Ela
2 Bolas de Sabão!
A sua infância pode-se dizer que era feliz, apesar de não ter amigos, coisa que se possa achar bastante duvidoso e impossível. Quando seus pais a viam brincar sozinha sentiam pena, pensavam como era possível ser se feliz assim. Brincava às bonecas, à macaca, à mamã dá licença, às médicas e doentes e principalmente às bolas de sabão. Adorava vê-las esvoaçar lentamente pelo ar, as suas cores e leveza a fascinavam.
Os pais eram apaixonados por aquela criança, mesmo invulgar ela era uma doce menina. Quando eles perguntavam se queria amigos para brincar ela respondia que não, a seguir perguntavam o porquê e ela dizia que não precisava e fazia um grande sorriso contagiante. Admirados, retiravam-se e observavam-na ser ela se aperceber.
É tao bonita! Os seus olhos cor de avelã faziam contraste com a sua pele branca que naquele dia estava mais que iluminada derivado aos raios de sol que nela batiam. Toda ela era pequena e frágil, mas ao mesmo tempo tinha algo de tão grande.
Seria da sua personalidade? Seria da sua confiança? Seria de ter a capacidade de ser feliz? Não sabiam ao certo. Tinham tantas perguntas e dúvidas mas nenhuma resposta. No mínimo frustrante!
Eles chegaram a levar meninas da sua idade a casa pra ver o que ela fazia. Por surpresa ela ignorava-las, fazia de conta que elas nem ali tivessem, brincava normalmente com as suas bonecas, com os seus “doentes”. Só houve um momento em que a situação mudou radicalmente.
– As bolas de sabão, olhem! As primeiras palavras dirigidas às pessoas desconhecidas que estavam no seu quintal. Seus pais correram e nem queriam acreditar. Todas as meninas estavam a correr com as bolas de sabão, a sorrirem, mas a que chamava mais à atenção era ela. O fascínio do seu olhar, o seu rasgado sorriso.
Os pais olharam-se e perguntaram:
– Será que conseguimos?
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