Elemento da Liberdade
3 Capítulo 3 - Que vença o melhor!
Notas iniciais
Babando no travesseiro da casa de um “amigo”, Patrick é acordado pela luz do sol invadindo a janela do quarto. Não se lembra de muita coisa da última noite, mas as garrafas de bebidas alcoólicas vazias no chão fazem o jovem desistir de se lembrar. O rapaz está agarrado ao corpo de Patrick, que sorri e curte o momento.
Após um tempo, tomou coragem para levantar e procurar suas coisas. Levantou e percebeu que estava completamente nu e ficou assustado. Ao levantar sentiu uma forte tontura e sentou-se no chão. Não estava se sentindo muito bem. “Como eu vou trabalhar nesse estado?”, pensa. Ficou parado ali por alguns segundos e foi até o banheiro. Sua cabeça estava rodando e seu corpo estava pesado. Estava se esforçando para lembrar o que estava lhe preocupando no dia anterior, mas não conseguia. Ao chegar no banheiro, por alguma razão desconhecida encontrou suas roupas no chão, com o celular no bolso e tudo. Abaixou para pegar e deu de cabeça na pia.
—Desgraça... —sussurrou com dor.
A pancada foi tão forte, que Patrick sentiu crescer um galo no local. Respirou fundo e pegou seu celular, mas estava descarregado. Patrick revirou os olhos e se levantou para fazer suas necessidades e procurar algum carregador. Na busca, voltou para o quarto de seu amigo e viu um carregador ao lado do armário, onde plugou em seu aparelho e permaneceu de pé esperando o celular ligar. Enquanto tenta lidar com a terrível dor de cabeça causada pela soma da ressaca com a pancada na pia, Patrick sente uma mão em seu traseiro e dá um pulo com o susto.
—Bom dia, vida. Relaxa. Sou só eu... —diz o garoto abraçando Patrick, que nem dá muita bola.
—Bom dia, querido. Não faz isso nunca mais. Quase morri. —diz Patrick olhando seu celular ligar.
O “amigo” de Patrick começa a falar diversas coisas amorosas, mas Patrick só foca nas inúmeras chamadas perdidas de Vitória e algumas de seu pai.
—Olha, que tal você preparar um café da manhã bem gostoso pra mim? — pede Patrick com um sorriso falso.
—Claro, meu bem. — responde o rapaz dando um selinho em Patrick, que se assusta com o forte cheiro de álcool.
Patrick tenta retornar as ligações, mas seu celular ainda estava sem sinal.
—O Sistema devia investir muito mais em satélites do que em religião, viu. Pelo amor da Deusa...
Patrick é interrompido por barulhos estranhos vindos de seu próprio estômago e não sabia se era fome ou enjoo. Estava tonto demais para diferenciar. O número de ligações perdidas é enorme, então deduz que seja algo relacionado ao trabalho e volta ao banheiro para vestir suas roupas. No banheiro, Patrick toma um susto com o estado de sua camisa social, que estava com os botões superiores rasgados. “São só alguns, ninguém vai perceber...”. Pega suas calças, mas elas estão com um cheiro muito peculiar de bebida alcoólica e algo que ele não sabia distinguir, mas vestiu mesmo assim. Pegou um perfume no armário do banheiro e passou no corpo todo, ficando com aquele cheiro de coisa estranha com perfume. Lavou o rosto em frente ao espelho, mas nem ligou muito para seu reflexo. Saiu do banheiro e foi direto para a cozinha. O cheiro de comida fez seu estômago reclamar mais uma vez.
—Bebê, eu vi que você tava sem sinal. Quer falar com quem? — pergunta o dono da casa enquanto cozinha panquecas.
—Com a múmia caminhoneira da minha melhor amiga. Ontem brigamos feio.
—A Vitória? Que fez minha amiga de trouxa?
—Ela mesma. Vitória não tem coração, não. Aquilo lá é bandida ruim. Até eu ela faz de trouxa, se bobear. Aquela praga me ligou tanto, deve estar arrependida pelo show que ela deu ontem.
—Pode pegar meu celular aqui na bancada e ligar para ela. Aqui na cozinha o sinal pega melhor.
—Obrigado. —diz Patrick já com o celular na não antes mesmo do rapaz oferecer.
Discou o número de Vitória e ligou. O amigo cozinheiro serviu as panquecas com um copo de leite e ficou observando o semblante de Patrick ao falar no telefone. Segundos depois Patrick levanta da cadeira gritando “O que?!”, assustando o garoto. Patrick levanta as pressas e vai correndo para seu carro, nem encostou na comida que seu amigo lhe fez.
—É hoje que eu arranco couro de sapatão. Eu não acredito! —grita Patrick saindo pelos fundos.
O dono da casa não entendeu nada, mas também não gostou nada de ter cozinhado à toa.
Patrick pegou seu carro e partiu para seu trabalho o mais rápido possível. Avançou sinais, atropelou um pobre e inocente pombo, estacionou torto na calçada e saiu correndo de seu carro até o elevador. Só ele sabia o que tinha ouvido naquele telefone e ao que tudo indica, não era o que ele queria ouvir. Tenso e ofegante, olhou no espelho do elevador e notou algumas marcas peculiares um pouco abaixo de seu pescoço, onde a camisa não fecha. Eram chupões.
—Bela noite pra decidir se agarrar com alguém, Patrick. —diz pra si mesmo em frente o espelho.
Sua aparência inteira era bizarra e Patrick estava percebendo isso mais ainda a cada vez que se olhava mais naquele espelho. Blusa rasgada, calça com cheiro peculiar, um galo na testa, chupões pelo peito, pés descalços, olheiras e semblante de preocupação. Seu estômago estava cada vez mais esquisito e sua cabeça ainda rodava.
Finalmente chegou ao andar principal. Foi correndo até sua sala derrubando no mínimo cinco pessoas pelo caminho. Ao entrar, seu pai está de pé a observar o mundo pelas enormes janelas e Vitória está sentada em sua cadeira. Patrick ao ver aquilo sentiu seu corpo ferver.
—O que você tá fazendo aí?—pergunta Patrick com ódio em sua voz.
—Bom dia, amigo. —responde Vitória com serenidade no olhar.
—Patrick! Ei, filho! Vai com calma. E o que houve com você? — pergunta Eddie.
—Ir com calma? Pai, me desculpa, mas vai com calma você! Você que por alguma razão desconhecida deu meu cargo pra ela!
—Patrick, não dei seu cargo. Só mandei Vitória dizer isto para você sentir exatamente esta revolta, este medo de acabar assim.
—Por que diabos o senhor disse isso? Queria me matar, véio?
—Quem pelo visto quer matar alguém é você. O que pensa que está fazendo? Visitando um museu suburbano, apoiando uma criminosa. Vitória me mostrou que essa menina tem passagem pela polícia e que você ficou todo encantado com as conversas dela.
—Dedurar pro meu pai, Vitória? Isso é baixaria até mesmo pra você. Apelou forte. —diz Patrick com deboche.
Vitória, com um sorriso malicioso apenas deu de ombros.
—Olha aqui, Patrick. Não finja que não estou aqui. Não te criei pra ser um baba-ovo de bandida, não. Aliás, você devia acionar a polícia, mas não fez isso. Ainda incentivou aquela garota a ir além com seus pensamentos contrários ao Sistema. Você sabe o fim que essa gente merece. Aliás, você sabe bem qual o fim que eles recebem. O Sistema não tem dó de poupar quem vai contra a paz e a ordem. Pensa nisso antes de se misturar com essa gentinha.
—Pai, olha...
—Não me interrompa. Olhe só pra você. Parece que já passou tempo demais pra pegar a doença da rebeldia. Essa roupa de mendigo toda rasgada, cheiro forte de bebida... E que isso na cabeça? Andou brigando? Seu pescoço parece que foi visitado por um vampiro. Você está desleixado, meu filho. Não sei se merece este cargo.
—É,pai, agora que o senhor voltou tenho certeza que vai pegar seu cargo de volta. Era só isso? Ou vai ficar aí falando sobre meu look? — diz Patrick revirando os olhos.
—Sim, o cargo voltou a ser meu, mas não sei o que acontece quando eu tiver que viajar novamente. —diz Eddie com seriedade.
—O que quer dizer? —pergunta Patrick com as mãos na cintura.
—Quero dizer que após o que Vitória me contou, não sei mais se você será um bom substituto ou até sucessor.
—E o senhor vai fazer o que? Sou sua única opção, fofo.
—Não mais.
—Como assim? — pergunta Patrick sentindo uma dor intensa em seu estômago.
—Você e Vitória terão que competir e me provar quem realmente merece este cargo.
—Você tá ligado que não pode fazer isso, né? Ela é de família militar, logo não era nem pra estar aqui! Sabe como o Sistema funciona! Os filhos recebem os cargos dos pais e ponto. Isso não se discute.
—Patrick, não seja rude. Vitória pode ser o que quiser... Ela é praticamente da família e sinceramente, ela me desaponta menos que você.
Patrick tentou argumentar, mas não conseguiu. Seu estômago este tempo todo estava querendo comunicar que Patrick estava prestes a ter uma Perda Total, mais conhecida como um “PT”. Inclinou-se para frente e vomitou tudo o que tinha em seu estômago e mais um pouco.
—Depois dessa, filho, estou torcendo mais por ela do que nunca— diz Eddie com nojo— Que vença o melhor! Vitória, chame sua amiga da limpeza, por favor...
—Claro, senhor. — diz Vitória indo até o habitual armário de vassouras.
Enquanto isso, na casa de Dandara, estavam Julia e Emanuelle conversando enquanto a dona casa estava em outro canto da garagem fazendo alguns rascunhos em grandes telas sem prestar muita atenção na conversa de suas amigas.
Em meio às conversas que iam e vinham, Manu pegou seu celular e leu as mensagens do grupo do trabalho.
—Gente, atenção aqui! O circo tá pegando fogo lá no trabalho! Disseram que Patrick vai perder o cargo pra Vitória, porque o Eddie voltou e botou ordem na casa. Ele ficou sabendo que Patrick veio aqui, deu um esporro nele e tudo. Por que essas coisas só acontecem na minha folga?
—Meu Deus, que loucura. Tá feliz, Danda? Você que causou esse caos todo! —grita Julia.
—Claro, até por que fui eu quem mandou aquele convite pro Patrick e a assistente gostosa dele. Pergunta se a Emanuelle está feliz, pô. Ela mesma que tá desmoronando o próprio ambiente de trabalho. — diz Dandara sem nem virar para suas amigas. Estava muito focada em sua arte.
—Nossa, mas eu já me desculpei, credo! Pra que jogar na cara? — pergunta Manu ofendida.
—Pensa comigo, Manu. Agora é a hora que, por conta de tanta treta e rebuliço sobre minha arte, terei que pegar meus quadros, levar eles embora daqui e dormir em algum lugar, provavelmente no trabalho da minha mãe ou em algum alojamento rebelde. Porque não quero ser presa novamente. Agora você, por outro lado, vai voltar pra sua casa depois daqui, e depois voltar para o trabalho e sustentar esse Sistema ridículo. Mas tudo bem. Pelo menos passei a noite arrumando minhas coisas, pois já sabia que isso ia acontecer uma hora ou outra. — diz Dandara em um tom sereno.
Julia e Manu se olharam incomodadas. Não entendiam a razão de tanta grosseria gratuita. Manu havia se desculpado com Dandara e também estava muito arrependida por ter feito aquilo, mesmo que tenha sido sem querer.
Agora que o silêncio e o climão tomavam conta da garagem, Manu se sentiu muito culpada e já não queria mais ficar ali. Estava pensando em uma boa resposta para Dandara, mas não sabia se valia a pena discutir. Cabisbaixa, sentiu seu celular vibrar em seu bolso e decidiu olhar a mensagem que chegou.
“Amiga, hoje é dia 12. Ela tá de TPM”, diz a mensagem de Julia,que não queria falar aquilo alto na frente de Danda.
Manu entendeu. Ninguém fica mais perverso do que a Dandara nesse período. Mas ainda assim a vontade de ficar por ali morreu. Levantou-se e disse:
—É, então... Vou beber uma cerveja lá no bar do Dougras. Quem quiser me acompanhar...
—Dispenso. — diz Dandara logo em seguida.
—Eu vou com você, amiga. Danda, você na TPM é um ser humano desprezível, amiga. Se eu fosse você vinha tomar umas geladas, comprar um chocolate... Até ficar boa de novo. — sugere Julia.
—Já falei o que está me impedindo. Tenho que partir essa noite, queridas. Esse quadro aqui é o último. Vou sumir por uns dias, sair com as pinturas daqui... É a vida. Mas assim que eu voltar aviso a vocês. — responde Dandara.
—Então até mais, amiga.
—Até. E boa sorte na seleção de nova locutora da rádio rebelde, mana. Me mantém informada.
Então as duas jovens saem a caminho de um barzinho que não ficava muito longe dali. Danda aproveitou a solidão para tirar sua camisa e pintar somente de sutiã, como costuma fazer quando está sozinha. Estava esperando a noite cair para escapar durante o toque de recolher, onde iria escapar ficando longe das câmeras e sensores de movimento do Sistema, para não chamar muita atenção das pessoas nem da polícia, que também obedece ao toque de recolher.
No caminho para o bar, Manu e Julia não dizem muita coisa. Julia estava pensando em sua inscrição para ser a nova locutora da rádio dos rebeldes. As inscrições encerraram no início do mês. Os inscritos devem escrever diversas redações durante as etapas da seleção e existe a prova final que é a simulação de uma narração de guerra, que são avaliados diversos aspectos da comunicação da pessoa.
—Então, amiga... cê passou na primeira fase lá do negócio da rádio, né... Isso é bem legal. — diz Manu tentando quebrar o gelo.
—Obrigada, miga. E com essa mudança toda no seu trabalho? Isso tudo afeta na sua função? —pergunta Julia.
—Amiga, não sei te dizer. Aquilo lá é um caos total quase todo santo dia. Patrick foi muito burro de vir aqui e confiar na Vitória. Ela nunca me pareceu muito conformada com o cargo de assistente, pelo visto estava esperando pra dar o bote. E conseguiu. — explica Manu.
—Nossa. E o Eddie voltou pro Rio agora, né. Quem lidera melhor, Patrick ou o pai dele? — pergunta Julia interessada.
—Ah, amiga, eu não tenho contato direto com eles. Foram poucas as vezes que cheguei perto das realezas, sabe.
As duas chegaram ao bar, que sempre é frequentado pelos aposentados na maioria do tempo e por todo tipo de gente dependendo da hora. Sentaram-se à mesa e dividiram o primeiro casco.
—Eddie é uma pessoa bem misteriosa. Ele é bem educado e observador, parece até com a Vitória, só que menos intimidador e assustador. Ele analisa você da cabeça aos pés, até faz um leve julgamento pela aparência, mas trata todo mundo bem. Já o filho dele tem mais postura de líder do que ele. Patrick é mais frio e levemente autoritário. A única pessoa que ele nunca foi mandão ao extremo foi a Vitória. Bem, não adiantou muito. —diz Manu dando de ombros.
Julia riu.
—Mas me fala mais dessa Vitória, amiga. Ela balançou o coração da Danda aquele dia.
Manu pediu outra cerveja.
—Bem, como eu posso começar a descrever a Vitória? Ela é o mal em figura de gente. Ela parece uma garotinha esquisita, calada e fria, mas na verdade ela é muito mais do que isso. Ela é a lésbica rainha da empresa. As meninas se derretem por ela. Ela tem um estilo maravilhoso repleto de roupas pretas, tem o cabelo mais brilhoso de lá, ela já fez alguns comerciais a pedido do próprio Eddie. Um dia ela deu um soco no rosto de num cara que cantou ela, isso foi irado! —diz Manu. — Ela é uma boa profissional e é praticamente irmã do Patrick, mas algo nela sempre me pareceu estranho, acho que é o fato dela ser muito misteriosa. Temos que alertar Danda pra pular fora, pois não confio nela.
Julia teve dificuldade de absorver tanta informação. Já estava ficando alterada por conta do álcool. Conversa vai, cerveja vem. Não demorou muito para ambas passarem a tarde inteira ali enchendo a cara. Estava tarde, o dono do bar, Senhor Dougras, já estava expulsando as meninas dali. Quando acabaram com a última cerveja, se levantaram dali e foram para a casa de Emanuelle. Jogaram-se sobre o sofá e ficaram em silêncio.
—Ju, vou fazer miojo pra gente, amiga. — diz Manu se levantando.
—Amiga. Não me deixa aqui sozinha.
—Tô aqui. Só vou fazer um miojo aqui, pode ser? Pode ir tomar um banho pra gente dormir.
Julia começa a rir, fazendo com que Manu caísse no riso também. Julia puxou Manu,que caiu sobre Julia. Começaram a rir novamente. Quando pararam, seus rostos foram se aproximando cada vez mais, até que o celular de Manu começa a tocar. Era Guilherme, o ex-marido de Manu que nunca a deixa em paz. Manu atendeu sem paciência:
— Que foi, Guilherme?
—Eu quero saber quem é essa que você levou aí na sua casa.
—Não te interessa, moleque. Vai caçar rebelde na esquina, porra.
—Saiba que eu sei muito bem com quem você anda. Ou você acha que eu não sei dessa gente?
—Então vem aqui prender a gente, palhaço. Vai dormir, tá tarde. Tchau!
—Passarinho que acompanha morcego acorda de cabeça pra baixo, Emanuelle. Mas pelo visto você só vai saber disso quando estiver presa junto com essas suas amigas aí. E vai se arrepender de não estar mais comig...
Manu desligou o celular. Não aguentava mais ouvir a voz daquele homem. Quando virou-se para Julia, ela não estava mais acordada. Manu riu e foi até o quarto pegar um cobertor para sua amiga, pensando que se Guilherme não tivesse ligado elas poderiam ter se beijado. Sempre que as duas estão embriagadas acontecem beijos, mas elas não costumam conversar sobre isso no dia seguinte.
Era quase 23 horas, tempo do toque de recolher. Dandara estava com tudo pronto para sair, diversas malas com telas dentro. Mas queria esperar um tempinho até ter certeza que todos estavam em casa. Ainda estava sem camisa dando os toques finais naquela pintura, quando ouviu um barulho em sua porta. Revirou os olhos, largou a tinta e o pincel e foi abrir a porta.
—Boa noite. — diz Vitória entrando na garagem sem ser convidada.
Dandara gelou. Ficou ali parada na entrada por alguns segundos. “Merda! Tarde demais pra sair!”, pensou. Respirou fundo. Pensou em mais uma passagem pela polícia na sua ficha. Virou-se para Vitória.
—O que cê veio fazer aqui? —pergunta Dandara tentando não parecer nervosa.
—Nada. Vim bater um papo. Está saindo?—pergunta Vitória mostrando o alarme que aciona a polícia que estava preso em sua cintura.
Dandara sentiu seu coração falhar algumas batidas. Seu estômago estava queimando, mas queria demonstrar coragem. Respirou fundo e ficou imóvel.
—Não estou aqui pra te atrapalhar, não. Continua essa sua arte, vou ficar esperando você terminar. —diz Vitória em tom calmo e debochado.
Dandara ficou de frente para sua obra com os olhos arregalados. Suas mãos tremiam, mas mesmo assim tentou continuar a pintar.
Vitória estava com muitas coisas em mente. Ela estava disposta a fazer qualquer coisa para conseguir subir de cargo e Dandara faz parte de um deles. Estava adorando fazer este jogo de terror psicológico com a jovem artista, que estava tremendo ao dar cada pincelada. Chegava a ser fofa na visão de Vitória. Na verdade, Vitória achou Dandara atraente desde a primeira vez que se viram. Ainda mais sem camisa, que deixava à mostra boa parte do corpo de Dandara. Vitória estava quase babando enquanto a observava, mas logo se lembrou de seu foco.
—Acho que terei de passar a noite aqui. —diz Vitória apoiando-se em cima da mesa de Dandara.
“Eu nunca quis que uma noite passasse tão rápido.”, pensa Dandara.
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