Notas iniciais
Não tenho muito do que dizer sobre o começo da fic; apenas que já fiz ela a algum tempo e que ela é bem curtinha. Pelo menos, o começo não apresenta muita coisa; esperem até a fic avançar para ver as partes mais interessantes! ;)

Era dia em todo o continente, 500 anos após terem selado o grupo. As cidades já haviam se recuperado do desastre e os negócios entre elas prosperavam. A lenda dos heróis era tão bem guardada que mais ninguém se lembrava deles... Pelo menos, era o que parecia. A história atualmente se passa em uma área congelada das ilhotas de Xaia, distante da Cidade Central e esquecida por eles. Entre ruínas e gelo, uma jovem garota despertava depois de libertada do selo de gelo: Era Kiara. Sua aparência era a de uma jovem branca, com cabelos brancos, longos e lisos, batendo na cintura; suas roupas eram brancas sem uma mínima mancha, com as pontas feitas em amarelo dourado, sendo uma saia longa batendo no calcanhar do pé, com uma bifurcação no meio e uma blusa pequena e com mangas, sendo das mesmas cortadas na parte do ombro, revelando-as e usando sapatos azuis, claros como os seus olhos, fechados e batendo perto do joelho. Os raios de sol que batiam nos olhos frágeis doíam de primeira. Uma voz feminina entrava sobre suas orelhas felinas brancas:

– Kiara... Acorde... Levante-se...

Quando seus olhos finalmente ficaram normais, ela enxergou uma estranha maga: Apesar de parecer uma parda normal com olhos e cabelos castanhos, ela tinha um vestido azul claro degrade, segurando um cajado dourado com uma joia também azul claro na ponta, que brilhava intensamente. Ainda sonolenta, ela sussurrou:

– Quem... É... Você...?

– Meu nome é Matiloa... Sou a maga dos tempos... – A mulher disse, com uma voz suave.

– Maga... Dos tempos...?

Ela se levantou ainda zonza, quase tropeçando no seu próprio rabo, fazendo o sino preso a ponta de ela tilintar. Tudo ao seu redor eram ruínas congeladas do que deveria ser um imenso castelo. Ainda dava para notar umas paredes, colunas e jóias entre o gelo e a neve local. Matiloa tentou ajudá-la a ficar de pé, segurando-a pelo ombro. A garota gaguejava:

– Onde... Onde estou?

– Não se lembra? ... Aqui era seu lar, seu castelo... O maior de toda Xaia...

–... Não me lembro de nada... Quase nada...

Matiloa suspirou, ao ver as condições dela. Ela segurou a mão dela levemente e se tele transportou para o seu lar: O Templo do Tempo, onde tudo na história estava, está e estará. Era um local estranho, mas dava para reconhecer certas coisas: parecia um templo grego feito em mármore e ouro, que flutuava acima das nuvens. Aparentemente, estavam no salão principal, na qual o chão era em mosaico e no centro tinha um pequeno jardim circundado por um pequeno muro, na qual uma árvore crescia viçosa no centro (Não era grande, mas já fazia boa sombra). Kiara soltou um suspiro de susto perguntando, ainda confusa pela cena:

– Que lugar é esse?

– Este é o templo do tempo: Onde tudo que aconteceu, tudo que acontece e tudo que acontecerá está guardado aqui, pela minha vigia.

– E... O que viemos fazer aqui?

– Vim aqui lhe trazer suas antigas recordações: você perdeu a memória enquanto estava presa no gelo.

Matiloa a guiou para onde deveria ser um corredor, mas não um comum: nela tinham portas, que pareciam emergir ambas energias diferentes. Eram as portas das histórias do passado. Matiloa parou em um, cujo o brilho e azul era tão forte quanto qualquer outro brilho local. Ela olhou a porta e disse:

– É esta! É esta que precisamos entrar já que está emergindo uma energia ainda mais forte que as outras...

– É segura? – A garota disse ociosa.

– Totalmente! Vários já vieram aqui para isso, inclusive imortais!

Matiloa segurou a mão de Kiara e pulou para dentro da porta. As duas apareceram em seu passado, transparentes como dois fantasmas.

– Ah! O que houve com a gente? – A menina perguntou, ainda mais confusa.

– É a magia do templo: Não podemos interferir no tempo, por isso estamos sob a proteção da magia do mesmo!

Kiara havia ficado sem palavras por um instante, até que Matiloa continuou:

– Agora, foco! Já estamos dentro de seu flashback e o tempo está voando!

***

O passado era algo diferente do presente. Os seis heróis eram unidos e alguns tinham vidas entre si. Kiara parecia que era apaixonada pelo guerreiro da cidade rival, Soul, e vários outros segredos e curiosidades. A vida inteira dela (ou parcialmente) passou por aquele flashback, que acabou quando seu castelo foi destruído pelo exército e ela foi congelada e selada. Kiara não se lembrava direito daquela cena; nem ao menos dela ter acontecido alguma vez. Durante esta cena, tudo pareceu ser mais detalhado:

– — -

O exército havia entrado no castelo de Kiara com muito esforço devido à segurança que ela pôs. Ao chegarem ao salão principal, viu a garota, que se virou assustada: Não havia previsto uma invasão. Ela expressava certa confusão e até ambição.

– O-O quê? Mas como? Como invadiram meu castelo?

– Chega de brigas, Kiara! – Gritou o comandante. — Seus amigos já foram rendidos! É melhor você seguir o exemplo deles antes que cause uma crise entre os reinos!

– Do que estão falando?

– Veja você mesmo: Soul foi petrificado, Sybria e Ruth fugiram “com o rabo entre as pernas”; Vy foi banido e Pepper foi preso em um selo dimensional!

A garota pausou ouvindo a história pausou um instante: Não imaginava que seriam rendidos tão facilmente... E ainda por cima, pelas próprias cidades pela qual protegiam. Ela pareceu ter voltado a si do seu "atual estado" e caiu alguns segundos depois, segurando para não chorar. O comandante olhou para ela e depois olhou aos soldados e disse:

– Viram? Bastava apenas um jogo psicológico!

Ele abaixou o machado por um instante e se abaixou até a altura de Kiara e sussurrou:

– Não se preocupe... Não irei machucá-la... Mas agora, você precisa... Descansar...

Ele levantou-se e posicionou seu machado. Um brilho começou a sair dela e tomou conta do salão e logo foi se espalhando por todo o castelo. Várias pedras de gelo começaram a se formar no local e uma enorme explosão quebrou parte do castelo. O que sobrara no local eram apenas os soldados, ruínas do que deveria ser aquele local e Kiara, presa em um selo de gelo.

***

Kiara saiu tonta do local, ainda parecendo assimilar tudo que viu. Matiloa a levou para um quarto ao lado do dela, dentro do templo, e convenceu ela a dormir. Enquanto Kiara dormia, conseguiu assimilar as lembranças em seus sonhos. Quando ela acordou, já parecia noite e Matiloa não estava mais lá. Ela se levantou e olhou ao redor: A lua estava alta e cheia e o céu estrelado podia ser visto do teto de vidro. Ela saiu pela porta, procurando por ela, mas não a achou em local algum. Ela olhou para os corredores do tempo, mas com medo de tentar procurá-la por lá. Havia sentido algo ou alguma coisa a chamando para ir ao corredor do futuro. Quase involuntariamente, Kiara foi até o corredor. O corredor era estranho: era dividida em várias portinhas, cada uma parecendo mostrar algo diferente, mas algumas eram maiores e pareciam ter magias mais fortes. Ela parou em uma porta enorme, na qual brilhava forte e purpuramente. Apenas a cor roxo-púrpuro brilhante era suficiente para deixar qualquer pessoa assustada, mas a maga estava agindo involuntariamente, quase como se estivesse hipnotizada. Quando Kiara foi encostando a mão sobre a porta, Matiloa apareceu atrás dela, aos gritos.

– O que você pensa que estava fazendo? – Ela gritou quase em pânico e com um tom de advertência com Kiara, dando um tapa na mão da menina e afastando-a do portal enquanto continuava: – Você está louca? Poderia ficar perdida no tempo!

– Ah! Mas o q-- Mas o que estou fazendo aqui?

– É a mesma pergunta que te faço! Parecia-me um tanto curiosa em conhecer seu futuro, ahn?

– O que? Eu? ... – Kiara pausou confusa com a situação. — Havia sentindo um impulso para cá! Algo parecia... Chamar-me...

– Te chamar? ... Bem... De qualquer forma, não caia nessa lábia de novo... Seja lá quem te chamou... – Matiloa falou um tanto ociosa.

– Por quê? Da última vez não fiquei invisível? Foi você que disse “não podemos interferir na história”!

– Acontece que você só ficou transparente, da última vez, porque eu estava por perto! Sem eu por perto, você fica concreta e visível: Praticamente, vai até aquele tempo! Ou seja: Se você entrasse ali sem a minha presença, poderia ficar presa no tempo!

– Mas por quê?

– Eu sou a guardiã do templo, este é meu dever aqui além de cuidar dos portais: Guiar os visitantes pelo tempo! Só deixo os visitantes entrarem nos portais sozinhos se for realmente necessário!

Kiara pausou um instante. O rosto parecia expressar desculpas e Matiloa notou isso. Ela suspirou e falou:

– Bem... Acho melhor você voltar a dormir... Afinal, já está à noite lá fora!

– Mas como? Eu acabei de acordar...

– Sem problemas... – Disse a maga, com um pequeno e dócil sorriso estampado no rosto.

A maga encosta levemente seu cajado sobre a cabeça de Kiara, que logo começa a brilhar. Após alguns segundos, o brilho se desfaz e Kiara se apoia no ombro na maga, com um olhar de sono. Matiloa sorri e diz:

– Pronto! ... Agora, vamos para a cama: Também estou cansada!