Em Busca Da Vingança
4 O acidente
Elle tinha de ouvir a mãe, ela tinha medo de tudo. Mas aquele momento era terrível. A mãe estava pior. Se saíssem dali vivas, ela iria para o hospital psiquiátrico, porque Elle não aguentaria mais.
- Mãe!
Eleanor gritou, o carro capotou uma ou duas vezes quebrando os vidros e machucando as meninas, por causa que era conversível. Quando o carro ameaçava a capotar pela terceira vez, Meredith tentou frear, mas o carro colidiu com a mureta.
Percy sentiu um aperto no coração, sentia como se algo estivesse no mar. Tinha certeza de que um carro estava lá embaixo.
Sally se aproximou dele.
- Tudo bem, Percy? Não deve ter caído nada lá embaixo.
Percy a olhou, incrédulo.
- A mureta está quebrada, eu posso sentir algo no fundo do mar e... Ah, deuses! — ele disse, olhando para um senhor de meia-idade saindo do carro, assustado e desesperado.
Os policiais seguraram ele que ía na direção da mureta quebrada. Percy se aproximou um pouco mais para ouvir o que iriam dizer.
- Elle! — o homem gritou. — Não, não, não... — ele se ajoelhou contra a vontade, estava caindo em lágrimas. — Meredith... Por que fizestes isso?
- Senhor, do que está falando? — um dos bombeiros se ajoelhou para falar com o homem.
- Eu sei o que houve... Minha mulher estava murmurando algo sobre mar, sobre ponte e quando cheguei na minha casa, o quarto de minha filha estava revirado e nenhuma das duas estava lá. Nem o carro nem o portão da garagem que foi destruído! Minha mulher e minha filha estavam no carro que caiu no mar!
Percy teve um mini ataque do coração, Sally o segurou.
- Eu disse, mãe — ele sussurrou para a mãe.
- Não podes fazer nada! — ela protestou.
O bombeiro ficou horrorizado e se debruçou na mureta, olhando para o mar.
- Vamos descer — ele ordenou para outras pessoas.
Percy se afastou da mãe e por um descuído dela, ele subiu na mureta e se jogou da ponte. A notícia boa é que: ele era filho de Poseidon, aquilo era um mar, pelo menos tinha certeza de que não morreria.
Assim que sentiu a água, ele olhou ao seu redor. Podia respirar debaixo d’água e se quisesse, não se molharia. Viu um carro vermelho afundando aos poucos. Ele nadou até o carro e quanto mais nadava até o carro, podia-se ver que era uma BMW vermelha.
Percy viu uma senhora desacordada no banco do carro, ensanguentada. A mulher tinha encontrado, faltava a filha. Provavelmente também morta. Ele pôde ver a menina desacordada ao lado da mãe.
- Eu sou muito louco — Percy pensou, avançando na direção da menina e a tirando do banco.
Criou uma bolha de ar para a menina e começou a emergir. O único problema seria subir até a ponte, mas para sua felicidade, havia um grupo de bombeiros com botes.
Ele entregou a menina na mão do bombeiro.
- Valeu garoto — o bombeiro agradeceu ajudando à Percy a subir no bote.
Graças aos deuses, ele estava molhado.
Depois de um tempo, subindo até a ponte, o senhor viu a filha sendo carregada pelos bombeiros para dentro da ambulância para fazerem massagem cardíaca.
Percy estava envolvido em uma toalha e foi caminhando na direção de Sally, que estava preocupada.
- Mãe, por que estava preocupada. Esqueceu que sou filho de Poseidon? — disse baixinho à ela, querendo que ficasse seco. Sally fez um gesto com o olhar, fazendo Percy se virar e ver o senhor, em prantos.
- Obrigado, meu jovem — ele abraçou Percy que teve de retribuir. Após ele soltar o garoto. — Minha mulher está... Morta, né?
- Eu disse aos bombeiros onde o carro estava — disse Percy. — Lamento.
Ele deu um leve sorriso.
Os bombeiros conseguiram fazer com que a menina cuspisse a água e acordasse aos poucos, mas o pai não ouviu a tosse dela.
Ela abriu os olhos avermelhados e um leve sorriso.
- Meu... Pai — ela murmurou.
O senhor se virou, para ver o trabalho dos bombeiros, achando que não tinham conseguido. Mas viu Eleanor sentada, mas os bombeiros a ajudaram.
- Eleanor — ele disse, virtuosamente. Ele correu na direção da ambulância. — Que susto, filha.
Ela assentiu e depois tossiu.
- Vamos levá-la ao hospital central, vai vir conosco? — o bombeiro perguntou e o homem negou.
- Preciso agradecer à alguém. Depois eu vou até lá.
Ele olhou para Eleanor, temia que algo acontecesse.
- Perdoa a sua mãe, ok?
- Já perdoei.
O senhor pegou algo do bolso e entregou à garota, mas o bombeiro teve de segurar. Era um colar prateado com um pingente com formato de fogo. Era um elemento que ela mais adorava.
- O mundo pode roubar tudo de você, mas nunca se esqueça do mais importante: independente das opiniões, você deve ser você — ele disse, humildemente.
- Pai, você está falando como se fosse se despedir.
- Queria te dizer isso faz meses. Não vou ir embora, prometo.
Com isso, os bombeiros fecharam a porta da ambulância e o senhor viu o carro se afastar.
Percy sentiu a vontade de chorar, mas se lembrou do acampamento e tentou se recompôr. Sally e ele estavam voltando para o carro.
- Espere, meu jovem! — o senhor o parou, fazendo a mãe e o garoto se virarem para ele. — Sou George Garcia, eu lhe agradeço por resgatar minha filha. Se tiver algo que eu posso fazer...
- Não, senhor — Percy disse. — Só foi generosidade. Sou Percy Jackson e esta é minha mãe, Sally.
- Prazer — senhor disse. — Se precisarem, é só me ligar... — entregou um cartão com o nome e o telefone dele. — Agora preciso ir ao hospital. Ah, posso lhe contar uma coisa?
Percy franziu o cenho.
- Pode... Se quiser.
- Elle é uma meio-sangue, assim como você.
Percy e Sally ficaram confusos.
- Do que o senhor está falando? — Percy perguntou.
- Você é filho de Poseidon. Eu sei disso. Se não teria morrido quando pulou da ponte. Eu sou filho de Apolo.
Percy ficou maluco, mas parecia aceitar tudo.
- Eleanor vai ficar sozinha no hospital, não posso ir lá. É muito arriscado para um meio-sangue velho como eu. Eu estava pensando se você pudesse...
- Receber ela quando sair do hospital? — adivinhou Percy e George assentiu. — Ela não estranharia?
- Ela me ligará. Inventarei algo. Obrigado, meu jovem — afirmou. — Agora tenho de ir. Que seja bom seu dia no acampamento!
Ele se despediu e entrou no carro, aliviado.
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