Notas iniciais
Escrevi esta fanfiction ouvindo a musica Angel, do grupo Era, repetidas vezes. Segue o link caso queiram conhecer a música e/ou ler enquanto a ouvem.

http://www.youtube.com/watch?v=RTGxUadoyU0

Há noites onde o céu se enche de luzes coloridas... Auroras luminosas dançando no negrume estrelado, maravilhando homens e youkais. E então nessas ocasiões, eu me lembro...

Após cair, senti a mordida da terrível fera e meu sangue quente escorrer sob uma forte dor.

Senti meu corpo dilacerar. Senti o gosto de sangue em minha boca, e o cheiro de terra úmida. Mas logo tudo se tornou escuridão. E então já não sentia medo. E não sentia nada.

E, de repente, luzes coloridas em forma de vapor se fizeram visíveis, formando imagens que nunca vira antes... Eram belíssimas nuvens de cor no meio do nada... E uma bela voz começou a cantar bem suave... Uma voz melodiosa como voz de mãe.

Tudo o que eu desejava era correr para ela, me atirar nos braços do ser misterioso que cantava, e me sentir aconchegada.

Eu tentei correr em sua direção, e então percebi que flutuava naquela vasta imensidão negra com nuvens coloridas e vaporosas!

Flutuei, procurei pela voz... E outras se juntaram a ela formando um coro, acompanhado por suave melodia de instrumentos.

Compreendi.

Os Anjos* me chamavam.

Eu quis atender ao seu chamado...

E então me lembrei daquele que encontrei na floresta, a bela criatura de cabelos prateados e olhos de ouro...

Anjos me chamavam...

E eu senti falta do youkai que conheci... E que se preocupou comigo por um breve instante, por assim dizer. Ele poderia ir comigo?

Anjos me chamavam...

Eu queria ir com eles, mas o youkai não poderia...

Anjos me chamavam...

E meu coração de menina chorou pelo youkai que não conheceria os anjos...

Meu coração chorou, meus olhos verteram dor líquida — cristalinas lágrimas amargas.

As nuvens vaporosas me envolveram, eram úmidas, mas não frias... E de súbito todas as cores se tornaram uma só, perdendo-se em si mesmas para dar lugar a um único tom branco.

Então à minha frente, daquela névoa branquinha, se materializou uma figura que era homem e mulher ao mesmo tempo. Sua pele era negra e suas vestes pareciam mais finas que a mais pura seda... Era o portador da voz melodiosa!

Seus olhos, que pareciam conter tudo o que existe**, eram pura compaixão e sua voz tinha o poder de enxugar minhas lágrimas. Seus cabelos brancos eram tão longos que percebi estar pisando neles, e todo o espaço onde estávamos eram seus fios! Tímida, não quis me mexer. Mas a criatura parecendo perceber isto, se aproximou e me abraçou, cantando.

Quando me soltou, ela silenciou o cântico. Sorrindo, apontou para trás de mim. Virei-me...

E vi o youkai através da névoa. Ele desembainhou sua espada e cortou o ar descrevendo uma meia-lua. E um imenso clarão, rápido como um flash, se formou, ofuscando minha visão...

E então comecei a perceber novamente meu próprio corpo, levemente dolorido.

Percebi que estava no colo de alguém... Seria do anjo?

Abri os olhos aos poucos. E, contra o verde da floresta, estava o par de olhos dourados com uma bela meia-lua entre as sobrancelhas. Os cabelos prateados cascateando por suas costas, era ele, o belo youkai! Seus olhos eram impassíveis, mas pude perceber que neles havia assombro. Eu apenas sorri para ele, enquanto a canção dos anjos serenava no meu coração e a voz melodiosa diminuía rumo ao silêncio, deixando no lugar um sentimento profundo de paz.

Eu era apenas uma menina e não poderia compreender a grandiosidade de tudo aquilo.

Eu apenas sorria. Eu descansava em seu braço. Olhava para o youkai poderoso que me trouxe de volta da melodia celeste e da imensidão do outro mundo.

Eu estava viva novamente.

Notas finais
Notas da Autora

1-Utilizei a palavra "anjo" no lugar de "Tenyou", pois não sei se trazem o mesmo significado.

2-Utilizei a expressão "olhos que pareciam conter tudo o que existe", ao invés de dizer "olhos que pareciam conter todo o Universo", pois tal ideia não fazia parte da vivência do povo da era feudal.

A todos os leitores, um grande abraço!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!