar da menina abaixo das escadas que parecia se arrepiar.
— Que bom que acordou. — Sorriu, seus passos eram meio desengonçados, mas diretos quando em direção a menina. — Tem que comer alguma coisa... parece tão fraca. — Sua voz era doce e seus olhos eram de um jeito um tanto amigáveis. As mãos pálidas daquela mulher segurava as da menor. — Algo me diz que você é muito bonita. — Riu baixo. — Vou te contar tudo o que quer saber, pode perguntar qualquer coisa a mim.
— O-onde eu estou?... Quem são vocês?... Porque está acontecendo isso?
— Primeiramente, a senhorita está em um "hotel". Somos apenas pessoas com hábitos, vidas e Hobbies como qualquer outra, mas de um jeito especial. E o motivo disso tudo, são consequências que as vezes podem voltar com mais brutalidade devido a uma ação que contraria o que seria "o certo a se fazer". — Suas mãos deslizaram e ela caminhou em direção a uma cadeira, apontando outra para sentar. — Acho que vai ser difícil de entender, principalmente quem vivera uma vida um tanto pacifica como você, vou fazer o possível para que compreenda.
Lucy assentiu com a cabeça, prestando atenção em cada palavra, que por mais absurda que poderia ser, tudo se encaixava perfeitamente. Era como se fosse contar para alguém, a chamariam de louca, como se estivesse em um sonho continuo.
— Eu...
— Está mais confusa ainda, certo? — August interferiu nas frases da garota, mas talvez seria exatamente o que iria falar.
— Vampiros, lobos, ninfas, feiticeiros... Me sinto em uma historia de contos de fadas e terror... Vocês que estão aqui... O que são? — Perguntou receosa.
— Somos pessoas Lucy... Tratadas como monstros nojentos e asquerosos, assassinos, escorias. — Disse Zack cabisbaixo a vadiar com o anel em seu dedo.
— Sou uma ninfa. — Respondeu Hellena, tirando as pétalas secas da tiara.
— O lobisomem mais bonito da família. — Respondeu Zack.
— Encrenqueiro também. — Disse Melissa, levando um olhar desafiador do lobo. — ... Um homúnculo.
— Contestou.
— Apenas uma fugitiva do exercito. — Falou Rebecca.
— Um simples cientista. — Replicou August retirando algumas cinzas do cabelo castanho.
— A mãe dessa família, que quer que o "mais bonito da família" tire os pés da mesa, posso ser cega, mas não boba... Prazer em conhece-la, sou Elizabeth Blanc. — Sorriu de orelha a orelha. — Seja bem vinda, senhorita Lucy Evans.
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