Elo Irrevogável

27 Capítulo 27 - Irresistível (+18)


Notas iniciais
Meus amores, eu não me canso de agradecer aos muitos comentários e elogios. Como eu já disse, o que vocês me dizem são meus termômetros para a história e é muito bom saber que estão gostando. Muito obrigada por cada comentário. ;) E esse capítulo eu dedico especialmente às lindas da JÚ e da prye tekilada que não só comentam todos os capítulos, mas também recomendaram minha história, muito obrigada! :)

***

A forma direta como Estevão falou da separação a Estrela deixou Maria muito afetada e ela o fitou firme. Até então ela havia evitado fazê-lo, estava muito incômoda com ele, por pensar em como se havia humilhado e que não conseguira tocá-lo. E, na frente da filha, tudo era mais difícil. Nunca em sua vida Maria havia estado tão vulnerável como agora. Fitando Estevão daquela maneira, ela queria encontrar nos olhos dele um sinal, um vestígio que fosse que ele se sentia, ainda que um pouco, como ela. O contato visual com Maria o incomodou e ele fugiu dele, “Deus, como os olhos dela são lindos!”, pensou Estevão.

_ Não falemos disso agora, filha. Você está saindo do hospital, voltando para sua casa, para sua família. – Estevão enfatizou esse trecho olhando para Maria. Parecia que lhe dava prazer ferí-la e ela se entristeceu. – Não é um assunto fácil.

_ Mas você tem que entender que eu estranho, pai. Eu estou tão acostumada com a Maria, durante esses dias no hospital ela foi tão linda comigo, – essas palavras de Estrela arrancaram um sorriso de Maria dentro daquela tensão – apesar de toda minha infantilidade ao lidar com o casamento de vocês, me deixa triste saber disso. Maria vai me fazer muita falta – disse essa frase olhando para Maria estendendo a mão esquerda para ela.

_ Eu não vou te deixar Estrela. – Disse Maria segurando a mão da jovem e apertando como para sentir a pulsação daquele carinho que recebia da filha, carinho esse que tanto havia ansiado. – Creio que Estevão não vá se incomodar que eu te visite durante sua recuperação e logo... Logo nós teremos uma conversa muito importante. – disse isso com um nó na garganta.

_ Claro que não. Minha casa também é dos meus filhos. – Estevão voltou a atingir Maria que se perguntava por que ele era tão cruel com ela, a mágoa o havia transformado, nem parecia aquele homem tão romântico que a havia encantado. – Se a Estrela quer te ver, você será bem vinda em nossa casa, sempre. – a última palavra ele disse com dificuldade, um misto de medo e tristeza. Cada vez que se dava conta de que Maria não vivia mais em sua casa sentia como que lhe esmagassem o peito.

_ Eu também sinto sua falta, Maria. – disse Heitor muito sincero.

_ E eu a de vocês, filho. – Maria acariciou o rosto de Heitor. – É ruim a gente se acostumar a ter uma família e, de repente, voltar de novo à realidade da solidão. – Até a própria Maria se surpreendeu com como conseguiu ser sincera mesmo que a incomodasse dizer isso frente à Estevão. – Estevão tem muita sorte pela família que tem. Muita sorte! – conteve com dificuldade a emoção após dizer essas palavras.

Maria estava tomada pela emoção após enfrentar-se à realidade de que já não era mais parte daquela família. Apressou-se em sair do quarto, deu um beijo e um abraço em Estrela e em Heitor, pegou sua bolsa e saiu correndo dali sem dirigir palavra a Estevão. Ele ficou tocado com as palavras dela. Sensibilizou-o pensar que ele sempre tivera uma família, seus filhos ao seu lado enquanto ela vivia ansiando e esperando sua filha que tinha sido tirada dela toda a vida. Mesmo que não intencionalmente ele havia tido e tinha algo que pertencia à ela. Pediu a Heitor que assinasse a alta de Estrela e a levasse até o carro, disse que os encontrava lá e foi atrás de Maria. Não queria deixá-la com a sensação de que ele era impiedoso e que não lhe importava o que haviam feito com ela. O que Evandro e Consuelo fizeram com ela.

***

O elevador deu o sinal e abriu a porta. Maria entrava quando ouviu a voz de Estevão que vinha correndo:

_ Segure Maria, por favor!

Ela se assustou, fez impulso de segurar a porta, mas não foi necessário, ele chegou a tempo e entrou no elevador com ela.

_ E Estrela? – perguntou Maria preocupada.

_ Heitor vai acompanhá-la até o carro, eu queria falar com você. – disse essas palavras enquanto a porta do elevador se fechava na frente deles. Estevão se deu conta de que estavam à sós dentro de um elevador. Olhou para os lados, incomodado.

_ Fale! – ela disse firme e direta encarando-o. Estava cansada de se mostrar derrotada frente à ele.

_ Quero te pedir desculpas pela forma como eu falei sobre você visitar Estrela. Independente do modo como as coisas tenham se dado, ela é sua filha e você tem direito de estar perto dela.

_ Não se preocupe por essa bobagem. – ela tentou demonstrar desinteresse pela culpa de Estevão.

_ Não é uma bobagem. Você sofreu muito até encontrar sua filha. Às vezes eu me deixo cegar pelos ciúmes e pela... pelas coisas que aconteceram entre nós, – olhou lamurioso nos olhos dela. – Mas eu quero que você saiba que eu não sou insensível ao seu sofrimento. Não sabe quanto eu lamento o que Evandro e Consuelo te fizeram. Não sabe como eu lamento que você tenha estado tanto tempo sem sua filha. – disse quase sussurrando, aproximando-se dela respirando com dificuldade.

Maria se sentiu vulnerável com aquele contato, não sabia como aquele homem podia revolver tanto seus sentidos. Ela o olhou tímida e permaneceu imóvel. Não pôde deixar de olhar a boca dele que sempre parecia tão desejável, ele ia beijá-la, pensou. Ele foi aproximando seu rosto do dela como se não tivesse controle sobre si, como se fosse inexorável buscar aquele contato. Estevão queria resistir à ela, mas com a mais mínima proximidade via todas as suas defesas se perderem na profundidade de seus lindos olhos verdes e seus cabelos negros. Sequer se lembrava mais do que estava falando, pouco importavam as palavras. Olhava seus olhos e sua boca com tanto desejo. Estavam sós naquele elevador e o resto do mundo não existia. Como sentia saudades dela. Como ela se sentia desnorteada, perdida sem ele. Seus rostos estavam muito perto, seria inevitável o encontro de suas bocas, Maria não queria e não podia resistir à Estevão baixando a guarda. Já sentia a respiração dele sobre a pele dela e estava fechando os olhos quando o elevador fez sinal e abriu a porta no primeiro andar. Eles voltaram do transe daquele quase beijo e se afastaram.

Saíram do elevador ainda perturbados. Os dois na mesma sintonia. Maria o olhou penalizada. Quem a conhecesse bem diria que ela estava quase chorando.

_ Por favor, Estevão. Não faça isso comigo. – não especificou de que falava, mas ele entendeu muito bem – Nossa separação ainda me dói e coisas como... como isso, – disse apontando atrás rumo ao elevador. – me machucam. – Nessa hora estava evidente a emoção em seus olhos.

_ Eu sinto muito. – foi tudo o que ele conseguiu dizer. Odiava ver os olhos dela tão tristes. Odiava vê-la sofrendo daquela maneira e lhe consumia pensar que era causa daquele sofrimento.

Maria caminhou rumo à saída do hospital e ele apenas a observou. “Ela tem razão! Ela tem toda razão.”, pensou Estevão. Não estava certo se ele queria se separar dela, se afastar dela para sempre, ter impulso de beijá-la sempre que a visse vulnerável e frágil. E agora seria mais difícil. Como se manter afastado dela com ela com trânsito livre dentro de sua casa, dado por ele próprio, em contato com Estrela? Sentia-se confinado àquele sentimento como estivera toda a vida, como fugir dele?

Talvez, pensou Estevão com pesar, talvez o ideal seria iniciar os trâmites de divórcio. Perguntava-se por que não havia feito ainda. Era advogado, tinha um escritório grande, estava em contato com os órgãos de justiça todos os dias. Por que ainda não havia dado entrada nos trâmites de divórcio? Tinha que falar sobre isso com Maria, pensou. Mas como falar com ela de separar-se para sempre, de revogar o elo que existia entre eles, se tinha vontade de beijá-la e envolvê-la em seus braços todas as vezes que a tinha perto? Se tinha a mesma vontade de amá-la que quando eram jovens e tinham planos de se casar?

Flashback on

***

À contragosto de Alba Estevão saiu antes do fim total de sua festa de aniversário para levar Maria em casa:

_ Essa garota não pode ir sozinha? Mande ela em um táxi!

_ Tia, eu não quero que ela vá sozinha e não quero mais ficar na festa. Quase todos os convidados já foram.

_ Consuelo e Evandro ainda estão aqui. – recordou Alba.

_ Pouco me importa Consuelo, eu não a convidei e Evandro é meu amigo, não preciso de formalidades com ele.

Maria esperava no carro ansiosa. Não gostava muito de estar na casa de Estevão, estava claro que Alba não gostava dela e fazia tudo para empurrar Consuelo para cima dele e impor sua presença à ela. Estevão chegou sorridente e entrou no carro:

_ Demorei?

_ Uma eternidade! – ela respondeu um pouco brincando e um pouco falando séria.

Quando chegaram à casa simples onde Maria vivia, ela o convidou para entrar. Havia conseguido há pouco um emprego de tradutora e morava sozinha na casa que fora de sua família.

_ Eu entraria mesmo se você não convidasse. – ele disse olhando-a com más intenções.

_ Nem adianta fazer essa carinha que você não vai dormir aqui hoje. Eu tenho que levantar cedo para trabalhar amanhã e você também! – ela entendeu bem as intenções dele.

_ Mas eu não quero dormir. – disse ele enchendo-a de beijos enquanto ela abria a porta.

Estevão desfrutava muito mais a companhia de Maria do que a festa que havia organizado em sua casa para celebrar seu aniversário. Quando entraram em sua casa ela já estava inebriada com os beijos e as carícias dele.

_ Para mim não importa ninguém mais, meu amor. – voltou a repetir Estevão deixando-a tão entregue aos carinhos e carícias dele. – Pouco importa o mundo, pouco importa tudo, eu só quero você, só quero você.

Maria não o respondeu, se entregou a um beijo quente, com língua e paixão. Ele subiu a blusa dela deixando-a nua da cintura para cima e ali mesmo, com o corpo dela contra a porta a encheu de beijos e carícias. Ela não só aceitou como se entregou a esses beijos e carícias. Não precisaram chegar à cama para fazerem amor. Ele a conduziu até o sofá e arrancou sua saia e sua calcinha. Olhava para ela tão linda enquanto tirava sua camisa. Se aproximou dela, tirando o cinto e a calça.

_ Eu só quero você, só você o tempo todo você! – dizia ofegante entre carícias.

Ocupava suas mãos e sua boca em dar prazer à ela. Maria se entregava à ele cheia de desejo. Estevão havia sido o único homem de sua vida. Com ele havia tido a primeira vez e ela tinha a certeza que só com ele queria fazer amor para toda a vida. Ele era tão apaixonado, tão romântico, tão maravilhoso. Por que não construir uma família com ele se o amava com desespero. Ela já estava próxima ao orgasmo devido às carícias que ele lhe dava com a mão se apossando de sua intimidade com voracidade e, ao mesmo tempo, com delicadeza, a delicadeza de um homem que quer fazer feliz à mulher que ama. Ele então começou a penetrá-la em movimentos leves que foram tão intensos. Tinha tanta avidez em possuí-la, em que fossem um só. Fizeram amor durante algumas horas várias vezes. Se na fase madura Estevão era incansável, imaginem com pouco mais de 20 anos. Maria se sentia satisfeita nos braços dele, plena.

Cochilava nos braços dele depois de terem feito amor muitas vezes, quando despertou e lembrou-se dos compromissos que teriam no dia seguinte.

_ Estevão, vá pra casa, amor, eu preciso dormir.

_ Eu não quero. – ele resmungou.

_ Eu também não quero que você vá. – disse mordiscando o queijo dele e depois lhe dando beijos ternos, acariciando seu torso nu sob o corpo dela.

_ Desse jeito você está me deixando claro que não quer que eu vá. – disse referindo-se às carícias que ela dava à ele. – E só estando louco que eu deixaria uma mulher maravilhosa como você passar a noite sozinha.

_ Meu amor, você tem trabalho amanhã, lembra? E eu também.

_ Não, não me lembro. Ao seu lado não me lembro de nada.

_ Mas tem que se lembrar, ela disse levantando-se e começando a vestir-se – jogando as roupas dele para ele.

Ele se vestiu sem muita pressa e aproximou-se dela ainda sem camisa.

_ Está cada dia mais difícil, sabe?

_ O quê? – ela questionou sem entender.

_ Me separar de você todas as noites. Eu te amo tanto, tanto e não tenho dúvidas que é para toda a vida.

_ Eu também, meu amor. – disse beijando-o emocionada.

Ao sair da casa dela ainda com o aroma de seu corpo impregnado no dele, Estevão se deteve alguns segundos e olhou para trás. Ela havia fechado a porta e se despedido dele cheia de beijos e carinhos. Como era intensa e apaixonada, como ele lhe arrebatava os sentidos. Estevão ficou olhando sua casa e, perdido entre seus pensamentos disse:

_ Isso vai acabar, meu amor. Não quero mais me despedir de você. Amanhã vou te pedir em casamento.

***

Flashback off

Depois que Estrela saiu do hospital se passou quase um mês sem que nada mudasse. Maria permanecia em contato com ela e a visitava todos os dias. Estrela se sentia muito próxima de Maria desde que todo aquele incidente com Evandro acontecera. Além da admiração que sempre havia nutrido por ela, mesmo quando quis se colocar como sua inimiga, ela ficou muito tocada em como Maria havia se dedicado à ela desde o tiro. Sentia gratidão por isso e, ao mesmo tempo, passou a sentir muita saudade de Maria, como uma amiga muito próxima, gostava de dividir tudo com ela. Havia questionado Estevão algumas vezes sobre o motivo da separação, mas ele sempre dizia que ainda não era o momento de falar.

Depois desse tempo, ela estava totalmente recuperada. Estevão se sentia muito incômodo com a presença de Maria em sua casa, sempre que se encontravam. Realmente queria falar com ela para iniciarem os trâmites do divórcio, mas não conseguia, sempre travava nessa hora. Evitava trocar mais de duas palavras com ela. Maria sentia que ele fazia isso por sentir muita mágoa dela. Talvez a tivesse deixado de amar, havia sentido tanta raiva, era o mais lógico.

A verdade era que Estevão não evitava o contato por haver deixado de amá-la e sim porque não conseguia lidar com a perturbação que lhe produzia a presença de Maria junto a ele. Só de olhá-la seu corpo todo reagia. Seu coração acelerava ao ver o modo como ela andava, como sorria com Estrela, como era linda. Durante as noites era tão difícil dormir naquele quarto, sua ausência era tão perturbadora. Ao mesmo tempo, ele não tinha vontade de sair do quarto porque nele conseguia sentir um pouco das sensações que tinham durante o tempo que foram felizes ali. Ah, como haviam sido felizes. Mas, naquele momento, sentia que essa felicidade era fugaz, passageira, falsa, na em realidade. Entretanto, mesmo que houvesse sido falsa havia sido tão maravilhosa, como não ansiá-la com toda alma, como não sofrer tão desesperadoramente porque se havia terminado.

Naquela tarde, Maria percebeu que já era o momento de falar com Estrela, já haviam adiado demais. Sua saúde não era mais uma preocupação e as duas já haviam construído uma relação melhor do que ela podia esperar, sobretudo, com o fim de seu casamento com Estevão. Ela tinha medo de que a filha não quisesse mais contato com ela, mas havia conseguido construir laços fortes. Desde que Estrela soubera que Maria sofreu um abuso na juventude se sentia muito mais próxima dela, como um sentimento de proteção de uma para com a outra.

Maria bateu na porta da biblioteca onde Estevão trabalhava com certo receio. Ele pediu que entrasse antes de saber que era ela. Aquele lugar estava tão tomado de lembranças, ali haviam tido aquela conversa definitiva tão dolorosa. Ali Estevão havia decidido dar um fim à história dos dois, naquela biblioteca. Quando ela entrou, ele observou como ela estava bonita. Não a havia visto naquele dia. Ele adorava quando ela penteava seus cabelos um pouco mais cheios, realçavam seu rosto tão lindo, seus olhos verdes. Vestia um vestido simples, florido de alcinhas. O que dava sofisticação era uma gargantilha de prata, peça obrigatória em seu vestuário. Estevão já quase se perdia em seu decote e em seus ombros nus quando ela falou com ele:

_ Desculpe te incomodar, mas eu queria falar sobre Estrela.

Ela percebeu o olhar dele e corou olhando para o decote e levando instintivamente a mão ao colo. Ele disfarçou ao ser descoberto desviando o olhar, se sentiu envergonhado de se delatar e que ela percebesse como o perturbava. Como se não tivesse acontecido nada, respondeu.

_ Sente-se.

_ Não obrigada, estou bem. – evitou se sentar, queria acabar com aquela conversa logo. Para ela também era um martírio estar tão perto dele.

_ Como você quiser. – disse ele se levantando e caminhando até ela.

_ Acho que é o momento, Estevão. Ela já está bem. Não quero mais esconder isso dela por mais que seja doloroso para mim falar sobre isso. – Era tão difícil para ela segurar a dor ao falar sobre isso.

_ Quando você quer fazer? Quer falar com ela agora? – Estevão se mostrou prestativo.

_ Sim. Embora... – ela demonstrou receio, se virou e levou as mãos à boca evidenciando seu medo.

_ Você não tem certeza? – Estevão se preocupou por ela e por seus sentimentos e se aproximou perigosamente dela.

_ Não é isso! – ela se virou abruptamente e se surpreendeu com o quanto ele estava próximo dela. – E se ela me desprezar? Eu não vou suportar o desprezo dela! – disse dando um passo para trás evitando a proximidade com Estevão.

_ Você não vai estar sozinha. – ele disse instintivamente segurando a mão dela. – Eu vou te apoiar, meu a... – parou antes de encerrar a frase.

Ela olhou para a mão dele na dela, olhou para ele que lentamente foi aproximando seu rosto do dela. Os olhos dela estavam úmidos, mas tão vivos, sua pele sedosa, seu perfume e aquele vestido... aquele vestido que deixava parte de sua sensualidade tão latente à mostra. Suas bocas estavam muito próximas de se unir em um beijo.

***