Elo Irrevogável
30 Capítulo 30 - Provas de Amor (+18) - Último capítulo
Notas iniciais
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Flashback On
Maria era uma pessoa solitária. Seus pais haviam morrido e tudo que lhe haviam deixado era aquela casinha, aquela casa simples na qual ela ainda vivia. Acabava de chegar aos 20 anos e já havia conhecido o lado mais amargo da vida com a morte de sua mãe. O amor de Estevão a havia resgatado. Maria não perdeu sua alegria com a orfandade. A tristeza de se ver sozinha para enfrentar o mundo não se tornou em amargura e sua luz ainda era latente. Quando Estevão a viu pela primeira vez sua chegada podia se comparar com a invasão do sol pelas manhãs naquele momento. Maria era fluente em inglês e foi contratada por seu escritório para atuar como tradutora em uma reunião. Ela entrou na sala vestida de maneira rígida, os cabelos presos, uma maquiagem austera, mas ainda assim, imediatamente irradiou uma luz única que ele só conseguia ver nela.
Estevão mal conseguiu se concentrar na reunião com a presença dela, nunca vira uma mulher tão atraente, uma luz tão viva, era como se Maria tivesse um magnetismo que o convidava até ela. No fim da reunião ele falou com ela arrancou alguns sorrisos sentindo que ia ao céu ao ver aquele sorriso tão lindo. Pouco tempo depois começaram a sair e sua relação foi só uma consequência.
A princípio Maria se intimidou com a vida complicada de Estevão um filho era um elo para toda a vida com uma mulher e ele tinha Heitor com Consuelo que além do mais, era tão pequeno. Mas o amor e o romantismo de Estevão a ganharam e eles enfrentaram com coragem e amor os obstáculos. A objeção de sua família, sua ex que era uma presença tão frequente e nociva e até obstáculos invisíveis como o doentio interesse de Evandro por Maria desde antes de ela se tornar namorada de Estevão.
Apesar de tudo, Maria se considerava afortunada, sentia que havia tido sorte apesar de ter que enfrentar a vida sozinha. E depois que conheceu Estevão, essa situação mudou. Mudou radicalmente, ele foi a sua luz. Ele trouxe alegria ao seu mundo, esperança e aquilo que todos esperam da vida: o amor verdadeiro. Porém naquele momento, naquela delegacia depois de ser trancafiada naquela cela escura, Maria conheceu a solidão.
Ali ela percebeu que estaria sozinha. Estava sozinha. E ali ela percebeu quão injusto era estar sozinha. O olhar de Estevão... Jamais poderia esquecer o olhar de Estevão ali na joalheria. Durante três dias ela esteve completamente sozinha. Ninguém apareceu, sua companhia era só a escuridão e a solidão. Foi ali que seu lado amargo passou a ser moldado, ao ser apresentada tão duramente à injustiça. Poucas coisas no mundo são tão intragáveis quanto às injustiças e Maria sentiu seu gosto da pior maneira. Experimentou seu gosto na boca e na alma. Ali, naquela cela escura e fria Maria entendeu que uma pessoa jamais volta a ser a mesma depois que sofre uma injustiça.
Flashback Off
***
_ Você está bem? – indagou Estevão abraçando Maria quando entraram na linda casa em que ele vivia depois de perceber que ela estava há muito tempo calada.
_ Estou. – ela limitou-se a dizer o verbo sem alterar sua expressão e sentou-se rígida no sofá da sala, olhando para o nada.
Haviam passado muito tempo lidando com formalidades com a polícia logo depois da morte de Evandro dentro e fora da casa de Maria. Aquele local era sufocante para ela depois de tamanha tragédia. Eles haviam explicado que o alvejaram quando ele desobedeceu à ordem de parar, ao sair correndo da casa e haver atirado contra os policiais que contaram com a sorte de que ele era péssimo atirador. Era só mais uma das coisas nas quais Evandro era tão mal em sua vida. Havia sido um péssimo amigo, com as mulheres nunca havia se dado bem, apesar de ser tão bonito e como advogado passou toda sua vida à sombra de Estevão. Tudo, absolutamente tudo na vida de Evandro havia sido miserável.
Estrela desceu as escadas correndo e Heitor a acompanhou, se assustaram com a entrada do carro na propriedade de madrugada.
_ Eu vi quando seu carro entrou, tá tarde, porque vocês vieram à essa hora? – se assustou Estrela.
_ Não queríamos assustar vocês, nos desculpe. – Estevão se justificou.
_ Não peça desculpas, pai, conte o que aconteceu. – Heitor disse aflito. – Maria não parece bem. – disse olhando para ela chamando atenção de Estrela que se sentou ao lado dela e se limitou a olhá-la.
Maria se havia dado conta da presença deles, mas não se movia, estava em choque. Era como se não houvesse se recuperado da terrível sensação de vulnerabilidade e desespero ao ter outra vez o corpo de Evandro sobre o dela. Sentir que poderia tê-la machucado outra vez a desalentava, não seria fácil se livrar daquele desespero.
Depois de uma narrativa resumida e tomando todo o cuidado com as palavras, Estevão contou aos filhos como havia acontecido tudo na casa de Evandro e porque Maria estava tão afetada. Os dois ouviam perplexos e Estrela não pôde se controlar e começou a chorar.
_ E foi isso. – Concluiu Estevão – Depois de tentar novamente fazer mal à Maria e não ter podido porque eu cheguei à tempo, Evandro foi morto pela polícia. – disse com aquela ponta de alívio que era impossível disfarçar na voz.
_ Meu Deus! – exclamou Estrela levando as mãos ao rosto e secando as lágrimas se aproximando de Maria. – Eu sabia que você tinha que ir até lá, eu estava sentindo que Maria tinha que estar aqui, aqui com a gente. – acariciou os cabelos dela muito emocionada.
_ Evandro não vai fazer nenhuma falta! – sentenciou Heitor.
_ Nenhuma! – disse Estrela firme. – Ele não vai mais te fazer mal, Maria.
Maria a olhou enternecida. Sentia o coração aquecido com o carinho da filha. Não conseguia reagir euforicamente, estava como em estado de choque, como se seu corpo pedisse certo relaxamento depois de tanta tensão. Mas o carinho da filha lhe provocava uma indescritível emoção.
_ Não fale assim, Estrela. – pediu Maria suspirando – A última coisa que eu quero nessa vida é que você conheça tanta amargura quanto sua mãe.
_ “Minha mãe!” – disse Estrela com um leve sorriso emocionado.
_ Sua mãe! – disse Maria sem conter as lágrimas.
Estrela se jogou nos braços dela e a abraçou explodindo o feixe da emoção entre as duas. Maria não pôde mais se conter e chorou copiosamente nos braços da filha indo aos soluços. Estrela também chorava, sentia uma emoção indescritível de, pela primeira vez na vida, conhecer seu lugar no mundo. Seu corpo tremia, ela não podia controlar-se, como amava Maria mesmo antes de saber. Era como se seu coração sempre houvesse sabido, sempre lhe tivesse dito que Maria e ela tinham uma ligação, algo que até aquele momento ela não havia conhecido.
Heitor e Estevão também se emocionaram vendo a cena das duas, vendo aquele contato tão sublime de uma mãe com sua filha que tanto havia buscado. Na verdade, as duas se haviam buscado, Estrela sempre buscou a identificação que só uma mãe pode dar, mas nunca havia tido até a chegada de Maria à sua vida. Pouco a pouco as lágrimas foram deixando de brotar e as duas respirando mais calmamente até que se afastaram. Estrela olhava fixamente para Maria, agora sem ter de se preocupar em esconder a admiração que sentia por ela, que sempre havia sentido. Acariciava seu rosto como que para saber se ela era real, se aquilo era real, se agora ela realmente tinha uma mãe.
_ Obrigada! – disse Estrela sorrindo.
_ Pelo que se foi você que me fez a pessoa mais feliz do mundo com esse abraço? – disse Maria entre lágrimas.
_ Por haver me procurado. – disse Estrela soluçando – Por ter lutado tanto para me encontrar. Por querer ser minha mãe apesar de... Apesar do Evandro.
_ Eu daria minha vida toda, minha pequena. – disse Maria agora segurando o rosto dela com as duas mãos. – Minha vida toda para ter você nos meus braços como agora. Você é o sentido da minha vida. O único sentido.
Voltaram a se abraçar emocionadas. Heitor e Estevão se retiraram da sala sentindo que elas tinham muito que conversar. Resolveram dar-lhes aquele tempo, elas mereciam.
_ Você está bem? – indagou Estrela preocupada. – Está bem mesmo, ele não te machucou?
_ O mal que Evandro me fez é incurável, Estrela. Tudo que eu queria era me livrar dessas lembranças, mas hoje... Essa noite ele encontrou uma maneira de que elas voltassem a me atormentar. – levantou os olhos que estavam vermelhos por tantas lágrimas – A gente nunca se recupera disso, filha. – a própria Maria se surpreendeu com o grau de sinceridade que teve com Estrela nesse momento.
_ Eu sei... – disse Estrela baixando os olhos com muita preocupação na voz.
_ Por que você disse nesse tom? – Maria se preocupou. Cuidar da filha era algo que a tirava daquele estado de quase inércia de imediato. Ser sua mãe era a coisa que ela mais almejava no mundo. – Alguma coisa te aconteceu?
_ Não, mas foi por pouco. – ela disse com um misto de alívio e tensão.
_ Como assim? Conte-me o que aconteceu. – Maria segurou as mãos dela dando-lhe confiança.
_ Na faculdade tinha um cara, um cara que sempre dava em cima de mim, mas eu nunca dei bola, o Carlos. Ele me convidava para sair, mas algo nele não me inspirava confiança, nunca consegui dizer sim, ainda mais depois que conheci o Greco.
_ Greco é seu namorado? – Maria se interessou.
_ Nós estamos saindo, eu gosto dele. Espero que sim, seja meu namorado logo. – disse num sorriso. – Mas quando o Carlos percebeu que eu estava com o Greco ficou muito estranho. Mais estranho ainda porque ele sempre tinha um comportamento que me assustava, eu sempre evitava ficar sozinha com ele. Eu tinha a impressão de estar sendo seguida, algo me dava muito medo, como se fosse um pressentimento.
_ Meu Deus! Você contou isso ao Estevão ou ao Heitor? – Maria se preocupou.
_ Não contei a ninguém. – Estrela confessou.
_ Você não deve lidar com isso sozinha, filha. Você viu o que aconteceu comigo por estar sozinha...
_ Eu sei. – lamentou a constatação de que ela estava sozinha. – Um dia ele me encurralou num canto da faculdade. – continuou a narrativa disposta a se abrir com Maria. –Disse que sabia tudo o que eu fazia e que se eu fosse pra cama com o Greco ele acabaria com nós dois.
_ Filha! Vamos à delegacia denunciar esse miserável!
_ Não! – Estrela se negou. – Não há mais necessidade.
_ Por quê?
_ Bom, perto daquele dia que eu fui atingida pelo tiro eu percebi que ele realmente estava me seguindo e não sei o que me deu, o enfrentei. – Aquela coragem que tanto a identificava com Maria se manifestou. – Disse a ele que meu pai era advogado e que ele passaria toda a vida na cadeia se ele soubesse o que ele estava me fazendo.
_ E ele te deixou em paz com essa ameaça?
_ Mais ou menos. – disse Estrela confusa. – Ele foi embora do país. O pessoal da faculdade comentou que ele... que ele estuprou uma menina e ela o denunciou. Ele fugiu para não ser preso.
_ Maldito! – Maria esbravejou – Ele não pode ficar impune. Homens como esses devem estar atrás das grades ou...
_ Ou mortos! – Completou Estrela.
_ Filha, eu já disse que não quero que você se contamine pela amargura... – Maria sentia muito medo que todos os seus mais desagradáveis sentimentos também contaminassem a juventude e a alegria de Estrela.
_ Não é isso. É que eu sinto muita raiva pelo que o Evandro fez com você.
_ Filha. – disse Maria emocionada demonstrando gratidão.
_ Eu sempre te admirei, você sabe. Desde que vi coisas sobre sua história nas revistas de joelharia me chamou atenção a sua força e tudo que você conquistou. – Poucas vezes Maria havia visto Estrela com a guarda tão baixa. – Depois que eu te conheci essa admiração só aumentou, mas eu não soube lidar com o ciúme quando você se envolveu com meu...
_ Com seu pai! – Maria concluiu. – Pode dizer Estrela. Eu sei que você considera Estevão como seu pai e você têm razões para isso. Quando eu soube que ele havia te criado eu senti muita raiva, muita raiva por isso principalmente porque eu não sabia como você havia chegado à essa casa. Senti que era muita injustiça que Estevão tivesse tido a oportunidade de ser o pai da minha filha enquanto eu havia sentido sua falta toda a vida.
_ De certa maneira foi isso mesmo que aconteceu, não é? – Estrela demonstrou uma maturidade que chegou a surpreender Maria.
_ Sim, mas Estevão não fez por maldade, ele nem sabia quem era você e que sendo seu pai estava me tirando algo. E agora, se você quiser, nós podemos deixar tudo isso para trás. Começar de novo da melhor maneira possível.
_ Se eu quiser o quê? – indagou Estrela surpresa.
_ Se você quiser que eu seja sua mãe. – Maria disse emocionada – É a coisa que eu mais desejo em minha vida: a oportunidade de ser sua mãe, Estrela.
_ Na verdade é o contrário. – disse Estrela sorrindo no que Maria a olhou com surpresa. – Eu é que te peço para, por favor, ser a minha mãe... – A falta da mãe era das coisas que mais marcaram a vida de Estrela. Todos que a conheciam sabiam disso. – Me aceitar com todas as minhas frescuras, meus ciúmes, meu gênio difícil...
_ Nada disso eu enxergo como defeito, Estrela. Estevão fez um bom trabalho, você é uma ótima menina e eu te admiro. Admiro que minha filha seja uma mulher tão madura e cheia de personalidade.
Estrela a abraçou, dessa vez com menos intensidade e disse baixinho com o rosto colado no dela.
_ Por favor, nunca mais saia da minha vida. Minha mãe! Minha mãe! Minha mãe! – repetia ainda sem acreditar que era realidade: tinha sua mãe com ela.
_ Nunca, filha, nunca! Te amo muito! Muito! – disse Maria acariciando seus cabelos aninhando-a em seus braços.
_ Eu também amo você! – disse Estrela chorando.
***
Maria dormiu aquele restinho de noite no quarto com Estrela. Sabia que ela e Estevão teriam muito o que conversar, mas estava sensível doída e cheia de medo. Não com ele, mas pelo que ocorrera com Evandro. Tinha medo de sua reação quando estivesse novamente em uma situação de intimidade. Com Estevão ela havia conseguido superar as feridas que ficaram da violência de que ela foi vítima na sua juventude. Havia recuperado sua confiança como mulher, sua feminilidade, seu ar sexy, sedutor que a caracterizavam. Com Estevão se sentia segura no âmbito sexual, não tinha problemas para se entregar e nem para fazer feliz ao homem que amava. Ele havia sido fundamental para que ela superasse seu trauma.
Mas as recordações daquela noite não saíam de sua mente com o passar dos dias. Nem o fato de Evandro estar morto a ajudavam muito. Ela sentia ainda sobre si o peso do corpo dele e como ele se preparava para invadi-la no momento da chegada de Estevão. Era como se ele tivesse ido até o fim e, novamente, tivesse retirado dela sua confiança como mulher e ela outra vez estivesse brigada com sua sexualidade e tivesse que construir uma barreira naquela área de sua vida.
Estar com a filha era maravilhoso, aquela troca de carinhos entre elas, construir o caminho de cumplicidade que se havia perdido com os anos que passaram separadas, sentir o apoio e o calor de Estrela em um momento como aquele, mas, ao mesmo tempo sentiu alívio por evitar Estevão, o homem que até a véspera ela estava lutando para recuperar. O amava. O amava com desespero, como jamais havia amado e o toque de sua pele sempre havia sido divino, mas agora ela sentia que teria que conviver outra vez com medo. Por que isso teve que acontecer, Deus? Perguntava-se.
Estevão claramente percebeu que ela estava afetada e preferiu não forçar uma aproximação. Mostrava-se presente, lhe dava carinho, lhe acompanhou até sua casa para buscar o restante de suas coisas e percebeu como ela desabou ao olhar para aquela sala. Ele não disse nada. Enquanto ela chorava desesperada ele somente a abraçou. Foram muitos minutos que eles permaneceram abraçados naquela sala, naquele lugar onde ela havia vivido há poucos dias um terror tão grande. Abraçados em silêncio. As palavras pouco significariam naquele momento. Ela se soltou dele e foi para o quarto. Ele olhou um pouco desfeito para a sala pela última vez e a acompanhou.
¿Cómo estás?
Hace tiempo que no sé de ti
Me han dicho que has estado bien
Y sé que siempre ha sido así
No quarto Maria seguiu com sua postura de evitar Estevão. Não o olhava, raramente lhe dirigia a palavra. Ele às vezes era carinhoso com ela durante aqueles dias, buscava o contato, mas ela logo encontrava uma maneira de fugir. Ele sentia que ela fechava a porta e tinha medo, medo do que aquela distância que ela impunha pudesse significar. Não a queria perder, não queria ver que a vida lhe havia feito tanto mal ao ponto de ela não poder lidar com a dor. Sentia saudade de vê-la feliz. Sentou-se na ponta da cama, de costas para ela, baixou a cabeça e iniciou a conversa ainda que ela não tenha dado a abertura.
_ Em algum momento nós vamos ter que falar sobre isso, amor.
_ Sobre o quê? – ela fingiu não entender
Yo estoy bien
Muy bien gracias por preguntar
Me ido cada vez mejor
Y todo empieza a caminhar
_ Sobre tudo. Sobre Evandro, sobre nós dois... – Ele tentava fazer com que ela reagisse e voltasse a demonstrar algo daquela calidez que sempre havia tido com ele até o dia daquele terrível incidente.
_ Ah, se você fala sobre nossa separação não se preocupe. – Ela começou a frase surpreendente com uma frieza que atemorizou Estevão.
_ Separação? – ele indagou incrédulo.
_ Sim, antes de que acontecesse aquilo com Evandro, você estava decidido. Eu agradeço que você esteja sendo tão carinhoso comigo, tenha me acompanhado para pegar minhas coisas. Você há de entender que eu não consigo mais ficar nessa casa, mas já falei com Camila, vou passar uns dias na casa dela...
_ Você falou com a Camila?
_ Falei, Estevão. Não quero te incomodar, você já me disse que ia organizar tudo sobre o divórcio...
_ Eu não quero me divorciar de você! – ele exclamou impositivo muito surpreso com as palavras dela e com a forma fria como ela conduzia aquela conversa.
_ Estevão, você queria se separar de mim até minutos antes de que Evandro invadisse minha casa. A última coisa que eu quero é que você fique comigo por pena. – Nesse momento uma fagulha de emoção apareceu em sua voz, algo que ela havia tentado conter desde o início da conversa.
¿A quién engaño?
¿Que estoy haciendo?
Cómo te extraño
Me estoy mintiendo
No es cierto
Si ya no puedo con este desierto
Si quedó mí corazón abierto
Yo no te he olvidado
Amor
Maria sabia que Estevão estava decidido a fazer as pazes com ela, mas agora, era ela que estava tomada pela insegurança. Não com relação à ele e à sua forma de agir, mas com relação à ela e à profunda marca que Evandro outra vez lhe havia encalcado. Estevão não merecia uma mulher tão ferida e cheia de amarguras trazidas pela vida. Ele merecia ser feliz. E, se para que ele pudesse ser novamente feliz fosse necessário se afastar dele, ela o faria.
_ Você não pode estar falando sério! – ele disse ainda não recuperado do estado incrédulo em que estava com suas palavras.
_ Como você disse, chegaria o momento de que tivéssemos que falar sobre isso. Vamos falar. Deixar tudo esclarecido agora e seguir em paz nossas vidas. – ela ignorou a incredulidade.
_ Em paz? Você está louca, Maria? É isso, você só pode estar louca! – ele disse caminhando até ela que estava de pé, frente ao espelho da penteadeira que ficava do lado esquerdo da cama.
Maria só esperava ter forças para desprender-se dele de uma vez. Era tão difícil pensar nisso. Estava resignada a abrir mão de tudo que Evandro e a vida lhe haviam arrancado, até mesmo o próprio Estevão...
***
Flashback On
Depois de três dias de extrema solidão ali naquela cela, Maria finalmente recebeu um chamado diferente. Vieram buscá-la porque ela tinha uma visita. Ninguém a havia visitado e tudo que ela havia feito era tragar o terrível gosto da solidão. Sentiu um pouco de alívio ao ver Estevão esperando naquela sala apertada e silenciosa. Mas não soube como agir. Apenas caminhou até a mesa e se sentou em frente dele. Mas nem foram necessárias palavras para ela entender o que ele havia ido fazer ali. O fato de em três dias ele não ter ido visitá-la também falava muito. Ele não acreditava nela. Não acreditava em sua inocência. Era o fim daquele amor.
_ Achei que você não viesse me ver. Da forma como me olhou na joalheria. O seu silêncio... – ela disse acusando-o, mas sem agressividade, não esperava muito dele mais.
_ Curioso você colocar as coisas desse modo, Maria. – ele disse com um sorriso irônico no rosto. – Como você queria que eu reagisse à maior decepção da minha vida?
_ Acho que você não devia ter vindo aqui! – ela disse se levantando da mesa e ameaçando ir rumo à porta chamar o policial para voltar à cela, mas ele a segurou pelo braço.
_ Sim! Foi a maior decepção da minha vida! Eu sempre soube do seu encanto por joias, mas achava que você tivesse caráter. Naquele dia percebi que nunca te conheci bem. – ele seguiu acusando-a.
Maria já chorava. Era como se aquela solidão que ela sentiu todos aqueles dias se materializasse nas palavras de Estevão. Ela voltou a sentar-se na cadeira frente à Estevão.
_ Você quer saber, Estevão? Quer saber de uma coisa? – perguntou altiva.
_ O quê? – ele indagou imaginando que ela fosse lhe confessar porque havia roubado as joias.
_ Eu te digo a mesmíssima coisa. Naquele dia ao ver como você me olhava e como você não moveu um dedo para me defender, como tomou como verdadeira cada uma dessas acusações de que eu estou sendo vítima e hoje tendo vindo aqui com a mesma atitude eu percebi uma coisa claramente: Eu nunca te conheci bem.
_ Agora você vai querer inverter as coisas. – ele disse irritado.
_ Porque o Estevão que eu conheci era um homem justo. Um homem bom, que lutava pela justiça, admirado pelos seus amigos, por todos que o conheciam, carinhoso e compreensivo comigo entendendo cada um dos meus problemas. Ele também era um advogado respeitado que não se deixava levar pelas aparências e dava à todo mundo a oportunidade de se defender. À todo mundo! Mas não deu esse direito à namorada dele.
_ Foi isso que eu vim fazer aqui! Mas estou vendo que por sua atitude...
_ Como assim?
_ Quero que você me explique, Maria, me explique porque roubou aquelas joias. Você me parecia trabalhadora e sabe que eu também sou um homem trabalhador. Sabe que posso ir longe na minha profissão. Por que escolheu fazer algo tão vergonhoso?
_ Eu não roubei nada, Estevão! Não roubei! Não sei quem armou aquele maldito flagrante, mas eu não roubei. Estava na joalheria distraída olhando as peças, você sabe que eu adoro fazer isso...
_ Sim, agora está claro porque você gosta tanto de joalherias...
_ Vá embora, Estevão! – ela pediu sem poder conter as lágrimas. – Você já deu sua “oportunidade”, agora saia daqui, me deixe sozinha. Sozinha!
_ Maria eu sinto muito. Sinto muito pela forma como nosso namoro terminou. – disse Estevão com os olhos cheios de lágrimas levantando-se.
Era o fim de uma linda história de amor no descrédito e na desconfiança.
Flashback Off
***
_ Eu tenho pensado muito nesses últimos dias, Estevão. Nós nos machucamos demais. Você me magoou no passado e eu te magoei quando nos reencontramos. O melhor que fazemos para encontrar nossa paz é encerrar esse ciclo... – disse Maria com um tom triste. A frieza desapareceu das palavras dela, não podia falar em dar um fim à sua história com Estevão sem se entregar à tristeza.
_ Você só pode estar louca, Maria! – ele disse puxando-a pelo braço fazendo com que ela se virasse para olhar para ele. – Que paz você acha que eu vou encontrar sem você? – podia-se sentir desespero em suas palavras.
_ Estevão, é o melhor, você sabe que é o melhor! Eu já disse que não quero a sua pena.
_ Pena? Você não pode estar falando sério, Maria. – Estevão se perguntava se ela não sentia sua debilidade e desejo quando a tinha em seus braços ou perto dele. – Você nunca se perguntou o que eu vim fazer na sua casa na noite que surpreendi Evandro aqui? – ele disse segurando o rosto dela olhando para ele.
_ Não... – ela disse sem poder conter o soluço e que as lágrimas que enchiam seus olhos escorressem pelo rosto. Não podia com o contato tão próximo com ele, desabava.
_ Você quer ouvir tudo o que eu vim pronto para te dizer aqui naquela noite? – perguntou emocionado.
Lo siento
Yo ya no entiendo para que te miento
Si estoy hundida en este sentimiento
Aún no es tarde por favor
Yo no te he olvidado
Amor
Maria hesitou, arrefeceu se afastando dele. Sabia que não podia resistir à Estevão. Mas e aquele medo? Seria o medo mais forte do que aquele amor? Essas dúvidas tomavam conta dela naquele momento.
_ Você não quer ouvir o que eu queria te dizer naquela noite? – ele insistiu.
Yo estoy mal
Muy mal gracias por preguntar
Se siente cada vez peor
Nada parece caminhar
_ Claro que eu quero. – Ela disse olhando para ele tomada pela emoção. Jamais se negaria a escutá-lo.
_ Eu queria te pedir desculpas. Desculpas por ter sido tão imbecil e ter permitido que você ficasse tanto tempo longe de mim. – se aproximou dela e acariciou ternamente seu rosto. – Que eu não queria que você viesse com Luciano porque me enchia de ciúmes e de medo de perder. Que quando eu te beijo eu vejo todo o mundo fazer sentido e não posso viver sem essa sensação. Que todas às vezes que você está próxima de mim eu sinto uma maravilhosa perturbação e sou tomado por uma vontade incontrolável de te envolver nos meus braços, te beijar te dizer que te amo e fazer amor até ficar sem forças. Que sem você na minha vida eu me sinto perdido e me falta tudo, tudo...
_ Você ia dizer que me perdoava? – ela perguntou desbordando a emoção que ela fizera tudo para conter todo o tempo que esteve com ele naquele quarto.
_ Não. Eu não ia te dizer isso. – ela se surpreendeu e olhou para ele interrogativa antes que ele continuasse. – Eu não ia dizer isso porque não tinha nada de que te perdoar. Eu me sentia magoado, mas não com você e por orgulho, porque eu te amava tanto, te amava com a alma e com desespero e ao descobrir a verdade sobre Estrela, ao descobrir a verdade sobre Estrela eu senti que não tinha sido correspondido. Foi isso que me magoou. Achei que você nunca tivesse me amado como eu te amei, que tudo o que era meu mundo à você jamais tivesse importado. Por isso tive tantas dúvidas porque eu queria a certeza, a certeza de que você me amava como eu a você.
¿Porque te engaño?
¿Que estoy haciendo?
Cómo te extraño
Me estoy mintiendo
_ Eu não vou mentir para você, como não menti no dia daquela conversa tão dolorosa. – Maria juntou as mãos e, com alguma dificuldade, voltou a abrir seu coração para Estevão. — Não fui totalmente sincera quando me aproximei de você, mas disso você já sabe. Desde que soube que Estrela havia sido criada na sua casa, senti que ter um romance com você seria uma oportunidade de me aproximar da minha filha e mais se nos casávamos. Ela não me conhecia e confiava e amava você, pensei que seria a oportunidade perfeita. Dentro da minha cabeça era um ótimo plano. Mas com o que eu não contava era dar de cara com o homem maravilhoso que você é. Era como se eu tivesse esquecido disso. Achei que estivesse imune à você, mas... Nunca imaginei uma relação tão intensa. Você tocou meu coração desde o primeiro momento, Estevão, me envolveu. Depois de um tempo entendi que jamais havia te esquecido e, apesar de me sentir culpada pelas razões que me levaram até você, decidi me entregar. Entregar-me por completo e você sabe que isso não é nada simples para mim.
_ Eu sei – Estevão baixou os olhos.
_ Não estou falando só de sexo, Estevão. Eu entreguei de novo meu coração nas mãos do homem que o havia rompido, despedaçado e isso vai além. Mas para uma mulher que sofreu o tipo de abuso que eu sofri o sexo tem que ser uma entrega muito valiosa. Eu fui boba. Quis jogar com os sentimentos, os seus e os meus e perdi. Perdi o jogo. Ainda tinha mágoas de você, de nossa história, mas terminei deixando tudo atrás, tudo porque você me demonstrou de novo que o amor era bonito e que a gente não perde por perdoar, por se entregar. Eu queria viver aquilo outra vez, fui lentamente me esquecendo de todas as coisas terríveis que enfrentei na vida.
_ Meu amor, eu te fiz muito mal não é verdade? – ele ainda se recriminava pelo passado.
_ Estevão, não falemos disso e nem nos culpemos. Se eu resolvi deixar isso no passado você também tem que deixar se... Se for verdade que quer retomar nossa história. – ela disse sabiamente, mas insegura da atitude dele.
_ É claro que de verdade eu quero, Maria. Essa é a única verdade da minha vida: quero retomar minha história com você, o único amor da minha vida se você me aceita de volta. – disse fitando-a amoroso.
No es cierto
Si ya no puedo con este desierto
Si quedó mi corazón abierto
Yo no te he olvidado
Amor
Lo siento
Yo ya no entiendo para que te miento
Si estoy hundida en este sentimiento
Aún no es tarde por favor
Yo no te he olvidado
Amor
Ela o olhava suplicante. Os dois já não puderam se conter mais dentro de tanta emoção e se beijaram. Foi um beijo totalmente correspondido no sentido de que os dois se ansiavam com a mesma paixão, o mesmo ardor, a mesma saudade. Naquele beijo tinha todos os sentimentos que caracterizaram a história deles: paixão, entrega, emoção, lágrimas, muito amor e até um pouco de mágoa e de ciúmes.
Estevão a beijava com avidez, tinha muita vontade de fazer amor com ela, o desejo quase lhe roubava completamente o sentido e só restava o aroma tão atraente que o corpo dela exalava. Ele tirou o casaco que ela trazia por cima da roupa e passou a beijá-la em cada espaço de sua pele com o qual ele tinha contato. Beijava seu rosto, seus cabelos, seu pescoço, descia pelo colo, mordiscava seus ombros e fazia com que Maria se sentisse quase desalentada dentro daquelas carícias, ardendo com o calor de sua pele sobre a dela, o gosto de seus beijos. Agarrava-se em suas roupas em seus cabelos e o beijava tomada de desejo, de amor.
A mí ya no sale el sol
Desde que tu amor se escapó
Me cuesta saber
Quien soy yo
No es cierto
Si ya no puedo con este desierto
Si quedó mi corazón abierto
Yo no te he olvidado
Amor
_ Te amo, Maria, te amo! Te amo com tanta intensidade e quero fazer amor com você! Quero que você seja minha. Quanta saudade eu senti. – ele dizia ofegante sem deixar de beijá-la e envolver em suas carícias tão apaixonadas e ao mesmo tempo tão ternas. Agia como se suas mãos e sua boca houvessem sido feitas para dar carícias e amor no contato com a pele de Maria.
Maria queria fazer amor com Estevão, o amava e para ela era como um desafio de se podia deixar atrás o que havia acontecido com Evandro. Agora que tinha certeza das razões pelas quais ele queria a reconciliação com ela e que o amor dos dois havia sido tão bom para ele quanto para ela queria vencer essa barreira antes de decidir ser de novo sua esposa e iniciar uma vida feliz dentro de uma família que ela tanto havia desejado. Ela precisava daquele teste. Entregou-se sem reservas aos beijos e às carícias de Estevão se obrigando a não recordar do mal que Evandro havia lhe feito, queria que aquelas lembranças desaparecessem totalmente. Ele tirou o seu terno, sua camisa, seu cinto e a conduziu até a cama.
Na cama a olhou como que tateando o terreno e começou a despi-la sem pressa. Afastou a alça de sua blusa e a alça do seu sutiã e começou a acariciar seu seio de uma maneira pícara arrancando um leve gemido dela que levou a cabeça para trás. Aquela visão dela o enlouqueceu e ele terminou de tirar sua blusa e se deitou sobre ela começando a beijá-la. Ela gemia e começava a se entregar à ele com confiança, uma confiança que só se sente ao fazer amor com o homem que se ama. Estevão lhe dava carícias com a boca e com as mãos desceu até sua intimidade e ela estava quase envolvida por elas quando, num impulso, o empurrou violentamente:
_ Não! Não me toque! – disse levantando-se da cama e pegando sua blusa para cobrir seus seios, havia sido assaltada pelas lembranças e não conseguiu continuar.
_ Tudo bem! Tudo bem, meu amor eu não estou com pressa. – Ele disse compreensivo. – Eu posso te esperar. Posso te esperar o tempo que seja necessário até que você esteja pronta.
Ela baixou a cabeça e chorou. Com as mãos segurava a blusa que cobria seus seios. Estaria toda a vida presa àquelas malditas lembranças? Recuperaria alguma das coisas que lhe haviam sido tiradas?
_ Acontece que eu não! – ela disse em lágrimas.
_ O quê? – ele não entendeu sua postura e se sentou ao lado dela.
_ Eu não quero esperar, Estevão. Eu te amo, te desejo, quero fazer amor com você sem que esse maldito medo me atormente. – ela disse olhando-o.
_ Meu amor, você sabe que eu nunca te machucaria ou te faria mal, não sabe?
_ É claro que sei Estevão, é que às vezes as lembranças... Eu não tenho medo de você, você só me faz bem. Eu sinto que só com você, só com você eu vou superar isso. Faça-me esquecer aquele medo, por favor. – ela suplicou
_ Você tem certeza? – Ele queria dar-lhe confiança, lhe esperaria sem nenhum problema.
_ Tenho! Me cure, Estevão! Me cure desse medo com seu amor, por favor! – ela disse soltando a blusa que cobria seus seios.
Estevão a olhou maravilhado. Como era linda. E como era maravilhoso pensar que queria ser dele, que queria se entregar à ele. Ele permaneceu hesitante pelo rompante que ela havia tido, tinha medo de que tivesse sendo, de alguma maneira, invasivo com ela. Sentia um desespero com a simples ideia de fazer com ela um mal parecido com o que Evandro havia feito. Maria então teve a iniciativa. Aproximou-se dele e subiu as mãos por seus peitos fazendo com que ele se arrepiasse com contato das mãos dela com sua pele, seu calor. O beijou de maneira quente e ele levou suas mãos até as costas dela e começou a acariciá-la enquanto a beijava. Estevão respirava ofegante pelo desejo que sentia e a avidez por possuir à mulher dos seus sonhos que ele era incrédulo quanto à acreditar que era dele, que queria ser dele por toda a vida. Deitou-a novamente na cama e terminou de despi-la cheia de carinho e abobado com seu olhar de sedução. Ver seus lindos olhos verdes o convidando para enchê-la de carícias era torturante para Estevão. Seus cabelos jogados pelo travesseiro, tão lindos, tão sedosos. Ela exercia um extremo fascínio, uma sedução incomparável sobre ele que, algumas vezes, ele chegava a se perguntar se aquela visão tão maravilhosa era real ou se não era apenas uma miragem, uma jogada de sua imaginação com o amor que sentia por ela.
_ Faça o que você me prometeu uma vez – pediu Maria com os olhos fechados com a sensação dos beijos dele em sua barriga.
_ O quê? – ele perguntou atento
_ Volte a me mostrar que o amor é bonito.
_ Será um prazer. – ele disse sorrindo.
Estevão voltou a encher Maria de carícias por todo seu corpo. Quando envolvia seus seios com as mãos e acariciava levemente seus mamilos ela não conseguia conter os gemidos. Arqueava-se e mostrava que estava pronta para ser dele, mas ele não tinha pressa. Queria dar-lhe prazer ternamente, de uma maneira que ela sentisse confiança em se entregar.
Estevão desceu sua língua até a pérola de sua intimidade e começou a dar-lhe prazer com a boca, fazendo com que Maria perdesse o controle sobre seu corpo. Ela respirava ofegante e gemia a cada movimento dele, ele subia as mãos até seus seios e estimulava todas as zonas erógenas de seu corpo deixando-a sem ar desde o início. Não demorou muito tempo para que ela tivesse um orgasmo explosivo e seu corpo fizesse movimentos descontrolados frente ao olhar maravilhado de Estevão. Seu prazer o excitava.
_ Essa mostra está bom para você? – ele perguntou sorrindo.
_ De maneira nenhuma! – ela respondeu ainda fraca e ofegante depois do orgasmo que ele lhe dera com sua boca.
Se sentou sobre a cama e o puxou pelos ombros para cima de si e olhou-o firme:
_ Eu sou totalmente sua, Estevão! Só sua!
_ Só minha! – disse beijando-a muito quente.
Ela tirou suas calças e sua cueca e tocava-o fazendo com que ficasse totalmente claro nas mãos dela o quanto ela queria possuí-la.
_ O que você está esperando para entrar em mim? – ela o desafiou beijando-o e sentindo o calor da respiração dele sobre a pele dela.
Ele afastou suas coxas e a invadiu primeiramente com leves movimentos. Ela reagiu gemendo e pedindo:
_ Mais ahhhhhhh... Vem...
Estevão atendeu acelerando os movimentos e fazendo incursões cada vez mais fortes no corpo dela às que ela também atendia movimentando seu corpo no ritmo ditado por Estevão. Ela quase não podia se controlar pelo prazer que sentia. Gemia e procurava uma referência para segurar-se. Estevão se deitou sobre ela ficando com o rosto na curva de seu ombro e ela, em momentos de prazer mordia sua orelha e agarrou-o fortemente pelo pescoço passeando as mãos por entre seus cabelos enquanto ele entrava e saía dela à caminho do orgasmo. Outras vezes quando o prazer era muito intenso ela cravava suas unhas em suas costas e ele tão tomado pelo prazer nem sentia que ela marcava suas costas com o absorvente prazer do amor que tinha com ele. Ela voltou a ter um orgasmo e desprezou suas mãos sobre a cama agarrando-se ao travesseiro e jogando-o longe. Ele não deixou de penetrá-la até que também atingiu o ápice do prazer e caiu cansado ao lado dela.
Ela se abraçou à ele enquanto se recuperava e respirava agitadamente sobre o peito dele com os olhos fechados. Sentia intenso abrigo e segurança ali. Sentia-se completamente realizada como mulher ao lado de Estevão. Ao conseguir fazer amor com ele, e sentir tanto prazer quanto das outras vezes, senão mais, Maria entendeu que sim, podia recuperar tudo o que Evandro havia tirado dela e se sentiu vitoriosa. Vitoriosa e muito amada.
Lo siento
Yo ya no entiendo para
Que te miento
Si estoy hundida en este sentimiento
Aún no es tarde por favor
Yo no te he olvidado
Amor
Yo no te he olvidado
Amor
_ Eu pensei que nunca mais me sentiria assim. – disse Maria depois de algum tempo em que ela e Estevão permaneceram calados após fazerem amor.
_ Assim como? – ele perguntou abraçando-a apaixonado beijando os cabelos dela.
_ Completa! Plena! – ela respondeu.
_ Eu também me sinto assim.
_ Confesso que tinha medo, Estevão. Muito medo.
_ Medo de quê? – ele indagou acariciando seu braço com ternura.
_ De não poder mais sentir prazer fazer amor. – ela levantou o rosto para olhar para ele. – De não poder ter dar prazer como homem.
_ Depois de hoje, quanto à isso, digamos que você não precisa se preocupar. – ele disse dando beijos ternos em todo seu rosto, seus olhos, seu nariz, sua boca. – Você me faz o homem mais feliz do mundo, em todos os sentidos, eu nunca me senti assim com nenhuma mulher, nunca!
_ E só com você eu me sinto mulher. Só com você eu consigo me entregar e esquecer esse medo que às vezes toma conta de mim.
_ Te amo! – ele se declarou sem poder mais conter a vontade de dizer à ela o quanto ela o fazia sentir-se bem.
_ E eu amo você! – ela também se declarou agora sem nenhuma dificuldade. – Sempre amei você.
Beijaram-se envolvidos pela excitação, o desejo e o amor que sentiam um pelo outro. Voltaram a fazer amor algumas outras vezes naquela tarde. Toda a rigidez e a tristeza que os havia acompanhado quando entraram naquela casa onde tudo aconteceu, desapareceu com os dois fazendo as pazes verdadeiramente. Sentiam-se unidos e capazes de se esquecer de toda dor e sofrimento à que haviam sido submetidos toda a vida. Era como se agora estivessem prontos para o verdadeiro recomeço, um verdadeiro recomeço como uma família, a celebração diária de um amor tão intenso que nem a maldade, a inveja, as adversidades, a dor, a covardia, o sofrimento e vinte e dois anos foram capazes de apagar.
"Amar não é ser egoísta, é tantas, tantas vezes o sacrifício de nós próprios! A dedicação de todos os instantes, um interesse sem cálculo, uns cuidados que em pequeninas coisas se revelam e o pensamento constante de fazer a felicidade de quem se ama."
Florbela Espanca

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