Em Cada Ponta Do Infinito

25 Capitulo com o Lucas.


Notas iniciais
Heeey gente -*-*- Fiquei sabendo que vcs adoram ter um capitulo com o Lucas

P.O.V Lucas

Cara, a Tayse estava incrível hoje. Mas não digo isso pela roupa, e sim pelo sorriso que ela carregava. É um sorriso contagiante, e quando eu vi, não consegui evitar sorrir também.

Vi ela sorrindo varias e varias vezes e isso me deixou feliz. De verdade.

Há essa hora, ela devia estar na sorveteria trabalhando, e Luizinha provavelmente com ela. Desde que ficaram amigas, Luizinha só fala dela e de como ela é legal. Incrível que pelo menos uma vez na vida, eu e ela concorde em alguma coisa.

Sim, Tayse é a pessoas mais legal e divertida que eu conheço. Às vezes ela tem um olhar meio distante, mas mesmo assim não deixa de sorrir. Ela é tão carismática, que eu simplesmente não consigo acreditar que tenha uma inimiga.

Rayane também é muito legal. Vive querendo me ajudar em tudo e me ajudou quando cheguei à escola. Mas tem um problema: Tayse.

Por mais que a Ray fale, fale e fale várias e várias horas, Tayse está ali, vagando pela minha cabeça a cada segundo que se passa.

– Lucas! Você tá prestando atenção? – Ray perguntou.

– Aham – Respondi, mesmo sabendo que não. Estávamos caminhando em direção à sorveteria da minha mãe e tudo que eu pensava era: A Tayse está lá – Olha só... Tem certeza que quer mesmo ir à sorveteria da minha mãe?

– Lucas, é a primeira vez que eu vou lá pra experimentar o sorvete – Respondeu – Aliás, estamos chegando.

– Ah, é que sei lá... – Respondi sem jeito. O que a Tayse vai pensar? Que eu levo várias e várias meninas pra lá? Que ela não foi à única? Droga, se Tayse me ver em algum lugar fora da escola com a Rayane, eu nem sei o que fazer.

Se ela ficou com raiva, por eu simplesmente estar andando na escola com Rayane, imagine do lado de fora.

– Lucas! – Rayane gritou – Chegamos! Em que mundo você está?

Olhei pra sorveteria e não vi Tayse. Estranho.

Rayane me puxou pela mão e finalmente entramos. Começamos a fazer nossos sorvetes e tentei ao máximo pegar uma mesa bem distante do caixa, mas não consegui.

– Tá meio frio Luquinhas – Ray disse – Vamos sentar aqui mesmo – Continuou, se sentando na mesa mais próxima do caixa.

Droga, droga, droga.

Sentei e comecei a comer meu sorvete. Rayane voltou a tagarelar qual que coisa, mas meus pensamentos continuavam na Tayse. Se ela não está aqui agora, está lá dentro, e se ela está lá dentro, vai voltar a qual quer minuto.

– E quem eu encontrei lá? Isso mesmo, a Tayse – Ray falou, e só de ouvir isso, minha mente se voltou pra Rayane – Você não tem ideia das coisas horríveis que ela me falou.

– Rayane, eu já te falei que não quero ouvir você falando nada da Tayse. Chega de ficar falando mal dela – Falei com raiva.

– Mas, Lucas, eu... – Começou – Olha, eu não entendo por que você não gosta que eu falo dela. Tem alguma coisa que eu não saiba?

– Não – Menti – Eu só não acho bonito ficar falando de uma pessoa, se ela nem está aqui pra se defender.

– Lucas... Eu já vi você conversando com ela. Se você soubesse como eu gosto de você... Tudo que eu quero é te alertar! Não se iluda. Você não estava aqui há dois anos atrás pra saber tudo o que aconteceu. Você não viu o que ela fez.

Ouvi com atenção e ela até pegou na minha mão.

– E agora, parece que tudo está voltando. Ela me falou hoje que estava voltando. Você viu as roupas que ela estava usando? Aquilo é o inicio. Você viu o tanto de amigos que estavam rodeando ela? Isso é a metade. E o fim já tá chegando. Eu gosto muito de você Lucas. Muito mesmo. Não quero que você se iluda com sorrisos que não são reais – Continuou e seus olhos se encheram de lágrimas.

– Ela já te fez alguma coisa Ray? – Perguntei.

– Não importa Lucas – Continuou, e fechou os olhos, impedindo que as lágrimas caíssem – Eu gosto muito de você sabia?

Assenti com a cabeça, mesmo estando em dúvida se o que ela disse era no sentido conotativo ou denotativo. Minha mente ficou vagando nessas palavras, e tudo ficou voltando na minha mente. Tayse bêbada, com um menino, nos fundos de uma casa, Tayse rodeada de amigos... Seria tudo fachada?

– Quero muito que você escute o que vou dizer, sem me interromper – Disse – Hoje, no intervalo, quando fui ao banheiro, ela me falou um monte de coisas. Me humilhou. Não se engane com esses sorrisos contagiantes. Não é verdade.

Abaixei a cabeça e me concentrei no meu sorvete.

– Lucas, só você não percebeu o quanto eu gosto de você – Continuou – Gosto mesmo. De verdade. Eu amo você – Falou e antes mesmo que eu pudesse pensar, me beijou. Ela se inclinou pra frente e simplesmente me beijou. Eu não sabia o que fazer. Ela estava apaixonada, sempre foi legal comigo, e eu simplesmente não podia magoa-la.

O beijo não durou mais de um minuto e quando finalmente terminou ainda de olhos fechados, Ray deu um sorriso. Ela estava feliz. De verdade. Eu não sabia o que fazer, não sabia como agir.

– Tayse eu... – Luizinha chamou, e ouvi os passos dela descendo as escadas.

Virei de costas e vi Tayse parada na entrada do anexo, olhando pra nós dois. Em menos de dois segundos, ela se virou e saiu. Só se virou e saiu.

– Tayse, você não vai acreditar – Ouvi Luizinha falar, do outro lado do anexo. Não houve resposta. E depois tudo ficou em silencio.

– — -

Rayane se despediu de mim com um selinho, mas nem me importei, pois meu foco era a Tayse. Na hora em que Tayse nos viu, pensei imediatamente em ir atrás dela, mas lembrei de que Rayane estava do meu lado. Ela ficou enrolando mais uns dois minutos e depois decidi ir embora.

Entrei no anexo e a vi sentada na beira da escada, com Luizinha do seu lado. Luizinha foi à única que ergueu a cabeça quando sentiu minha presença, e quando pedi, com um aceno pra que ela subisse, ela foi sem pestanejar.

– Tayse, eu sei que você não gosta que eu ande com a Ray, mas... – Falei, enquanto me sentava ao lado dela.

– Eu não tenho nada a ver com sua vida – Ela me interrompeu – Só estava esperando aquela estupida ir embora pra eu voltar pro caixa – Continuou, e se levantou.

Droga, eu estraguei tudo. A menina que não sai mais do meu pensamento me odeia agora. Pensei em ir atrás dela, mas desisti. Subi as escadas me xingando, por ser um total e completo idiota.

Subi pro terceiro andar, onde ficava o meu quarto, e bati a porta com força. Luizinha veio logo depois, e como eu havia esquecido de tranca-la, entrou sem mais nem menos.

– Por que não conta logo pra ela? – Falou, enquanto se sentava na minha cama. Olhei com raiva pra ela por ser tão intrometida, e soquei meu travesseiro.

– Não tem nada pra falar – Falei – E você não tem nada a ver com isso.

– Não precisa me tratar com essa sua ignorância Lucas — Gritou, mas logo depois de acalmou – Não tenho culpa e você é um idiota retardado e sai andando com a Rayane pela escola. Será que você nunca tentou perguntar pra alguém o motivo delas serem inimigas?

Pensei sobre o assunto, mas não falei nada.

– Também acho que ela gosta de você – Falou – Só tem medo da história se repetir de novo.

Em seguida ela se levantou e saiu do quarto, sem nem ao menos olhar pra trás.