Ele volta logo...
1 Capítulo único
Notas iniciais
Abri os olhos. Estava sozinha na cama, os volumosos lençóis brancos desarrumados apenas onde eu dormira, “ele finalmente volta hoje de viagem...” pensei. Levantei-me e abri as grandes cortinas de cor oliva, as quais deixavam a luz passar pelo pano fino. Olhei pela janela, o vento soprava calmo na manhã de terça-feira fazendo os delicados galhos dançarem. As folhas rodopiavam, as flores iam e vinham, o Sol quente tocava minha pele na manhã fria.
Fui até a penteadeira que ficava a poucos passos da cama. De madeira escura, era rústica e meio antiga, a qual fora toda esculpida ao redor do espelho, com meticulosidade e delicadeza que a tornavam tão única.
Passei a escova repetidas vezes em meu cabelo loiro-queimado, o deslizar das cerdas sobre minha cabeça, vez ou outra batendo no ombro por descuido, era algo que adorava pela manhã.
Fui até o banheiro, tudo organizado sobre a bancada de mármore cinza que contornava a pia de porcelana. Lavei o rosto, escovei os dentes. Observei as duas toalhas de banho perto do chuveiro, as duas toalhas de rosto junto à pia, as duas escovas de dente dividindo um pote de vidro grosso azul. Finalmente ele voltaria para minha companhia.
Mal podia esperar seu retorno. Minhas mãos suavam e tremiam levemente. Fui à cozinha preparar meu café-da-manhã, cortei duas fatias de pão de forma as quais passei um pouco de manteiga e coloquei na torradeira. Liguei a cafeteira e aproveitei para regar minhas flores. Derramei um pouco d’água em minhas violetas coloridas, alegravam-se com o sol que chegava até elas pelo vidro turvo.
*DING*
As torradas estavam prontas. Mordisquei uma – que, aliás, estava MUITO quente – e fui servir meu café. Enchi a caneca com o perfumado café, e ao provar com a torrada, saboroso também.
Mal conseguia me segurar, estava a tanto tempo longe de meu amado e hoje ele retornaria para mim.
Corri até a gaveta do quarto, desdobrei um papel e confirmei o horário do vôo. Logo ele chegaria, logo estaríamos juntos, logo.
~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~
“11:47” repeti olhando para o relógio.
*TIC-TAC TIC-TAC*
Decido eu mesma buscá-lo no aeroporto.
Voltei para o quarto apenas para pegar as chaves do carro, quando ouço tocarem a campainha.
Meu coração para.
Meu sangue gela.
Corro até a porta a qual abro com um enorme sorriso...
Que logo se perde.
“Você...” disse.
“Emilly, aonde vai?”
“Esperava que fosse ele...” murmurei.
“Você sabe que ele já morreu há 8 anos...”
Houve silêncio. Tudo que podia ouvir era o tic-tac do relógio.
“Quando irei vê-lo?” meus olhos quase choravam ao dizer essa frase.
“Hoje é seu dia de sorte.”
Notas finais
Quem estava na porta de Emilly?
Como "ele" morreu?
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