Notas iniciais
Espero que gostem.

Fechei os olhos para sentir melhor a brisa fresca bater contra meu rosto. Mesmo estando no verão o sol continuava fraco e ventava muito. Charlie chegou a perguntar se eu queria que ele subisse o teto mas agradeci e preferi sentir os raios solares sobre minha pele. Se ele estava me observando, não sei, e também não queria me importar. Não naquele momento.

O que minha mãe havia dito sobre ter sido delicioso seu passeio com meu tio, na vez em que chegaram com sorvete para mim, era verdade. Tinha algo na forma livre com que o vento batia no nosso resto que era libertador.

Como havia virado um costume, desde a morte da minha babá, eu mesma passei a arrumar meu cabelo – falhando vergonhosamente, no início, mas agora, depois de muita prática, já sabia fazer penteados mais elaborados. E como um presságio hoje eu havia feito um coque no topo da cabeça e envolvido sua base com uma trança. Havia ficado frouxo e mechas curtas logo se soltaram mas não precisei me preocupar em tirar o cabelo do rosto enquanto fazíamos o caminho de volta para casa.

– Não foi tão bom, já que você não estava lá. – Escutei Charlie se pronunciar depois de minutos ambos calados. A verdade era que não havíamos proferido uma palavra se quer – apenas troca de olhares. Ele olhou rapidamente para mim e, lendo meus pensamentos, se explicou: — No dia em que fizemos o passeio. – Pausou. – Queria que tivesse ido.

Ah, sim. Aquele dia. Charlie olhou mais uma vez para mim e sorriu de canto. Era difícil não sorrir-lhe de volta, ainda mais quando aqueles óculos o deixavam ainda mais charmoso e um ar de juventude caia sobre si – tirando o fato de ele ser bem mais novo que meu pai era – então virei o rosto e me ocupei em olhar para as casas que passavam vagarosas.

É claro que ele podia ir mais rápido, mas Charlie preferiu manter a velocidade reduzida e parar ainda nos sinais amarelos. Ele pretendia retardar a chegada pelo máximo de tempo, e estranhamente aquilo não me incomodou.

Depois de um tempo ele ligou o rádio e não sei o que mais me impressionou nisso, o fato do rádio do aparelho funcionar perfeitamente ou a música “In The Moonlight” de Blithe Field começar a tocar.

– Minha preferida. – Charlie comentou, olhando para a estrada à sua frente. A minha também, pensei.

– Porque demorou tanto? – Foi a primeira coisa que minha mãe perguntou assim que Charlie entrou na mansão, mas ao me ver logo atrás dele seu sorriso caloroso desapareceu numa rapidez inumana.

Ela descobriu que meu tio tivera a própria iniciativa em querer buscar-me na escola e desde então começou a exigir ao máximo da sua imaginação para criar compromissos e ocupações no mesmo horário em que eu voltava para casa, para que Charlie ficasse impedido de me buscar.

Assim como eu, ela também sabia que Charlie não se negaria á um pedido vindo dela. Não enquanto quisesse residir na nossa mansão.

Nem eu ou meu tio lhe demos uma resposta e Lena apenas empinou o nariz, avisando num tom neutro que o almoço já estava pronto. Subi as escadas correndo, quando Lena se virou para caminhar em direção á mesa de jantar.

– Não se atrase demais...dessa vez. – Escutei Charlie pedir quando eu estava quase no topo da escada, fazendo-me parar. Não me virei nem o respondi, apenas terminei de subir os degraus e entrei para meu quarto.

Notas finais
NÃO DEIXEM DE COMENTAR! XOXO