Ela em Três Atos.
3 Libertação
— mas de que eu seria útil se eu sou apenas um pedaço mutilado do que fui um dia e você me ama por inteiro? — Ela realmente queria fazer Ele entender que ela não era futuro.
— qualquer mínima parte de você que me ame, está ótimo. O que você tiver a me oferecer, me basta – foi o que ele respondeu.
— mas você é perfeito demais para se contentar com um amor pela metade, você merece muito mais do que isso!
Eles estavam nus na cama. Eles havia feito amor, e pela primeira vez na vida, Ela havia sentido-se amada como uma mulher. Ela sabia que tudo aquilo era lindo e bom demais para ser verdade, ela sabia que não era o tipo de pessoa que merecia o amor, ela era o tipo de pessoa que não era completa para viver o amor, mas por hora ela ficaria ali, deitada com ele.
Já devia ter amanhecido, mas aquela cor em tom roxo ainda estava no céu, e isso deixava ambos muito felizes.
Ela abraçou ele e deitou sobre seu peito, naquele momento, ser nova e estar apaixonada já lhe bastava.
Os dois olharam para cima e o telhado se abriu completamente revelando aquele céu maravilhoso, então com o brilho daquele sol roxo e quente de outono, os dois adormeceram.
Quando acordaram, o teto ainda estava aberto e revelava agora a lua e as estrelas. Ela pegou o celular na mochila e viu várias mensagens da mãe, porém não leu nenhuma, ela apenas respondeu “nada disso é culpa sua mamãe, você foi perfeita a vida toda, mas essa vida não é pra mim”, ela então desligou o celular e jogou-o na lixeira do quarto dele. Nesse momento, ela notou que o teto havia se fechado.
Ele havia ficado ali deitando, nem notou que ela havia levantado, ela então pegou papel e uma caneta e escreveu “você é lindo demais para se contentar com alguém pela metade como eu. Seja feliz, mas a sua felicidade não sou eu.” então, ela saiu sem bater a porta.
Mais uma vez no táxi, quando chegou, pagou tudo, mas fez algo que nunca havia feito, ela deu um abraço no taxista. Um senhor de idade que lembrava muito seu avó.
O taxista chorando foi embora, ele sentiu a tristeza emanando daquela doce garota.
Ela chegou no parapeito da ponte e subiu nele.
Quando ela olhou pra cima, o efeito se repetiu, as estrelas roxas começaram a cair novamente, então ela pulou.
Por alguns segundos ela caiu, porém quando ela fechou os olhos, ela notou que algo segurou seu corpo na região da barriga, essa força, essa fumaça neon a puxou para cima, ela foi puxada para cima com uma leveza que parecia que seu corpo não tinha peso algum.
Ela agora era livre.
O taxista ainda chorando passou por uma placa que indicava o lugar onde ficava a ponte em que a garota havia acabado de pular, chamava-se Mulholland Drive, alguns costumavam dizer que era A Cidade Dos Sonhos.
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