El Aáiun
4 Capítulo 4
Alguns minutos depois, Thony saía de um bueiro em frente à entrada do aeroporto, muito abalado. Logo ele já estava dentro do avião em direção à Paris. Agora podia respirar e refletir sobre os últimos acontecimentos.Durante a viajem, Thony olhou de relance para seu medalhão e, emocionado, observou seus detalhes, lembrando-se de sua família.Era um medalhão redondo com detalhes complexos. Uma cobra se enrolava por todo ele e, no centro, uma espécie de adaga com um rosto esculpido. Era meio sombrio e assustador, mas Thony o tinha como seu bem mais precioso, afinal foi a única lembrança que sua família deixara. E, além de tudo, ele tinha a impressão de ter visto aquele símbolo em algum lugar, só não conseguia se lembrar onde.
Horas mais tarde, Thony chegou à Paris. Quando saiu do aeroporto, alguém com um sotaque francês o chamou:- Sir Anthony Mandrak! Aqui senhor!- Quem é você? – Thony perguntou se virando.- Ah, péssima recepção! Bonju para o senhor também.- Me desculpe, estou muito nervoso com as coisas que estão acontecendo.- Entendo. Deixe me apresentar: meu nome é Milla Phohié. Encantada em conhecê-lo…- Muito prazer – Thony apertou a mão da francesa – me desculpe a indiscrição, mas a senhorita é muito bonita.- Obrigada – ela abriu um grande sorriso – e o senhor é um verdadeiro cavalheiro…Milla era realmente muito bonita: tinha olhos castanhos claros e cabelos da mesma cor presos num elegante coque, com alguns fios caindo em seu rosto. Ela vestia um casaco pardo que caía até os pés.- Senhor, me acompanhe…Os dois seguiram até uma Pajero preta estacionada no grande pátio do aeroporto. Durante o caminho eles conversaram bastante.- Gostaria de agradecer por me acompanhar – Thony disse – você foi contratada por Jonh Glover, não é?- Não, não trabalho para ele…- O quê? – Thony se desesperou-o que você quer comigo, então?- Calma, levaremos o senhor para um hotel. Só te busquei no aeroporto para te alertar: não confie totalmente em Jonh Glover, ele é muito ambicioso.- O que a senhorita sabe sobre ele? – Thony perguntou intrigado.- Eu sei que ele tem pistas sobre sua família e vai obrigá-lo a trabalhar para ele em troca dessas pistas. Mas, apesar disso, ele não é mau.- Mas a senhorita disse que não devemos confiar totalmente nele…- Sim, mas eu lhe peço, mantenha contato comigo. Me avise de qualquer coisa que Glover lhe pedir – Milla tirou da bolsa um cartão – aqui estão o número do meu celular, do apartamento e meu endereço. Qualquer dúvida ou necessidade me procure.- Senhorita Milla, chegamos no hotel – o motorista disse olhando pelo espelho retrovisor.Thony olhou para a francesa se sentindo mais perdido e confuso que antes. Ela, no entanto, continuou impassível e disse séria:- Agora vá e diga a Jonh Glover que pegou um táxi até aqui, ok?- Tudo bem, mas quando nos veremos de novo?- Em breve, meu amigo. Muito breve.E, em uma atitude ousada, Milla se despediu de Thony com um longo beijo em seus lábios, pegando-o de surpresa. Depois sussurrou:- Não se esqueça: diga ao Glover que você pegou um táxi, entendeu?- Acho que sim – Thony respondeu com um filete de voz – então… adeus.- Eu diria até logo…Thony desceu da Pajero atordoado e surpreso pelo beijo de Milla. O hotel era muito grande e, na entrada, havia placas de cobre e ouro com o nome e algumas decorações em estilo antigo.- Sr. Anthony Mandrak, aqui – ele ouviu uma voz no fundo do saguão.- O senhor é Jonh Glover? – Thony correu até o homem, ansioso. Era um rapaz alto, magro e de barba bem feita.- Não, fui contratado por ele para receber o senhor no aeroporto, mas não o encontrei lá."Esse cara deve ser milionário para contratar tantas pessoas, ainda mais em missões com risco de morte", Thony pensou sem conseguir evitar um sorriso irônico.- Sr. Mandrak, o Sr. Glover irá encontrá-lo amanhã as dez da noite na torre Eiffel. Seu quarto é o 805, aqui está a chave. Você ficará no hotel até amanhã, suas despesas estão pagas. Se quiser comprar alguma coisa, use o dinheiro que tem.Thony recebeu as chaves, perplexo. Aquele rapaz aparentava estar nervoso e falava tudo muito rápido, tanto que a cabeça de Thony começava a doer.- Ah, muito obrigado – ele disse – afinal, qual o seu nome?- Cláudio Hanish.- Que nome estanho!- É que eu venho do Brasil.- Ah, entendo…- Mas afinal, como o senhor achou o hotel? Quem o trouxe?- Ah, é que… eu vim de táxi – Thony ficou preocupado. Cláudio poderia perguntar como ele encontrara o hotel certo, aí ele não saberia responder.- Então creio que o senhor já leu a carta que o Sr. Glover deixou dentro do seu passaporte –Cláudio estava com cara de poucos amigos."Carta? Ele deixou uma carta?" Thony pensou enrugando a testa.- Ah, sim, li – ele mentiu – claro que li…- Então descanse senhor…- Mas ainda são nove horas da manhã.- Faça o que quiser, então. Só aconselho o senhor a não sair do hotel.
- Por quê?- Porque o senhor pode não voltar mais…Cláudio seguiu para o lado oposto do saguão, deixando Thony atordoado e com medo. Ele então decidiu ir para seu quarto.Era um quarto grande. Thony foi até a janela aberta e vislumbrou o museu do Louvre. Ele tinha muita vontade de conhecê-lo, ainda mais depois das histórias impressionantes que ouvira. Há um ano houve alguns acontecimentos desagradáveis no museu: roubos, acusações e um segredo que acabou caindo nas costas de sua amiga Natany Ousborne. Thony queria encontrá-la novamente, há muito tempo não se viam.Thony se deitou na cama confortável e, perdido em seus pensamentos, acabou adormecendo. Estava cansado do que estava acontecendo e queria que tudo acabasse. O dia se passou normalmente e a noite chegou fria. O telefone do quarto tocou e Thony correu para atender.- Alô? – ele atendeu ansioso.- Anthony, sou eu, Samy Thollar, sua advogada. O que aconteceu com você?
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