Notas iniciais
Aqui esta mais um capitulo com cheiro de bolo recém saído do forno! O/ Espero que gostem! Boa leitura!

Estava anoitecendo, podia-se ver isso pelas grandes janelas que o primeiro andar tinha em suas portas e paredes em grande parte de vidro. Estava silencioso e a única coisa que eu tinha em mãos era o chá verde que me deram junto com alguns sanduíches leves.

— Levem Lucy para o quarto, vai ser melhor até acalmar todos. — Disse Elizabeth, ela adentrava a cozinha enquanto amarrava novamente seu avental e punha seus cabelos negros para trás, antes de fechar a porta, aquela mulher acenava para mim enquanto dava um sorriso sincero. Por algum motivo, queria muito ver aquele comodo que parecia seu próprio e especial lugar.

— Poderia me acompanhar, senhorita? — Zack estendeu sua mão, mas fora levemente empurrado por Melissa.

— Não confio em você com ela. — A menina olhou de soslaio para ele que revirou os olhos com um sorriso amarelo de canto, parecia decepcionado.

— Vem comigo! — Ela pegou minha mão e me levou novamente para o segundo andar, logo atrás, estávamos sendo acompanhadas por Rebecca e Hellena.

Eu percebi que ao passar naquele corredor, podia sentir a intensidade das auras a medida que passava por algumas portas e uma delas, eu reconhecia, era fria e um tanto pesada, mas fora rápido pela pressa que íamos ao quarto. Nós quatro adentramos, Rebecca ficou escorada na porta enquanto Melissa sentava ao meu lado na cama.

— Lucy, não quero assustar você, bem vai ser uma tentativa falha eu acho... Mas tranque sua porta por dentro e feche sua suas janelas. É por pouco tempo. — Disse Melissa apreensiva, parecia preocupada. Ela afastou suas mãos que estavam sobre as minhas e saiu do quarto dando um pequeno sorriso.

— A gente vem buscar você assim que tudo estiver certo. — Falou Hellena que trancava as janelas. Ela tomou o mesmo rumo que Melissa após sair não se esquecendo de sua despedida quando deu leves tapinhas em meu ombro depois indo para o corredor.

Rebecca se aproximava de mim me entregando um par de chaves douradas um pouco enferrujadas.

— Fique com elas, vai controlar sua privacidade e quando eu sair tranque a porta. — Disse se afastando.

— Obrigada Senhora Kolling. — Agradeci fechando minha mão que segurava as chaves.
— Não precisa ser tão formal comigo, pode me chamar de Becca, afinal, você é da família agora.
— Ela parecia uma pessoa indiferente com os demais, mas a julguei mal, ela deu um breve sorriso e rapidamente voltou a sua expressão irônica, que mais parecia de sua natureza.

Rebecca, então, ausentou-se do quarto, seus passos abafados foram sumindo e eu havia lembrado de que teria de fechar a porta, estava imersa em pensamentos e caminhei para a entrada do comodo, pensando no que poderia estar acontecendo, voltei a deitar-se naquela cama e deixei as chaves em cima da cabeceira, depois de um tempo escutei as portas se abrindo e mais passos foram ouvidos, eu pensei que não havia tantas pessoas, não havia visto ninguém saindo nem entrando daquele lugar naquela manhã até o entardecer. Mas havia me contentado em apenas deixar a curiosidade que me julgava de lado, então adormeci.

Sentia um calafrio, meu quarto parecia tenebroso, as velas antes acesas não iluminavam mais meu quarto enquanto abria vagarosamente meus olhos percebi em meio a escuridão, apenas salva pela luz da lua minguante que conseguia ver da janela, ainda sonolenta voltei a fechar meus olhos, mas senti o que pareciam unhas a formarem linha em minha perna subindo até meu pescoço, as mãos eram gélidas, um temor sem igual aflorava em mim, até sentir uma dor insuportável em meu pescoço e o sangue cobrir meu travesseiro, eu gritei com todas as forças que tinha, mas parecia que ninguém iria chegar, quando ouvi o estrondo da porta.

Os dentes se desprendiam da minha carne e algo fora jogado contra a parede enquanto passos de outras pessoas se aproximando eram escutados, não conseguia me mexer, apenas conseguia murmurar até notar o toque e a dor quase indescritível.

Quando abri meus olhos, alguém estava me segurando ele havia levantado meu corpo e corria para um outro quarto, atrás dele podia ver a linha de sangue que se formava, parecia a neve naquele dia, mas tudo estava se apagando lentamente, não conseguia distinguir a realidade, a forma que meus olhos abriam e fechavam logo em seguida mostravam cenas diferentes, o inverno, o corredor, até entrar em completa escuridão, mas ainda lembrava do sentimento que o toque me transmitia.

Eu havia acordado em um quarto diferente, tinha pouco mais de três camas, parecia um pequeno local de repouso com lamparinas. Por algum motivo, eu havia levantado, eu desejava estar no quarto onde eu acordava atrasada para ir a escola, o vento da janela era gélido assim como a manhã daquele dia, por que eu chorava, se eu prometi a mim mesma que não podia, que não poderia ter de volta o abraço de minha mãe nem sentir o cheiro do café que ela fazia para meu pai, nem ouvir as reclamações de meu irmão. Os passos de alguém adentrava o lugar, enxuguei meus olhos com as costas de minha mão e observei a pessoa que se aproximava.

— Está se sentindo melhor? — Perguntou August trazendo uma bandeia com suco de laranja com um remédio ao lado. Tinha pratinhos com aqueles famosos sanduíches junto, um café da manhã sempre perfeito. — Tome esse remédio junto com o suco, vai ficar melhor. — Ele não parecia sorrir muito, mas era amigável, parecia se importar sem demonstrar tanto.

— Estou melhor, muito obrigada por cuidar de mim. — Senti a dor enquanto abria o sorriso o que me fez quase derrubar o copo enquanto tentava pega-lo. Aquele homem havia segurado e o colocou em minhas mãos. — Perdão...

— Fique calma quanto a isso... Fico feliz que está se recuperando, eu havia feito alguns pontos e uma pessoa tímida que está do lado de fora do quarto, me ajudou. — Ele olhou de soslaio e eu também pude ver uma figura pequena me observando e logo sumir quando notou. — Ella, entre aqui, ninguém vai te machucar. — Ela entrou pausadamente por um instante, mas veio em minha direção. Seus cabelos castanhos frizzados balançavam de uma forma serena. Ela estendeu suas mãos colocando em meu lençol pequenas margaridas, agradeci, estava feliz e mesmo com dor sorri.

— Obrigada... — Peguei as flores em minhas mãos e então senti um estranho conforto.

— N-não há de que. — Parecia envergonhada e um pouco pressionada sobre o que falar. — M-meu nome é Ella Ran! Pra-prazer em conhece-la! — Parecia uma formação de sentido militar desengonçado, eu ri um pouco, mas deixou a menina mais envergonhada que antes.

— Seu nome é lindo Ella, o meu é Lucy, espero que possamos ser amigas. — Estendi minha mão.

— Sim! — Ela sorriu e o sorriso daquela pequena garota é alegre e grande, apertou minha mão e ficamos assim por um curto período de tempo.

— Ella, pode buscar aquelas frutas que separei para a senhorita Evans? — Pediu August.

— Ah, claro! Eu já volto. — Ella se apressou e quase saiu mas antes acenando para mim, que retribui, parecia o começo de uma amizade muito boa.

— Lucy, você esta repleta de duvidas, eu sei. — Ele assentou em um banco de madeira ao lado da cama e balancei a cabeça positivamente. — Eu não vou ficar prolongando como fizeram a alguns dias com você, mas quero que saiba que tentar fazer-la compreender sem machuca-la foi uma das maiores prioridades em que eles pensaram, não os culpe, mas parece que você teve que se ferir para isso... Muitos dos nossos hospedes... São vampiros. — Vampiros, parecia impossível mas a algum tempo em minha vida, percebi que o real, pode estar escondidos em baixo de um tapete de mentiras. — Um deles fora um vampiro jovem, Louis, um dos mais difíceis de controlar neste hotel e parecia que sua porta estava destrancada.

— Eu fui descuidada... Pensei que havia fechado, mas estava tão distraída que acabei trazendo problemas para vocês, eu sinto muito. — Era tudo minha culpa, eu deveria ser mais inteligente, mais cuidadosa, mas parece que não consigo prestar, apenas me fazer de vitima perante as situações.

— Lucy, levante seu rosto, foi a tempo que Vincent lhe salvou, a primeira vez ele a trouxe para cá... Estava fraca e incrivelmente machucada.

— Vincent?...

— Parece que ele não fora te ver certo?... Ele sempre teve essa personalidade fria, mas não significa que o coração dele também seja. — August levantou e colocou suas luvas novamente. — Se precisar de algo, chame, haverá sempre alguém por perto para lhe ajudar.

— Muito obrigada, eu agradeço o que estão
fazendo por mim e me desculpem pelo incomodo que estou causando.

— Lucy, decidimos cuidar de você, além de fazer parte da família, se tornou alguém importante para nós, não judie tanto de você mesma. — Ele saiu e Ella havia entrado com uma tigela de frutas cortadas a deixando em uma mesa ao lado de onde eu estava sentada, ela apenas olhou para mim ligeiramente e sorriu enquanto parecia seguir aquele homem e mesmo indo embora, eu havia agradecido.

— Obrigada... — Olhei para aquela janela e as estrelas ainda ocupavam o céu, não fiquei tanto tempo desacordada, caminhei até a janela e a mesma luz que adentrava meu quarto antes do incidente, clareava as flores o que tornava aquele jardim mais bonito do que quando se está dia. Mas eu via alguém a caminhar em meio aquelas plantas até parar por breves momentos, eu o observei, os cabelos negros amarrados abaixo do pescoço, a pele branca que me parecia similar e seus olhos vermelhos que agora me observavam me dando um sentimento de pavor, mas não conseguia parar de fita-lo, eu havia encostado em um vaso de planta que me dera um pequeno susto e quando vi, não estava mais lá, mas sentia algo, a mesma presença no quarto que estava.

— Não precisa olhar para trás. — Sua voz, era a mesma que ouvi, meu coração apertou e ouvi seus passos ao se aproximar de mim. O som de botas e tecido do seu sobre-tudo se mover com o vento que se tornou forte ao passar daquela janela.

— Obrigada... Pelo o que fez. — Agradeci, estava tremula o que com certeza ele havia percebido. Aquela pessoa parou a uma certa distancia assim que ouvi seus passos cessarem ele disse.

— Seu sangue tem um cheiro muito forte... Mesmo estando no jardim pude senti-lo. — Não pude distinguir se estava insinuando que eu era um incomodo. — Mas está rodeada de boas pessoas, vai se recuperar. — Senti seu toque na faixa em meu pescoço, meu coração estava aumentando em questão de batidas. — Precisa trocar suas faixas e evite falar ou se mexer demasiado, talvez não possa estar tão perto se precisarem de mais... — A frieza do seu toque se afastava, decidi olhar para trás e me virei impulsivamente.

Era alto, eu sentia seu olhar sobre mim enquanto criava coragem de fitar seu rosto.

— Sente-se. — Disse autoritário. Eu havia sentado novamente na cama enquanto o observava ele tirar seu sobre-tudo e ir até uma pequena gaveta trazendo bandagens e sentando-se logo a minha frente, revirei meus olhos evitando contato direto e ele se aproximou retirando os curativos de meu pescoço. Ele parecia observar aquela ferida e ficara um pouco desconfortável, suas mãos trabalhavam em enfaixar novamente e se afastara. — Vou pedir alguém para vir depois de mim, vai ficar bem. — Ele havia se levantando e pegou sua vestimenta que estava pendurada.

— O-obrigada! — Ele me fitou por um tempo enquanto meu rosto ficava um pouco vermelho desloquei meu olhar, apenas ouvi novamente o barulho de suas botas ao sair daquele quarto.

Não demorou muito até a saída dele do quarto e o sol aparecer lentamente por detrás das montanhas deixando mais viva as cores das folhas do qual a escuridão se afastava tomando um verde mais claro e brilhante junto com a cor forte das flores.

— Então esta é Lucy! — Disse o menino, ele era ruivo e parecia animado. — Bem, eu nunca fui tão bom assim com primeiros socorros, se eu fizer algo errado ou se estiver apertado de mais, me fale! — Ele pegou uma caixinha em uma pequena gaveta e a abriu.

— Tudo bem. — Ri — Você é bem energético. — O observava enquanto procurava algo nas gavetas.

— Um pouquinho, apenas. — Sorriu de orelha a orelha, aquele garoto havia se aproximado. — Henry disse para mim, "Me faça um favor, aquela menina está precisando de alguns cuidados, você consegue fazer isso" depois que me flagrou acordado.

— Então o nome dele é Henry...

— Henry Vincent. — Completou. — E o meu é Philip. — Disse.

— Você parece bem novo, quantos anos tem? — Perguntei curiosa.

— Tenho vinte. — Eu havia me assustado, não parecia tanto assim. — Sem uma barba eu fico parecendo um pré-adolescente, certo? Tenho que conviver com isso. — Sorriu amarelo.

— Eu não quis dizer isso, desculpe se te magoei.

— Eu estou brincando. — Seu sorriso era contagiante. — Mas, Lucy... Mas seu irmão, seu nome é Carl, não é verdade? — Sua pergunta me pegou de surpresa, principalmente por não saber como ele conhecia meu irmão.

— Como sabe disso? — Perguntei com estranheza.

— Eu voltei para este hotel esta noite e todos estavam conversando sobre uma humana que passara a morar aqui, bem, pedindo para que os vampiros não fizessem mal a essa tal pessoa, mas acabou saindo do controle a situação com o mais novo. — Sua feição mudara e o tom de voz também, eu estava assustada. — E na minha volta, eu vi uma carruagem levando o que seria um menino de cabelos castanhos ondulados, parecia machucado.

— E porque não parou eles!? Se meu irmão esta vivo, porque os deixou levarem!? Ele esta machucado e vai saber o que essas pessoas querem com ele! Agora que eu sei que meu irmão está vivo! — Minha raiva crescia, me levantei da cama e estava completamente decidida a ir atrás dele, mas algo paralisava meu corpo.

— Você acha mesmo, que com o nível de poder que aquelas pessoas tinham, eu conseguiria ser capaz de destruir o que seriam quase seis deles? — Ele caminhou até minha direção ficando a minha frente. — Apenas um feiticeiro como eu sozinho contra eles não conseguiria viver por tanto tempo. Como se eu não tivesse um pressentimento de querer ir atrás deles, você me julga...

— Me desculpe, eu me precipitei, só queria ver meu irmão, ele é a única pessoa que eu tenho... — Meu corpo foi liberado e cai sobre meus joelhos assentando no chão. — Quem são essas pessoas que você fala? Porque eles estão fazendo isso?

— Eu não sei o motivo... Mas sei que são seguidores de Salvatore. — Disse com enlevo de aborrecimento.

— Carl... — Era minha única chance e esperança que consegui encontrar em meio a tantos sentimentos de perda um sentido, meu irmão.

Notas finais
Eae honeys! XD Espero que tenham gostado do novo capitulo! Muito obrigada por lerem! Beijos rosados com glitter dourados! Cambio, desligo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.