Ele morreu!

1 Capítulo 1


O velho telefone de Castiel tocou. Era o Sam lhe ligando às 5am. Ele olhou o aparelho tocando e vibrando na palma
de sua mão. Ele olhou ao redor e viu os anjos lhe olharem com uma cara de " que inconveniente, até mesmo aqui no céu,
os humanos não lhe deixam em paz"
Ele fez um gesto com a cabeça e saiu da sala.
Levou o telefone até a orelha.

-Sam?
-Cas, onde você está? A voz embargada de Sam no outro lado fez com que as pernas da casca do anjo ficassem bambas e sem força
-Estou no céu, algo meio complicado. Falou o anjo apreensivo -Aconteceu algo, você parece estranho. Onde está o Dean?, Onde vocês estão
- No bunker. A voz do Sam parecia desmoronar naquele momento e Castiel sabia que havia algo de errado.
-Sam... Falou num tom autoritário e depressivo. — Oque houve, o Dean está ferido, o bunker foi descoberto?
Sam se manteve mudo do outro lado, Cas mal conseguia ouvir sua respiração.
-DROGA SAM, O QUE ESTÁ ACONTECENDO? Ele falou irritado
- Ele se foi, Cas. Morreu nos meus braços. As palavras arredias sairam da boca de Sam num tom extremamente depressivo.
Naquele momento as pernas não conseguiram mais segura-lo em pé, e seu corpo se foi ao chão numa queda tão forte, que o
estrondo da queda do anjo no céu, foi de se ouvir na terra.
Milhares de coisas e imagens se passavam na cabela dele aquele momento
Mas quanto mais ele pensava que era possível trazer Dean de volta, algo parecia querer lhe obrigar a acreditar que era definitivo,
que a morte de Dean era pra sempre. Sua cebeça pesava, os olhos ardiam. Mas anjos não choravam.
Castiel estava diferente. Um ano inteiro como humano e depois uma graça roubada. Foi humano por tanto tempo, que sim, a lágrima rolava.
Os anjos lhe olhavam de longe, tinham ouvido toda a conversa
- O humano morreu. disse um deles balançando a cabeça.
-Ele vai voltar para a terra, vocês vão ver. Vai abandonar tudo de novo, por eles... Disse outro

Castiel levantou, as lágrimas escorriam pelo seu rosto embranquecido e duro como rocha. Se limitou a olhar para os anjos que ali estavam e
num piscar de olhos desapareceu.
Ele não foi para o bunker. Foi pro cemitério de beira de estrada onde o Dean foi enterrado quando foi morto pelos cães do inferno,
porque foi lá onde tudo tinha começado.
Foi quando ele morreu, que foi dado a Castiel a missão de salva-lo do inferno, a missão de salvar o escolhido,
a espada de miguel, o grande triunfo para a batalha final. Batalha essa que nem chegaria a acontecer
Tantos anos depois e estava igual, o círculos e as árvores no chão.
Castiel colocou a mão no bolso e lembrou. Lembrou de tudo. Do quanto fora rejeitado no começo
Das vezes em que o Dean gritou na sua cara que não acreditava nele, pois não acreditava em coisas boas,
só em coisas ruins, porque eram elas que ele presenciava.
Da vez em que o bateu quando ele queria se entregar a Miguel e da vez que ele estava sob os encantos de Naomi destinado a matar Dean.
Ele fez um movimento com a mão, dentro do sobretudo
como s estivesse sentindo a dor de sua mão batendo em Dean. Mas ele não sentiu essa dor. E não queria ter sentido.
Ele sentou naquele mesmo banco onde foi finalmente aceito por Dean, numa tarde de outono.
Sim, ele visitou todos os lugares que esteve com o Dean. A velha casa do Bobby, e a casa de Lisa. As ruas, os bares, as lanchonetes, o hospital onde ficou internado,
a loja de conveniência onde trabalhou quando ainda era humano.
Ele passou por todos os lugares e voltou ao cemitério novamente. O sol estava escondido e garoava.

- Eu sinto muito... Ele murmurou; Sua voz estava embargada, e pesada como aquele céu que parecia que não cairia nunca.
Ele queria poder dizer o quanto era difícil aquele momento, o quanto estava sendo impossível de suportar o que ele mais temia. Ele sabia que uma hora não o poderia
trazer de volta, e essa hora acabou chegando. O coração de Castiel doía. Seu corpo estava contraído em dor
-Me desculpe... Ele continuou. -Por não ter respondido as suas orações,por deixar o meu orgulho e querer me culpar por todo o mal me afastando de você, e do sammy.
Me desculpe por deixar a Naomi controlar minha mente, me desculpe por tentar te matar. Me desculpa por não estar lá pra olhar nos seus olhos pela ultima vez.
O corpo do anjo caiu no chão e junto com ele a chuva que estava presa nas nuvens. E por horas ele ficou ali ajoelhado com o corpo torto enquanto a chuva caia sobre sua cabeça
Anoiteceu e seu pranto continuara. Os anjos lhe vieram consolar e de repente o cemitério estava repleto deles. Não estavam de posse de suas cascas, mas em suas formas divinas
dando apoio ao mais humano anjo do céu. Eles cantavam com suas vozes estridentes capazes de serem ouvidos a milhares e milhares de léguas.
O Cemitério estava iluminado e naquele momento, nenhum anjo estava no céu. Todos haviam descido para chorar a morte do humano de seu irmão

Notas finais
A história tem spoiler sobre o final da nona temporada. Se você ainda não assistiu e não quer spoiler. Não leia
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!