Em Cada Ponta Do Infinito
21 A antiga Tayse voltou.
Notas iniciais
– Cara, isso é demais! – Pri vibrou de alegria, assim que contei o que havia acontecido ontem.
– Não exagera Pri – Falei – Se você continuar a falar nessa altura, ele vai escutar.
Estávamos na sala de aula, e como o professor resolveu dar uma saidinha, resolvi contar toda a história da noite passada. Ela ficou toda empolgadinha e começou a perguntar se poderia contar pro Gui.
– Hum... Acho melhor não... E se isso se espalhar? – Falei.
Ela me olhou como se não acreditasse nisso.
– Olha, se tem uma pessoa que sabe guardar segredo, essa pessoa é o Gui – Falou – Você querendo ou não, eu vou falar. E ainda vou falar pro Duca e pra Elisa.
Revirei os olhos e virei pra frente. O professor chegou logo depois, e resolvi ficar rabiscando qual quer coisa no caderno. Apesar de não fazer nada nas aulas, nem prestar atenção, eu tiro nota máxima. E a Pri sempre fica indignada por isso. Aliás, todos eles ficam, por que não são das pessoas mais inteligentes. Duca e eu somos as pessoas mais inteligentes, já a nota máxima que o Gui e a Pri receberam até hoje foi um 6,5.
– Já mandei uma mensagem super enorme pra todos eles – Pri sussurrou – Não adianta você fugir, seus segredos NUNCA estão guardados comigo.
Dei uma risadinha leve ao constatar que era verdade. Tudo que eu conto pra Pri, no dia seguinte a escola inteira está sabendo.
– Você faz o tipo fofoqueira sabia? – Sussurrei, me virando pra trás.
– Não sou fofoqueira – Ela disse – Sou informante. É tipo aquelas repórteres de jornal. E você, é a atriz principal.
– Hahaha – Falei irônica.
– Silencio – O professor falou, sem nem ao menos tirar os olhos do diário.
– Chato – Murmurei. Pri deu uma risadinha, mas resolveu ficar em silencio.
Comecei a pensar em coisas idiotas, e por algum motivo, me veio na mente o Lucas. Olhei pro lado e vi que ele escrevia alguma coisa no caderno, sentado bem atrás da Rayane, do outro lado da sala. Antes que eu pudesse evitar, ele olhou pra mim e eu virei o rosto na hora. Merda, merda, merda. E agora? Ele me viu o encarando!
Ruborizei e abaixei a cabeça. Droga. Mesmo não olhando, percebi que ele deu um sorriso e voltou sua atenção pro caderno. Droga, eu sou muito otária. Droga, droga, droga. E agora? O que ele vai pensar? Eu sou muito otária, muito mesmo.
– Tayse – Pri sussurrou – Eu vi isso tá? E eu vou te zuar pro resto da sua vida.
– — -
– Owwwwwwwn – Pri falou, enquanto descíamos a escada pro intervalo. Duca e Gui ficaram na sala guardaram o material e eu e a Pri resolvemos descer e procurar a Elisa – Ela ficou toda tímida quando o Luquinhas viu que ela o estava encarando.
Bufei de raiva e avistei a Elisa. Desci as escadas mais rápido do que o normal e fui ao encontro dela.
– E então como foi? – Perguntou. Elisa gostava das mesmas coisas que eu, mais isso não a fazia de ser curiosíssima. Quando viu minha cara de “Não entendi nada do que você disse”, continuou – Como foi o encontro com Lucas?
– Argh – Bufei de raiva – Se quer saber, nem foi um encontro. Vocês duas, alias, vocês quatro, são um bando de loucos patéticos e idiotas.
– Não liga Elisa – Pri falou, se sentando em uma mesa – Por que você não viu o que aconteceu na primeira aula hoje – Continuou, com uma pose de fofoqueira desgramada – Foi tipo aquela cena em que a Mia vê o Miguel pela primeira vez! Tipo, a Tayse estava encarando o Lucas, e bem na hora, ele olhou!
Elisa caiu na gargalha e isso me fez acabar com todas as possibilidades de acreditar que tínhamos algo em comum. Duca e Gui chegaram, e perguntaram o motivo da gargalhada da Elisa. E o que aconteceu?
Pri resolveu repetir toda a história, o que fizeram os três rir.
– Idiotas! Eu odeio vocês – Falei – Quer saber, eu vou sair daqui e só vou voltar quando vocês nascerem de novo, e dessa vez, menos idiotas.
Levantei da mesa e caminhei em direção ao banheiro. Peguei um gloss super simples na minha bolsa e comecei a passar. Não sou do tipo que me borra de maquiagem, mas passo o básico. Sem falar que esconder alguns cravos por aqui e ali é essencial. Ouvi duas vozes familiares se aproximando. Rayane e Suelen.
Eu sei, deveria ter saído dali. Mais não consegui. Entrei em um banheiro qual quer e deixei uma pequena abertura pra que eu pudesse ve-las.
Suelen se sentou em cima da pia e Rayane tirou sua nécessaire com maquiagem da bolsa.
– Depois dessa Ray – Suelen falou – Nem sei como ele te perdoou.
– Fácil – Respondeu – Um joguinho de sedução. Fiz aquela carinha de coitadinha e ele acabou aceitando minhas desculpas. Mas sabe o pior?
– O que? – Suelen perguntou curiosa.
– Ele me disse que não me quer ver falando mal dela, e não que pegadinhas sem graça.
– Aff – Suelen disse – É uma pena que já tenham esquecido a nossa pegadinha. O povo dessa escola esquece tudo muito rápido.
– Fazer o que né – Rayane respondeu – Mas não há pegadinha que ela faça comigo, que vai ultrapassar o que eu fiz com ela. Eu sempre estou há dez passos na frente.
– Poisé – Suelen disse – Roubar “pertences” na amiga não é pra todas.
Ray deu um sorriso malicioso.
– Por mais que as pessoas digam que Tayse é linda, que Tayse lança moda e tal – Ela disse – Eu sempre vou conseguir roupar todos. Eu tenho uma coisa que Tayse não tem: Coragem pra me jogar em cima do primeiro garoto que eu ver pela frente.
Suelen abriu a boca um pouquinho e deu uma risadinha abafada.
– E sabe de uma coisa? – Continuou – Lucas é bem mais gostoso que o Marcelo. E ainda por cima, tá caidinho por mim...
Em seguida o sinal bateu e elas saíram do banheiro. Nem acredito que eu ouvi isso. Comecei a subir as escadas que levavam em direção as salas, mas meus pensamentos estavam longe. Então é isso que falam de mim? ÓTIMO.
Se Rayane acha que está a dez passos na minha frente, vou a fazer recuar trinta. E ai, de quem se meter no meu caminho. A antiga Tayse voltou.
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