Em Busca da Morte
1 A Morte Também Tira Férias
Notas iniciais
Um senhor já de idade, robusto, grisalho, com roupas parecendo as dos anos 50, estava em sua casa no suburbío sentado em uma cadeira de balanço, balançando devagar, tão devagar que chega a dar sono. Estando prestes a dormir algo acorda o velho. Um vulto. E uma sombra que vinha de trás do velho. Já era noite, e a unica coisa que iluminava o local eram velas pois a energia tinha acabado graças a tempestade que estava ocorrendo. Um relâmpago caiu, e iluminou o local, afirmando a sombra.
O senhor então girou a cadeira e olhou para ela. A morte.
— Então... Você é a morte?
Disse prestes a morrer o homem.
— Nossa, como você percebeu isso? Será que foi por causa do manto negro? Ou a foice?
— Não... Quero dizer, eu pensava que você seria um esqueleto, mas na verdade você é uma mulher. E bem bonita até.
A aparencia da morte é de uma mulher, que aparenta ter seus vinte anos de idade, com cerca de um metro sessenta e seis. Seu cabelo é longo, mal arrumado e prateado, assim como a cor de seus olhos, sua aparencia é de uma mulher jovem, apesar de ter vivido mais de um milênio.
— Que velho safado, tá tirando onda com a morte?
— O que você vai fazer, me matar?
— É exatamente o que eu vou fazer!
— Ora, então. Do que eu vou ter medo?
A morte fica sem graça, mas depois diz confiante:
— Olha aqui seu velho caduco, eu posso ter a aparência que eu quiser, do que é que você mais tem medo?
— Mulheres.
Ela mais uma vez fica sem graça, e depois diz irritada:
— O que está insinuando? Tá dizendo que eu não sou uma mulher? Porque você não tem medo de mim?!
— Olha não são todas as mulheres, só a minha esposa.
— Então veja só.
A morte se transforma numa senhora, com pijama rosa e avental de cozinha.
— Há e agora!?
— Bom... Mas a minha mulher já morreu.
— Eu sei disso, eu mesma a matei.
— Falando nisso, muito obrigado dona morte.
— Agora você tá me agradecendo? Olha aqui cara, a única coisa que me fazia feliz nesse maldito emprego era matar as pessoas, mas não ceifar suas vidas, mata-las de susto! E ninguém nem da valor? Quer saber? Eu desisto!
— O que? Quer dizer que eu vou viver?
— Eu não disse isso.
A morte ceifa a vida do velho que cai da cadeira. E depois sai voando por ai.
No mundo dos mortos... (Um lugar escuro e desertico, com um céu vermelho, que tem construções baseadas em masmorras e castelos antigos, e alguns edificios construidos por pedra.). Os mortos viviam em paz, sem preocupações, afinal, já estavam mortos. Mas estando morto se perde muitos beníficios da vida real. Um morto não sente fome, não sente sede, não sente prazer e não sente sono. Fora que tudo que existe no mundo dos vivos é extremamente limitado no mundo dos mortos, enquanto o mundo dos vivos é sinônimo de inovação, o mundo dos mortos é sinônimo de regresso, e é claro que ninguém se importa com isso, porque mais uma vez eles estão mortos.
— Extra, extra! A morte tirou férias! A morte tirou férias!
Exclamou um entregador de jornais, que tinha a aparência de um esqueleto comum, como o de todos os outros.
Uma enorme multidão de esqueletos se juntava no meio da cidade recolhendo os jornais. "A morte tirou férias" Passou a ser o assunto mais comentado do mundo dos mortos, e mais tarde do mundo dos vivos também. Entretanto todavía, alguém em especial não gostou nada dessa noticia.
O rei do mundo dos mortos, que se encontrava em um enorme palácio.
Um homem enorme com seis metros de altura, muito músculoso, com um manto vermelho, usando diversas jóias e uma coroa. Ele já é de idade, tem um bigode e cabelos grisalhos seus olhos são brancos completamente, e ele constantemente fuma um charuto de tamanho anormal, jogando assim uma cortina de fumaça sempre que este a solta.
— O QUE FOI QUE VOCÊ DISSE!? COMO ASSIM A MORTE TIROU FÉRIAS?
Berrou o rei para o seu serviçal esqueleto.
— S-sinto muito, eu n-não sei o que aconteceu!
— Não fazem nem trezentos anos da última vez que eu dei férias pra aquela maldita!
— Queria eu poder tirar férias...
— O que disse!?
— Nada senhor, nada!
O rei então começa a fumar o charuto com raiva, e até o traga.
— Hã... Senhor não é bom tragar um charuto...
— Cala a boca!
Disse o rei soltando uma cortina de fumaça no serviçal.
— Cof... cof... cof... cof...
— Eu tenho um plano. Eis o que você vai fazer Artie...
— Hã... Senhor, não quero assusta-lo, mas tem uma multidão vindo para o castelo.
— Morte... Sua maldita, onde você está? Não se preocupe Artie eu vou acalmar essa multidão de mortos.
"Onde está a morte?" Era a pergunta que se fazia em todo o reino dos mortos. Os mortos começaram a se revoltar e resolveram se reunir e marchar em direção ao castelo do rei, e este se preparava para encarar a multidão ensandecida.
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