Ele Me Quer
1 Onde tudo começou
Notas iniciais
Sempre fui fria, não ligava para as consequencias, só sei que minhas atitudes era aquelas. Não ligava se machucava as pessoas, nem ligava pro sentimento delas. Apenas ligava só pra mim. Acho que esse ano tive o troco. Mas com ele amadureci demais. Paixões? Eu nem ligava, apenas sentia atração pela pessoa. Nunca faria nada que não fosse contra minha vontade, não ajudava ninguém, pouco me importava. Mas eu não sabia que estava perdendo quem amo. Eu não ficava em casa, mexia com drogas, traficava, meus amigos não eram 'boa influência' para mim, como dizia meu pai. Isso tudo começou quando perdi minha mãe. Eu tinha apenas oito anos, não estava em casa, nem eu, nem meu pai. Apenas ela e Hendril, meu irmão que também faleceu naquela noite.
Eramos muito unidos. Hendril completava seis meses naquele dia e minha mãe queria comemorar. Passamos o dia inteiro fora, brincando em um parque perto de casa. Voltamos muito tarde e minha mãe não queria fazer o jantar, Hendril já estava dormindo e minha mãe cochilando um pouco. Estava exausta. Não é fácil cuidar de um bebê inqueito e de uma menina de oito anos, 'elétrica' como dizia ela.
- Querido, passa na pizzaria e traga duas pizzas grandes_mamãe demonstrava o cansasso na voz.
- Sim, de que sabor?_papai abriu um sorriso quando me viu correndo para os dois, me pegou no colo e me beijou na testa.
- Papai deixa eu escolher?
- Claro Helena, quais você quer?
- Eu quero uma de calabresa e a outra, eu não sei.
- Que tal chocolate?_mamãe falou e logo deu um sorriso ao me ver dando um sorriso também.
- De chocolate tá bom, certo Helena?_dizia papai me colocando no chão.
- Certo.
Ele pegou as chaves do carro enquanto eu subi pra pegar minha jaqueta. Meu quarto ficava no segundo andar, final do corredor. O segundo andar estava todo apagado e eu não conseguia acender as luzes, pareciam que as lâmpadas estavam queimadas. Então fui no escuro mesmo, sem fazer barulho pois Hendril ja estava dormindo. Eu também estava sonolenta. Tava até vendo coisas. Quando passei pelo quarto de Hendril vi uma figura em pé parada perto do berço. Achei que poderia ser minha imaginação então ignorei. Quando voltei não tinha mais ninguém lá seu quarto, nem mesmo Hendril. Pensei que minha mãe estaria com ele lá em baixo.
- Vamos Helena!_meu pai me chamou.
- Estou indo_desci as escadas correndo e entrei no carro, nem olhei para o lado, nem despedi de minha mãe.
- Ok então, beijos amor_meu pai deu um beijo em minha mãe que retribuiu, fechou a porta e subiu.
Meu pai entrou no carro e dirigimos até a pizzaria. Estava cheia então tivemos que esperar muito. Já era quase meia noite e mamãe nos liga.
- Amor onde está?_dava para perceber que ela estava dormindo já. Sua voz notava que estava preocupada.
- Estamos indo, calma, o que esperava de uma sexta feira? Pizzaria esta cheia demais, mas nosso pedido está quase pronto_neste instante aparece o garçom entrgando as pizzas. Meu pai o pagou e levantamos e fomos embora.
Ele ainda conversava com a mamãe mas eu não indentifiquei o que era, ele me colocou no banco de trás e as pizzas na frente. Ainda continuava a conversar om minha mãe. Eu estava distraida mas logo depois comecei a prestar atenção na conversa deles.
- Amor, já são quase uma hora da manhã, o Hendril precisa dormir.
- Mas ele já está dormindo, não está?
- Não sei, ele está com você.
- Não, o Hendril está no quarto dele.
- Ah Meu Deus.
- Alô?
Ninguém respondia.
- Papai, o que aconteceu?
- Nada não filha, acho que a ligação deve ter caido. Sua mãe acha que Hendril estava com nós.
- Mas ele não está. Mamãe o tirou do berço quando fui pegar minha jaqueta.
- Do que está falando Helena?
- Quando fui pegar minha jaqueta, vi uma sombra, acho que era a mamãe e quando voltei, Hendril não estava no berço. Mamãe o tirou de lá.
- Helena, ninguém subiu, nem eu, nem sua mãe. Só vocês dois estavam lá em cima.
- Mas papai, eu vi._Ele me interrompeu
- Pare de brincar com essas coisas. Não tinha ningém lá. Deve ter sido coisa da sua imaginação.
- Se não era a mamãe, quem era então?
- Sua imaginação, já disse!
- Papai, mudando de assunto, as luzes não quizeram acender, tem que comprar lâmpadas novas.
- Mas eu já troquei.
- Mas quando eu subi, elas não ascenderam, quando desci, elas tinham acendido.
- Quando chegarmos vou olhar isso okay?
- Okay_nós dois sorrimos por um instante.
Quando chegamos, em casa levmos um susto, papai freio logo em seguida, muitos carros parados em frente a nossa casa, ambulâncias, corpo de bombeiros, policiais.
Meu pai desceu correndo para saber o que foi que tinha acontecido e fez um gesto para que eu continuasse dentro do carro.
Eu só o vi conversando com o policial do lado de fora. Depois ele começou a chorar, quase passando mal. Eu não podia ver aquilo sem fazer alguma coisa, então desci do carro. Foi quando tive a surpresa, meu pai caiu de joelhos chorando. Caminhei mais um pouco mas fui parada por um bombeiro. Minha casa estava pegando fogo, não sabia o que fazia, queria entrar lá, ver minha mãe, ver que Hendril e ela estavam bem. Mas quando tentei fazer isso, me seguraram. Esperniei, chutei, gritei, queria entrar. Mas não deixavam. Então me acalmei, me levaram para dentro de uma ambulância que estava lá. Quando todos tinham se distraido entrei para dentro da casa, ninguém me viu. Subi as escadas correndo, parecia que o fogo não me machucava, na verdade era incrivel, era como se ele se afastava. Então entrei no quarto de Hendril e tive uma surpresa. Minha mãe estava presa, no teto. Não sei o que aconteceu, comecei a ter visões estranhas, não sabia o que estava acontecendo, juro que vi minha mãe no teto do quarto de meu irmão, sendo consumida pelo fogo em segundos, não podia mas vê-la. O berço do meu irmão estava às cinzas. Estava quase desmaiando por causa da fumaça, quando senti alguém me puxando e me levando para fora daquele lugar. E logo desmaiei. Quando acordei estava em uma ambulância, junto com meu pai que estava sedado. O fogo já tinha acabado, o que restou foi apenas uma casa em ruina. Nossa casa era um pouco isolada, então ninguém apareceu, vizinhos, curiosos, ninguém. Desde aquele dia então eu e meu pai temos tentado viver em paz, até por um bom tempo. Quando completei 13 anos é que eles começaram. Tinha pesadelos com aquela noite, cada pesadelo era diferente, mas tinha o mesmo cara, minha mãe no teto, a casa pegando fogo. Eu não suportava mais aquela dor que toda noite os pesadelos traziam de volta, a dor que todos os dias tentava amenizar e a noite voltava como uma bomba. Então comecei a usar drogas, aos 15 anos fui internada em uma clinica de reabilitação, mas logo sai e fui direto para um orfanato. Duas semanas depois de ser internada, meu pai morreu em um acidente, ninguém achou o motivo, ninguém sabe quem foi. Era um caso dado como encerrado. Mas os pesadelos pararam. Sonhos estranhos tomaram conta. Não eram pesadelos mas davam medo. E em todos eles apareciam um homem alto, sorrindo, e seus olhos. Seus olhos eram todos amarelos. Ele repetia a mesma coisa, 'Helena, você é a próxima'.
Notas finais
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