Em Cada Ponta Do Infinito

34 O beijo - A maior burrada da minha vida.


Notas iniciais
Tudo bem, eu sei que demorei -*-*- Me perdoem véy -*-*- volto amanhã com mais -*-*-

Parecia que nada mais no mundo existia. Naquele parque, só havia eu, ele e as estrelas no céu. Olhei bem em seus olhos e tive a certeza de que o amei desde o momento em que o vi. Ele encostou seus lábios de leve no meu, como se pedisse permissão, e quando viu que eu cedi, me beijou de verdade. Não existe palavras pra descrever isso. O que os livros contam, em momentos como esse, nunca vão chegar aos pés do que realmente é. Nunca.

É como se várias borboletas se juntassem na minha barriga e começassem uma dança bem agitada. Sabe aquele momento em que você está morrendo de sede e finalmente consegue agua? Ou aquele momento em que você está morta de cansaço e finalmente consegue se sentar? Ou até mesmo, o momento em que você finalmente se encontra e descobre que aquele é seu lugar?

Então, no momento em que ele me beijou, senti isso.

Quando terminamos, ele me olhou nos olhos e eu dei um sorriso sincero. O abracei e ficamos assim, por um bom tempo, até que ele finalmente disse:

– Sabe que temos problemas a resolver certo?

Assenti com a cabeça e preferi não pensar nisso. Mas era impossível. A qual quer momento, eu teria que voltar pra casa e de um jeito ou de outro, o acabaria encontrando. Lucas também teria que enfrentar Rayane.

– Se importa se ficarmos mais um tempo aqui? – Perguntei, e ele deu um sorriso.

– Pra sempre.

– — -

Estávamos caminhando de volta pra casa, quando vi Marcelo ainda na porta de casa. Abracei Lucas mais forte, como se de algum modo, ele pudesse me proteger.

Marcelo caminhou em nossa direção, e ignorando Lucas, me olhou nos olhos.

– Eu falei que não iria desistir de você, Tayse – Falou – Sabe que eu amo você não sabe?

Aquelas palavras me abalaram de um modo profundo. Como nos dias que nos conhecemos, seus olhos brilhavam e me olhavam com admiração. Todo ódio que eu sentia se foi e eu tive vontade de me jogar em seus braços, mas Lucas me segurava.

– Tayse, por que não vamos conversar um pouco? – Perguntou Marcelo, tentando me afastar de Lucas.

– Ela quer falar com você — Lucas disse sério, mais ainda com calma – Por que não vai embora e a deixa em paz?

– Por que você não se manda daqui e some? – Marcelo disse e de repente, deu um soco – fraco, mais ainda um soco – no ombro de Lucas.

Lucas me soltou no mesmo instante e se aproximou de Marcelo.

– O que você disse mocinha? – Lucas disse.

– O que você ouviu nega – Marcelo disse, brincando com fogo e rindo da cara de Lucas.

– Você sabe que está brincando com fogo não sabe? – Lucas disse, se aproximando mais de Marcelo, fazendo-o a dar passos pra trás.

Porém, Marcelo não se rebaixou e disse alguma coisa pra Lucas, que o fez estremecer de raiva. Lucas o pegou pela gola da camisa e o empurrou contra meu portão. A batida fez um estrondo tremendo e eu pulei de susto.

– Lucas! – Gritei, tentando finalmente o impedir, mas ele me ignorou.

– Repete! – Lucas gritou, com tanto ódio que seus olhos ferviam – Repete! Repete! – Continuou, com ainda mais raiva – Repete mocinha, repete!

Marcelo começou a ficar vermelho, pois as mãos de Lucas agora estavam em seu pescoço.

– Repete – Lucas gritou mais uma vez.

– Lucas, já chega – Me aproximei.

Antes que eu conseguisse o afasta-lo literalmente de Marcelo, Lucas deu um soco nele e finalmente se afastou, fazendo com que Marcelo cambaleasse e caísse no chão.

Então ali estava eu, entre os dois, pronta a fazer a decisão mais estupida da minha vida.

De um lado estava Lucas, totalmente em perfeito estado e do outro Marcelo, caído no chão.

– Vamos Tayse – Lucas disse.

Alternei o olhar entre Lucas e Marcelo, e vi arrependimento e dor em seus olhos ao me ver correr até Marcelo e me joelhar ao seu lado.

Toquei o cabelo de Marcelo e sussurrei que iriamos ficar bem. Olhei pro lado em que Lucas estava e o vi virar de costas e ir embora, sem olhar pra trás.

Meus olhos se encheram de lágrimas ao pensar na burrice que fiz, e tentei correr ao seu encontro, mas Marcelo me segurou.

– Eu sabia que você ainda me amava – Disse – Fomos feitos um pro outro Tayse. Eu amo você.

– — -

– Ai! – Marcelo exclamou de dor, enquanto eu tentava limpar seus ferimentos.

– Psiu! – Falei – Meu pai está dormindo lá em cima. Lívia tem o sono pesado, ela pode levantar a qual quer momento.

– Quem é Lívia? – Perguntou.

– Namorada do meu pai – Respondi, e ele não disse mais nada, enquanto processava alguns pensamentos.

– Queria que ficássemos aqui pra sempre – Falou.

Eu também queria ter ficado com Lucas no parque pra sempre também.

Mas eu sou tão estupida que não permiti isso.

Silencio – Respondi, e ele pareceu ofendido ao ver que não respondi sua misera “declaração” de amor.

Terminei de limpar seus ferimentos e levei a caixa de remédios lá pra cima. Quando desci, fiquei sem saber o que fazer.

– O que te deu pra voltar Marcelo? – Falei, depois de um tempo.

– Credo, nem parece que está feliz em me ver – Respondeu.

– Claro que estou – Respondi, mesmo não sabendo se aquilo era verdade. Olhei em seus olhos e vi um sorriso.

– Você precisa ir embora – Falei secamente e ele assentiu.

O levei até a porta e antes de ir embora, ele me deu um abraço. Ele tentou me beijar, mas tudo que permiti foi um beijo na bochecha, já que meus pensamentos estavam em uns cabelos loiros.

– — -

Joguei-me na cama e comecei a chorar.

Quero droga eu fiz? Eu estraguei com tudo porra!

Não sei o que sentir, não sei o que fazer. Tudo está confuso.

Os momentos em que passei com Lucas foram mágicos, mas foi só ver Marcelo, que tudo voltou.

Se é que voltou mesmo.

Abracei meu travesseiro mais forte e me afundei nele, tentando abafar o choro.

Pensei em ligar pra Pri, mais já era tarde. Eu estava sozinha, e dessa vez sem ninguém pra me ajudar a raciocinar as coisas.

Eu acabei com tudo.

Mas apesar de Marcelo ter me traído e me feito chorar por anos, eu sempre o amei. Sempre o amei por que não o esqueci. Ele sempre estava aqui, vagando nos meus pensamentos a cada segundo que se passava.

Decidi tomar um ar e desci na rua. Era tarde, mas uma caminhada me faria bem. Meus pés criaram vida própria e caminharam em direção a sorveteria.

Vi Lucas sentado na calçada, observando o nada e sem expressão no rosto.

– Lucas – Falei baixo, porém ele me ouviu. Começou a se levantar e entrar em casa, mas corri e sua direção e peguei no seu braço.

– Não insiste Tayse – ele falou – Eu sei que me enganei. Não quero mais olhar na sua cara e nem ouvir sua voz. Sempre me avisaram, mas eu fui besta o suficiente pra acreditar em você. Que droga Tayse! Por que eu sou tão burro? – Continuou, e deu um chute no pneu de um carro.

– Lucas – Falei já chorando – Eu tô confusa. Por favor...

– Já falei pra me esquecer – Gritou – Eu já te esqueci, agora tente fazer o mesmo.

Em seguida ele entrou em casa e eu fiquei ali, parada. Sentei na calçada e fiquei pensando na burrada que fiz.

Chorei pelo que pareceram horas, e quando percebi, já estava no carro de Lívia, sendo levada pra casa.