Elkhalas
2 01- O caso mercenário
—“Talvez a calmaria da floresta não agrade o povo da cidade, muitos acham que nela não ah muitas coisas para ver e fazer. Muitos acham que o mundo já nos mostrou tudo que tinha, e o desconhecido se tonou, mais uma vez, conhecido. Porem, a ignorância de muitos, e a preguiça de outros, sempre faz com que muitas coisas que estão diante de nós se tornem invisíveis. Mas, se olhar de perto, se abrirmos os olhos... Poderemos ver muitas coisas que estão alem do nosso alcance”... E... Ponto! –Com um pequeno movimento com a minha mão, o livro de capa de couro é fechado ainda com a pequena pena de tom cinza escuro dentro, depositei o objeto dentro de minha bolsa feita de tecido prateado com tons rosa e azul claro. Um pouco contrariada respiro fundo. Sentada numa grande raiz de uma arvore de cor estranhamente roxa escura, numa das grandes florestas dos quatro cantos do mundo de El. Não na melhor floresta pra se descansar e sim pra procurar pistas e informações de grandes fatos extintos e de certa forma, desconhecidos. Por mais que eu esteja há muito tempo caminhando não posso nem sequer pensar em desistir, tenho total consciência da minha missão e desejo cumpri-la o mais rápido possível. Não por mim em particular, mas pelas minhas irmãs e pelo povo desse mundo.
—O que foi Akimi? –Digo ao ver saindo de alguns galhos do alto da arvore, a minha pequena Valuret que logo vem ao meu encontro. Sua aparecia é meio parecida com um furão, mas com pequenas asas brancas e rosas. Possui olhos amarelos e vermelhos, pelo branco com umas partes rosa na barriga, calda e pés. Subindo em meu colo a pequena faz pequenos sons como qualquer outro mascote, mas para mim parecia estar falando e pronunciando palavras perfeitamente. –Tem certeza disso? Esse povo não é muito amigável quando se trata de humanos... –Digo segurando Akimi e me levanto da grande raiz. Ela confirma que viu alguns mercenários andando perto daqui, enquanto subia e ficava e meus ombros. Por mais que ela tem praticamente o tamanho de minha cabeça, meus ombros é um ótimo lugar pra ela descansar, isso sem contar com minha mochila. –Onde está Sekki? Ele deveria já estar de volta... –Perguntei a ela, que logo me respondeu. Por mais que meus mascotes possam se defender e tem um bom conhecimento em fugas, eles me preocupam. E ainda mais, eles são meio pequenos, uns dos menores na verdade... –Então é melhor a gente ir indo, ele vai nos encontrar de qualquer forma. Mostre-me o caminho Akimi, vamos ver o que os mercenários têm pra nos oferecer.
Seguindo-a pela mata, fomos andando pelas sombras e evitando as estradas. Não queríamos esbarrar com eles antes da hora e se isso acontecesse, daria muito problema. Por algum motivo o povo desse mundo não gosta de humanos e tem ate algumas vilas que os matam quando encontra algum andando em seus territórios. Eu sempre tive problemas com isso já que sou meio-Humana. Por mais que eu consiga me transformar na minha forma faery, mesmo gostando muito dela, eu não a mantenho por muito tempo. Mas eu sempre a uso principalmente em momentos que me esbarro com esse tipo de pessoa. É uma escapatória já que eles são mais amigáveis com o povo de seu próprio planeta.
Caminhamos ate encontrar os mercenários e começamos a segui-los. Eles estavam indo em direção a algum lugar, havia uma carroça com varias caixas e sacolas sendo levadas. Por mais que seja arriscado, eu tinha que tentar. Eu tinha certeza que eles poderiam ter pelo menos uma pista do que eu estava buscando deis de sempre. Eles conversavam em uma língua estranha, eu era incapaz de entendê-la. Os mercenários riam alto de mais e sempre mexiam nas sacolas que pareciam ter joias ou qualquer coisa de valor. Como sempre, não passam de meros mercenários, gastando sua vida em algo repugnante como se valesse realmente a pena. O dinheiro não pode comprar tudo...
Ao notar pra onde que eles estavam indo, decidi segui outro caminho. O local onde eles estavam era praticamente um buraco. Andei devagar e cuidadosamente para me esconder atrás de uns arbustos, dali dava pra ver tudo perfeitamente. Era um acampamento, estava lotado de caixas e sacolas por toda a parte, e com certeza cheias de coisas que poderiam ser vendidas. Alem de possuir armazenamento de armas em vários lugares. Nunca havia visto um acampamento de mercenário tão grande, era meio incomum por aqui.
—Vamos chegar mais perto Akimi, algo tão importante com certeza vai estar com o chefe. –Analisei a situação antes de descer barranco a baixo. Corri abaixada em direção a uma pilha de caixotes, inclinando um pouco a cabeça pra poder ver alem deles. Havia poucos homens onde eu estava, mas não havia muitas opções de esconderijo. Procurei com o olhar a cabana que supostamente seria do chefe, porem todas são exatamente iguais. Encostei-me na caixa e me dirijo a pequena Valuret. –Akimi, de uma olhada pelo local. Procure uma cabana que pertença ao líder deles. Consegue? –A pequena logo concordou comigo e desapareceu em meio aquela bagunça de mercadorias. Voltei a analisar tudo ao meu redor pra tentar ter uma noção da situação e se der tudo errado, haveríamos um plano pra poder escapar. Olhei em volta a procura de algum pano ou qualquer coisa que pareça uma capa, comecei a revirar algumas sacolas e caixas abertas. Por mais que eu sempre esteja em situações que necessita ser discreta, eu sempre ando com roupas brancas que chamam uma boa atenção.
Enquanto eu revirava, acabei achando uma longa cortina de cor marrom escuro. Coloquei-a no chão e a espalhei pra ver o seu comprimento, se eu andar com algo comprido de mais, com certeza chamara atenção. Peguei minha adaga e a cortei num tamanho considerável, colocando-a sobre os ombros amarrando do mesmo jeito que uma criança faz pra brincar de super-homem. O pedaço que sobrou eu o amarrei na cabeça como um lenço, com seu comprimento foi perfeito pra esconder o meu rosto. Enquanto eu olhava nas caixas pra ver se havia algo que poderia ser útil, Akimi voltou com boas noticias.
—Ótimo, entre aqui. Não posso permitir que eles a vejam e sem gracinhas, ouviu? –Disse enquanto tirava minha bolsa das costas, a abrindo para dar passagem a ela. Ajeitei a capa improvisada e comecei a caminhar por trás dos caixotes. A cabana do líder não possui muitas coisas ao redor e nem muita mata, terei que me virar com o pouco espaço e camuflagem que tenho. Dois homens estão posicionados na entrada, mas como toda cabana feita de tecido, é bem fácil abrir passagens e criar entradas em outros lados. Me abaixei e encostei na ultima caixa disponível, o único arbusto do meu tamanho esta a alguns metros de distancia. Olhei em volta e me certifiquei que não havia nenhum homem ao longe que poderia me ver, antes de correr abaixada ate o arbusto. Por sorte a mata aqui é bem escura e combina bem mais com essa capa velha do que minhas roupas brancas. De acordo a Akimi o líder logo ia sair de seu aposento então era só eu esperar e depois invadir. Não sei ao certo se vou encontrar o que realmente procuro, mas os mercenários sempre tem algo interessante guardado. Analisei a minha situação novamente e finalmente consegui chegar à cabana, ficando na parte de trás. Pude ouvir alguns barulhos vindo de dentro, percebo que ele estava mexendo em gavetas e garrafas. Esperei mais alguns minutos antes de ouvi-lo sair e falar com seus capangas do lado de fora. Ao notar que ele foi dar uma volta pelo acampamento, rapidamente rasgo com minha adaga a parte de trás da cabana, abrindo uma passagem para mim. Já que era o local do chefe, o lugar era bem maior do que os outros. Ao entrar pude ver a direita duas prateleiras grandes, cheias de livros e vidros de poções, uma ao lado da outra. Baús abertos e fechados no esquerdo e ao meu lado, cheios de ouro e joias. No centro um grande tapete azul com detalhes amarelos. Em cima havia uma escrivaninha feita de madeira, com folhas e garrafas espalhadas.
Comecei a minha busca pelas prateleiras, olhando os livros e algumas folhas que apareciam no meio daquela baderna. Nenhum conteúdo deles eram o que eu realmente procurava. Revirei as duas prateleiras e nada. Como não obtive sucesso fui direto pra escrivaninha e comecei a revira-la, tomando cuidado pra não derrubar as garrafas de vinho. Acabei encontrando um pequeno mapa que me chamou muita atenção, havia vários “X” marcados em regiões desertas, que mal havia povos por conta de uma contaminação. Enquanto eu tentava reconhecer algumas regiões notei algo estranho na folha, no mesmo momento eu a virei, vendo anotações em uma língua desconhecida para mim. Porem o que despertou mais ainda a minha curiosidade era um símbolo. Uma lua minguante num tom avermelhado, em suas pontas tinha galhos de cerejeira que formava a lua nova que pingava sangue.
—A lua que sangra... –Esse símbolo era o mesmo que ele usava em suas vestes e assinaturas. Mas o que isso faz num mapa de mercenários? Meio contrariada tirei minha mochila das costas e a abri colocando o mapa. Akimi no mesmo momento saltou pra fora. Tentei por ela de volta, mas sua teimosia não me permite. –Não mecha em nada, lembra-se da ultima vez? –Ela rosnou pra mim e eu respirei fundo. Voltei em minha busca, me lembro de ouvi-lo mexer nas gavetas, não custa nada olhar. Abri a primeira e nada que fosse realmente interessante. Abri a segunda e apenas tinha armas e um cachimbo, fui direto pra terceira e estava trancada. Tentei procurar por uma fechadura ou qualquer coisa que parecesse com uma. Impaciente e com o pouco tempo que temos, pequei a minha adaga e tentei quebrar a madeira a força pra poder abrir. Mas assim que a lamina se encostou nela, um luz avermelhada tomou posse da escrivaninha e transmitiu um som agudo, por sorte não foi tão algo pra se ouvir pelo lado de fora. –Feitiço de proteção... Deis de quando mercenários utilizam magia? De qualquer forma, o que tem aqui é realmente importante.
Me levantei e comecei a procurar nas prateleiras novamente, me lembro de ter alguns livros sobre feitiços de proteção. Eu bem que poderia usar o meu poder pra tentar quebra-lo, mas o som que ele transmitiu ao minha adaga se chocar contra ele, não seria uma boa ideia. Ao encontrar o que eu estava procurando, comecei a passar as folhas rapidamente. O que procuro é magia em objetos, principalmente de madeira. Assim que encontro o capitulo eu comecei a ler e passar as folhas, tinha que ter algo que poderia ajudar pelo menos um pouco. Mas para o meu desagrado, a folha estava rasgada justo na parte que ia explicar como desfazer o feitiço. Quando decido guardar o livro e tentar outra solução, escuto um barulho de garrafas de vinho se batendo e logo as vejo rolando pelo chão. Olhei pra Akimi e estava pronta pra bota-la de volta na bolsa antes que ela fizesse outra besteira. Só que eu não esperava o que eu ia ver, a minha pequena Valuret estava rosnando pra algo e assim percebi que nesse tempo todo, não estávamos sozinhas.
—A-akimi... Venha pra cá de vagar... –A mesma me obedeceu enquanto se afastava do Bakhrahell. Um mascote que possuía a mesma aparência de uma cabra, só que com algumas diferenças. Seu pelo era num tom marrom escuro que quase dava pra se confundir com preto, seus olhos eram num tom avermelhado flamejante. Tinha uma cicatriz em meio à testa no formato de uma estrela de quatro pontas. Suas patas e barriga não possuíam carne, apenas osso. Tinha seis enormes chifres meio enrolados e pontudos para os lados, no centro havia deles um circulo de energia vermelho com alguns símbolos e formavam vários triângulos e uma estrela. Sua cauda com ponta pontuda era pele e osso, com apenas alguns pelos.
Assim que a Akimi foi pros meus braços o Bakhrahell se levantou, parecia que atrapalhamos seu sono. O mascote que tinha praticamente o meu tamanho, começou a bufar e a bater o casco no chão, provavelmente irritado por estarmos invadindo o território de seu mestre. Comecei a andar devagar para trás sem fazer movimentos bruscos em tentativa de sairmos de la sem causar um alvoroço. Mas a cada passo, ele fazia ainda mais barulho, ao ponto dos homens começarem a questionarem do lado de fora. Não posso ficar parada sem fazer nada, ser capturada não é uma opção e sair daqui de mãos vazias também não é. Ao notar que Bakhrahell posicionava seus chifres em minha direção, mal tive tempo de pensar. Ele vem em minha direção na intenção de me atacar, no ultimo segundo dou um salto para o lado. O mascote passou reto, e um grande barulho surgiu quando ele bateu nas caixas e baús do lado de trás. No mesmo momento ouvi vozes do lado de fora, sem pensar duas vezes usei o meu poder e criei um grande espeto feito de cristal. Usei todas as minhas forças e tentei quebrar o feitiço, no mesmo momento em que se conectaram um barulho agudo e muito alto surgiu. Dois homens apareceram nesse momento e antes que pudessem fazer qualquer coisa o feitiço foi quebrado e uma onda de choque surgiu jogando todos ao redor para longe. Demorei alguns minutos pra me recompor, um zumbido ficou pelo meu ouvido por um tempo e minha visão embasada. Me levantei sentindo minhas pernas fracas e notei que tudo ao redor, exceto a própria escrivaninha, estava uma desordem. Nem cabana tinha, todas as coisas estavam jogadas por todos os lados e vários homens estavam no chão, enquanto outros se armavam e caminhavam em minha direção de vagar. Rapidamente fui ate a escrivaninha e abri a gaveta, nela havia um pequeno livro de capa azul desgastada e o mesmo símbolo da lua estava cravado num tom dourado. Assim que o guardei em minha bolsa sai correndo em direção a Akimi, a pegando em meus braços. Os mercenários começaram a berrar e em poucos segundos um grupo deles estavam atrás de mim e sem contar com um Bakhrahell furioso. Akimi começou a brigar comigo, ela ficou irritada da minha falta de consideração por ela, eu realmente esqueci de protegê-la naquele momento do feitiço.
—Depois nos falamos sobre isso! Primeiro temos que sair vivas! –A Valuret rosnou pra mim enquanto tentava se locomover pra minha bolsa. A capa e o lenço improvisado acabaram se soltando, já que eu não os amarrei fortes o suficiente pra aguentar uma corrida. Enquanto tentava correr pra salvar minha pele, de um jeito bem desastrado, tropeçando em pedras e batendo a cara em galhos que apareciam do nada. Notei que minha estrada estava acabando, mais pra frente havia um penhasco e o mar. Como não tinha muitas opções disponíveis, eu segurei minha mochila com a Akimi dentro e pulei. Antes de dar encontro com a água, soltei um grito por extinto, e logo estávamos afundando. Notando a nossa situação, fiz um campo de força num tom branco e nele ouve apenas um pequeno espaço de ar, enquanto a maior parte estava coberta de água. Ficamos no fundo do mar por um tempo, ate ter certeza que os mercenários haviam ido embora. Seja la o que for que eu havia conseguido, tinha certeza que não era qualquer coisa.
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