Notas iniciais
Música que me inspirou: https://www.youtube.com/watch?v=Mp0P9YpNTiY Espero que gostem.

– Dificuldades para dormir? – Ouvi Charlie antes de vê-lo adentrar a cozinha. Não sorria mas seus olhos brilhavam.

Eu estava encostada ao lado do fogão, modiscando pedaços de frutas guardadas numa travessa – provavelmente preparadas e guardadas por ele – e assim que meus olhos o focaram, prendi a respiração.

Charlie estava sem camisa.

Nada. Nadinha.

Antes que começasse a enxergar detalhes, abaixei a cabeça e foquei em terminar aquelas frutas e me trancar no quarto. Havia passado por coisas demais e minha cabeça parecia estar preenchida com vácuo – eu só precisava de algumas horas de paz que logo estaria revigorada. Sentia a tensão pesando sobre meus ombros.

Charlie soltou uma risadinha e pegou um copo de vidro e caminhou até a geladeira, atrás de mim. Escutei o barulho da porta sendo fechada e depois mais nada. Por dois segundos acreditei que estava sozinha ali, mas então sua voz rouca falou próximo ao meu ouvido.

– Não quer que eu cozinhe algo para você? – Meu corpo tremeu de susto e apoiei as mãos na bancada. Inspirei fundo e não respondi sua pergunta. Como já disse, estava tensa demais para passar por qualquer outra situação, por mais ridícula que fosse. Eu só queria paz.

Precisei de cinco segundos inspirando e expirando para voltar à ativa.

Estiquei a mão para despejar o resto das frutas no lixo e joguei a vasilha, vazia, dentro da pia. Havia dado dois passos quando uma mão, segurando firme meu braço, me fez parar no lugar. Virei o rosto, irada, e encarei aqueles olhos azuis cinzentos com muita raiva. Mas talvez tenha feito com pouca intensidade pois Charlie não demonstrou nenhuma expressão de medo ou reclusa, apenas...ficou lá. Me encarando de uma forma inexpressiva.

Observei seu rosto, depois olhei para o local aonde ele me segurava e tornei a olhar para seus olhos. Mas ele não demonstrou mudança e eu, sem conseguir fazer mais nada, apenas virei o rosto e esperei sua boa vontade de me soltar.

Eu nunca soubera lidar com situações.

– Beba. Você está, claramente, nervosa. – Depois de alguns segundos Charlie se pronunciou, ainda segurando meu braço. Virei o rosto e notei que ele me oferecia o copo que havia enchido com água, e que eu acreditava ter servido para si.

Cedendo, torci o corpo para alcançar o copo com a mão do braço que ele não segurava, e bebi dois grandes goles da água. Fechei os olhos e inspirei profundamente. Expirei com a boca aperta e inspirei mais uma vez. Havia escutado boates de que esse simples ato – inspirar pelo nariz e expirar pela boca – ajudava as pessoas a melhorarem, mas comigo ainda não havia sofrido efeito nenhum. Talvez fosse pelo motivo de eu ser diferente. De não ser como os outros. Ah, como eu gostaria de ser como os outros.

Estava tão absorta nos meus pensamentos que não senti Charlie soltar meu braço e subir a mão para alisar meu rosto. Seu toque foi tão delicado que primeiramente não acreditei tê-lo sentido realmente mas na segunda vez tive certeza, e com os olhos arregalados, virei meu rosto na sua direção.

Suas órbitas estavam distante e ele parecia olhar para algum tipo de relíquia. Seus dedos percorriam uma linha reta que ia da minha orelha até o maxilar, acompanhado de seus olhos até que estes encontraram os meus olhos bicolores e sua mão segurou meu queixo. Senti ele esticar o dedão e tocar meus lábios, sustentando nosso olhar. Não consegui ter nenhuma ação, apenas fiquei ali...vendo-o me encarar e sentindo seu toque.

– Eu te ajudo a dormir. – Disse de repente e deslizou os dedos até meu pescoço. Acreditei que iria me enforcar, presumindo ter alguma ironia na sua frase mas ele apenas continuou acariciando, delicadamente, minha pele. Desceu para minha clavícula e ombros, sem nunca quebrar o contato visual. Ele alisou o braço que segurara até chegar nas minhas mãos e as afagou mas hesitou, por dois segundos, quando chegou na minha cintura e eu precisei me mexer.

Como quem leva um choque tremi e me afastei, virando o corpo para colocar o copo sobre a pia e já correr cozinha à fora. Infelizmente fui devagar demais. Charlie me barrou, colocando uma mão no meu caminho e me prendendo contra a bancada, ao lado do fogão. Ótimo. Incapaz de olhar em seus olhos e com meu coração batendo forte contra o peito, fitei o chão mas depois subi os olhos para seu abdômen, mantendo, sempre, a cabeça baixa.

– Sei que não é fácil, mas vai se acostumar mais rápido do que imagina. – Charlie disse. Senti seu hálito bater na minha clavícula e fechei os olhos, reprimindo qualquer pensamento íntimo. – Eu posso te ajudar. – Nesse momento Charlie desceu vagarosamente as mãos até as minhas coxas e as depositou lá.

Como instinto levei minhas mãos até as suas e as puxei, apressadamente, mas, para minha surpresa, elas não se mexeram. Olhei para seu rosto, transbordando raiva e vergonha.

– Como ousa? – Sussurrei entredentes. Charlie apenas sorriu de canto e apertou levemente minhas coxas. Aquilo me causou um frenesi interior e precisei respirar fundo e fazer uma força monstruosa para manter meu semblante sério. Mas ele não pareceu intimidado e apertou e alisou mais uma vez minhas coxas antes de subir as mãos até minha bunda.

Com minhas mãos ainda sobre as dele, tentei mais uma vez tirá-las de lá mas aquilo só o fez apertar minhas nádegas com vontade, fazendo-me arfar. Ele esperou que eu retomasse a respiração para aproximar ainda mais seu corpo ao meu, prendendo-me contra a pia. Precisei apoiar minhas mãos na bancada. Seu peitoral nu apertou meus seios e seu pescoço batia na altura da minha cabeça, deixando-me ainda mais envergonhada.

Charlie subiu as mãos para as minhas costas e, totalmente entregue, fechei meus olhos para sentir, melhor, seu toque. À medida que Charlie subia as mãos, levantava, também, minha curta camisola de seda.

Quando ele encontrou a fina alça, seguiu para meus seios, apertando e massageando-os. Ele alisou meu bico sensível com o dedão e então o tomou com a mão inteira. Fez isso em ambos. Encostei minha cabeça na curva do seu pescoço, eu já não respondia mais por mim, e meus lábios encontraram sua pele. Aquilo pareceu motivá-lo.

Charlie largou meus seios e desceu as mãos até minha barriga, subindo e descendo no meu abdômen e depois parando sobre minha cintura. Senti seu perfume de desodorante com lavanda se intensificar cada vez mais e inalei alto aquele cheiro. Ele, então, apertou de modo possessivo minha cintura e desceu as mãos novamente para as minhas coxas, mas dessa vez me erguendo e me sentando na bancada.

Pega de surpresa, levei minhas mãos até suas costas e cravei minhas unhas na sua pele. O escutei gemer baixo e se encaixar no espaço entre minhas pernas.

Charlie passou as mãos pelo interior das minhas coxas e as apertou firmemente. Ele levou uma mão até o pano da minha calcinha, fazendo-me arfar e abraçar seus ombros. Minha pequena mão – que levei em encontro à dele – se apertava sobre a sua enquanto ele encontrava o espaço entre minhas pernas.

Charlie então apertou lá. Eu gemi, mesmo que a calcinha estivesse o impedindo de fazer mais do que queria. Era quase impossível não apertar minha mão sobre a dele e contorcer-me compulsivamente. Ele aproveitou que eu estava inquieta para apertar ainda mais.

Charlie estava sorrindo, gostando da maneira como eu estava entregue. Então, como se estivesse guardando o melhor para o final, ele puxou o pano da minha calcinha para o lado e tocou meu clitóris. Charlie começou a fazer movimentos de estímulos e logo comecei a arfar sem parar, soltando um gemido vez ou outra. Tirei minha mão que só o atrapalhava e comecei a arranhar seus ombros e logo parti para suas costas.

À medida que Charlie pressionava mais e mais, foi preciso manter minha boca junto à pele do seu ombro e vez ou outra eu mordia-lhe pronta para chegar ao clímax.

Ele me mantia firme junto ao seu corpo, com a outra mão sobre minha bunda – me pressionando e me impedindo de me afastar dele. Parecia que pretendíamos nos fundir ou algo do gênero.

– Evie? – Meu subconsciente conseguiu escutar enquanto eu me entregava ao meu tio na bancada da cozinha. Acreditei ter escutado errado mas então minha mãe chamou uma segunda vez e dessa vez sons de passos na escada vieram acompanhados. De repente a realidade caiu no meu colo e eu compreendi a tamanha gravidade da situação em que me encontrava – com meu tio, me estimulando sobre a pia da cozinha, e minha mãe, que descia à minha procura, podendo nos pegar no flagra.

Arregalei os olhos e tentei afastá-lo mas Charlie manteve os olhos cheio de desejo sobre mim e não parou com os movimentos circulares sobre meu clitóris. Eu mal tinha forças para sustentar meu pescoço, o que diga conseguir empurrá-lo para longe.

À medida que escutava os passos da minha mãe se aproximando da cozinha o pavor ia crescendo dentro da mim na mesma proporção em que Charlie intensificava os movimentos. E aquela mistura de prazer com medo de ser pega fez com que eu chegasse ao meu clímax no momento em que escutei minha mãe pisar na cozinha. Abrindo, involuntariamente, minhas pernas eu joguei as mãos para trás e torci minha coluna – ficando numa posição inimaginável por mim –, fechando os olhos.

Mas por alguma intervenção divina, escutei Lenna caminhar para longe, pegando outro caminho.

Eu, então, não havia sido pega.

Charlie havia puxado minha cabeça e enfiado sua língua na minha boca no exato momento em que eu a abrira para gemer alto. Se não fosse por ele, mamãe teria nos escutado e visto tudo.

Infelizmente não consegui conter meu gemido. Felizmente ele sabia como conter para mim.

Não gosto de admitir mas beijá-lo só fez com que a sensação se intensifica-se ainda mais e enquanto eu pendia a cabeça para trás, sentindo aquela sensação tomar cada célula do meu corpo, me fazendo relaxar e sentir sonolência, os lábios do meu tio começaram a beijar algumas regiões do meu pescoço.

Depois foi tudo escuridão.

Notas finais
Eai o que acharam? Ninguém vai surtar, nem me agredir, certo? Prometo não demorar! XO