Notas iniciais
Ana terá de lidar com uma tarde um tanto quanto agitada.

Sabe quando você não entende nada do que está acontecendo na sua vida? Quando tudo está tão confuso que você não consegue se quer organizar seus pensamentos? Eu estava exatamente assim.

Naquela terrível manhã, eu me levantei, tomei o meu café, e percebi que tinha apenas algumas horas até partir para o palácio. Minha mente estava cheia de pensamentos, eu tentava organiza-los mais não conseguia, tentava achar uma forma de conectar a minha vida com a vida dessa mulher e descobrir como vim parar aqui, ao mesmo tempo ficava pensando no que teria de enfrentar ainda naquela tarde no palácio, era como se toda a minha energia já tivesse sido sugada em poucos segundos após eu acordar.

No caminho para o palácio, novamente dentro de um daqueles carrinhos, minha mente vagava, tudo em que eu conseguia pensar era na minha vida, pensava na minha irmã, em como ela estaria vivendo, pensava no meu noivo e em como sua vida estaria, me questionava se eles sentiam a minha falta, se estavam preocupados comigo e também quanto tempo já teria passado no meu mundo que eu apenas desapareci.

Quando o carrinho parou meu estomago ficou gelado, eu sabia que já tinha chegado ao palácio. Jang-mi minha companheira estava dessa vez comigo, ela me faria companhia e cuidaria de mim enquanto estivesse dentro do palácio.

Ao entrar no palácio desta vez fui recebido por um dos eunucos e ele me levou até o local em que tomaria chá com cada um dos príncipes. Me sentei com frente a uma pequena mesa de madeira toda esculpida e sobre ela tinha diversos doces e também muito chá. O local escolhido para passarmos aquela tarde era em um palanquim de madeira muito bonito que estava de frente para um dos lagos do palácio.

A vista era extremamente encantadora, a beleza da natureza junto a beleza do palácio Real era de tirar o fôlego, por apenas alguns minutos que realmente apreciei estar sentada ali. Toda a tranquilidade e beleza sumiram no estante em que o primeiro príncipe chegou e se sentou em minha frente, para a minha terrível surpresa ele era o Príncipe da Coroa.

Príncipe da Coroa:

— É muito bom vê-la novamente Senhorita Lee!!

O susto foi tão grande que apenas arregalei meus olhos e respondi:

— Príncipe da Coroa!! Eu pensei que por já ser casado não tomaria chá comigo...

O Príncipe da Coroa rindo respondeu:

— Não estou aqui como um dos Príncipes disponíveis para o casamento.. (Olhando para os criados que estavam em pé nas escadarias do palanquim, ele gesticulou pedindo que todos saíssem) Estou aqui para te dar um conselho!!

Preocupada vendo que nenhum dos criados estava mais por perto, apenas controlei minha respiração que já estava fora de controle e esperei.

Príncipe da Coroa:

— A Senhorita deve escolher um dos príncipes filhos da concubina Real... não pode escolher nenhum dos príncipes filhos da Grande Rainha.. ficou claro?

O olhar dele me passava ódio e muita determinação, por algum motivo ele não estava me aconselhando e sim me ameaçando, estava mais do que claro que se eu não quisesse uma guerra com o Príncipe da Coroa, deveria escolher um dos Príncipes filhos da concubina Real.

Engolindo seco respondi:

— Ficou mais do que claro!

O Príncipe da Coroa com um sorriso de satisfeito se levantou e se retirou do palanquim sem dizer mais nenhuma palavra.

Com calma algumas peças de um infinito quebra cabeça começavam a se encaixar, o Príncipe da Coroa sugeriu que eu escolhesse com quem vou me casar não por bondade e sim por que desde o começo ela já pretendia me ameaçar e me forçar a escolher o que ele queria. Caberia a mim decidir mais ao mesmo tempo não.

O primeiro Príncipe havia entrado no palanquim e se sentado em minha frente, ele era o sexto príncipe Chang Min, o mais novo de todos os príncipes, ele tinha apenas 16 anos. Passando um tempo conversando e tomando chá com o jovem príncipe percebi que ele realmente ainda era uma criança e eu não o culpo, ele ainda é muito novo.

Chang Min:

— Senhorita Lee.. a Senhorita acha que se casar comigo seria algo bom?

Respondi sem compreender muito bem sua pergunta:

— Como assim.. algo bom?

Chang Min cabisbaixo:

— Eu sou o mais rejeitado dentre os meus irmãos.. não só porque ainda sou muito novo, mais também por não ser filho da Grande Rainha... seria algo bom para a Senhorita se casar comigo?

Fiquei em choque ao vê-lo falar daquela maneira, ele não só se sentia rejeitado, mas também se preocupada com quem poderia querer ficar ao seu lado sendo um membro tão ´´fraco´´ dentro do palácio. Isso me partiu o coração, ele ainda era um menino, não deveria ser tratado assim e muito menos ter tais preocupações.

Respondi sorrindo:

— Olha.. se você for tão gentil e agradável desse jeito, por qual motivo seria uma escolha ruim? Não é isso que importa de verdade em um casamento? Gostar de quem a outra pessoa é? Príncipe Chang Min.. você é muito agradável e cheio de vida.. não vejo como isso seja uma escolha ruim..

Chang Min abriu um belo sorriso e logo em seguida colocou um dos enormes pães de açúcar dentro da boca dizendo:

— A Senhorita é realmente incrível!!! (falando com a boca cheia)

Eu apenas ri, mas no fundo estava pensando que ele provavelmente devido a minha situação não seria uma escolha sábia.

Algum tempo depois o quinto Príncipe se sentou e logo começou a falar:

Young Nam:

— Olhando a Senhorita de perto é ainda mais bonita.. como uma pintura!! Sabe eu realmente gosto muito de artes.. mesmo todos dizendo que isso não é importante para um príncipe... eu ainda gosto!! (rindo) Mas eu realmente gostaria de poder fazer uma pintura sua.. acho que de tantas pinturas que já fiz a Senhorita seria a obra mais bonita..

E assim ele continuou, eu quase não tive chances de falar, fiquei sabe Deus por quanto tempo sentada ali ouvindo aquele menino falar sobre música, instrumentos e artes. Eu estava realmente entediada, o Príncipe Young Nam era um dos filhos da grande Rainha, e assim como Jang min já tinha me contado ele é um completo tagarela, só sabe falar sobre as mesmas coisas e não te dá espaço para falar também, com 19 anos ele parece tão infantil quando o sexto príncipe.

Quando ele se retirou e eu tive um tempo sozinha finalmente respirei aliviada, pensei que só tinha passado algum tempo com dois príncipes e já estava extremamente cansada, isso não era nem a metade.

Depois de respirar pensando que ainda tinha muito o que enfrentar naquela tarde, me perdi olhando para o lago e a paisagem das arvores e flores, queria de alguma forma recarregar minhas energias, quando fui surpreendida por uma rosa sendo colocada bem na minha frente.

Príncipe Kwang Hee:

— Uma flor para outra flor!

Príncipe Kwang Hee, o quarto príncipe, 23 anos, considerado um dos príncipes mais bonitos do palácio e eu devo te falar, ele era realmente de tirar o fôlego.

Parando para analisar com calma foi a voz dele que eu ouvi no grande salão. Então esse é o príncipe que quer se casar com essa mulher.

Agradeci dizendo:

— Obrigada pela flor.. é muito bonita..

Entortando a cabeça me olhando estranho ele respondeu:

— Ha- nui... por acaso não se lembra de mim?

Pronto... Ferrou né?! Essa mulher já conhecia o quarto príncipe? Como que a Jang Min não me contou isso? E agora o que eu devo fazer?.

Kwang Hee:

— Uau.. você realmente não se lembra de mim..

Respondi:

— Me perdoe.. como eu disse no grande salão ontem.. minhas memórias não voltaram.. Mais que tipo de relacionamento nós..

Kwang Hee rindo:

— Se eu fosse um cara esperto diria que éramos muito apaixonados um pelo outro... mais eu sou honesto.. eu sempre me encontrava com você na grande estrada quando saía para passear um pouco.. a verdade é que você estava apenas passeando e eu fingia estar apenas passeando também para poder ver você.. (disse rindo enquanto olhava para o lado)

Rindo respondi:

— Ah.. entendi.. pelo menos você é honesto! Kkkkkkkkk

Kwang Hee era extremamente agradável, o tempo em que ficamos ali conversando passou muito rápido, se eu realmente fosse Ha-nui, me apaixonaria por ele facilmente, mas eu não sou.

Cheguei a conclusão de que Kwang Hee era o mais perigoso de todos, suas habilidades de conversar, sua beleza e até mesmo o seu jeito eram muito convidativos, mas ao mesmo tempo eu me perguntava, se ele é alguém tão incrível assim, por que essa mulher nem se quer questionou a possibilidade de ficar ao lado dele? Ainda assim se arriscou e quis fugir a todo custo.. algo não encaixa.

Logo foi a vez do terceiro príncipe Do Yun, o famoso e realmente insuportável mulherengo do palácio. Depois de ter estudado cada um dos príncipes com muita cautela na noite anterior eu sabia que o mais difícil de aturar seria o terceiro príncipe. Na minha real natureza eu Ana detesto homem galinha, porem mais do que isso eu detesto homem galinha que insiste em dizer que não é galinha, esse é Do Yun.

Do momento em que ele chegou e se sentou para tomarmos chá, fez de tudo para chamar minha atenção, usou todos os tipos de técnicas possíveis para me deixar encantada, devo confessar que não resisti a maldade de fingir estar caindo no papinho dele, apenas para depois dizer que ele com certeza não seria o meu escolhido, ate parece que eu Ana cairia em papinho de Chernoboy.

Ahhhhh, eu estava tremendamente cansada, toda vez que um dos príncipes saiam e me deixavam sozinha eu apenas queria que esse breve momento durasse para sempre. Por que motivo conhecer cada um deles era tão cansativo?.

Faltava apenas um, o segundo príncipe Ye Jun, eu estava levemente preocupada e levemente curiosa sobre como seria o segundo príncipe, seu histórico era péssimo, diziam que ele tinha um péssima personalidade e extremamente insuportável.

Ye Jun logo que chegou diferente de todos os outros príncipes não se sentou e sim deitou de frente para a mesa de chá, abriu um livro e colocou sobre seu rosto, como quem dizia ´´vou dormir´´.

Achei muito interessante a maneira de como ele deixou claro a mensagem de que não estava interessado em passar um tempo ali comigo.

Perguntei:

— Príncipe Ye Jun? Não vai tomar chá?

Ye Jun:

— Achei que ficaria claro que não estou afim...

Eu apenas ri e meio que agradeci o fato dele não querer interagir, afinal eu estava exausta. Pude no final de tudo usar aquele tempo para respirar e pensar no que diria ao Rei naquela noite, sabiamente quem eu escolheria para infelizmente me casar e se deveria ou não me preocupar com a ameaça do Príncipe da Coroa.

No final de tudo mais uma vez estava eu sendo guiada ate o grande salão Real, dessa vez para que através de minhas próprias palavras, definir o meu futuro ali naquele mundo. Eu pensei e repensei muitas vezes, analisei minhas prioridades e montei mentalmente meu tabuleiro de xadrez.

Qual seria minha primeira jogada?.

Notas finais
Ana está prestes a determinar o seu futuro ali naquele mundo, no final qual foi sua decisão?.