Elemento da Liberdade

2 Capítulo 2 - Agora é só esperar...


Notas iniciais
Perdão pela demora,gente! Mas aí está! E vem mais por aí!!

É uma madrugada difícil na casa de Patrick. Vitória e o dono da casa não trocaram muitas palavras desde que voltaram da exposição. Patrick está em um lado da cama e Vitória no outro. Ambos claramente acordados e pensativos sobre aquela tarde insana.

Patrick estava muito confuso sobre as coisas que viu, estava admirado com aquela artista rebelde do subúrbio que conseguiu mexer com seus conceitos e no fundo um pouco preocupado sobre o que Vitória podia estar pensando em fazer.

Vitória estava mexendo em seu celular, procurando Dandara em todas as redes sociais e ouvindo uma playlist um tanto incomum com K-Pop, Ana Carolina e Demi Lovato. Vitória não interpretou a exposição da mesma maneira que Patrick. Enxergou apenas o fato de tudo aquilo ser ilegal e isso a impediu de refletir sobre o ponto de vista de alguém com a vida completamente oposta a dela.

— Olha só que sapatão safada, pelo visto já foi fisgada pela artista! — diz Patrick pegando o celular da mão de Vitória.

— Cala a boca, devolve meu celular! — diz Vitória fazendo manha.

— Caralho, cê achou tudo sobre ela, viado! Ela até que é bonitinha, mas tem que ter coragem pra se vestir daquele jeito no dia da própria exposição.

— Para,Patrick. Estou falando sério! Me devolve isso aí! — resmunga Vitória pulando sobre Patrick e tentando pegar seu celular de volta.

— Eu também estou falando sério ,cara. O climão entre vocês lá naquela garagem, senti um cheiro de couro. Uma pena você ser péssima flertando. Vai pensando que com essa cara de múmia morta vai conquistar alguém.

— Eu estou coletando informações, cara. Cê sabe que tudo aquilo lá é caso de polícia, certo? E ela pelo visto gostou dessa cara de múmia aqui, bebê.

— Ah, não, sapatão. Pelo amor de Deus, né? Coletando informações, sei. Achou que eu nasci ontem, bicha? Eu te conheço. Tava coletando o DNA da faxineira hoje cedo então, né? Sai daí... E olha ela, se achando porque a artista gostou dela.

— Sou irresistível, okay, mas devolve meu celular.

Patrick devolve o celular da amiga aos risos.

— Ah, já até imagino aqui. A futura vice-diretora do Entretenimento do Sistema em um romance proibido com a artista de garagem rebelde suburbana. Que hino de casal.

— Vai dormir, cara. —diz Vitória envergonhada. — Amanhã temos que voltar lá na casa dela, como o prometido.

— Na verdade, eu combinei de ir lá. Você se autoconvidou pelo visto. Mas tudo bem, eu te levo. Não quero atrapalhar seus esquemas...

— Para,cara. Não tem esquema nenhum. E como você tava perto de mim, achei que estava convidada também.

— ...Aliás, quebrar o coração de uma artista pode render boas artes no futuro. Isso pode até servir como punição pela exposição ilegal que ela fez.

Vitória pega um travesseiro e joga na cara de Patrick.

—Boa noite,praga. Digo, Patrick.

— Vagabunda.

Na manhã do dia seguinte, Vitória já está de pé na cozinha preparando café. Patrick levanta e fica surpreso com o que vê.

—Começar a manhã com café envenenado é o que todo mundo quer. — diz Patrick pegando uma caneca.

—Pena que você acordou,pelo visto o veneno de ontem que eu coloquei no seu suco não funcionou. Mas vamos ver se o que eu coloquei no café vai funcionar.

—Sua peste. Tá pronta pra ver sua namorada daqui a pouco?

Vitória dá um olhar mortífero para Patrick, que até se engasga de medo por um momento.

—Vê se não demora, viu. —diz Vitória entregando torradas para Patrick.

—Gente, mas ela tá com pressa de ver o amor da vida dela.

—Vai tomar no cu.

Os dois então terminam de tomar café em silêncio e se arrumam ao mesmo tempo no banheiro. Como eram amigos há muitos anos e eram extremamente homossexuais, sempre agiram como irmãos e acabaram criando, sem perceber, uma intimidade profunda.

Os dois partem para o subúrbio no carro de Patrick, que ainda não sabia o que fazer sobre a artista misteriosa. Pensou em acionar a Polícia do Sistema, pensou em chamar o Xerife Guilherme para ir junto em seu carro, pensou em levar câmeras escondidas... mas no fim ele não queria ver aquela menina nem seu irmão capturados. Seus pensamentos foram interrompidos pela pergunta de Vitória:

—Quer que eu ligue para reforços?

—Reforços pra que?

—Para ajudar a prender a garota, o irmão e as obras. Tu acha que vai caber tudo aqui?

—Não tenho a intenção de prendê-la.

O que?!

—É isto, cara. Não vou prender ninguém.

—Mas nem um reforço você vai chamar? Pensa comigo, você avisou a uma garota potencialmente rebelde e anti-sistema que iria visitá-la e não está com medo de que ela leve seu grupo de selvagens para, sei lá, talvez matar nós dois? Achei que você fosse mais inteligente.

—Vitória,primeiro que você já tá morta, meu bem. Segundo que, não gosto que chame eles de selvagens.

—Uau, parece que quem tá apaixonado por ela é você.

—More, relaxa que eu não sou talarica. E outra, estamos armadas e você acha mesmo que o futuro líder do entretenimento do Sistema vai dar um mole desse? Não nessa vida,vagabunda!

Enquanto isso, na garagem, Julia encontra Dandara com um semblante triste ajeitando as coisas.

—Bom dia, amiga. —diz Julia tentando parecer animada e falhando.

—Bom dia, mana. —responde Dandara com desânimo.

Dandara está de frente para suas pinturas sem saber o que fazer. Não sabe se cobre ou se deixa elas expostas.

—Será que eu devia cobrir,amiga? Tipo, ele parece ter gostado das minhas pinturas, né. Mas não se deve confiar num cara do Sistema. Pode ser tudo falsidade.

—Acho melhor não arriscar, não. Cobre elas e guarda as que você mais gosta, meu bebê. Eu te ajudo a levar lá pra dentro.

Dandara sorri como forma de agradecimento. Então as duas começam a carregar as telas de variados tamanhos para um lugar escondido no quarto de Dandara. A última pintura quem levou foi a Julia, que sentou ao lado de Danda em sua cama para admirar. As duas ficaram ali por um tempo olhando aquela pintura.

—Essa pintura me faz lembrar aquele dia que nos conhecemos,lembra?

—Por isso mesmo que eu quero guardar. Bons momentos.

Agora as vagas lembranças do dia citado começam a invadir as mentes das meninas.

Na escotilha dos Rebeldes ao lado leste do centro da cidade, era dia de palestras e recrutamento. Dandara estava se preparando para sua palestra sobre artes e ciências. Vários quadros e esculturas sobre o universo estavam espalhados sobre o palco gigantesco no auditório. Julia tinha acabado de ser recrutada por um amigo naquela manhã e estava com a tarde livre, então decidiu ir à palestra. Achou muito interessante do início ao fim. Quando Dandara estava recolhendo seu material, Julia subiu no palco e foi elogiar a artista, que a convidou para jantar no restaurante de luxo do Quebradinho, que não ficava muito longe dali. Julia achou estranho ,mas aceitou. E assim nasceu uma intensa amizade.

—Aquele podrão que nós comemos estava divino. Vamos lá mais tarde,amiga. —diz Julia mais feliz ao lembrar deste dia.

—Vamos sim. Se eu não morrer nas mãos do Sr. Patrick e sua assistente interessante hoje.

—Ela tem uma cara de que vai matar todo mundo,né! Achei que só eu tinha percebido.

—Achei ela gatinha. Mais uma pra lista de amores impossíveis. Eu podia ligar pros Rebeldes e dizer que estou simplesmente com o líder do entretenimento aqui na minha garagem. Daria um sequestro interessante e eu até seria promovida.

As duas são interrompidas pelo barulho da campainha. Entreolharam-se e desceram para a garagem juntas, sem dizer muita coisa.

Ao abrir a porta, Dandara dá de cara com Patrick e Vitória com roupas estilosas já entrando sem pedir licença. Danda ficou surpresa com o abuso e simplesmente deu de ombros.

—Então... —diz Dandara se preparando para uma bronca feia.

—Não vou prendê-la. E nem aplicarei nenhuma multa. Eu só lhe peço que não faça este tipo de exposição sobre o Sistema aqui. Se quiser fazer alguma exposição terá que enviar fotos de suas obras para mim ou minha assistente. Aqui está meu cartão—diz Patrick oferecendo um cartão com seus contatos.

Dandara fica surpresa e aliviada por não ir presa,mas de um jeito ou de outro ela não ia seguir as ordens de Patrick, mas fingiu que concordou com ele para evitar problemas.

—Então é só isso? — pergunta Dandara alegre.

—Por hora,sim. —diz Patrick.

Vitória estava no canto apenas observando a situação de braços cruzados e ódio no olhar. Não estava acreditando que Patrick ia simplesmente deixar tudo pra lá.

—Você tá brincando,não é possível. Não pode deixar isso impune!

—Vitória,já falamos sobre isso.

—Não quero saber. Isso é contra as regras! Você sabe disso! —grita Vitória se aproximando de Patrick.

—Não me diga como eu tenho que trabalhar! Você é apenas minha assistente! Sua função não é tomar decisões por mim! —diz Patrick com as mãos na cintura.

—Você não vai me rebaixar assim quando essa artista marginal der um jeito de burlar as leis e fazer outra exposição dessa! Eu vou ser a primeira a dizer que te avisei e ainda vou espalhar que você permitiu isso. Onde já se viu passar pano pra uma Rebelde?

—Aí, assistente, vamo baixar a bola aí. Cuidado com as palavras. Eu nunca disse que era rebelde. —diz Dandara indignada.

—Meu nome não é assistente, é Vitória! E não se mete aqui, garota. Quantas vezes você foi presa por fazer exposições ilegais e anti-sistema?

—Isso não te interessa, faz parte da minha vida pessoal. Se o Sistema fosse tão bom assim eu não seria presa tantas vezes! Eu seria livre pra expor meu trabalho e meus ideais.

—Ei,pera aí, amorzinho. —grita Patrick. —Eu sei que o Sistema ainda não é perfeito, mas não é errado punir qualquer pessoa que ameace a paz e a ordem. Você devia tomar cuidado ao falar nesse tom com minha assistente.

—Você tava humilhando ela agora pouco, cara!

A discussão foi crescendo cada vez mais e Julia estava no canto só esperando o momento perfeito para filmar aquilo tudo,mas pensou melhor e decidiu não fazer isto.

—Quer saber de uma coisa,Patrick? Eu tô indo embora! Se você me vê como uma simples assistente que não merece ter o ponto de vista apreciado, então você que se foda! Só não venha reclamar quando ela ferrar com tudo!

Vitória anda a caminho da porta da garagem.

—Eu estou com as chaves do carro! —diz Patrick.

Vitória simplesmente mostra seu dedo do meio e sai mesmo assim. Patrick suspira e seca seu suor após a confusão. Pede um copo d‘água para Julia, que vai buscar e deixa Dandara e Patrick a sós. Dandara está recuperando o fôlego após a intensa discussão.

—Ela é sempre assim? A Vitória? — pergunta Dandara.

—Só quando está acordada. —diz Patrick aos risos.

Dandara também ri.

—Poxa, pelo visto ela quer mesmo me incriminar.

—Ela tá blefando. Ou não. Conheço ela faz tempo, mas até hoje não sei o que esperar dela. Mas relaxa, é só você ficar dentro da lei que nada te acontece.

—Claro... —diz Dandara olhando para cima fingindo que concorda. —Mas e então, sobre o meu irmão? Qual vai ser? Vai contar pra alguém?

—Não, relaxa. Como eu falei, se você se encaixar na lei as coisas ficam muito mais fáceis.

—Beleza então. Vou tentar. —diz Dandara rindo.

—Não tem graça. Eu estou falando muito sério aqui. Você precisa entrar nos trilhos, mulher! Eu nem sabia que você já tinha sido presa mais de uma vez.

—Até eu me perco nas contas. Mas como você viu, tenho meus questionamentos sobre o Sistema e não consigo não fazer arte sobre eles.

—Sei bem. Até mexeu comigo essa coisa toda que você pintou. E olha que eu sou o futuro líder do Entretenimento do Sistema! — diz Patrick com o orgulho estampado no rosto.

—Se eu mudei a mente de alguém tão acima de mim, quer dizer que estou no caminho certo.

—De maneira errada! —diz Patrick bebendo a água que Julia trouxe.—Bom, está ficando tarde. Dandara, se quiser sair disso, entre em contato comigo que eu vejo alguma coisa pra você lá no Entretenimento, você é muitíssimo talentosa.

—Valeu... Até a próxima.

Na saída, Patrick dá de cara com Emanuelle, que estava indo a casa de Dandara. Ambos se estranham.

—E aí, chefe. —diz Emanuelle tímida.

—Boa noite, Emanuelle. Até amanhã.

—Até.

Manu entra na casa de Danda, que conta tudo o que aconteceu e Patrick segue seu rumo para casa preocupado com Vitória. No caminho deixou recados na caixa postal e mensagens de texto. Sabia que Vitória teria que ir para casa e isso não era bom, por conta dos problemas que tinha com seus pais. Mas Vitória não retornou.

Vitória estava na cadeira de Patrick, olhando através da imensa janela no prédio do Entretenimento do Sistema. Viu as diversas notificações de Patrick em seu celular e excluiu todas. Abriu o notebook de Patrick e já que sabia a senha não foi difícil botar seu plano em prática.Fez uma ligação para o número do topo de seus contatos e deixou um recado para abrir seu e-mail o mais rápido possível. Abriu a pasta de fotos da exposição e as enviou para o pai de Patrick, o atual líder do Entretenimento, com a seguinte mensagem:

Boa tarde, Líder. Não queria incomodar suas férias, mas seu filho anda frequentando este tipo de ambiente rebelde e fazendo amizade com marginais e eu quero saber o que o senhor pensa disso. Um abraço de sua quase-filha Vitória! Espero ansiosamente a resposta!”

Encarou o computador até a mensagem ser enviada e sorriu ao ver que realmente foi.

“Agora é só esperar...” pensou.

Notas finais
Vale ressaltar que a Vitória é formada em 4 temporadas de Revenge! E aí, o que vai acontecer? Será que Patrick tomou a decisão correta? Respostas no próximo capítulo!