Seu coração batia junto à música, ela estava com os olhos fechados e não notava nada a seu redor, ela só queria divertir-se. Várias pessoas estavam notando ela, várias pessoas haviam pensando em chegar nela para beijá-la, porém ela não abria os olhos, ela apenas dançava, ela rodava e se divertia.

Ela sentia-se bem pois todos ali estavam vestidos da mesma forma excêntrica que ela. Ela usava um vestido vintage cor de rosa e uma mochila nas costas, mas isso não destoava de todos a seu redor que estavam usando as mais diversas roupas. Algum desavisado que entrasse ali por engano poderia facilmente confundir-se com uma festa a fantasia, mas ela não havia notado, pois ela não abria os olhos.

Depois de quase cinco horas de festa, era hora de ir embora, ela sabia disso, então ela foi para fora a procura de um táxi. Enquanto estava do lado de fora, esperando que um táxi passasse, um drag queen chegou perto dela.

— você é muito linda, eu amei o seu vestido! — disse a drag queen.

— obrigada, ele é perfeito para o momento – foi a resposta dela.

— posso te dar um abraço? — perguntou a drag.

Ela abriu os braços aceitando aquele gesto, então a drag foi em sua direção e a abraçou. Ela fechou os olhos e conseguia sentir o batimento cardíaco da drag unindo-se ao dela. Com os olhos fechados ela conseguia sentir todas as coras em envolviam elas, eram nuvens de corem neon que rodavam elas duas, eram nuvens que viam de alguma lugar que ela desconhecia, mas ela sentia o toque que a confortava e as fazia flutuar. Quando ela abriu os olhos, as nuvens haviam sumido e as duas já haviam aterrissado, então as duas soltaram-se.

— eu sei o que você está indo fazer, só queria te dizer que você jamais pode se esquecer que dentro de você habita um gigante! — disse a drag.

— não, dentro de mim só existe uma cidade-fantasma – foi a resposta dela.

— não meu amor, dentro do seu coração há um gigante, mas tudo bem, você saberá o que fazer na hora certa.

Antes que Ela pudesse perceber alguma coisa havia um táxi parado em sua frente e a drag havia sumido completamente sem que Ela nem tivesse piscado. Ela entrou no táxi e pediu para que o taxista levasse ela até a ponte. Quando ela chegou lá, pagou o táxi e esperou que ele saísse. Estava amanhecendo o céu estava lindo, ele tinha um tom roxo que deixou Ela encantada, então ela foi até o parapeito da ponte, largou sua mochila no chão e começou a rodar, ela rodava ao som da música que ainda estava em sua cabeça e com os braços abertos ela rodopiava.

Ela parou de rodar.

Ela olhou para frente e foi em direção ao parapeito.

Ela chegou no parapeito e subiu nele.

Ela fechou os olhos, ela sentiu que as estrelas todas começaram a cair, elas viraram raios em cores neon que tomaram o céu, um espetáculo lindo, Ela abriu os olhos e presenciou tudo aquilo feliz, finalmente havia chegado o momento de se livrar de tudo aquilo, então ela abriu seus braços, pronta para voar mas algo inesperado aconteceu.

Alguém se jogou sobre ela fazendo com que ela caísse no asfalto.

— mas que diabos você fez?! — disse ela ao se levantar. Ela ficou muito frustrada, pois quando ela olhou para o céu novamente, todas as estrelas estavam no lugar.

— eu não posso deixar que isso aconteça, você é o amor da minha vida! — foi o que ele disse para ela.

— mas como assim?

—no momento em que te vi lá eu soube que você é o amor da minha vida, eu não podia deixar você fazer isso!

Os dois levantaram-se e quando, frente a frente, se encararam Ela sentiu que Ele a amava de verdade, pela primeira vez na vida, ela sentia amor emanando de alguém que não fosse sua mãe, pois para ela a única forma verdadeira de amor que existia era o amor de mãe. Então, ela o beijou.