Em Família

11 A Linha Tênue


Notas iniciais
Preciso compartilhar que estou gostando muito de escrever essa fic. Espero que gostem.

– A que horas chegou, Emma? – Perguntou Lena, olhando para a convidada que havia ficado para o jantar.

Como de costume, Charlie havia preparado um elaborado jantar e dessa vez fora servido peixe com legumes. Emma limpou a boca com o guardanapo de pano antes de responder, sorrindo, para a loira aruivada.

– Por volta das sete. – Ela respondeu com simpatia e olhou rapidamente para o único rapaz da mesa, notando que este olhava para o prato da menina que estava sentada ao lado dela. Tinha um sorriso discreto nos lábios.

– É mesmo... – Conseguiu responder a matriarca. – E quando vai embora? – Perguntou ignorando a etiqueta de educação e boas maneiras.

A senhora arregalou o olhos, surpresa com a franqueza da mulher e respondeu, encarando-lhe decepcionada.

– Ainda vou decidir. Pretendia ficar só uns dois dias mas...agora penso que deveria ficar um pouco mais. – Ela virou o rosto para olhar para Charlie mas depois virou-se para Evie, que estava ao seu lado, na tentativa de não levantar suspeitas. – Passar algum tempo com a Evie.

Evie parou de mastigar e olhou para a tia que a encarava com um sorriso no rosto. A menina não esperava por aquela resposta da tia.

Lena pensou ter notado uma troca de olhares cheio de significados entre Emma e Charlie, mas depois acreditou não ser nada demais.

– Será bom para ela. – Lena respondeu e Emma olhou-a horrorizada com a forma a qual ela estava agindo.

–Charlie. – Emma chamou.

– Tia Green. – Ele cumprimentou.

– A quanto tempo está aqui? – Quis saber.

– Bem pouco. – Ele respondeu sem mais detalhes. Lena se intrometeu.

– Estamos tão gratas que ele tenha se afastado um pouco dos seus compromissos na Europa. – A ruiva disse, lançando um sorriso para o homem.

Emma soltou a faca e a deixou cair no chão. Seus olhos estavam arregalados e seu rosto foi coberto por um véu misto de surpresa com horror. Ela correu seus olhos assustado para Charlie, depois para Lena e então novamente para Charlie, parando nele: — Europa? – Perguntou com a voz trêmula.

– É. – Lena simplesmente respondeu. Charlie limpou a boca no guardanapo de pano e se levantou, retirando da mesa seu prato que continuava intacto. Emma não deixou de notar que o cinto que ele usava já estava gasto – o cinto de Bryan; mas esse detalhe ela não tinha conhecimento. Emma e Evie acompanharem, com os olhos, a saída de Charlie da mesa.

– Lena, querida, depois do jantar creio que nos duas deveríamos conversar. – Emma pediu, preocupada.

Lena riu e sacudiu os ombros: — Estamos conversando.

– À sós. – Completou Emma.

– Sobre o que?

– Sobre o Bryan, por exemplo.

– Bryan? – Lena perguntou com a expressão um tanto chocada.

– Sim Lena, Bryan! Meu sobrinho, seu marido falecido. – Emma estava tão desesperada que disse as palavras de forma rápida, não as medindo. Lena abaixou a cabeça com os olhos marejados.

– Eu sei quem é. Acho que não esquecerei seu nome tão cedo.

Emma suspirou irritada consigo mesma por ter pouco tempo e não estar conseguindo fazer progresso: — Eu sei que não. Só estou pensando que há providências a serem tomadas. A serem resolvidas.

Lena suspirou, entendo sobre qual assunto Emma estava querendo se referir.

A herança.

– Nosso advogado nos disse que nada disso lhe diz respeito. Você não está no testamento. – Ela respondeu dando de ombros e bebendo mais um gole do vinho.

– Não, querida, refiro-me a algo totalmente diferente. Como por exemplo... – Emma parou, escolhendo melhor as palavras. – Conversarmos sobre morarem com o Charlie, dessa maneira.

Evie viu Lena abrir a boca num “O” perfeito, como se tivesse acabado de receber uma ofensa imperdoável. Foram ouvidos barulhos de passos e Charlie retornou à sala de jantar segurando uma bandeja de prata com três xícaras de chá de maça com folhas de hortelã.

– A tia Green não se intimida quando se trata de expressar opiniões a meu respeito. Como quando Bryan me pediu em casamento. – Emma soltou o ar pela boca e apoiou a testa com as mãos. Lena continuou falando diretamente para Charlie. – Mas tia Green pode ficar surpresa em saber que essas opiniões não são desejadas, necessárias ou apreciadas.

– Lena. – Emma chamou num tom mais alto, batendo a mão sobre a mesa fazendo as xícaras de porcelana cantarem, na tentativa de fazer a ruiva cessar.

– Você entra na minha casa e me ataca em um momento como esse! – Lena aumentou ainda mais o tom de voz, com o olhar cheio de ódio sobre tia Green.

Evie, que apenas observava tudo, direcionou o olhar para Charlie que a observava pelo canto dos olhos, com um sorriso discreto nos lábios. Ele claramente se divertia com a situação e Evie se perguntou o porquê.

– Lena... – tia Green tentou afagar a mão que a ruiva havia deixado sobre a mesa mas esta a retirou e pediu que não a tocasse. A senhora tampou a boca com o guardanapo de pano e seus olhos azuis marejaram. O silêncio tomou o lugar.

– Estou certo de que a tia Green não insinuou nada. – Charlie se pronunciou, recebendo os olhares dos outros componentes sentados à mesa. – Não quis insinuar nada, não é mesmo tia Green? Ou quis?

– Não. – Emma respondeu à pergunta feita para ela. – Não, é claro que não Lena querida.

– Agora, algumas de você gostariam de tocar algo no piano para nós? – Charlie perguntou, direcionando seus olhos cinzentos à Evie.

– Não, obrigada. – Mãe e filha responderam em uníssono.

– Boa noite, tia Green. – Charlie depositou em beijo na bochecha da senhora, se despedindo. – Ah, qual é mesmo o nome do hotel em que está?

Tia Emma pareceu receosa ao responder que estava no Palace. Charlie concordou com a cabeça e andou até o motorista do táxi, passando-lhe o endereço.

Após o nosso jantar, minha mãe inventou uma desculpa sobre não podermos acomodar a tia Emma na mansão e lhe pedimos um táxi. Tenho certeza de que todos os hotéis estariam vagos, afinal, o fim do ano ainda não estava tão próximo então não me preocupei.

Tia Green ainda tentou, de modo amigável, chamar minha mãe para tomarem café da manhã juntas amanhã.

– Terei dor de cabeça pela manhã. – Ela simplesmente respondeu e tia Emma entristeceu o olhar.

– Passe a noite aqui, tia Green. Deixou o jantar muito mais agradável. – Disse sorrindo de forma sincera e não precisei virar para saber que minhas costas ardiam pelo olhar de raiva que Lena me lançava. Emma sorriu e afagou meu rosto com uma das mãos.

– Obrigada, querida. – Ela começou a me puxar em direção ao táxi que havia parado um pouco distante da onde estava Charlie e mamãe. — Mas uma senhora precisa de um tempo sozinha para se recuperar. Boa noite, minha criança. – Havíamos parado ao lado da porta de passageiro. E num movimento discreto, tia Emma colocou um pedaço de papel na minha mão esquerda e sussurrou “Ligue para mim.” ao depositar um beijo na minha bochecha.

Ela entrou no táxi e eu fechei as mãos em punho. Charlie caminhou até o meu lado e acenou para o táxi. Enquanto víamos o veículo amarelo sumir no meio da floresta escutei mamãe entrar para dentro da mansão.

Permaneci ali até não ver mais nenhum resquício do amarelo ovo, com Charlie lealmente ao meu lado.

Notas finais
NÃO DEIXEM DE COMENTAR! E que tal uma recomendação? XOXO