Estava cansada de tanto correr e sentia as lágrimas escorrerem pelo meu rosto,me ajoelhei no chão desabando em cansaço,
percebi que estava em uma praia...Mesmo com o cheiro salgado das minhas lágrimas eu conseguia sentir o cheiro do mar e
aquele som maravilhoso que se formava com o vento forte nas águas e então eu senti frio. A ardência em meus olhos foram
aumentando a cada momento,estava escuro e eu estava faminta e me perguntando que diabos eu estava fazendo ali.
Vi um tipo de trilha que dava para uma parte alta como uma montanha então eu segui essa trilha...Depois de uns 20
minutos andando rapidamente por ali me sentei encostando em uma árvore velha e fiquei olhando o céu escuro.
Estava simplesmente pensando em desistir disso tudo pelo fato de eu não aguentar mais ser uma marionete nesse mundo...
E cheguei a duas conclusões:1)o que eu ia fazer na manhã seguinte e 2)Pensar da sono.Me ajeitei ali naquela árvore e
adormeci.

* * *

Após dormir um pouco acordei totalmente dolorida por ter dormido de mal jeito naquela árvore idiota.Me levantei e me
sentei na beirada da montanha olhando para baixo.Se eu caísse seria o que eu queria e seria bem doloroso por haver
muitas pedras lá em baixo.Voltei a pensar nos problemas que a vida nos dá que faziam meu cérebro escorrer pelas orelhas
e voltei a derramar lágrimas salgadas como água do mar...Olhei a praia e estava vazia,ondas se formavam e era uma visão
incrível,ali seria perfeito para o fim.O fima de todos os problemas,de tudo!
Levantei e fiquei ali na ponta olhando pra baixo esperando meus pés darem os últimos passos.Eu estava pronta para o
fim,todos estamos só nunca admitimos isso.Quando iria dá meu último passo algo me abraçou por trás como se quisesse me
salvar e isso é o que ele queria.
—Ainda não e hora para o fim.-Disse uma voz em sussurro em meu ouvido me apertando mais forte.
—Todos nós temos um fim...Só estou tipo,querendo adiantar o meu...-Retruquei.
Ele se calou e me puxou com força para trás me afastando da beirada.
—O que pensa que está fazendo?-Perguntei aos berros tentando me soltar.
—Te salvando.-Disse ele e eu conseguia sentir o seu sorriso e então me soltou.
Me virei automaticamente para ele,seus olhos eram castanhos,seu cabelo preto e sua pele bronzeada...Não sou de elogiar
mas meu Deus!Ele é um pão do céu.
—Não quero ser salva.-Disse o encarando.
—Ta garota...Só não quero ir surfar e achar um corpo boiando na minha frente.-Falava ele cruzando os braços e torcendo
o nariz.
—Tanto faz.-Falei sentando e abraçando os meus joelhos olhando o infinito mar.
Ele se sentou ao meu lado e começamos a conversar sobre a vida (principalmente a minha).
—Tenho uma ideia!-falou ele sorrindo-Que tal você ficar uns tempos lá em casa?
—O quê!?Você me respeita tá!-Falei irritada.
—Ei calma não quero virar saco de pancada.-dizia ele rindo.-Olha a ideia é essa...Te levo em sua casa e você pega algumas
coisas e fica lá em casa por uns tempos.Se quiser é claro.
—Você mora sozinho?-Tinha que tirar essa dúvida urgentemente.
—Não.Moro com meus irmãos e minha mãe.
—Quantos irmãos?
—Quatro comigo...
Suspirei e voltei a olhar para o céu infinito que já estava amanhecendo mais e fiquei pensando na proposta.
—Ta...Vou aceitar,não vou incomodar ?
—De forma nenhuma.-falava com ele com um leve sorriso pervertido no rosto.
—Escroto!-Gritei lhe dando uma tapa no braço.

* * *

Estávamos a caminho da minha casa,ele dirigia muito bem,estava um silêncio insuportável então liguei o rádio
e estava passando uma música legal.
—Interessante...-Falou ele e eu permaneci sem entender.
Ele era legal,acho que seria legal ficar na casa de um desconhecido legal,
—É aqui...Espera um minuto.
—Ok.-Falou ele puxando o freio de mão.
Desci do carro e andei lentamente para a varanda e bati na porta.Logo se abriu e era minha mãe com os olhos
vermelhos logicamente de tanto chorar.
—Pensei que você tivesse feito besteira.-Falou ela me dando um abraço apertado.
—Ta tudo bem...Só vim pegar umas coisas.
—Coisas?Pra quê?
—Hum...é...Vou passar um tempo na casa de uma amiga.Vou ficar bem lá.
—Sua casa é aqui!
—Pensei que essa fosse a casa do seu marido.Eu não vou ficar mais aqui.
Entrei e andei para o meu quarto trancando a porta,acho que ia ser melhor eu dar um tempo daquilo tudo e comecei
a fazer uma mala e quando terminei abri a porta para sair mas me deparei com a saída bloqueada pela minha mãe e
suspirei vendo o olhar de fúria dela.
—Não vou mudar de ideia mãe,me dá um tempo só isso.
—Você tem que me prometer que sempre vai vim me ver.
—Prometo.-Forcei um sorriso sentindo as lágrimas já escorrerem pelo meu rosto.
Eu te amo!-Disse ela chorando e me abraçando.
E chorei mais ainda.
—Eu também mãe.
—Ta vai.Me liga sempre ta bom?
—Tá.
—Não para de ir pra escola.
—Não vou parar.
Ela desbloqueou a saída e eu andei devagar para o carro,me sentei e encarei a rua.
—Droga!-Falei baixo.
Ele ignorou e ligou o carro indo em direção a uma estrada que eu não conhecia,e não vou mentir,senti medo dele e
daquela estrada.
—Olha!-Falou ele apontando para frente.
Eu estava olhando pela janela então olhei para frente e vi uma linda casa enorme de praia.Ele parou o carro e
desceu abrindo a porta pra mim.
—Valeu.-Falei pegando a mala no banco de trás.
Uma mulher de longos cabelos lisos bronzeada surgiu daquela linda casa.
—Essa é minha mãe.Margarida.Mãe essa é a...esqueci.
—Me chamo Catarina.-falei estendendo a mão para ela e ela sorria para mim apertando a minha mão.
—Que linda Jacob!Seus irmãos tem que ver a sua namorada.
—Não sou namorada dele.
—Ela é uma amiga mãe.-Disse ele rindo.
Ele pegou minha mala e andou para dentro e eu segui olhando os detalhes da casa,era tudo lindo lá dentro.
Fiquei num quarto enorme e lindo,era pintado de branco e as cortinas e e quase tudo que havia ali dentro
era pardo.
—Valeu...Vou tomar um banho né...
Fui interrompida por ele.
—Ei você quer aprender a surfar?
—Pra quê?
—Pra surfar .-Disse ele sorrindo.
O olhei e sorri levemente.
—Vou pensar na sua proposta.
Ele saiu e eu entrei no banheiro e tinha uma banheira e era tudo o que eu precisava,entrei ali e relaxei
e logo cochilei.
Comecei a escutar vozes e acordei com um grito insuportável de um garoto e o olhei lembrando que estava
pelada dentro da banheira e a única coisa que não deixava meu corpo a amostra era as espumas.
—TEM UMA GAROTA GOSTOSA NA MINHA BANHEIRA!-gritava o jovem garoto.
Eu o olhei e ele estava me encarando perto de mais e comecei a gritar.Jacob entrou rapidamente e me olhou
rindo e segurou o garoto o tirando dali,peguei uma toalha e me enrolei rapidamente e fui para o quarto olhando
os dois assustada.
—QUEM É ESSE GAROTO TARADO!?
—Oi gatinha meu nome é Marco mas pode me chamar de amor que eu vou adorar.
O encarei irritada e olhei para Jacob que nos olhava rindo descontroladamente.Peguei a roupa de cima da
cama e corri para o banheiro trancando a porta e me vesti.Sai amarrando o cabelo em um rabo de cavalo alto
e olhei para o garoto que tinha olhos claros e também tinha uma linda pele bronzeada.
—Jacob quem é esse?
—Meu irmão casula,Marco.Marco essa é Catarina.
—Oi Catarina...-falava ele sorrindo coçando a cabeça.-Desculpa pela minha gritaria no banheiro.
—Tanto faz...-Falei baixo.
—Esse quarto é o mais arrumado por quê é meu sabe?Por isso te colocaram aqui mas eu durmo no outro.-falou
sorrindo e por um minuto o achei fofo.
—Eu posso ir,tipo o quarto é seu né?Eu não tenho direito de fazer você se mudar do proprío quarto.-falei.
—Mas eu tenho esse direito,e ele vai para o outro quarto.-Falou Jacob se levantando.-Vamos quero te mostrar
meus outros dois irmãos.
O segui pelo corredor que dava a enorme sala e sai pela porta da frente o seguindo,ouvi risos quando
escuto o grito de Jacob fazendo as risadas pararem e saio de trás ficando ao seu lado.
—Oi!-Diz os dois rapazes gémeos no mesmo momento abrindo um largo sorriso.
—Hm...Oi eu sou a Catarina.-Falei estendendo a mão para que um dos dois apertasse.
Depois dos dois terem apertado minha mão ainda com o sorriso no rosto o dá esquerda fala:
—Me chamo Zack e esse é meu irmão Ted.
Sorri e logo fui puxada para atrás da casa pelo Jacob.
—Meu deus que diabos você tem!?-gritei para ele.
—Nada...-Falava ele estendendo o braço para apertar as minhas bochechas.
Dei um passo para trás para que não fizesse e ele riu e segurou a minha mão me levando para dentro de
umas árvores que aparecem em filme de terror.
—Aonde a gente vai?
—Ao lugar do fim.-retrucou ele.
Andamos uns cinco minutos e chegamos ao ponto onde eu horas atrás ia pular,sorri olhando o lugar que
estava iluminado pelo brilho do sol e suspirei chegando perto da beirada.Realmente esse lugar seria
perfeito para o fim ou qualquer outra coisa,olhar aquele mar que me chamava para pular ali,o cheiro da
água salgada...era tudo perfeito.
—Não quero que tenha um fim...-falou ele meio cabisbaixo.
—Como?-Perguntei sem ter prestado atenção no que disse.
—Tipo...Te ver morta naquelas pedras,não queria achar você daquele jeito sabe?
—E eu devo agradecer por não ter me deixado pular?
—Sim.-Falou ele sorrindo_Se quiser é claro.
—Não quero.-Sento na beirada.
—Ta você que sabe...Só quis salvar você,acho que pelo que me disse nunca tipo,curtiu a vida de verdade.
—É...Nunca tive essa oportunidade.
—Eu vou ajudar.Sempre que quiser,você vai passar esse tempo lá em casa e tal então deveria sei lá...
se divertir.
—Obrigado.-Sorri alegremente pela primeira vez no dia.
—Ela sorriu!Espero ver esse sorriso maravilhoso todos os dias.
—Bobo!-Falei rindo.
E então ficamos ali naquela beirada olhando as pedras serem cobertas e descobertas pela água do mar.

Notas finais
Espero que gostem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.