Elfen Lied – Um Novo Futuro
7 Capítulo 7 – Outro Passeio... E Mais Diclonius...
Notas iniciais
Nana e Emi tomaram banho juntas. Nana fez de tudo para ter certeza de que a garota estava totalmente limpa.
Após o banho, Nana colocou uma camisa de manga curta branca e um short verde. Emi colocou uma camisa de Kouta, que ela teve que dar um nó para não ficar muito grande nela, e uma calcinha de Mayu, também com um nó...
Mayu e Kanae fizeram carne cozida e arroz. Mayu, Nana, Kanae, Miguel e Emi se ajoelharam à mesa para comer. Lucy/Nyu estava dormindo no quarto.
Eles colocaram mais carne para Emi, já que ela era a “convidada especial”. Todos juntaram as mãos para agradecer e Emi seguiu o exemplo.
– Itadakimasu! – disseram todos.
As meninas começaram a comer, mas Miguel e Emi ficaram de olhos fechados por alguns segundos e depois começaram a comer.
– Miguel, por que você sempre fica de olhos fechados, mesmo depois de agradecer? – perguntou Kanae, levando um pouco de arroz à boca.
– Bem, é um costume meu agradecer a Deus pela comida. – ele deu uma mordida na carne. – Minha avó era cristã e ensinou a toda a família os costumes, as regras, a tradição e tudo mais da vida cristã. Eu só faço o que ela me ensinou.
– Bem, religião não se discuti. – comentou Mayu, levando um pedaço de carne à boca.
– Eu também vim de uma família cristã. – Emi estava indiferente, como sempre. – Aprendi os costumes, até memorizei alguns versículos, mas...
Ela parecia não querer lembrar-se do passado, mas mesmo assim continuou.
– Se não quiser falar, não precisa. – disse Mayu. – Não queremos te forçar a nada.
– Não tem problema, isso é passado. – a menina parecia disposta a continuar. – Bem, muitos diziam que eu era um demônio e isso causava certo desconforto a meus pais. Eu nunca tive coragem de machuca-los, mas por causa de um acidente com meu irmão mais velho, eles não me quiseram mais. Assim, estou morando na rua há um ano.
Nana devorou um pedaço de carne.
– Eles que saíram perdendo. – disse Nana, limpando o rosto. – Deixaram de criar uma menina linda igual você.
Emi pareceu não ligar para aquilo, mas deu um sorriso de leve por meio segundo.
Após o almoço, Miguel e Emi já estavam prontos para ir. Mayu os acompanhou até o portão. Na hora que eles saíram pelo portão, Emi sentiu algo.
– Uma diclonius apareceu lá dentro. – disse Emi, confusa. – Mas...
Lucy veio correndo, do jeito que estava, passou pelo portão e ficou de frente para Emi.
– O que você faz aqui? – Lucy estava preparada para atacar. – Saia, antes que as coisas fiquem complicadas para você.
Miguel se pôs entre as duas, protegendo Emi.
– Lucy, não faça isso. – disse ele. – Eu já vou leva-la comigo. Não se preocupe.
Miguel se pôs de costas para a casa, colocou Emi a sua frente e desceu a escadaria. Lucy fechou o portão e foi entrando.
– Por que você fez isso? – perguntou Mayu, incrédula.
Lucy virou o rosto e encarou-a.
– Se eu deixasse aquela garota aqui, ela mataria todos aqui. – disse Lucy, séria.
Nana estava na varanda, olhando diretamente para Mayu. A menina parecia preocupada.
– Ela é quase tão forte quanto a Mariko, que é considerada a diclonius mais forte já nascida. – Lucy garantiu.
Nana assentiu, confirmando o que Lucy disse.
Após umas duas horas, Yuka chegou a casa. Ela foi direto para a cozinha, mas Mayu se prontificou para preparar o prato da garota.
– Por que vocês não me esperaram para comer? – perguntou Yuka, se ajoelhando a mesa.
– Nós tivemos visita e preparamos a comida antes por causa disso. – Mayu levou a comida de Yuka até a ela.
– Tudo bem, mas na próxima me avisem quando forem trazer alguém. – Yuka se virou para seu prato. – Itadakimasu.
Ela almoçou e foi se deitar. Algumas horas depois, Kouta voltou e foi direto para a cama, sem falar com ninguém. As meninas ficaram fazendo dever de casa, vendo TV, etc.
O resto do dia se passou bem depressa, assim como o dia seguinte.
Na segunda de manhã, Miguel já estava esperando na sala de aula. Ele estava olhando o céu pela janela, muito feliz, com um sorriso que dava pra ver de costas.
– Então? – perguntou Kanae ao se sentar, fingindo não saber de nada. – O que eles falaram com você?
Ele se virou para elas, com um sorriso no rosto e os olhos lacrimejando.
– Eu vou ser tio! – disse ele, limpando o rosto. – Eu vou ser tio!
Nana, que não sabia de nada, começou a comemorar junto com ele.
– Parabéns! – disse ela, pulando e dançando junto do rapaz.
– Se é assim, então a Mayu vai ser tia? – perguntou Kanae, brincando.
Miguel e Mayu nem ligaram para aquilo. Eles somente olharam um para o outro e sorriram.
A aula passou rápido. Logo já era o intervalo.
– Então, como vão comemorar? – perguntou Kanae, pegando seu almoço.
– Nós estávamos pensando em ir ao cinema. – Miguel pegou seu sanduíche e seu refrigerante na mochila.
Depois de comer, ele pegou um pote dentro da mochila. Era pequeno, um pouco maior que sua mão. Ao abrir o pote, pegou algumas coisas embrulhadas, bem pequenas, e entregou às meninas.
– Peguem. – ele entregou um pacotinho para cada. – Isso é um doce muito popular no Brasil. É chamado de paçoca.
Cada uma desembrulhou a sua paçoca e comeu.
– Isso é divino! – Nana estava maravilhada.
– É doce e salgada ao mesmo tempo... – disse Mayu. – Isso é confuso...
– Bem, brasileiros são confusos. – Miguel deu de ombros. – Não me admira que suas comidas também sejam.
Kanae estava com uma grande dúvida.
– Essas aqui pareciam ter sido compradas, mas não se vende esse tipo de doce aqui. – Kanae encarava o rapaz. – Então como conseguiu...
– Não pergunte. – disse. – Perdi muito dinheiro na taxa alfandegária. Patrícia estava tentando aprender a fazer, mas é difícil.
Mayu se lembrou de algo.
– E a Emi? – perguntou. – Como está?
– Logo que cheguei perto de casa, Mariko apareceu tentando mata-la. Foi muito difícil parar aquelas duas. Por fim, elas dormiram lá em casa. Mariko não queria me deixar sozinho com ela por nada.
– Elas dormiram no seu quarto? – perguntou Kanae, curiosa.
– Dividiram minha cama. Tive que dormir no chão, usando um colchonete que tinha lá. Não fiz nada com elas, se é o que estava pensando. – ele encarou Kanae. Depois, voltou a sua expressão de sempre. – Mas descobri algo sobre a Emi.
– E o que é? – perguntou Nana, curiosa.
– O nome dela na verdade é Emily. Aparentemente, seus pais eram estrangeiros que vieram pra cá com o filho e ficaram. Por fim, o pai dela foi infectado pelo vírus, fazendo com que ela nascesse como diclonius. Um dia, ela tentou evitar que o irmão fosse atropelado, mas acabou arrancando um de seus braços por acidente. Ela só tentou tira-lo da reta do caminhão, mas ela ainda não sabia usar direito os vetores. O carro foi destruído, mas ninguém se feriu além do irmão. Alguns vizinhos, que viram o que havia acontecido, falaram que ela havia feito aquilo. Os pais ficaram loucos e puseram-na ela pra fora de casa, com medo dela.
– Que horror! – Kanae estava indignada.
– Por fim, ela ficou vagando por ai. Como não havia mais ninguém caçando diclonius desde o ano passado, ela tem estado bem. Me disse que não matou ninguém, mas que teve muitas chances. O máximo que ela fez... Bem... Melhor não falar...
O professor entrou na sala, o que fez todos ficarem direitos em suas cadeiras.
– Mais tarde nós resolvemos sobre o cinema. – sussurrou Miguel para as meninas.
Após a aula, eles foram para a casa juntos.
– Miguel, você pode mesmo ir lá em casa? – disse Mayu, preocupada, enquanto saiam do colégio. – Hoje nós saímos no horário normal...
– Bem, meu irmão disse que vai me buscar hoje. – disse ele, indiferente. – Vou aproveitar e ver se podemos levar todos no cinema.
No caminho para a casa, eles viram algumas diclonius mendigando, andando por ai, escondidas em becos, etc. A maioria usava roupas rasgadas e algumas estavam até mesmo sujas de sangue. O número delas estava aumentando muito na região.
Na entrada da escadaria, Marcos estava esperando pelo irmão. Estava usando uma roupa casual.
– Marcos, por que já está aqui? – Miguel se aproximou do irmão. – Achei que viria mais tarde. Aconteceu alguma coisa?
– Bem, eu tive alguns contratempos. – respondeu Marcos, coçando a cabeça e rindo. – De qualquer forma, eu só tinha esse horário pra vir. Mais tarde eu estaria ocupado.
– Tudo bem... – Miguel parecia um pouco triste. – Ao menos podemos decidir sobre o cinema ainda hoje?
– Simples: Sábado, todo mundo. – Marcos sorriu. – Kurama e Kouta já aceitaram a ideia. O doutor foi difícil de convencer, mas consegui convence-lo a sair um pouco do laboratório e se divertir.
Miguel ficou impressionado com a velocidade do irmão para resolver aquilo. Ele se despediu das meninas e entrou no carro junto com o irmão.
As meninas foram pra casa. O dia terminou normal, algo que era estranho para aquela família.
No sábado, todos foram ao cinema, inclusive Emi e a doutora Arakawa. Estavam todos bem arrumados.
– Quatorze ingressos para “A Vida de John e Mary”, por favor. – pediu Kurama, entregando o dinheiro para a moça da bilheteria.
– Tudo bem. – ela pegou o dinheiro e entregou os ingreços.
Eles compraram muita pipoca e refrigerante. Lucy ficou de olhou em Emi por um bom tempo, mas percebeu que ela não estava com nenhuma intenção de machucar ninguém e relaxou. A menina parecia já estar se acostumando. Tinha sido adotada pela família.
Na hora de se sentar, Miguel e Mayu ficaram no meio do pessoal, juntos. Kouta ficou entre Yuka e Lucy, o que foi meio desconfortante para ele. Os outros se ajeitaram do seu jeito, ficando Emi e Mariko uma do lado da outra.
O filme contava a história de dois irmãos, John e Mary, que viviam brincando e eram grandes amigos, mas foram separados por alguns anos. Quando se reencontraram, houve um problema: Eles foram se envolvendo com pessoas que o outro não aprovava. Mesmo assim, continuaram com essas amizades e relacionamentos amorosos que desagradavam um ao outro. Desse jeito, seu laço de irmãos foi desgastado aos poucos, até que foi rompido de vez. Anos passaram e suas histórias se cruzaram várias vezes...
A doutora Arakawa prestava atenção em cada cena do filme, sem perder nenhum detalhe. Mariko e Emi já estavam chorando e consolando uma a outra, assim como Nana e Kanae. Lucy e Yuka apertavam as mãos de Kouta em cada cena de briga ou beijo, o que deixava ele sem ideia do que fazer. Mayu e Miguel ficaram com certa vergonha, mesmo no escuro, e ficaram de mãos dadas por baixo do apoio de braço da cadeira. Os outros dois casais presentes ficavam chutando o que ia acontecer em cada cena. Até o final do filme, muita gente havia saído da sala de cinema para chorar, menos nossos 14 queridinhos.
Enquanto saiam do cinema, eles começaram a discutir sobre o final do filme.
– O final foi emocionante. – Kanae secava as lágrimas do rosto, sendo consolada por Nana. – “Não importa o que acontecer, nem onde ou com quem estarmos, sempre seremos irmãos.”. Irmão, você vai fazer de tudo por mim se eu estiver com problemas, não vai?
– Claro, claro. – Kouta era puxado por duas choronas.
– Eu só acho que o rapaz que a Mary casou não tinha cara de confiável, mesmo depois de tudo que fez. – Mayu andava ao lado de Miguel e Nana.
– Sério? – perguntou Miguel. – Eu achei que pular em um rio congelado para salvar o irmão dela já foi um grande sinal de que ele era confiável.
– Você é homem. – Patrícia bagunçou o cabelo do cunhado. – Nunca iria entender nosso ponto de vista.
– Eu achava que essa ideia seria ao contrario. – Marcos carregava Emi sonolenta. – Normalmente quem fica desconfiado até depois da prova de confiança é o homem.
– Bem, isso é ponto de vista. – Kurama carregava Mariko. – Eu também estou com um pé atrás com o final, mas isso é normal. Cada um tem seu ponto de vista.
– Se eu fosse diferente da Mary e ouvisse minha família, não casaria com você. – Hiromi riu da situação.
– Querida! Não fala isso!
Eles foram todos ao estacionamento próximo ao cinema, onde haviam deixado os carros. O problema era que só havia dois carros para 14 pessoas, já estava à noite e estavam acontecendo constantes assaltos e assassinatos na região.
– Miguel, vamos? – perguntou Marcos, abrindo a porta do carro.
– Pode levar o pessoal primeiro. – disse Miguel, rejeitando o pedido do irmão. – Eu não ligo de ficar por último.
– Mas... – Marcos não conseguiu negar o pedido do irmão. – Mas espere na frente do cinema, tá? Fique onde há movimento.
Marcos levou Kouta, Yuka, Lucy, Nana e Kanae. Kouta estava no banco do passageiro e as meninas não ligavam de se espremer lá no fundo. O motorista foi direto à pensão.
Kurama levou Hiromi, Patrícia, a doutora Arakawa, Emily e Mariko, já que todos estavam morando perto. As meninas ficaram com sono e acabaram deitando no carro, não deixando espaço para mais ninguém.
Por fim, Miguel e Mayu ficaram sozinhos na frente do cinema. Não bastasse aquilo, havia começado a chover. Eles ficaram lá, esperando, na entrada do cinema.
Mayu estava com uma blusa de manga longa listrada, preta e branca, com uma saia branca um pouco acima do joelho. Usava uma meia longa, preta, até a coxa, e um tênis, estilo All-Star, vermelho.
Miguel usava uma calça jeans preta, uma camisa branca e uma jaqueta jeans preta. Usava um tênis esportivo todo preto. Sua corrente estava por dentro da camisa, como sempre.
– Você faria algo daquele tipo para provar sua confiança e amor? – perguntou Mayu, olhando para a chuva caindo na rua.
– Bem... Faria mais se fosse preciso... – ele também olhava para a chuva.
Eles viraram os rostos um para o outro. Se olharam por alguns segundos, minutos, e, por fim, se beijaram.
Enquanto estavam nesse clima romântico, Marcos chegou de carro ao lado do cinema. Ele esperou ali, quieto, até que eles terminassem. Quando Miguel percebeu seu irmão esperando, ficou mais vermelho que uma pimenta.
– Vamos? – perguntou Marcos, pela janela do carro.
Os dois correram para o carro e entraram na parte de trás.
– Não se preocupe. – Marcos virou para o banco de trás. – Não vou contar para a mamãe.
– Brincalhão... – suspirou Miguel.
Marcos engatou a marcha e foi embora para a casa de Mayu. No caminho, Miguel e Mayu não soltaram a mão um do outro.
Quando chegaram à casa de Mayu, Miguel desceu do carro e foi com ela pela escadaria. Como ainda chuviscava, ele tirou sua jaqueta e colocou por cima da garota.
Ao chegarem ao portão, se despediram com um beijo. Mayu entrou e Miguel desceu a escadaria com o maior sorriso possível.
Os dias foram passando, com diclonius aparecendo e sumindo diariamente. Pareciam estar só de passagem, talvez por perceberem que naquela área haviam diclonius fortes como Mariko e Emi. A menina começou a estudar com Mariko.
Já na faculdade, Kouta continuava com seu estágio e recebendo uma boa quantia, além do que sua mãe mandava todo mês. Assim, mesmo quando a mãe de Yuka começou a cobrar pelo aluguel, eles ainda continuavam vivendo bem.
O tempo passou voando... As estações do ano foram passando... A temperatura foi caindo... Até chegarmos perto do Natal...
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