Notas iniciais
Mais um, boa leitura!!

Os olhos dele, tão azuis quanto o céu ao meio dia, agora eram negros. A pele tão branca quanto a minha agora era roxa e tinha veias saltando. Era pequeno, mas era um monstro.

—Titi...-Sussurrei a beira das lágrimas.

Ele se levantou, a boca aberta e cheia de sangue e restos do estômago do papai. Olhei para as escadas que davam nos quartos. Olhei para ele de novo. Ele caminhava lentamente até mim. Respirei fundo e corri escada acima. Ouvi um grunhido e passos atrás de mim. Está me seguindo! O corredor era um misto de membros e sangue. Corri para dentro do quarto da mamãe e papai e fechei a porta. Mamãe estava na cama, morta.

—Mamãe...-Minha voz falhou.

Seus braços estavam estendidos pros lados. Os dedos apontavam. Me perguntei o que ela queria dizer. Um apontava para a porta que dava o banheiro e a outra para a porta do closet. Mamãe sempre amou charadas. As vezes quando eu ou os pirralhos queríamos algo, ela nos dizia uma charada e se acertácemos ela nos dava o que queríamos. Um soco na porta me tirou do devaneio e eu corri banheiro adentro. Estava sem luz. Ah que ótimo. Muito legal. Puxei o celular do bolso e liguei a lanterna. Vasculhei o banheiro. Ai, merda!

—Tete!-Sussurrei ao ver o corpo imóvel de Tete no chão. Ele estava sem braços.-Mas que droga Tete!

Derrubei lágrimas em cima de seu corpo e solucei. Merda! Merda! Merda!

Beijei sua testa e fiz o sinal da cruz. Rezei por ele e silenciosamente sai do banheiro. A porta estava fechada. Fui até o closet e suspirei frustrada. Não tem nada aqui mãe!

—Pensa, Loreta, pensa...

Dei duas voltas e me lembrei de uma situação parecida. Nós devemos enxergar o que não vemos. Entrei no closet e empurrei as roupas. Merda, isso aqui tá parecendo Nárnia! No fundo do closet tinha uma portinha. Tinha uma fechadura. Eu não tenho a chave disso. Merda mãe, isso aqui tá parecendo Coraline.

Nós devemos enxergar o que não vemos.

Examinei a portinha e vi um pedaço da chave embaixo da portinha. Pus a mão ali e com esforcinho, puxei a chave. Abri a portinha. Por favor não seja o corredor sinistro de Coraline. Passei pela portinha e meus olhos quase saltaram das órbitas. Sai dali rapidinho e fechei a porta do closet. Então passei pela portinha de novo. Peguei a chave e fechei a portinha, trancando-a em seguida. Bem vamos lá.

Era um tipo de sala. Nas paredes laterais via-se armas de todos os tipos. Eu sou meio que obsecada por armas. Na parede a minha frente tinha um computador e algumas coisas que imaginei ser o trabalho do papai. Andei até o computador e vi o que estava escrito na tela. "Click in Space". Cliquei e de repente o rosto de papai apareceu. Ele parecia desesperado.

—Filha. Se você está vendo esse vídeo é por que o plano falhou. Lembra do laboratório que papai sempre ia? Então...lá nós realizavamos testes em animais. Estávamos desenvolvendo um tipo de imunidade. Essa imunidade tornaria o corpo mais forte e resistente, além do bônus, é claro. Como assim? Você deve estar se perguntando.-Eu estava mesmo.-Bônus seria mais por centos de utilização do cérebro. Essa imunidade também eliminaria qualquer vestígio de doença que vem de geração em geração em muitas famílias.-Algo se quebrou e papai gritou.-Nos animais funcionou então testamos em humanos. Pegamos três voluntários. Mas em um apenas deu certo. O nome dela é Karerina. Fizemos uma análise do DNA dela antes e depois. Então procuramos uma mulher grávida com o DNA parecido com o de Karerina. Quando o bebê nasceu, vimos que o DNA dele e de Karerina eram idênticos. Aplicamos a imunidade nele, mas não funcionou.-Outra coisa se quebrou e papai apagou as luzes e sussurrou.-O bebê não se transformou numa dessas coisas, mas também não retornou ao seu estado normal. Quando o bebê completou 18 anos, a idade de Karerina quando aplicamos nela, a imunidade fez efeito.-Ele de repente arregalou os olhos.-Filha, não posso explicar o resto. Não dá tempo. Guarde essas palavras. Vocês são dez. São Crianças noturnas. Vocês precisam estar juntas para deter Karerina. Ela ficou louca. Pegue as armas e encontre as outras.-Gritos ressoaram.-Encontre elas. Tenho fotos delas nesta sala. Ache elas e parem Karerina!

Então o vídeo acabou. Vasculhei com lágrimas nos olhos as fotos. Achei na gaveta nove fotos. Minha mão tremeu e eu arfei quando achei a décima. Era uma foto minha. Ignorei esse fato e tentei achar algo que me ligasse a elas. "Crianças Noturnas". Noturnas porque? Gostamos da noite?

—Qual é Loreta, você é mais esperta...-Sussurrei para mim mesma.

Noturno. Noite. Escuro...hum. Meio estranho. Eu era ruiva e tinha louras e uma ruiva numa das fotos. Mas o que...? Prestei mais atenção. Comparei as fotos e vi que todas nós tínhamos algo em comum. Os olhos. Todas elas, inclusive eu, tínhamos os olhos negros. Crianças noturnas...olhos negros...é tem um sentido. Juntei as fotos e escolhi as armas que iria levar. Achei uma mochila com munição. Peguei as armas medianas e joguei-as dentro da mochila. Peguei as fotos e fuxiquei um pouco mais. Em um dos muitos papéis do papai, estava escrito o nome do laboratório que ocorreu tudo aquilo. "Organização LAB". Nome idiota, mas deixei passar. No verso do papel vi a foto do laboratório. Ei, eu sei onde isso fica! Costumava ser o Museu do Amanhã. Mais que merda! Enfiei o papel dentro da mochila e dei uma conferida na sala. Então sai de lá. Tranquei a portinha e pus a chave no bolso. Para meu espanto e pânico, a coisa que costumava ser meu irmão, estava no quarto, esperando por mim. Merda!

Notas finais
Até a próximas meus amores!! Beijoos!!