Em Meio ao Caos

3 Capítulo 002 - Amizade?


Notas iniciais
R.E.V.I.E.W. é nozes.

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Alice e Isabella vasculharam todos os apartamentos do 3º andar, mas não havia condições para conseguirem viver lá ao menos por uma noite. A maioria dos apartamentos exalava um cheiro forte de carne putrefata. Quando chegaram ao final do corredor que fica no 4º andar, viram um pequeno grupo de zumbis se alimentando dos restos mortais de duas pessoas, uma delas, uma criança. Isabella ficou chocada. Ela nunca tinha visto algo parecido.. Seus olhos lacrimejavam, embaçando seu óculos. Alice tampava sua boca para que não fizesse nenhum barulho.

– Vamos, Isabella, vamos sair daqui antes que eles nos vejam. – Sussurrou Alice.

Isabella apenas balançou a cabeça acenando que sim. Elas saíram em direção às escadas. Alice decidiu que não podiam mais ficar naquele prédio. Estava na hora de partir. Pegaram o resto de suas coisas no seu apartamento antigo e foram em direção ao carro, mas Isabella ainda estava pensando no que tinha presenciado. Ela percebeu isso, e tentou acalmá-la.

– Sabe, a primeira vez que eu vi uma daquelas coisas comendo a carne de uma pessoa, eu também fiquei chocada. Achei que esse dia jamais chegaria. Pessoas se transformando em aberrações e comendo outros seres humanos. É assustador quando você vê isso pela primeira vez, mas logo você se acostuma. Digo, não que aquilo não seja doentio. Mas você se acostuma com ver aquilo. Ainda mais quando você quase vira comida para esses malditos. Não somos amigas ou algo do tipo, mas não gosto de te ver assim. Você parece ser uma garota legal. Quem sabe a gente até se dê bem.

Isabella parecia mais calma e não disse mais nada até chegarem em algum lugar seguro. Ela sabia que querendo ou não, ela não estaria sozinha, o que a fez se sentir melhor.

– Aqui, chegamos. É o prédio Watchtower. Conheço mais dois lugares, mas este é mais seguro. Há dois supermercados aqui perto, podemos coletar mais suprimentos e mais rapidamente – Disse Alice, aliviada.

– Hum... Alice... Como você sabe tudo isso?

– Meu pai sempre foi muito preocupado comigo. Quando eu era pequena, de vez em quando, ele me levava para uma floresta que era perto de uma fazenda que ele tinha, não era muito longe daqui, e me ensinava várias coisas. Sobreviver na floresta, se aquecer na noite, coletar recursos, caçar veados, ler mapas. Muitas coisas úteis num momento como esse. Na época, eu adorava, mas achava que nunca ia precisar usar tudo aquilo. Então, quando fiz 12 anos, ele me deu este canivete. Ele dizia “Uma menina linda como você não pode andar por aí sem algo para te proteger dos males da vida!”... Eu achava graça, mas era verdade. Este carinha aqui me ajudou muito em tempos difíceis.

Ela estava pensativa, lembrando-se dos bons tempos em que ela ficava junta com seu pai.

– Vamos seguindo, não podemos ficar muito tempo aqui fora. Podemos chamar atenção dessas coisas.

–Sim... C- Claro...

Prédio Watchtower – 20h57min

Alice e Isabella procuravam algum apartamento com condições básicas para dormir e tiveram sorte. Elas acharam um apartamento no 2º andar, que estava em perfeitas condições, cheio de suprimentos, limpo. Parece ter sido abandonado assim que a epidemia começou. Alice avista algumas bonecas, um videogame e dentro da geladeira, uma embalagem de Nutella e o prazo de validade ainda não tinha expirado.

– Caramba! Parece até que eu estou em casa! Nutella, um Xbox e bonecas de pano! Nunca achei que ficaria tão feliz depois dessa merda toda!

– Nossa, eu nunca achei que você fosse do tipo de garota que joga videogames... – Disse Isabella, surpresa com a reação de Alice.

– Como é? Eu não jogo videogames, eu VIVO videogames, mulher! Bom, pelo menos costumava fazer isso, até isso tudo acontecer. Ah, que se dane, eu tenho Nutella agora!

– Acalme-se, Alice, você vai chamar atenção... Você sabe... Daquelas coisas nojentas...

– Tá, relaxa, vai ver o que mais tem nesse pedacinho do paraíso. Enquanto isso arrume nossas coisas e coloque tudo que temos que possa servir de arma em cima dessa mesa, por favor. – Disse Alice enquanto colocava uma colher de Nutella na boca.

– Alice! – Gritava Isabella, da cozinha. – Achei uma coisa que possa te entreter.

– Ah meu Deus, o que mais pode ter nessa casa feita por anjos? – Perguntou Alice, empolgada.

– Serve uma faca de guerra?

– Cacete, eu vou desmaiar! Como tantas coisas boas podem existir em um só lugar? Eu conheço essa, é uma Faca estilo Tactical usada pelos SEALs!

– Quê?...

– Meu pai me ensinava tudo sobre facas e espadas. Ele adorava lâminas, uma vez, cheguei a fazer uma espada com minhas próprias mãos!

– Você é totalmente o oposto de mim, Alice. – Isabella esboçou um sorriso.

– É, você tá certa, hehe...

Alice escutara um barulho vindo do corredor, parecia alguém pedindo socorro, gritos e grunhidos. Ela se encaminhou até a porta com seu canivete em mãos.

– Alice, não faça isso! – Disse Isabella assustada.

– Shhh! Fique quieta e pegue a faca que achou! Rápido, droga!

– Alice, não!

Alice abriu a porta e viu três zumbis tentando agarrar um homem que estava no chão, sem condição de se defender, temendo por sua vida. Alice corre para matar um zumbi, mas é pega de surpresa por um deles, que agarra seu braço e rasga sua jaqueta. Jaqueta que foi dada pelo pai, em seu aniversário de 16 anos. Neste momento,ela explode em ira e arranca o braço do zumbi...

– DESGRAÇADO! –Gritava e urrava Alice, que esfaqueava o zumbi com raiva...! – VOCÊ VAI PAGAR! MALDITO!

Alice estava fora de si. Ela sentiu algo que nunca havia sentido antes. Ela atacava os zumbis com destreza, desferindo golpes descoordenados.

Após massacrá-los, Alice percebe o que fez. Se ajoelha e solta a faca no chão. Ela lembra de todos os momentos que ela passou com seu pai. Fica paralisada, olhando para o nada e Isabella corre para ajudá-la.

– Alice, Alice! Você está me ouvindo?

Ela estava imunda de sangue. Sangue dos que um dia já foram vivos, mas agora, são aberrações. Encarnações do mal, não têm alma. Não têm sentimentos. Apenas uma vontade insaciável de sangue.

– Alice! Rápido, vamos voltar para dentro! – Dizia Isabella assustada com a reação de Alice. – Venha rápido, vamos para dentro!

Ela pega seu estimado canivete e levanta, ainda chocada. Ela entra em casa e senta-se no chão.

– Vou ver se o chuveiro ainda funciona, fique aí mesmo!

O homem que estava sendo atacado se levantou e entrou no apartamento, e parecia ter uma ferida no braço que sangrava muito, manchando o carpete marrom do piso.

– O que é isso? Você foi mordido? Foi mordido? – Perguntou Alice, assustada.

–Ah, isso não é uma mordida. Fui esfaqueado por um ladrão e vim correndo até aqui. Aqueles zumbis devem ter seguido o cheiro do meu sangue.

– Isabella! Pegue os remédios, rápido, ele vai sangrar até a morte se não fizermos nada!

Alice ia se levantar do sofá, mas seus joelhos falham, ela cai ajoelhada no chão. Provavelmente, por ela estar abalada com o que aconteceu.

– Alice! – Disse Isabella, preocupada.

– Não é nada, vá pegar os curativos! Rápido!

– S- Sim, sim.

Isabella pegou os curativos e o anti-inflamatório para tratar da ferida do homem. E enquanto o ajudava, Alice ia o interrogando, que disse ter 40 anos de idade e se chamava Laurie...

Apartamento – 00h06min

Alice e Isabella dormiam.

– Alice. Acorda, eu ouvi um barulho.

– Esquece, Isabella, volta a dormir.

– É sério, Alice eu ouvi um-

Um zumbi entrou no quarto e estava andando em direção às duas, e Alice num rápido movimento, agarrou seu canivete, que estava debaixo do travesseiro e o chutou na altura do peito, e rapidamente, o esfaqueou na cabeça. Algumas gotas de sangue caíram no chão. Ela o arremessou para o lado e acendeu a luz. Era ele. Laurie. Ele atacou Alice. Acreditar num estranho quase custou suas vidas.

– Maldito! Ele mentiu sobre ter sido mordido. Desgraçado! –Alice dá um chute na cabeça de Laurie. – Não acredito nisso. Merda!

Alice matou Laurie...

Mas ele não era o único zumbi naquele apartamento...