Elementos- A Guerra Começou
8 Coisas estranhas
Notas iniciais
*** POV Lucinda ***
---Lucy acorda. --- falou Kali.
---Hm... ---falei.
---Vamos, você vai se atrasar para a aula! --- ela disse.
---Tá bom. --- eu disse esfregando os olhos e me levantando.
Tomei um banho rápido e vesti-me com um short jeans e uma camisa azul clara e, calçei um tênis comum.
---Vamos. ---falei saindo do banheiro.
Quando saímos do Prin demos de cara com Greg e... Daniel.
---Podemos acompanhar vocês? --- perguntou Greg.
---Claro! --- falou Kali sorrindo.
Começamos a andar e no meio do caminho Kali e Greg já estavam conversando em alta sintonia me deixando para trás com o Daniel.
---Olha... --- Daniel começou a falar. --- Acho que começamos mal, ok? Hm... Desculpe-me por ter esbarrado em você. --- ele terminou.
---Tudo bem, está desculpado. --- falei sem olhá-lo.
---Então, você foi para a aula prática ontem? --- ele perguntou.
---Bem... Não. --- respondi.
---Filou? --- indagou.
---Ah... Não é da sua conta. ---falei.
---Tudo bem, só perguntei --- falou ele.
---Viu. --- falei e ele bufou irritado.
Assim, continuamos o caminho sem trocar mais palavra alguma até chegar ao nosso destino. Entramos na sala em silêncio e nos sentamos.
---O que houve? --- perguntou Kali.
---Nada. --- falei ainda um pouco irritada.
Ela hesitou como se fosse fazer outra pergunta, mas desistiu. A professora Hanna entrou na sala e tratei de prestar atenção na aula dela para me esquecer um pouco das coisas. Até que foi tranquila e acabou rápido. Senti os pelos de minha nuca se eriçar, geralmente isso acontecia quando eu sentia que havia alguém me observando ou á espreita... Peraí, como eu sabia disso? Que estranho então institivamente eu olhei para trás e vi de relançe Daniel abaixando a cabeça. Certo, ele estava me olhando, mas por quê? Tenho certeza que não foi por causa da minha beleza. Então as aulas foram se sucedendo até a última terminar com o soar do sino.
---Por quanto tempo teremos essas aulas teóricas? --- perguntei.
---Uma semana. --- respondeu Greg.
---Só? E depois? --- indaguei.
---Só? Eu ainda acho uma semana uma tortura! Depois teremos somente aulas práticas... É a parte mais divertida. --- falou Kali sorrindo.
Meu primeiro pensamento: Tô ferrada! Só aulas práticas? Mas eu ainda nem sei qual porra de elemento eu possuo! Droga! O que irei fazer?!
---Lucy? Lucy! --- Kali me chamava.
---Ah, me desculpe. Acho que me distraí. O que foi? --- eu perguntei.
---Percebi. Nós vamos almoçar... Você vem com a gente? --- Kali perguntou.
---Acho que não... --- falei.
---Tudo bem. Juízo viu? Nós nos vemos mais tarde né? --- ela falou.
Dei risada.
---Sim. ---falei.
Então Greg, Kali e Daniel se dirigiram para o refeitório. Enquanto isso, eu resolvi procurar onde era a biblioteca. Sim, eu tinha que pesquisar umas coisas... Eu estava começando a formar ideias na minha mente desde a conversa com o senhor Campry. Demorei um pouco para descobrir onde era a biblioteca, saí perguntando para várias pessoas. Ela ficava praticamente isolada do acampamento. Era um prédio relativamente pequeno. Eu adentrei ao recinto. Na minha frete encontrava-se um balcão com uma secretária. A moça parecia-me simpática, de cabelo claro e curto, com óculos redondos. Ela parecia preocupada com algo, pois olhava desesperadamente de um lado para o outro.
---Hm... Olá. ---falei timída.
Ela virou assustada e me olhou.
---Olá. ---falou sorrindo. --- posso ajudá-la em algo? --- perguntou.
---É, acho que sim. --- falei. --- a senhora tem algum livro falando sobre Anciões? --- perguntei.
A mulher me olhou como se eu fosse algo perigoso.
---Desculpe, Conselho dos Anciões? --- ela perguntou.
---É, acho que é isso, algum problema? --- indaguei.
---Onde ouviu falar sobre isso, jovem? --- perguntou.
---Bem, é complicado de explicar... A senhora tem algum livro ou não? --- perguntei já perdendo a paciência.
---Hmm... --- ela falou me avaliando de cima a baixo como se eu pudesse ser uma ameaça. --- Tenho, venha comigo.
Então ela me guiou pelo cômodo, passamos por diversas prateleiras e livros, até que entramos em um dos últimos corredores do recinto, era pequeno e vazio, praticamente esquecido e abandonado.
---Posso saber seu nome moça? --- perguntei.
---Sou Carly. ---respondeu procurando um livro nas prateleiras antigas.
---Eu sou Lucinda, sou nova por aqui... Bem, porque essa parte aqui parece tão antiga e abandonada? ---indaguei.
---Porque é exatamente isso o que aconteceu com o passado: foi esquecido e abandonado. --- respondeu. --- Aqui! --- exclamou.
---O que foi? --- perguntei.
---Achei o seu livro. ---falou. --- Só que esse livro não tem somente coisas sobre o Conselho, mas coisas sobre o Avatar, os Elementos, os chamas, a história e como eram o avatarianos. --- ela falou empolgada.
---Já leu esse livro? --- perguntei.
---Já sim! --- ela falou sorrindo. --- Mas sabe uma coisa que eu acho estranha e que muita gente não menciona? Dizem que o povo avatariano morreu, mas não é isso o que diz nesse livro, diz que eles “sumiram” e as pessoas atribuíram isso á como se eles estivessem mortos. Sim, teve uma batalha na Era Antiga, vários avatarianos morreram, até o avatar e tal, mas não toda a população, ela só... Sumiu. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu. --- ela falou confusa.
---Carly, você é muito inteligente! Eu vou precisar da sua ajuda! ---falei sorrindo.
---Tudo bem, estou aqui sempre que precisar... Ah, e por favor, não deixe ninguém saber que estou te emprestando esse livro. Ele faz parte da coleção “proibida” aqui na biblioteca. Alunos não podem mexer nela... Entende? --- perguntou preocupada.
---Não se preocupe Carly, ele está em mãos seguras. Vou terminar de lê-lo o mais rápido possível para te devolver. --- falei.
---Não, não precisa ter pressa... Só cuidado para que outras pessoas não vejam. --- ela falou.
---Certo, pode deixar. Ah, obrigada! --- falei.
---Disponha. --- ela disse.
---Ei Carly... Você tem alguma bolsa ou algo parecido? --- perguntei ao me tocar de que não tinha trazido nada comigo... Como eu iria escondê-lo até chegar ao meu Prin?
---Ah... Por sorte tenho uma sim. Tome, fique para você. Considere... Um presente. --- ela falou.
---Obrigada. --- peguei a pequena bolsa de corda e a coloquei atravessada no meu corpo, abri-a e coloquei o livro dentro e a fechei.
---Tchau. --- falou.
---Tchau. --- respondi.
Então saí da biblioteca e fui andando sozinha até o meu Prin, já estava entardecendo, o céu já estava ficando escuro. Apressei meus passos para chegar logo no Prin antes de escurecer totalmente.
Ao chegar, abrir a porta e entrei.
---Oi Lucy! --- falou Kali. --- Foi onde? --- perguntou.
---Oi. Fui na biblioteca ver uns livros. --- falei.
Ela me olhou novamente como se eu fosse uma maluca.
---Que foi? --- perguntei.
---Você é maluca. --- ela falou sorrindo. --- eu falei com Greg, ele convidou a gente para dar uma passada no Prin dele essa noite. Vamos? --- indagou.
---Vamos, espera rapidinho. ---falei.
Então guardei minha bolsa e prendi meu cabelo em um rabo-de-cavalo.
Assim, saímos do nosso Prin caminhamos um pouco até chegar ao dos meninos. Kali bateu na porta e Greg abriu.
---Ah, olá meninas, podem entrar. --- ele falou sorrindo.
Então entramos. Greg sentou na cama dele e Kali sentou ao lado dele.
---Ei Lucy, pode sentar aí, é a cama de Daniel, mas ele não chegou ainda... Então sinta-se á vontade. --- ele disse.
---Tá bom. --- então sentei e, não, não me senti nem um pouco á vontade.
---Lucy, você sabia que uma vez por semana tem um combate nas aulas práticas? --- Kali perguntou.
---Combate? --- indaguei já vendo que vinha problema para mim.
---Sim, eles formam uma equipe de seis ou sete pessoas, aí esse grupo é posto na floresta para caçar, lutar e capiturar os espíritos perdidos. --- Greg falou.
---Não gostei. --- falei fazendo os dois rirem.
---A gente precisa perguntar ou você já está na nossa equipe? --- Kali perguntou.
---Tá brincando comigo? É claro que eu tô! --- falei sorrindo.
Até aí tudo bem, Kali e Greg começaram a conversar sobre algum assunto o qual eu me distraí e não prestei atenção, estava olhando a janela que estava aberta, até que eu vi um ponto branco numa árvore. Ah não, pensei. O passáro branco maníaco está me perseguindo. Uma dica: Nunca fique certa de que as coisas não podem piorar. Sim, piorou e muito no meu caso.
---“Lucy”...
Minha reação: Eu estou enlouquecendo de vez porque eu posso jurar que ouvi uma voz na minha mente e eu acho que aquele passáro falou comigo, e não, respondendo a sua pergunta, eu não estou histérica, estou completamente normal, porque essas coisas podem acontecer com qualquer um né? Não, não. Um passáro falou comigo? É isso mesmo? Estou enloquecendo mesmo... E o passáro continuava me encarando.
---Lucy...
Tá agora eu tenho certeza de que o passáro estava falando na minha mente. Um passáro. Falando. Comigo. Que. Legal. Eu preciso de ajuda psicológica.
---Hey, Lucy, está tudo bem? --- perguntou Kali me olhando preocupada.
---Hã? Ah, sim. Sim. Está tudo bem, eu... Só preciso tomar um pouco de ar fresco. Acho que esou imaginando coisas... ---falei e os dois me olharam confusos.
Então eu saí do Prin e fui tomar um “ar”. Procurei pelo maniáco de penas brancas que fala na minha mente, mas ele não estava mais lá. Então andei até a árvore que eu o tinha visto procurei denovo, mas realmente ele havia sumido, então me agachei e sentei-me recostando no tronco da árvore. Lembra do que eu falei que as coisas podem piorar? Sim. Eu tenho muita sorte. Eu não sei bem como explicar, mas do nada enquanto estava recostada eu parei de me “sentir”, literalmente, eu não sentia mais meu corpo, era como se minha mente estivesse sendo transportada para outro lugar.
“Onde estou? O que aconteceu? Que lugar é esse...?
Eu estava em uma... Me arrisco a dizer cidade. Sim, uma cidade, tinham pessoas andando de um lado para o outro. Tinham prédios esculpidos lindamente com um tipo de arquitetura antiga. Tinha uma fonte sendo construída... Só que a estátua que estava no meio ainda não estava pronta. Os ventos sopravam pelos meus cabelos, eu conseguia sentir. Havia uma leve brisa, era como se essa brisa preenchesse todos naquele lugar. Uma senhora passou por mim. Eu tentei falar com ela:
---Ei moça, com licença, pode me dizer onde estou? --- perguntei.
A moça passou direto como se não tivesse me ouvido. Então um homem passou na minha frente.
---Ei moço, o senhor sabe... --- começei a perguntar, mas me interrompi quando vi que o homem me ignorava.
Foi então que percebi que as pessoas não me viam, não percebiam minha presença ali, por isso não me escutavam... Estou confusa... Eu sou... Um espirito? É isso, por isso as pessoas não conseguem me ver? Mas por que eu sou um espiríto? E onde eu estou? Isso é uma visão ou uma lembrança?
Então de repente as pessoas começaram a gritar e a correr, pedindo socorro. As mães carregando suas crianças e fugindo. Todos estavam fugindo, e com medo de algo. Então eu começei a sentir um forte cheiro de algo queimando e vozes que se misturavam á gritos, então eu vi flechas voando por cima da minha cabeça... As flechas pareciam pegar fogo. Mas como assim? O que estava acontecendo naquele lugar? Então os ventos começaram a soprar cada vez mais fortes pelos meus cabelos... E eu conseguia sentí-lo.”
Então eu me senti voltando ao meu eu. Tá, isso ficou estranho, mas, sim, eu voltei ao meu corpo e minha mente normal. Quando minha visão voltou ao normal e eu abri os olhos...
----AHHHHHHHHHHH! ---gritei ao me deparar com o passáro branco voando bem perto do meu rosto e me olhando nos olhos. Convenhamos, quem não gritaria numa situação dessas?!
O passáro pareceu não se assustar, ele continuava me olhando nos olhos e falou, sim, ele falou na minha mente denovo.
“Continue procurando que você achará as respostas.”
Foi o que o passáro disse. Legal né? Então ele piscou e levantou voo adentrando novamente á floresta.
---Mas que porra está acontecendo aqui... Lucinda?! --- ele me perguntou totalmente assustado e incrédulo.
Ele estava com medo de mim.
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