Notas iniciais
"O que é uma coisa tão banal quanto à aparência, quando o sistema te obriga a seguir padrões estéticos ridículos e exclusivos?"

São cinco horas da tarde. Thaís treinou durante quase sete horas hoje. O casal almoçou frutas, na beira do riacho. Agora, estão deitados no sofá, exaustos. Renato fecha os olhos e se levanta, indicando que vai tomar um banho. Ela assente e se deixa estar a contemplar o teto.

Thaís está exausta, esgotada em todos os sentidos. Aquele treinamento exigiu muito dela, e a jovem nem começou ainda a aperfeiçoar as suas habilidades de manipulação do ar. Ela se pergunta se não estaria perdendo tempo, afinal ela deve saber alguma coisa de Ar antes de sair pelo mundo procurando a Água, a Terra e o Fogo. É assim que ela decide chamar os outros convocados.

Devagar, a jovem levanta e põe a mão na testa. Suas unhas estão arruinadas pelo esforço, mas o que são as unhas quando o mundo todo está para acabar? O que é uma coisa tão banal quanto à aparência, quando o sistema te obriga a seguir padrões estéticos ridículos e exclusivos? Thaís tem raiva disso. Sempre odiou essas pessoas que tentam impor algo que, na verdade, ela não é e não deseja ser. Esses estereótipos manipuladores, na qual o cidadão perfeito deve estar sempre a serviço do governo...! Ah!

Thaís levanta em um salto. Seu corpo está dominado pela adrenalina, pensar no governo a deixa estressada. Tudo nesse universo em que está inserida não passa de uma farsa! A perfeição de tudo é apenas uma mentira! Nada é perfeito, nada! E ainda esses andróides...! Se eles quiseram construí-los à imagem do humano, agora querem transformar os humanos em máquinas!

Não. Ela não quer isso. Ela não vai permitir isso. E é por isso que Thaís irá lutar. É por isso que ela irá para essa guerra idiota. Porque o governo é apenas mais uma máquina. Uma máquina manipulada pela elite tecnológica. E ela odeia todo esse mundinho egocêntrico dos poderosos.

Thaís balança a cabeça, tentando excluir esses pensamentos raivosos. Precisa concentrá-los para a luta real. Ela caminha devagar e sobe as escadas, indo para o seu quarto. Ao chegar em frente a ele, olha para a porta. Tem raiva também daquilo. Sente-se presa, quase como se estivesse se afogando. Coloca a mão no metal frio para que possa ser reconhecida, entra e vai ao banheiro, a fim de tomar um banho.

Renato já está deitado quando Thaís sai da ducha. Ela caminha até ele e se deita ao seu lado. Olha para janela, o céu quase negro e sem estrelas desse novo mundo, essa nova atmosfera. Uma brisa suave lhe acaricia o rosto e ela fecha os olhos. Sente-se exausta, mas precisa conversar com seu namorado.

– Renato. Preciso saber. Quando estarei pronta para partir?

Ele olha para ela e pergunta:

– Você já quer partir?

– Não, não foi isso que eu quis dizer. Mas tenho muito a fazer, e não tenho nenhuma pista sobre onde devem estar os outros convocados, ou quem eu devo procurar primeiro – Ela suspira.

– Acho que podemos terminar com o treinamento de batalha básico esta semana. E amanhã podemos trabalhar com as hipóteses de onde virão os outros convocados.

Thaís assente e o abraça. Sente-se reconfortada com Renato do seu lado, lhe apoiando.

– Você é o melhor namorado do mundo, sabia?

– É. Já me disseram isso. – Ele sorri.

– Convencido – Thaís ri. – De verdade, você é maravilhoso. Não sei por que me escolheram. Você é muito melhor que eu. Acho que não sei mais viver sem você, Renato.

– Eu também não sei mais viver sem você, Thai. Todo dia, toda manhã quando levanto, só penso em você. Na minha sorte em você ser minha namorada. Tenho tanto medo de te perder, de te magoar...!

– Também sinto medo. E não sei como controlar isso. Renato – ela se coloca sobre o ombro de modo que possa encarar os olhos dele –, você vai me esperar, não é? Vai esperar eu voltar?

– Vou te esperar eternamente, Thai. E mesmo depois da morte, eu vou estar te esperando. Porque nem a morte é capaz de superar o amor que sinto por você. Nem a guerra, pode destruí-lo. Nem o ódio pode matá-lo. Você será para sempre minha, e eu serei eternamente seu, certo?

– Eu amo você, Renato Conrado.

Thaís suspira e fecha os olhos. Ele a beija na testa e sorri, feliz. Fecha os olhos e se perde no mundo profundo dos sonhos.

A jovem sonha que está em uma tempestade. Tenta olhar em volta, mas não sente o próprio corpo. Em um momento desesperador, pensa que está morta. Está prestes a gritar quando uma adolescente irrompe violentamente por uma porta. Nota que a menina está tentando se apoiar, se segurar em algum lugar, e não entende a situação. Thaís olha em volta e percebe que está em alto mar, num barco sacudido por ventos.

– Não! – grita a menina, quando se solta do batente da porta.

Thaís consegue ver o rosto dela. Olhos castanhos, cabelos longos, ondulados e escuros, o rosto gentil, a pele morena clarinha, com estatura mediana, e a boca pequena. De repente, ela avança para a beirada do barco e Thaís tenta gritar:

– Não vá!

Mas é claro que a menina não escuta. A adolescente levanta uma mão e, como mágica, a água se levanta como um muro. A garota abaixa os braços lentamente, respirando fundo com o esforço, e a água se acalma também.

A boca de Thaís se abre, espantada. A convocada da Água! Ela não consegue acreditar. Por que ela estava tendo esse sonho?

Tudo começa a tremer e Thaís acorda arfando e coração acelerado.

Notas finais
Hey, então, esta é a surpresa! Mais um capítulo, em um único dia! O que acharam? Agora, finalmente, as coisas estão andando, hien? Bem, então vou explicar o fato da história estar indo meio devagar: o fato é que esta Original é um livro, e estes seis capítulos são, na verdade, apenas dois do livro. Então, em breve, ou não tão breve assim, vou precisar a ajuda de vocês! Então, o que acharam?Ah, e obrigada a Marys e Gabriel Lucena por comentarem! Beijos e até a próxima!