Em Ruínas

1 Capítulo - Sonhos


Acordou ofegante e soava bastante. Saiu do quarto e desceu as escadas em direção a cozinha. A madrugada trazia um ar de escuridão ao local, a luz do poste não agia com eficiência, ainda mais com a tempestade que cobria o lugar. Abriu a geladeira e pegou um copo de leite. Rapidamente, tomou o leite e já foi se voltando para o quarto. Enquanto subia as escadas, a silhueta de um homem magro e não muito alto lhe surpreendeu. Luther foi empurrado pelo homem e rolou escada abaixo.

Acordou com os gritos da Mãe:
- Luther, saia já dessa cama, vai se atrasar novamente. — Dona Rosa era uma mulher alta, magra, com um zelo extremo por seus dentes, morena, pele clara e tinha olhos castanhos assim como os do pai. Foi abandonada pelo pai aos seus 3 anos, o que sabia dele era o que sua mãe, vó de Luther, lhe contara. Era conhecida como a melhor confeiteira da cidade. Distown não uma cidade muito grande, mas também não era tida como um vilarejo, era um simples município, a cidade dos sonhos. — Será que todos os dias tem que ser a mesma coisa?

Luther também se perguntava isso. Será que todos os dias seria a mesma coisa? O que aquele sonho que se repetia tantas vezes significaria? Ao invés de ficar horas refletindo, Luther se levantou, e se aprontou para a escola, era o último mês de aula, a pressão das provas finais era maior que o significado de um sonho. Mas não deveria.

Sua professora de inglês era a Sra. Hooter, muito bem casada, ou melhor, era muito bem casada. Seu marido havia morrido dois anos após terem casado. A causa da morte nunca foi descoberta. Mas o que se sabe, é que a Sra. Hooter conseguiu-lhe dar muito bem com a morte do marido, recuperou-se rápido e voltou a dar aula. A Sra. Hooter era a professora mais odiada por Luther, talvez porque Luther não se saia muito bem em inglês. Mas o mais curioso na Sra. Hooter era que ela tinha cara de homem, nos bastidores da classe os alunos diziam que ela era um transexual e que o falecido Sr. Hooter suicidara ao descobrir.

Distown era uma cidade chuvosa, raro eram os dias de sol, mas nos últimos dias muitas tempestades se encontravam presente na cidade. Luther quase não tinha amigos na escola, seu único amigo era Luke, um menino comum se comparado com os outros. Mas Luther era diferente, não em seu físico, não era muito alto, nem muito magro, era um garoto comum de quatorze anos, o que lhe diferenciava era seu cabelo branco e a sua curiosa maneira de pensar, sempre com propostas de soluções como jamais vistas antes.

A Sra. Hooter entrou na sala, todos fizeram silêncio. — Vamos iniciar o teste — Disse ela. Portanto iniciaram o teste. Luther preencheu o cabeçalho e começou a ler as questões. Quando ia começar a escrever a resposta da primeira questão a luz de sua sala se apagou, a tempestade tendia a piorar. A Sra. Hooter disse a todos que se acalmassem que logo a luz voltaria, e que não precisariam se preocupar com a prova. Então todos fizeram uma pausa, a professora começou a recolher as provas, quando chegou perto de Luther um raio rasgou o céu em encontro com a terra, por um instante Luther achou que a professora era o homem de seu sonho. "Devo estar dormindo muito mal" pensara Luther, a professora terminou de recolher as provas e sentou-se a mesa. A luz não voltou tão cedo e acabou que não houve tempo para a realização da prova.

Dona Rosa sempre buscava Luther na hora certa, sempre que Luther era liberado sua mãe estava na porta da escola a sua espera, isso seria constrangedor para algumas pessoas, mas para ele não. Considerava a mãe uma vencedora por criar um filho sozinho, sua pai sofrera um acidente de moto quando Luther ainda era criança. Luther viu o carro de sua mãe chegando e correu em direção ao veículo. Estavam indo para casa, os diálogos de sempre: "como foi seu dia?", "algo diferente hoje?". Mas algo não tão rotineiro acontecera naquele dia. Em uma estrasa a caminho de casa a iluminação falhara e com a forte chuva o parabrisas estava sempre borrado pela água. Um veado apareceu no meio da rua, Dona Rosa virou o carro num susto, no entanto não houve acidente.

- Está tudo bem? — perguntou Dona Rosa
- Sim, e com a senhora? — disse Luther
- Estou bem também, vou dirigir um pouco mais devagar. — Decidiu Dona Rosa.

Ambos chegaram em casa seguros, Luther tomou banho e jantou. Até chegou a sentar para fazer dever de casa mas com os acontecimenos do dia deixou de lado e decidiu ir logo descançar. A chuva para por um tempo. "Talvez as coisas melhorem" pensou Luther, se ajeitou e logo pegou no sono.

Acordara ofegante e soado. Voltara a chover. Ligou a luz do quarto, calçou seu chinelo e desceu as escadas em direção a cozinha. Abriu a geladeira em busca do leite mas não o encontrou, tomou um simples copo de água. Subiu as escadas indo em direção ao quarto a silhueta de um homem lhe surpreendeu, por alguns instantes pensou "Ótimo vou ser empurrado de novo", e Luther foi empurrado mas dessa vez não saiu rolando como no sonho, alguém o segurou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.