Em Busca Do Escolhido
3 Capítulo 3 - Transformação
Notas iniciais
- Ei! -> Fala Normal
'Ei!' -> Telepatia
Ei! (Itálico) -> Pensamentos
- Ei! O que estava fazendo? – Ryan ouviu uma voz atrás dele. Quando ele se virou, se deparou com um idoso nos seus aproximados 65 anos. Ele era um pouco gordo, careca e sua barba branca preenchia toda sua face inferior. Vestia uma camisa vermelha, um macacão jeans e botas azuis cobrindo a porção das pernas da calça, indicando que era um trabalhador. Para confirmar sua intuição, o homem carregava uma pá.
Enquanto ele avançava, o homem continuava com as perguntas. – Como você descobriu esse lugar? E o que você quer? Me responda agora! – Ele ameaçou usar a pá.
Ryan tentou não demonstrar sinal de medo. Já tinha se deparado com uma cena dessas antes. Só esperava que o senhor pudesse ouvir suas explicações. – Calma, senhor. Eu não vim aqui para causar mal algum! – Ele tentou.
- Fácil falar, garoto! A vida me ensinou a nunca confiar em invasores de propriedade! – O senhor continuou avançando. – Eu vi você olhando para a jóia. Ia pegá-la, não é?
- Não! Não! Só estava admirando ela, nunca tinha visto uma igual. – Ryan engoliu em seco. O velho estava a poucos metros dele e batia a pá em suas mãos, pronto para dar o primeiro golpe. – Senhor, eu juro! Só vim aqui porque Latias me guiou até esse lugar! Eu juro!
No mesmo instante, a expressão do homem mudou de furiosa para confusa. – E o que Latias iria querer com um moleque de rua como você?
- Como o senhor sabe que sou garoto de rua? – Ryan perguntou. Ele nunca tinha encontrado esse moço na vida e olha que já havia rodeado a maior parte da cidade. Será que esse velho é o responsável pelo lugar? Ele se perguntou.
- Ora, os boatos sobre um estranho garoto de rua que vaga por Alto Mare já correm por aí. As descrições batem exatamente com você. – Me diga, como você soube dela?
Ryan pensou por um segundo. Ele poderia contar sobre seus poderes, mas o senhor provavelmente não iria acreditar. Pelo menos, tinha que tentar.
Mas, quando estava prestes a falar, uma menina gritou:
a logo atrás. – Calma vovô, Latias me explicou tudo.
- Explicou? – Ele ficou confuso.
- Sim, ela disse que esse garoto, Ryan, sentiu os poderes dela lá no museu e soube que não era uma garota normal. — Daí, chegou aos ouvidos do homem e disse: — Ela também disse que ele é bem parecido com Ash.
- Ash? – Ele olhou para o rapaz. Não parecia ser como o jovem ajudou a salvar a cidade de um desastre. A aparência era bem intimidadora, ainda mais com aqueles olhos que até dava medo. Mas, ele sabia que Latias era capaz de ler as emoções das pessoas e de Pokémon e nunca ela tinha errado nas análises.
O homem suspirou derrotado. – Bem, já que é assim. Me desculpa pela agressão, jovem. Às vezes, fico assim quando alguém ameaça minha família. – Ele riu de leve.
- Eu entendo, senhor. Eu faria a mesma coisa se fosse meu caso. A propósito, meu nome é Ryan. – Ele cumprimentou.
- Eu sou Lorenzo e essa é minha neta, Bianca. – Lorenzo apontou para a garota que acenou. – Somos os únicos humanos na cidade que sabem sobre Latias e esse jardim.
Por isso, nós ajudamos ela a proteger a Jóia da Alma, aquela que você viu na fonte.
- Não querer ser grosso, mas o que tem de especial nela? – Ryan perguntou curioso.
Latias flutuou até seu lado esquerdo e guiou-o de volta à fonte. ‘É a pedra onde a alma do meu irmão reside. E como pode ver, ela também controla o fluxo de água da cidade.’ Ela disse tristemente. Ryan notou e colocou a mão no ombro dela. Olhando para a jóia, ele também notou que a esfera tinha perdido um pouco sua cor e o fluxo tinha diminuído ao mesmo tempo. Como se dissessem que Latios estava triste também.
- Sente muito a falta dele, não é? – Ele perguntou, se virando para ela. Era uma pergunta óbvia, mas a compaixão dele ignorou o recado.
Ela começou a lacrimejar e abaixou a cabeça. ‘Sim... Nesses anos, sofri muito sem ele. Não posso mais fazer as brincadeiras que nós gostávamos, não posso mais ir ao Tour de Alto Mare como nós costumávamos assistir e não posso mais ouvir as palavras de sabedoria dele. Perdi um pedaço da minha vida naquele dia...’ Começou a chorar, abraçando Ryan.
Ele apalpou as costas dela. – Bem, vou dizer a ele que você não está mais sozinha. – Ele colocou uma das mãos na jóia. Estranhamente, a pedra começou a ganhar um novo brilho. O que era azul antes, agora se tornou um mais claro que se assemelhava ao azul celeste. Ryan não conseguia entender o que tinha feito. Olhou ao redor da fonte e percebeu que o fluxo estava mais forte do que antes.
Bianca chegou para ver o que estava acontecendo e viu o brilho que estava cada vez ficando mais claro até chegar ao branco. – Olha, vovô!
Lorenzo também chegou perto e analisou. Ficou pasmo no mesmo instante. Ele sabia o que aquilo era, mas não conseguia acreditar. Como esse garoto conseguiu em tão pouco tempo? Se perguntou.
Agindo como alguém que não soubesse de nada, disse:
- Bianca, vou lá em casa e pesquisar sobre isso. Faça companhia a eles, certo? – Ele saiu correndo.
Segundos depois, o estômago de Ryan roncou, lembrando o jovem que ainda não feito seu café da manhã. Ele se virou para Bianca. – Podemos comer aqui? Fica melhor para não queimar as árvores já que terei que assar um Magikarp e aposto que a dragonesa aqui está com um apetite e tanto. – Latias voou ao redor dele e arrulhou alegremente confirmando o que disse.
Bianca silenciosamente observava sua melhor amiga. Por anos, ela não a tinha visto assim tão alegre e agora que tem um amigo, talvez sua vida melhorasse de agora em diante. Ele se virou para Ryan. – Pode sim. Você faz a fogueira que vou pegar uns pratos lá de casa, certo?
Ele acenou e assim, Bianca também saiu. Ryan se virou para Latias que ansiosamente esperava para comer. Mas, ela sempre gostava de comer suas caças com as frutas que encontrava no jardim. Era uma boa fonte de nutrientes tanto Pokémons como também para humanos.
‘Vou pegar umas frutas pelo jardim. Vai ser melhor para encher a barriga.’ Ela saiu voando entre o meio das flores, deixando Ryan sozinho.
- Garota que não pára, hein? – Ele sorriu. – Bem, não posso cupá-la. Ela perdeu o irmão e merece um pouco de felicidade também. Ele colocou o balde com o peixe no chão e começou a coletar gravetos para fazer uma fogueira. Seus anos na rua lhe ensinaram que sempre os mais finos eram os melhores para incinerar e teria que acender pelo jeito do homem das cavernas, ou seja, pegar duas pedras e ficar batendo uma com outra até sair faíscas.
Assim que amontoou os gravetos, formando a fogueira, ele percebeu uma luz pulsante. Vinha da fonte onde estava a Jóia da Alma. Não sabia o porquê, mas parecia que ela estava chamando por ele. Quando chegou, a luz ficou mais forte, quase chegando a ofuscar sua visão. Assim que pegou na pedra, o cenário ao redor se derreteu, desaparecendo em uma escuridão preta.
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- Onde estou? – Ele se perguntou ao abrir os olhos. Se encontrava no meio do nada. Era tudo escuro. Não conseguia ver nada. A não ser por uma bola de luz azul se aproximando dele. Ela se transformou numa criatura parecida com Latias, mas era maior e era bem mais intimidadora. Foi então que ele percebeu que a criatura era, na verdade, o irmão dela Latios.
Latios olhou para ele com um pequeno sorriso:
- Ora, se não é o Ryan... – Ele disse enquanto se abaixava até estar ao nível do rapaz.
- Latios, eu presumo... – Ryan disse com uma pequena risada marota.
- Você não parece estar assustado. – Latios disse enquanto observava o garoto. Com verdade em suas palavras, o jovem demonstrava bravura e não parecia ter medo como ele estava acostumado a ver em humanos.
- Desde que conheci Latias, soube que estaria lidando com coisas que você não vê todo dia. – Explicou ainda com o sorriso maroto.
- Por falar nela, como ela está? Eu senti a tristeza dela quando vocês ficaram perto da jóia. – Ele perguntou com a preocupação evidente na voz.
- Está bem agora, mas segundo ela, sofreu muito nesses anos. Proteger uma cidade sem ter alguem por perto para ela poder se distrair, é torturante. – Ryan disse numa expressão mais séria.
- Sei como é. Eu provavelmente estaria no mesmo estado que ela se não tivesse alguém comigo para proteger a cidade. – Latios disse.
Ryan queria saber mais sobre a vida dos dois Lendários, mas havia coisas mais importantes para perguntar.
- Pode me dizer onde estamos?
- Estamos dentro da Jóia da Alma, onde o que resta de mim reside para controlar as águas da cidade. – O Pokémon respondeu calmamente enquanto apontava para as mãos de Ryan que segurava a jóia envolvida em luz branca.
- Então é por isso que eu posso entender você, sem telepatia? — Ryan perguntou curiosamente. Latios assentiu e continuou.
- Então, você sabe por que eu chamei você aqui? — Ele perguntou com seu olhar penetrante que encontrou os olhos confusos do jovem rapaz.
- Não faço idéia.
- Preciso que você liberte minha alma. — Latios simplesmente disse.
- O quê?
- Você me ouviu bem, Ryan. Preciso que você me liberte. Minha alma está ligada a este mundo, enquanto a existe. Eu não posso passar para o outro mundo e estar em paz. — disse Latios com uma voz cansada. Ele tinha estado ali por apenas dois anos, mas já se sentia cansado. Realmente sempre se perguntava como seu pai tinha conseguido ficar na jóia por tanto tempo.
- Se é o caso, então o que preciso fazer? — Ryan perguntou, querendo fazer o que podia para ajudá-lo.
- É bem simples, tudo o que você precisa fazer é cercar a jóia com seu poder de Aura. – Latios afirmou enquanto encarava o jovem.
- Aura? Eu pensei que meus poderes fossem psíquicos. – Ryan perguntou confuso.
- Aura e o poder psíquico são ao mesmo tempo similares e bem diferentes. Aura é algo mais abstrato, uma força que domina a vida no planeta. Todo ser vivo emite a sua própria aura, variando a cor de acordo com a personalidade, e somente alguns são apenas sensíveis a ela. Com bastante habilidade e prática, você pode controlar sua própria aura. Isto dá-lhe presentes e habilidades especiais que o diferencia de todo o resto. Você pode sentir a presença de todas as criaturas em torno de você. Você pode ler o fluxo do pensamento de seus inimigos e decifrar o que estão pensando. Como você só foi apresentado a esse poder somente agora, ainda não possui as qualificações de usá-lo à sua vontade. – Latios explicou.
Ryan relembrou o evento em que usou uma porção de seu poder para assustar os garotos malvados quando estava no orfanato. Percebeu que ele só foi ativado quando estava realmente sendo ameaçado.
- Normalmente, alguém como você é convidado a ser um Guardião da Aura. Como próprio nome já diz, os Guardiões de Aura têm o dever de proteger os fracos e os oprimidos, sendo também a primeira linha de defesa contra o mal. Mas, ultimamente, apenas dois humanos possuem essa habilidade: Riley e Ash Ketchum. Agora, você representa o terceiro a seguir essa linhagem. Eu a seguiria se me fosse apresentada essa honra. – Ele comentou.
Ryan ponderou sobre o assunto. Era muita informações em tão pouco tempo, mas sabia que era um trabalho importante. Ele sempre quis deixar de ser um simples garoto de rua para fazer algo incrível e a chance dele estava ali. O problema era, se o que Latios era verdade, quer dizer que ele teria que deixar Latias para trás com o intuito de seguir com o treinamento e não queria que ela voltasse a ter a vida de antes. Então, ele formou um plano ousado.
- Farei o que pede, mas com uma condição. – Ele disse seriamente. — Sua irmã virá comigo. Não quero que ela volte a sofrer agora que conseguiu achar um amigo.
Latios sorriu. – Ainda bem que você disse, porque eu iria perguntar isso em breve. Me libertando dessa prisão, ela não será mais forçada a ficar em Alto Mare para proteger a jóia. Portanto, estará livre.
- Então já que é assim, o que preciso fazer? – Ryan perguntou com determinação.
- Concentre-se e coloque sua aura no lugar da minha dentro da pedra, mas faça com cuidado porque transferência de aura pode ser letal. E vou lhe avisar logo. Caso esse processo funcione, é muito provável ocorrer efeitos colaterais. Não sei ao certo o que vai acontecer com você, porque pode ser qualquer coisa. – Latios disse enquanto observava o rapaz.
- Isso não vai me fazer parar! – Ryan exclamou enquanto ele chamava os poderes adormecidos que possuía. Foi muito duro. Ele chamou com toda sua força a sua aura poderosa e podia vê-la lentamente agrupando-se em torno da jóia que tinha em suas mãos. A bola foi delineada em aura branca dele enquanto ela começou lentamente a absorver o poder. Levou um tremendo esforço por parte dele, e seus olhos ameaçaram cair várias vezes. Mas, não iria se permitir a falhar, Latios estava contando com ele! Ryan sacudiu-se e continuou vertendo energia para a jóia em que Latios estava ancorado a este mundo.
De repente, a jóia explodiu em um flash de brilhos, e Ryan entrou em pânico, temendo que ele tinha fracassado. Latios, no entanto, sorriu e chegou mais perto.
- Muito obrigado, Ryan. — Latios disse agora que ele foi finalmente estava livre. Os pedaços remanescentes da Jóia da Alma começaram a brilhar enquanto eles voltavam a se reconstruir. Depois, voltou para as mãos de Ryan, mas em vez de ser azul, era agora branca, a cor da aura dele. Ela começou a brilhar mais uma vez, e Ryan não pode reagir quando a pedra foi para dentro dele e desapareceu.
Visão de Ryan começou a escurecer, e seus sentidos começou a vacilar. Antes de perder a consciência, ele ouviu Latios falar mais uma vez.
- Obrigado novamente Ryan, agora sou livre. Utilize este presente para garantir a paz para o mundo e fazer minha irmã feliz. — Latios disse que ele desapareceu na existência, finalmente capaz de seguir em frente. E mais uma vez, Ryan viu escuridão total.
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Latias balançou Ryan ferozmente. Ela estava tão preocupada. Por alguns minutos, tinha o deixado para colher algumas frutas, e quando voltou, ele estava frio, de bruços no chão e com a Jóia da Alma em suas mãos. Latias chorou enquanto ela se aninhou a Ryan, implorando-lhe para acordar. Uma luz de repente, começou a brilhar a partir do corpo de Ryan, e Latias voou de volta em surpresa, escondido atrás de uma árvore próxima.
O corpo começou a mudar, enquanto ele estava coberto de luz. Alguma coisa estava acontecendo, e Latias estava preocupada com o que poderia ser. Por fim, a luz desapareceu e lá estava um Gallade, mas em vez da cor normal verde, um preto escuro elegante cobriu as regiões verdes, que lembrava o capuz do jovem rapaz. Latias olhou com uma expressão atordoada. Na frente dela foi o Gallade mais exótico que ela já tinha visto. Ele era bem definido, e sua coloração deu-lhe um olhar de poder e graça. Ela não podia deixar de olhar. Ryan agora era um Pokémon.
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