Elements, A Guerra Para A Liberdade
4 Os Treinos Podem Ser Difíceis...
Notas iniciais
A área do treino não era bem como Alex, imaginava, na verdade. No lugar de uma sala restrita, cheia de equipamentos e máquinas, encontrou apenas uma área a céu aberto, cheia de fitas, quadriculando o espaço em 15 pedaços, em cada pedaço, havia um copo de uma cor. As cores se repetiam, mas nenhuma ficava do lado da outra. A única semelhança com a imaginação de Alex era o grande muro de pedra que os cercava.
Todos do Elemento Ar chegou, praticamente, ao mesmo tempo. Era engraçado ver como eles eram pontuais. Não avançaram muito ao longo da área. Não sabiam o que aconteceria se pisassem nas fitas.
O outro Elemento chegou um ou dois minutos depois. Alex sentiu um arrepio ao ouvir os passos. Sentiu mais um quando viu quem estava na frente do grupo.
— Pela Santa Fênix, o que Dakota Winneyrs faz aqui? — perguntou, em voz baixa.
Era incrível como a Princesa tinha uma audição fantástica.
Depois que todos se espalharam, Dakota foi falar com Alex. Este começou a ficar nervoso.
— Olha só... — disse Dakota — Parece que alguém não recebeu o recado...
Ela parou, e ficou cara a cara com ele. Ela era quase da mesma altura que Alex, um pouco mais baixa, o que o fazia ficar mais agitado, sendo praticamente obrigado a encarar aqueles olhos azuis.
— Tem razão. Não recebi. Qual era o recado?
Ela suspirou, como se fosse a milésima vez que alguém perguntasse isso.
— Os professores decidiram trocar a Água e o Gelo — respondeu — Acharam que seria mais produtivo.
— Mais produtivo?
Ela sorriu, mas não respondeu, e acabou se afastando e indo falar com Jenna.
“Aquele sorriso dela é estranho”, pensou Alex, ”Parece sarcasmo, mas ela não estava sendo sarcástica... Certo?”.
Nesse momento, a professora Spedwood anunciou o início do treino.
— Muito bem, Ar, Gelo, vocês vão começar com um teste. É simples. Depois disso, irei formar duplas, dependendo da capacidade de controle de cada um.
A prof. Spedwood andou até o centro, ignorando as fitas. Ela virou-se para a turma e anunciou:
— Estão vendo os quadrados? Cada Elementer do Gelo irá ficar sobre um deles. Todos tem o mesmo tamanho. Vocês irão congelar o chão, dentro do seu limite, o mais rápido possível. Irei avaliar cada um de vocês separadamente, por isso, preciso que, após beberem o líquido no copo, façam um de cada vez. Ficarei em na frente da pessoa em que eu quero que faça. Entendido?
Todo o Gelo concordou. Pareciam bem confiantes.
— E depois — continuou — o Ar irá colocar os patins e fazer com que este os leve ao outro lado. Tentem não cair, por favor. Ah, na volta também. Podem começar.
Os Elementers do Gelo pareciam bem habilidosos. Porém, a maioria só parecia. Poucos chegaram perto de acertar o que a professora mandou. Não aparentava ser tão fácil assim. Jenna, por exemplo, acabou por fazer a parede ficar congelada, e não o chão, o que não deve ter resultado em algo muito bom. Não foi o pior resultado, mas para Alex não havia desastre maior. Havia pegado certa antipatia por Jenna.
Depois que a professora Spedwood avaliou todos do Gelo, chegou a hora do Ar. A maioria caia duas ou três vezes. A maioria das vezes na hora de virar. Outros acabavam indo rápido de mais e batiam contra a parede. Alex suspeitou que isso iria acontecer com ele.
— Landry, sua vez — anunciou a professora.
E ele foi. Conseguiu ir até que bem, de início, desequilibrou apenas uma vez, mas não caiu. O problema foi quando ele começou a acelerar. Ele estava muito próximo do final, se continuasse ia bater. Ele parou com tudo no exato momento em que percebeu isso, e ficou parado, com os olhos fechados. Por um triz que não bateu.
Agora, o problema. Como voltar sem cair?
Só lhe veio uma única opção: Voltar de costas.
E foi exatamente isso o que ele fez. Foi indo até bater na parede. Foi até divertido. A brisa que ele tinha criado era forte e refrescante.
No final de tudo, a professora dispensou os alunos. Disse que ia reavaliar cada um e ver qual era mais qualificado para formar uma dupla com o outro Elemento. O Gelo não pareceu muito animado com a notícia.
Alex resolveu ir pro seu quarto. Mayra ainda deveria estar no treino, e ele não tinha o direito de atrapalha-la. E se Matt, por um acaso, estivesse dispensado também (o que provavelmente não aconteceria), ele estaria no quarto.
Ele começou a pensar com quem cairia enquanto andava, e torcia e rezava para Deus e para a Fênix que não caísse com Jenna. Esperava ser melhor que ela, ela não parecia nada legal. A maioria das pessoas do Gelo não parecem ser legais. Parecem só se importar com a aparência, o que é algo horrível. Por sorte, Alex não generalizava. Sabia que não eram todos.
Alex nem percebeu quando bateu de cara com uma garota correndo de... Sabe-se lá o que.
— Ei — disse.
— Desculpe, eu só... Dakota? Quero dizer... Princesa?
Ela se levantou e pegou sua bolsa, que tinha caído, parecia mais assustada do que zangada. Alex estava surpreso de mais para fazer qualquer coisa. Por que raios ela estaria com medo?
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou
Ela olhou para os lados antes de começar:
— Bom, eu...
Não conseguiu terminar, nesse momento, alguém gritou seu nome. E foi muito, muito alto.
— Corre — sua voz era firme, mas dava pra ver que ela estava com certo medo.
— O que?
— Corre! — gritou, dessa vez agarrando em seu pulso e correndo mais rápido que o Sonic.
— Mas... Por que, ou melhor, do que estamos correndo? Quero dizer, eu estou praticamente voando, mas...
— Te explico depois. Só preciso... Ah, aqui, perfeito.
Ela parou bruscamente. Alex, agora literalmente, quase voou. Ela estava encarando uma portinha minúscula, batia no umbigo de Alex.
— Você não está pensando em entrar ai, está?
— Estou — disse — e se quiser sobreviver, é melhor entrar também.
Alex já estava confuso, agora estava mais ainda. Como assim “sobreviver”? Por sorte, deixou o corpo meio mole, e Dakota o forçou a entrar dentro daquela portinha. Ela pegou a chave e entrou também, o mais rápido possível, trancando. Bem na hora em que vários passos chegavam.
O ambiente era mais espaçoso do que aparentava. Parecia mais uma dispensa abandonada e limpa. Alex não tinha a mínima ideia do para quê ela era usada. A iluminação era fraca, mas o suficiente para ver com detalhes os dois.
— Dakota... — começou.
— Fala baixo! — sussurrou — Se eles descobrirem que estamos aqui...
— Dakota? — gritou uma voz, agora bem mais... Macabra, digamos — Onde está você?
— Quem são eles? — perguntou, dessa vez sussurrando também.
— Eles são “alunos” mais velhos do Gelo. Meus irmãos me falaram sobre isso. É um teste que nossos pais inventam para sabermos se temos capacidades para sermos da família real.
— Se você não passar você não vai deixar de ser da família...
— Para eles sim. E eu não quero isso. Também não quero ir para a enfermaria.
— Mas como eles poderiam nos mandar pra enfermaria? Se eles não são alunos de verdades, eles não têm poderes.
— Não é bem isso que eles têm. Além de só sua aparência assustar, eles são muito habilidosos com facas, machados, etc. E também são rápidos.
— Mas então, o que faremos? Se sairmos daqui eles vão nos ver. E, pelo que você resumiu pra mim, se eles nos verem*, nós já eram.
Ela deixou sua bolsa de lado, foi até ate a porta e apoiou nela. Uma de suas mãos se fechou como se tivesse perdido algo importante. Ela se virou para Alex, sua expressão parecia uma mistura de confusão, medo, e preocupação.
— Eu não sei, Alex. Não tenho a mínima ideia.
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