Elo Irrevogável

28 Capítulo 28 - À Flor da Pele


***

Quando Maria o viu tão perto, teve certeza de que ele ia beijá-la e seu coração se inundou de sentimentos enquanto batia descontrolado. Tinha medo, medo de que ele a beijasse e logo a rejeitasse. Teve vontade de negar-se, mas era mais forte do que ela. Sua boca tão perto da dela o contato da mão dele com a dela, seu calor, chegava a tremer de desejo por ele. Não conseguia ater-se às consequências, tudo que existia era o momento. Estevão também hesitava. A olhava impetrante, sua beleza, sua fragilidade ao falar sobre a filha, a insegurança em seus olhos, seu impulso era protegê-la sem pensar em todo o demais. E estava segurando sua mão, estava tocando-a, Deus, como era maravilhosa a sensação de tocá-la. O mundo se detinha quando a tocava. Quanto ansiava beijá-la desde que se separaram.

Estevão a puxou pela mão para junto de si, percorreu mais uma vez todo seu rosto com o olhar e não teve mais dúvidas, se lançou avidamente à beijá-la. Com os lábios envolveu os dela e com os braços todo seu corpo mantendo-o junto de si, sentindo a pulsação de seu coração no mesmo ritmo do dele. A beijava como se nunca houvesse feito, aquela necessidade, aquela necessidade que sentia dela. Aquela necessidade que tinha de sentir seu gosto, seu hálito, sua entrega... Como ela também saboreava seus lábios, como permitia que sua língua percorresse a boca dela e também percorria a sua com a dela, como ficava trêmula em seus braços. Deus, não podia viver sem aquela sensação. Maria parou de beijá-lo bruscamente deixando-o atordoado com ânsias de mais.

_ Não, Estevão, não! Isso não pode...

Ele ignorou sua negativa e voltou a aproximar-se dela. Reclinou sua cabeça sobre a dela fazendo com que suas testas ficassem coladas e fechou os olhos. Colocou a mão esquerda sobre seu rosto e disse baixinho:

_ Você não sabe a saudade que eu estava de te beijar, de te sentir junto de mim.

Ele fez um gesto para voltar a beijá-la, mas ela se afastou.

_ Não! – disse baixinho, mas firme com os olhos baixos. Levantou repentinamente os olhos e encarou-o. – Eu te amo, Estevão! Te amo! Não quero você de maneira incompleta. Você ainda não confia em mim, me deixou muito claro aqui nessa mesma biblioteca há um mês que tinha intenção de encerrar nossa história.

_ Eu sei... – ele aceitou impotente.

_ Não volte a me beijar enquanto você tiver dúvidas. Nunca mais me beije se não for porque me perdoou e quer voltar para mim. – Levantou a cabeça e olhou-o por cima, firme.

Estevão permaneceu imóvel, não sabia o que dizer ficou impactado com suas palavras. Pensar na maravilhosa sensação que tivera ao beijá-la e no ultimato que ela lhe fez o consumia. Como imaginar sua vida sem voltar a beijá-la? Como imaginar a vida sem voltar a sentí-la em seus braços, não podia, não queria.

_ Talvez... – diante do silêncio de Estevão ficou claro que ele ainda estava cheio de dúvidas, que a mágoa que ele tinha dela não havia desaparecido, talvez jamais desaparecesse. – Talvez o melhor seja falarmos sobre aquele outro assunto que você me disse no dia que... que eu fui embora. – lançou Maria

_ Que assunto? – Estevão se surpreendeu.

_ Nosso divórcio. – Maria sentenciou.

_ Por quê? Por que você veio com esse assunto agora? – ele estava muito desconcertado com a nova atitude dela, antes tão obsecrada diante dela, agora lhe oferecia limites. E isso depois de lhe dar um beijo que lhe roubara por completo a razão.

_ Como porque, Estevão? – Maria esboçou um sorriso. – Nós dois não vivemos mais juntos, não mantemos uma relação, você tirou sua aliança na minha frente, – ele levou o olho instintivamente à mão dela que permanecia com a joia que havia selado a união dos dois – me pediu que fosse embora de sua casa e me disse que nosso casamento havia acabado. E isso há um mês! Não entendo porque você estranha que eu te pergunte sobre o divórcio. Divórcio, aliás, que foi você, não eu, quem sugeriu.

A Maria lhe partia a alma falar daquela maneira, de alguma forma, dar por encerrada realmente a história dos dois, mas sentia que não havia outra saída. Sinceramente, estava desistindo. Estava se conformando que havia vivido um amor, o mais lindo dos amores, mas que seu ciclo havia terminado. Se deixar beijar, permitir que o contato com ele a movesse daquela maneira era como impedir que a ferida se cicatrizasse. Essa não seria uma atitude típica dela, a deixaria exposta, vulnerável e tudo o que ela queria e precisava era recuperar sua autoconfiança.

Estevão baixou os olhos. O que argumentar diante de suas palavras? Era a verdade. Ele havia pedido a ela que fosse embora de sua vida. Por que então sentia que não podia permitir que ela fosse de todo? De alguma forma, ainda tinha um sentimento de posse sobre ela e de pertencimento dele para com ela. E, para que dar voltas? Amava-a, essa era a mais pura e completa verdade, a amava talvez mais que antes.

_ Eu... Eu não... – Estevão não sabia o que responder.

_ Não precisa se esforçar em me dizer algo. Hoje eu vou dizer a verdade à minha filha e acho que, nada mais justo que também deixar tudo claro com você também, Estevão.

_ Sim, como você quiser! – disse Estevão intranquilo. Quem o conhecesse bem dizia que ele estava cheio de medo.

_ Que bom. Obrigada! – disse Maria desconcertando-o ainda mais. – Vamos? – referiu-se à irem até o quarto de Estrela ter aquela difícil conversa com ela.

_ Vamos! – ele concordou começando a caminhar na frente dela.

_ Estevão! – ela o deteve pela mão e ele parou assustado olhando para ela

_ Sim? – esperava que ela dissesse algo com relação à relação dos dois.

_ Obrigada por me apoiar nisso. Acho que sozinha eu não conseguiria.

_ Sim, você conseguiria. Você é forte, Maria. Se não fosse, não teria suportado tantos golpes sucessivos e, a partir deles, ter construído uma vida vitoriosa. – ele a elogiou sincero.

_ Obrigada! – ela sorriu. – Eu precisava ouvir isso hoje.

***

Estrela estava lendo no quarto quando os dois chegaram. Era um livro sobre joelharia, da faculdade. Ela retomaria suas atividades normais na semana seguinte. Convidou Estevão e Maria a entrarem no quarto antes de saber quem batia na porta.

_ Maria, você ainda está aí? Achei que já tivesse ido embora. – Se surpreendeu.

_ Não, Estrela. Eu fui chamar seu pai porque, porque temos que te contar algo muito importante. Já era tempo que você soubesse há muito, mas não quisemos dizer até que você estivesse totalmente bem.

_ Nossa, mas com essas caras e com essa introdução, estou vendo que é sério mesmo. Então vocês finalmente vão me dizer o motivo misterioso pelo qual se separaram. – Estrela disse interrogativa. Sempre tivera curiosidade, mas nenhum dos dois explicou claramente o que pôs fim a um casamento que parecia tão apaixonado.

_ De alguma maneira sim, filha. – confirmou Estevão. – Você tem que saber o verdadeiro motivo que trouxe Maria até nossa família que, mesmo que seja doloroso, é seu direito. E eu sei que no início pode ser difícil, mas quando você refletir verá que ganhou um presente. – disse olhando ternamente para Maria – O que você mais quis durante toda sua vida.

_ Tá bom! – Estrela se mostrou impaciente. Olhou para Maria e para Estevão tentando encontrar uma resposta. – Não estou entendendo nada. Falem de uma vez!

_ Calma, filha. – pediu Estevão.

_ Ela tem razão, Estevão. – Maria finalmente se encheu de coragem. – Vamos direto ao ponto. Embora seja... complicado.

_ Pode falar, estou atenta. – pediu Estrela impaciente.

_ Você se lembra que eu te contei que tive uma filha?

_ Sim, você me disse. Eu fiquei curiosa, mas depois eu descobri sobre sua história com o meu pai e tive aquela postura... infantil. – admitiu Estrela com pesar.

_ Essa filha foi concebida naquele abuso. Naquele abuso que eu sofri do Evandro, você sabe, eu te contei naquele dia do tiro. – disse Maria olhando aflita para a barriga de Estrela.

_ Meu Deus! – Estrela se surpreendeu. – Por isso ela não está com você? Você não quis... não pôde ficar com ela?

_ Não, Estrela! Não é por isso. Eu quis muito minha bonequinha. Desde que ela nasceu, se converteu em minha vida, minha família, a família que eu tanto havia desejado. – Maria a olhava tão emocionada, tinha medo de desabar quando sentiu a mão de Estevão sobre seu ombro e isso lhe deu forças. – Mas me roubaram esse bebê. Ela era tão pequena, imagina meu desespero ao ver seu berço vazio?

_ Ah, meu Deus. Claro que eu imagino, isso deve ter sido terrível. – Estrela se comoveu com suas lágrimas e com a história.

_ Toda a minha vida eu passei procurando minha Elena. Minha vida toda! Tudo que importava para mim era encontrá-la. Eu sabia que ela podia ter uma outra família, chamar a uma outra mulher de mãe, mas eu encontraria a maneira de me aproximar dela.

_ E você a encontrou? – Estrela estava muito tocada.

_ Sim, a encontrei... – disse Maria emocionada porém hesitante.

_ Nesse momento a história de Maria voltou a se cruzar com a minha, Estrela. – Estevão a interrompeu.

_ Eu não entendo. – disse Estrela.

_ Você vai entender. – tranquilizou-a Estevão. – Apesar de ser muito nova quando Consuelo morreu você sabe que ela tinha muitos problemas psicológicos.

Maria se levantou dos pés da cama de Estrela onde estava sentada ao ouvir Estevão dizer isso. Consuelo sempre utilizou seus desequilíbrios como desculpa para seu comportamento inapropriado. Fossem comportamentos mais leves ou crimes, como o que ela cometera contra ela.

_ Claro. Sempre ouvi como você e Heitor a descreviam como uma pessoa pouco equilibrada, que fez muitos tratamentos e inclusive foi isso que a levou a morte. – disse Estrela triste. – Eu era muito pequena, mas é triste que sejam essas as lembranças que eu tenho da minha mãe.

Minha mãe! Essas palavras atingiram Maria no mais íntimo. Era muito triste para ela ouvir a filha que tanto havia procurado chamando outra mulher de mãe. E uma mulher que havia feito tanto mal a ela, que havia tirado o que ela mais amava depois de, provavelmente, tê-la separado do homem que amava. Mas era um fato contra o qual, naquele momento não podia lutar.

_ Sim, filha, é triste. O que Consuelo fez com sua própria vida e com... com a de outras pessoas.

_ Do que você está falando, pai?

_ Consuelo tinha um sentimento obsessivo com relação à Maria. Não entendo bem suas razões e tampouco ela nos pode explicar agora, mas, depois que Maria e eu nos separamos... – Estevão tentava explicar da maneira mais amena possível

_ O que eu infelizmente suspeito que também tenha sido armado por ela. – Maria não pôde evitar dizer.

_ Provavelmente. – confirmou Estevão olhando para ela. – Bom, depois que minha relação com Maria acabou e eu resolvi voltar com Consuelo parece que ela nunca tirou Maria de vista e foi cúmplice de Evandro em coisas terríveis.

_ Vocês têm certeza do que estão dizendo? – Estrela indagou descrente – Porque vocês estão desconstruindo o caráter e as ações de uma pessoa que não pode se defender porque está morta. E essa pessoa é a minha mãe! – protestou incrédula.

_ Infelizmente temos certeza. Há muitas coisas das quais não temos muitas coisas concretas, mas sobre isso é fato, Consuelo observava a vida de Maria de longe e ficou grávida ao mesmo tempo que ela.

_ O que vocês estão dizendo? – Estrela parecia começar a entender.

_ O bebê que Consuelo e eu tivemos nasceu morto, filha e Consuelo e Evandro traçaram um plano maquiavélico cuja principal vítima foi Maria. – Estevão descortinava a história e Maria não pôde evitar chorar mais.

_ Meu Deus! – Estrela estava totalmente tomada pela surpresa.

_ Em seu caráter e em sua personalidade desequilibrados Consuelo mexeu com a vida de muitas pessoas, Estrela. Ela interferiu nos destinos de três pessoas diretamente. No meu, no de Maria e principalmente no seu. – lançou a verdade frente aos olhos surpresos e descrentes da filha.

_ Isso não é verdade! – foi a primeira reação de Estrela. – Vocês estão loucos! Maria, você escutou o que ele disse? Você não diz nada? – estava totalmente desconcertada, já chorava. – Maria, ele disse que eu sou sua filha. Sua filha e não da pessoa que eu acreditei toda minha vida que era minha mãe. E ele também não é meu pai, não pode ser!

_ Filha, calma, calma! – pediu Estevão abraçando-a.

_ Não! – ela se soltou do abraço. – Calma? Você está louco? Então toda a minha vida, toda a minha vida é uma mentira! Como se fica calma sabendo disso, pai? – se surpreendeu ao ouvir a palavra pai nos próprios lábios. – Pai... – disse andando de um lado para outro no quarto. – Você não é meu pai, é isso? Então isso era a verdade que vocês tinham para me dizer? O meu pai não é meu pai, meu irmão não é meu irmão, minha casa, não é minha casa, minha vida não é minha vida, eu não sou nada! Eu não sou ninguém! Tudo é mentira, tudo! – gritou.

_ Não fale assim filha! – pediu Estevão emocionado. – Não sabe o que eu daria para que você não passasse por esse sofrimento.

Ela parou rente a janela e chorava com as mãos no rosto. Se sentia perdida, desconectada do mundo, o desespero a envolvia perigosamente. Maria se aproximou muito emocionada. Doía-lhe o sofrimento da filha. Sentia em carne própria como se fosse dela mesmo. Aproximou-se dela, segurou o rosto induzindo-a olhar em seus olhos.

_ Não diga isso, Estrela! Olhe para mim. – ela conteve as lágrimas e olhou nos olhos de Maria nos quais sempre havia sentido tanta confiança. – Você é uma jovem maravilhosa! Estudiosa que, por uma jogada do destino escolheu a mesma profissão que eu. Tem um pai e um irmão que te amam, uma família que te apoia incondicionalmente e que nunca vai deixar de ser sua família independente do sangue que corra nas suas veias. Mas também é minha Elena, o bebê que desapareceu daquele berço e por quem eu estava e estou disposta a dar o mundo. Eu iria até o fim do mundo para te encontrar filha. E Deus me permitiu essa graça, eu te encontrei, te encontrei.

Maria a abraçou. Estrela se permitiu abraçar mais por debilidade que por sentir identificação com ela naquele momento. Suas palavras a ajudaram, mas ela continuava a se sentir perdida, perdida. Como se seu lugar no mundo não existisse, como se tivesse que voltar a encontrá-lo.

_ E se você me permitir. – disse Maria se afastando emocionada e olhando em seus olhos. – Se algum dia você me permitir... Eu quero ser sua mãe.

Estrela não disse nada. Somente se afastou, não conseguia digerir tantas informações de imediato. Procurava encontrar em Estevão aquela proteção de pai que ele sempre lhe oferecera, mas não conseguia. E Maria? Não sabia o que pensar, o que sentir com relação a ela.

_ Quando vocês entraram aqui disseram que de alguma maneira iam me dizer o motivo da separação de vocês. Então esse foi o motivo? A minha origem? – ela falava sem muito controle sobre as palavras.

Maria olhou Estevão consternada. Ele a olhava da mesma maneira. Era preciso ser sincera, tinha que enfrentar-se à verdade também com Estrela.

_ Eu não sou perfeita, Estrela. Cometi muitos erros, muitos. – admitiu Maria olhando Estrela de frente. – Eu acreditava que o amor estava totalmente encerrado na minha vida. Estevão foi o primeiro e o único homem que eu amei. Jamais voltei a confiar em homem nenhum depois que ele... que ele me deixou e que Evandro fez aquilo comigo.

Estevão olhava para seu rosto e seu impulso era aninhá-la, apoiá-la naquele momento de dor, mas, ao mesmo tempo que falava da dor que Evandro lhe causara, ela falava de como se aproveitou dos sentimentos dele e não pôde...

_ Você se casou com meu... com meu pai por minha causa, é isso? – Estrela a confrontou.

Maria hesitou, não havia palavras amenas para admitir aquilo. O que havia feito era condenável e tinha que ser sincera com a filha não havia outra alternativa.

_ Sim! – disse Maria com os olhos baixos. – Eu me reaproximei e aceitei a reaproximação de Estevão com intenções amorosas porque soube que ele havia te criado como seu pai. Imaginei que estando perto de você, vivendo na mesma casa eu poderia ganhar seu carinho, o que eu mais desejava.

Estrela a olhou com reprovação. Não disse nada, mas estava claro em seus olhos que condenava a atitude que ela tivera. Sobretudo porque foi sua atitude para com Estevão.

_ Com o que eu não contava é que ainda era apaixonada por ele. – disse Maria com o rosto banhado em lágrimas e olhando furtivamente para Estevão com um sorriso como que burlando-se de si mesma – Caí em minha própria armadilha. O amor que eu sentira por Estevão na juventude ainda estava vivo e sua ternura e seu romantismo me deixaram ainda mais encantada por ele, mas... Mas agora é tarde. Agora eu o perdi. – lamentou cheia de dor.

Estevão a olhou com tanta vontade de abraçá-la. Sentiu a sinceridade de suas palavras, quase podia dizer que acreditou nela.

_ Filha você não perdeu sua família. – disse Estevão abraçando a Estrela e olhando para Maria. – Você só ganhou uma mãe.

_ Eu não sei o que pensar, o que sentir, o que dizer, não sei nada... Por favor, me deixem sozinha! – pediu Estrela quase que implorando.

_ Estrela você tem que entender que... – disse Maria tentando se aproximar dela.

_ Não consigo entender nada agora. – disse Estrela se afastando. – Agora eu só quero ficar sozinha.

_ Vem Maria, vamos. – Estevão a convenceu.

Quando saíram do quarto Estrela deitou-se de bruços em sua cama e chorou. Chorou longamente, se sentindo, desgarrada, perdida, enganada. Tudo que ela acreditava, seu mundo veio abaixo, sua vida era uma mentira, não conseguia lidar com aquilo. Do lado de fora, Maria caiu em um intenso pranto. Estevão não podia vê-la daquela maneira, a abraçou. Ela correspondeu ao abraço, se sentia tão protegida nos braços dele, só nos braços dele se sentia assim. Chorou alguns minutos abraçada a ele que também se emocionou ainda que mais contido.

_ Ela não vai me aceitar, Estevão, não vai! – foi o que disse quando finalmente conseguiu falar.

_ É claro que vai! – disse Estevão acariciando os cabelos dela. – Estrela é uma boa menina. Está perdida, confusa, todo o seu mundo desabou, você precisa entendê-la.

_ Eu a entendo, mas não posso deixar de sentir medo. Ela é tudo que eu procurava, o que eu vou fazer se ela não me aceita? O que eu vou fazer se me ver sozinha de novo? – disse olhando-o com o rosto cheio de lágrimas como que buscando conforto nele.

Estevão estava muito mexido. Terem falado com Estrela daquela maneira, ouví-la dizer que o amava, que não tinha sido só um jogo de interesse e ela tão frágil ali diante dele com os olhos suplicantes e cheios de dor.

_ Você não sabe como me dói ver você sofrendo dessa maneira. – disse voltando a acariciar seus cabelos.

Ele olhava sua boca cheio de desejo. Inconsequentemente ia beijá-la outra vez, não conseguiria resistir à ela tão frágil e tão perto dele, como era bonita, como sua boca era deliciosa e tantas emoções. Aproximava seu rosto do dela quando o celular dela deu um sinal dentro da bolsa. Ela se afastou, olhou o celular e disse:

_ Eu tenho que ir para casa.

_ Você está de carro? Eu não vi seu carro aí.

_ Está na oficina, eu vim de táxi.

_ Eu te levo. – ofereceu-se Estevão.

_ Não precisa, Luciano está aí na frente, ele passou para me buscar.

_ Luciano? Não Maria, você não vai com o Luciano! – disse Estevão demonstrando irritação.

_ E porque não Estevão? Por que eu não poderia ir com Luciano?

***