Em Cada Ponta Do Infinito
2 Mais um dia infernal da minha vida...
Notas iniciais
O despertador tocou, sinalizando mais um dia infernal da minha vida. Ou melhor, o pior da minha vida. Não, O pior não, Um dos piores.
12 de Fevereiro. Inicio das aulas e lembranças que eu não gostaria de ter.
“Nem pense em faltar no primeiro dia de aula! Passo em sua casa em meia hora
Pri”
Li a mensagem e continuei deitada por uns cinco minutos, até criar coragem e forças pra levantar e ir em direção ao banheiro. Eu sinceramente gostaria de faltar, mas se eu faltasse seria bem capaz da Pri me matar só com um simples olhar. Diz ela, que odeia me ver deprê em pleno 12 de fevereiro.
Assim que terminei de escovar os dentes, escolhi uma legue preta e um pouco rasgadinha (mas não tão rasgadinha, só um corte no joelho), meu famoso All star preto e branco e uma blusa branca bem soltinha e comprinha, depois, penteei meu cabelo e desci com minha mochila.
Juntei-me ao meu pai na mesa e comecei a preparar meu pão com manteiga e meu cappuccino, enquanto ele lia calmamente o jornal. Confesso, fiquei na esperança de que ele olhasse nos meus olhos e me desejasse um bom dia com um lindo sorriso no rosto. Mas não, ele nem se quer tirou os olhos do jornal e isso me deixou muito mal. Meus olhos se encheram de lágrimas, mas consegui me esforçar pra dizer algo:
– Não vai nem me desejar feliz aniversário pai?
Ele desviou os olhos do jornal, fixou os olhos nos meus, mas não disse nada e voltou sua atenção ao jornal.
Cara, aquilo foi como uma facada no meu peito. Eu quis morrer nessa hora. Abaixei a cabeça e senti uma lágrima cair.
– Pai... – Falei, em meio aos soluços.
Tentei encostar minha mão na dele, mas ele se afastou violentamente.
– Eu só queria um abraço seu pai... – Sussurrei. Tentei me aproximar novamente, mas ele se levantou com tanta raiva, que um copo com café caiu no chão.
– Você não merece nem um olhar meu, Tayse! – Ele gritou, e comecei a sair em direção a sala.
Continuei a chorar e corri atrás dele.
– Pai... Por favor... – coloquei uma mão no seu ombro, então ele se virou pra mim e me olhou com muito ódio. Muito ódio mesmo. Com tanto ódio, que ele gritou que me odiava e me empurrou no chão.
– Que esse seja o pior dia da sua vida! – Ele gritou – Por que isso sim, você merece!
Em seguida ele subiu pro quarto e eu fiquei ali, sozinha no chão, enquanto me encolhia a cada lágrima que caia do meu rosto.
– Eu te amo tanto... Tanto... Tanto... Tanto...
Fiquei assim, encolhida no chão e chorando até eu ouvir o pai da Pri buzinar. Criei forças pra levantar, peguei minha mochila e sai em direção ao carro.
– Eu não acredito... – A Pri falou, assim que me juntei a ela no banco de trás do carro e ela viu minha cara de choro. Ela me abraçou e ficamos assim, enquanto ela passava a mão no meu cabelo. – Não fica assim não Tayse... Ele não merece. E, de qual quer maneia, feliz aniversário.
– Feliz aniversário Tayse – O pai dela falou. Tentei falar algo, mas não consegui. Fiquei em silêncio e quando a Pri se afastou de mim, colocou o dedo indicador no meu queixo e ergueu minha cabeça.
– Meu Deus Tayse... – ela falou, enquanto olhava pra mim – Vamos arrumar isso...
Ela pegou uma base na mochila e começou a passar no meu rosto.
– Vê se para de chorar... Ele não merece isso...
Em seguida passou um batom, uma máscara pra cílios e me deixou como antes. Nem parecia que eu havia chorado.
– Tente soltar um sorriso Tayse... Não deixe que as pessoas da escola tirem proveito da sua tristeza.
– Ele nem se quer havia lembrado – Falei.
– Eu sei Tayse... Mas tente sorrir! Aliás, hoje é seu aniversário e primeiro dia de aula! Não tá feliz por isso?
– Eu não tenho aniversário. Esse é só mais um dia infeliz da minha vida.
Virei meu rosto pra janela e fiquei em silêncio. Ela pareceu não ligar, mas ficou em silêncio também.
Descemos em frente a escola e fomos diretamente da direção do Gui. Eles deram um longo beijo demorado, afinal, ficaram as férias todas sem se verem.
– Feliz aniversário Tayse – Ele falou, enquanto me dava um abraço – Ansiosa para primeiro dia de aula?
Dei um sorriso irônico.
– Claro! Ansiosíssima! Você nem imagina.
– Não liga não Gui... – A Pri falou – Ela está de muito mau humor hoje. E você já deve saber o motivo.
Ele pareceu pensar.
– Foi seu pai de novo não foi? – Disse, mesmo já sabendo a resposta – eu imaginei...
– Prefiro não falar nisso – Falei, ainda soando triste, mas querendo ao máximo ignorar essa tristeza.
Ergui a cabeça e comecei a andar em direção a entrada da escola, enquanto eles me seguiam.
– Não vou deixar ninguém olhar na minha cara e rir de mim hoje – Falei pros dois enquanto caminhávamos – Vou fazer o maior sorriso do mundo, e fingir que nada aconteceu.
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