Eletronicky - Revolution

3 A perseguição começa


Assim que a porta se abriu em um enorme estrondo o som de paços metálicos ao chão chamou atenção do professor Torres, que saiu de sua sala fechada e correu até o pátio, assim como os alunos da arena que assim que assistiram os oficiais adentrar o prédio correram para dentro depois de esconderem seus robôs.

Nicole e os outros paralisaram quando miraram os representantes descendo do último andar com sorrisos recatados e maldosos.

Torres tinha cinquenta anos, era o professor responsável pela revisão do serviço dos mecânicos; seus cabelos longos e cinzentos eram amarrados por um elástico azul em um rabo-de-cavalo bem baixo. Sua gentileza e amizade são os fatores que o fizeram “Doutor Rabo-de-cavalo”, um dos profissionais mais especializados e respeitados da academia e secretamente o preferido dos alunos.

O professor se aproximou dos homens em uma postura ereta e sem tremedeira:

— Senhores. – Fez uma reverência – Em que eu posso ajudá-los?

Os dois homens de terno eram Visconde e Luke, o primeiro era alto com cabelos castanhos e um físico de dar inveja aos homens e desejo às donzelas e Luke era alto e careca, uma pele tão negra que não tinha brilho algum e ressaltava seus olhos cinzentos. Eram dois oficiais atraentes e padronizados como bons agentes.

Não se ouvia muito sobre os dois fora do trabalho.

— Pode sim senhor. – Luke disse. – Onde está o Sr.Tortulles?

— Perdão senhores mas... – Ao olhar para o lado Torres viu a boca salivante de um policial-robô. – Drogo.. cof, quer dizer, Sr.Tortulles não virá neste horário ele se identifica melhor com os estudantes do último ano.

— Isso quer dizer que será durante a noite que irei encontrá-lo?

— S-sim senhores.

O gaguejo tinha um motivo, Torres sabia exatamente o motivo de Drogo estar sendo buscado e infelizmente Torres sabia que seu dia não iria demorar.

Visconde começou a caminhar de forma debochada pelos estudantes, os alunos quietos e aterrorizados o davam um certo prazer misturado com a ótima sensação de poder.

Luke ia logo atrás com um pouco menos de orgulho.

Os olhos dos agentes penetravam por todos os lados, até que Visconde se aproximou de Nicky e segurou a pequena peça que a garota acabara de comprar; e enquanto fazia a bolinha pular enquanto a pegava no ar examinou o robô.

— É um excelente espécime que tem aí mocinha, tem problemas com ele? – Visconde disse.

— Coisas poucas senhor... – Nicky olhava para o chão. – O GPS antigo venceu e ele tem se perdido, mas eu resolvo em alguns minutos sem que cause danos.

— Não foi esse tipo de problema que eu me referi. – A voz do homem era grossa e quieta, em uma sala enorme cujo todos os sons de máquinas ecoavam a voz dos dois (Nicky e Visconde) era pouco mais alta que um sussurro.

Nicky olhou para os policiais com o cenho franzido, e com os lábios ferozes reuniu toda a coragem que tinha e o respondeu:

— Acredito meu senhor que o robô só machucará quem se meter em seu caminho... – e virou seus olhos para o policial. – Ou o meu.

— É claro. – Ele soltou a bolinha e ela quicou no chão até perto do braço de Demi. – Por hora.

Visconde e Luke se viraram e caminharam até a porta, suas últimas palavras foram para os membros do terceiro andar.

Assim que a porta se fechou Nicole soltou o ar que estava preso em seu peito, com tanta força que quase caiu sentada entre as pernas do amigo robô.

— Mas o que foi isso? – Dalila disse. – Está ficando louca?

— Não como o professor. – Filip apontou para o homem parado e sério.

Os alunos mais velhos da arena pareciam saber de algo e foram conversar poucas palavras com o Sr.Torres, este ouviu pouquíssimas palavras e começou a gritar.

— Porcos! – Ele gritou para os membros da supervisão que continuavam na oficina.- Porcos, porcos, porcos, são mais sujos que porcos! Irão se arrepender disso, vocês irão ver as consequências.

Um homem entre todos parecia mais calmo que todos os outros, Toru era seu nome, e com um estalo de dedos fez Torres ser levado aos berros por dois seguranças.

— Por favor, todos voltem a suas tarefas. – E desapareceu com todos seus colegas.

Os alunos voltaram a suas tarefas como fora ordenado, porém muito amedrontado.

Enquanto isso ocorria, umas seis da tarde Visconde e Luke chegavam em casa.

Um pequeno apartamentos de dois quartos, uma cozinha, um banheiro e uma sala pequena; assim que chegou Visconde dispensou a babá-robô e pegou o pequeno bebê no colo.

— Olá meu amor. – Ele acariciou seu filho, brincando com seus dedinhos pequenos. – Como está você?

Luke sentou-se no sofá e apoiou os pés em uma mesinha de centro.

Os dois como devem ter adivinhado são um casal, mantinham um casamento já tinha oito anos e juntos adotaram um bebê de dois meses que no presente estava completando sete.

— Será que ele irá demorar muito tempo até que possa andar? – Visconde tentava equilibrar o pequenino no chão.

— Acredito que sim querido. – Luke respondeu. – Os pezinhos são pequenos demais pra ficarem no chão.

Os dois mimavam a criança no andar de seu prédio, e no armário de vassouras na cobertura eles ainda não sabiam mas existia alguém, os que o ouviam chamavam de “morcego” e os que viam chamavam de “Mike”

No momento Mike estava com seu lap-top ganhando dinheiro com qualquer coisa, não é importante agora quem ele é, mas logo será.

O sol se pôs e Nicky correu para casa com Demi, enquanto corria os rádios da cidade recitavam as regras da cidade.

A casa de Nicky não era grande, e dentro dela só existia a própria Nicole e seu robô.

Nunca conheceu os pais, estes morreram antes que a menina pudesse se lembrar deles.

O orfanato o qual viveu a liberou assim que a academia a aceitou como mecânica.

Assim que chegou foi preparar um sanduíche de salsicha e katchup enquanto ligara a televisão no jornal. Ao sentar-se no sofá a cabeça já perturbada da situação anterior piorou ainda mais.

“... A partir de hoje a proteção vai estar mais ligeira e rígida, sua segurança estará em primeiro lugar sempre.”

A perseguição acabara de começar.

Eram dez da noite quando o Drogo fechava as portas da academia, já estava do lado de fora quando buscava as chaves da porta no bolso da calça.

“ A partir de hoje a tolerância é zero contra os anarquistas”

— Professor. – Um agente humano apareceu. – Para dentro, agora.

— Desculpe mas eu estou no meu horário. Posso buscar algo, esqueceu alguma coisa? Em um segundo posso buscar.

De repente um revólver foi pego pelo agente e apontado para a cabeça de Tortulles.

— Dentro. Agora.

As pernas do velhinho tremeram.

— Calma senhor, não irá encontrar nada aqui dentro, só materiais legais... – Ele abriu com cuidado a porta. – Veja, irei mostrar.

A porta foi aberta e um carro parado na frente do edifício.

“Qualquer um que colocar nossa existência em risco será seriamente punido, lembrem-se é sua proteção pela qual zelamos”

Do carro surgiram várias pessoas, entre elas Toru e uns policiais que mostraram Torres algemado e destruído, com o cabelo mal cortado e o rosto machucado.

O rosto de horror do Tortulles foi evidente, e na rua quieta e deserta o suspiro foi ouvido como um eco.

Os dois foram jogados para dentro do primeiro andar e postos de joelhos.

— Creio que, os senhores saibam o porquê estão aqui. – Toru disse enquanto o agente apontava as armas.

— Senhores, com calma resolveremos tudo. – Tortulles disse com a palma das mãos viradas em sinal de “calma”

— Velhos. – Toru riu. – Senhor, por favor, não dificulte.

O agente deu com o cabo da arma uma pancada nos dois professores joelhados ao chão. Tortulles se levantou mas Torres gemeu ao chão e colocou a cabeça entre as pernas.

— A verdade, agora! – Toru disse com um sorriso.

— Verdade? – O velho estava confuso. – Eu não fiz nada.

De novo fora acertado na barriga.

— Senhores. – Tortulles gemeu.

— Você é velho. – Entre chutes Toru continuou. – Velho, como uma árvore nojenta.

No chão Drogo viu o rosto de torres vermelho de choro e vergonha, com a cabeça sagrando por não estar cicatrizada dor tufos de cabelos arrancados.

Sentiu o sangue na boca mas continuou forte.

— Sabe por que está aqui velho?

— Porque eu... – Se colocou em pé, ofegante e bravo. – Porque eu acredito em uma cultura livre, sem medo.

Toru riu e com os pés empurrou na barriga do velho, e ele caiu ao chão. Pegou a arma e apontou para Drogo enquanto disse:

— Você está aqui por ele. – Apontou a arma para Torres. – Ele entregou você, seu guerreiro de merda, vocês dessa geração não vão existir logo.

Torres se esgueirou rastejando até Drogo, estava aos prantos e deixando sangue por todos os lados.

— Perdoe-me irmão. – Foi o que conseguiu dizer. – Não se vá sem me perdoar por favor.

— Eu acreditei em você. – Ele se pôs em pé. – E continuo acreditando para sempre.

Um tiro foi dado, e antes de Tortulles caísse ao chão suas ultimas palavras foram “Poder”.

Um grito agonizante foi dito por Torres, um som de não, enquanto se debatia como um peixe; se colocou de joelhos pela primeira vez desde a tortura. Seus lábios expeliam cuspes e sua garganta arranhava gritos de maldições.

— Toru, nós acreditamos em você; Porcos!

Toru apontou a arma mas sentiu o agente o impedir, e sussurrou algo em seu ouvido.

— Ora! Você é mais sortudo do que pensei.

Enquanto isso, na casa de Nicky uma janela foi aberta e dela saltaram duas pessoas: Akira e Baby.

— Mas que merda? – A garota pulou em um susto. – O que fazem aqui?

Akira a abraçou e tocou o ombro de Demi e o irmão a copiou.

Leona, mais conhecida como Akira tinha cabelos curtos e loiros, depois de ficar cega de um olho em uma batalha contra uma inimiga da época Akira usa um par de óculos em cima de uma atadura branca.

Além disso sua robô “Joaninha” foi completamente destruída, sua derrota fora tão feia que sua carreira como guerreira fora afetada, as apostas não iam mais para si então o braço de sua robô se tornou sua arma, um terceiro braço e mão que a ajudava em seu trabalho presente: mentora de treinadores na academia de “Além desfiladeiro”, também fora esposa de Dom, o pirata.

— Viemos vê-la, óbvio. – Akira ficou em sua frente. – As coisas pioraram?

— O que você acha? – Nicky apontou para a televisão. – Baby, o dinheiro está na minha cômoda.

Baby agradeceu e foi buscar a grana.

— Só pode ser palhaçada isso. – A garota levou a mão a cabeça. – Como deixamos isso acontecer? Onde foi que erramos?

— Prenderam contrabandistas ontem em Além desfiladeiro. – Baby estava comendo o pão. – Dom mandou um recado, por isso se atrasou.

— Então ele sabia que ia acontecer... E como sempre não pôde fazer nada.

— O que esperava? – Akira disse. — Tortulles tinha avisado, precisamos fazer alguma coisa.

— Nicky, é melhor que suma por um tempo. Vou para o Vale das Libélulas amanhã cedo, venha comigo, vou precisar de ajuda.

Nicky caiu em gargalhada.

— Oh Baby, sua queda por navios não acabou não é mesmo?