Eidos

5 Cap. 2 Jogos Perigosos (Parte de 1 de 6)


Notas iniciais
Onde Emy conhece Princess e grandes mudanças ocorrem. Marcus tenta invadir o seu segredo... Uma briga leva a nossa garota a repensar seu relacionamento. Quem é IVe? Novos personagens começam a surgir: Marcela, mãe de Andréa; Lillian Novan – mãe de Emy; alguns amigos da garota. Um pouco sobre sua rotina acordada... Ou mais sobre a BCR? Não percam!

A pequena criatura volitava delicada à minha volta, ou do que deveria ser eu. Era estranho não ter uma “pele” padrão. Já fazia tanto tempo, que não tinha de recorrer a tutoriais para criar uma “casca”, sorri ou o equivalente a isto. Tentei me concentrar pois o tutorial ainda me aguardava.

– Sim, quero sua ajuda. Faça o quick T para mim?

O programa pareceu traduzir a minha expressão. Tinha esquecido e acabara usando uma gíria comum, tudo que eu quis dizer foi: demonstração rápida, mas antes que eu pudesse ratificar ela emitiu um \"pin\" sonoro, e continuar.

% Fioran é um vasto reino, onde heróis e criaturas míticas convivem em harmonia, mas os agentes da Sombra insistem em destruir nosso reino de Luz. Tu, aventureiro podes ser de uma das três Guildas – Troianos, os mestres da guerra e defesa; Helenos, sábios e mestres das ciências ou Tessálios senhores da magia divina e arcana.%

Tudo me pareceu tão tolo. Fadas, princesas e Luz contra Sombra... Que função haveria em joguinhos como aquele? Aventurar-se num ambiente controlado? Mas a BCR não poderia ser exatamente isso, no principio? Contudo, havia evoluído e se tornado algo maior. Livre!

Vendo que nada aconteceria se eu ficasse em silencio decidi.

– Tessálios. Uma casca feminina. Conjuradora Arcana. — Até pensei que a criatura não havia compreendido a expressão, mas para meu espanto ela sorriu...

% Como desejar. Basta enviar \'impulso imagem\'. %

Concentrei-me. Cabelos longos e negros, olhos violeta e pele clara. Magra, um ser ágil, mas cujo poder se veria no olhar. Esse era meu teste para as capacidades da programação. A modelagem bioestimulada estava finalizada em pouco tempo. A indumentária era cortesia da engine. Manto recoberto de inscritos, talvez runas, cor de terracota, mas o esperado cajado não existia, em seu lugar eu portava um tipo de aro adornado com pedras claras e filigranas.

A pequena fada voou através do aro e o energizou.

% Insira Nick %

– Alethea. — Lera o nome em alguma história antiga. Gostava da sonoridade.

% Bem vinda Tessália Alethea. Sua aventura começa agora! Se precisar de ajuda use seu Aro de Luz, utilize o comando Aton e o tutorial terá início. Está pronta? %

– Sim. Pode iniciar.

% Iniciando... %

Um portal abriu-se diante de mim... Luzes, cores, cheiros. Os programadores foram excepcionais, meus sentidos estavam quase em curto, mas era maravilhoso. Toquei no que seria um muro de madeira real, a sensação machucava minha mão, mas era tão... Fantástico!

Quando meus olhos se acostumaram a luz clara de uma primavera temperada, notei a marca. Não entendia por que, mas sempre que criava uma “casca” acabava colocando aquilo em algum lugar do corpo, dessa vez estava na bata da perna esquerda, tratei de escondê-la. Já havia pesquisado em fóruns e ninguém tinha uma resposta exata, dessa forma eu me acostumara a criar objetos ou acessórios para guardar meu \"segredinho\". Nada de algo para me identificar.

Caminhei observando o lugar. Símbolos e brasões adornavam casas e construções de pedra. Me peguei refletindo sobre a forma da minha: um tipo de círculo, na verdade dois semi circulos proximos com pequenos riscos, lembrando graus de um medidor. Três em cima e o mesmo em baixo. Já me convencera de que era alguma memória minha, mas muito inconveniente. Tratei de limpar a mente, melhor me concentrar em achar meu \"grupo\".

Consertei a roupa mais uma vez enquanto tentava me localizar, quando uma voz encantadora me chamou.

– Dama. — Era um jovem alto de olhos verdes e cabelos castanhos até a cintura. Sorria, de uma forma muito familiar. — Acredito que sou teu parceiro não?

Claro! Tinha de ser, nestes jogos os times se formavam por MOD e Dea resolvera liderar então podia identificar os parceiros, pois – e agora eu notava – havia um leve brilho azulado ao seu redor.

Tratei de entrar na brincadeira.

– Salve amigo. Eu não posso negar, que me apreciaria tua companhia, mas quem és? Como te chamas?

Ele sorriu pondo as mãos a cintura, enfatizando a espada exótica ali presente.

– Bem dito, minha dama. Sou, Mithra o espadachim, um Troiano e tu?

– Alethea de Tessália. — então ambos começamos a sorrir e gargalhar. — Você caprichou! Está lindo, vai acabar chamando a atenção de alguma \"aventureira\". Então seu pai não vem?

– He... Obrigada. Você também não está nada má. — ela/ele aproximou-se. — Papai, teve um probelma e não vai jogar. Ficará na taverna Violeta, ele logou como um velho chamado Astinos. Sabe como é... De qualquer forma pediu para nos divertirmos. Bem, bem, vamos então?!

Caminhamos por horas, entre ruas calçadas com pedras e arcadas feitas de madeira e algum tipo de \'magia\'. Sempre que passávamos por um grupo de pessoas conversavamos e trocavamos itens ou informações. O tutorial era bem completo e a cada marco avisava onde estávamos. Estranhamente eu sentia um tipo de emoção crescente me tomando. De alguma forma o ar estava mais pesado, tensões se acumulando. Comecei a fitar cada sombra. Com certeza algo ia acontescer...

Quando finalmente completamos o treinamento na cidade era hora do desafio.

– Pronta para encarar a floresta dos Mil Sinos?

Mithra olhava-me divertido, mas eu senti um tom levemente nervoso em sua frase. Tratei de despistar minha ansiedade.

– Sempre. esse jogo está me cansando. Talvez achemos alguma \"aventura\" de verdade.

– Deixe de ser ranzinza. – ele sacou a espada. -- Monstrinhos e aventuras não fazem mal a ninguém.

...

A floresta fora criada para impressionar. Cada árvore e pedra fora modelada com um primor inacreditável. Todo o lugar transpirava o trabalho de mentes cuidadosas e as minhas dúvidas sobre a AI cresciam. Como permitiam que uma mente feita para atuar num lugar assim estivesse confinada apenas a este lugar? Deviam criar leis sobre isso...

-- Alethea, o que poderia ser isso?

A voz sonora de Mithra tirou-me dos devaneios. Estávamos diante de uma árvore virada de ponta cabeça, cujas raízes apontavam para o céu enquanto a copa, misteriosamente \"enraizava-se\" no solo. Uma runa gravada no tronco era a única pista visível.

-- Me parece um tipo de passagem mágica — eu estava interpretando uma maga. Mas tratei de erguer meu Aro e fitar através dele a runa — Ou alguém tem um gosto muito exótico para plantas.

A visão criada pelo aro emitia o brilho vermelho de uma magia maligna, como descrevera o tutorial.

-- Magia maligna. Acho que posso quebrar o selo, mas deve conduzir para algum lugar nada agradável. O que me diz?

Ele sorriu.

-- O que está esperando, dama. Quebre-o! — A espada pronta para golpear qualquer coisa.

Fui mais prudente, peguei duas garrafas de poção da proteção e aspergi sobre nós. Não queria experimentar, tão cedo, os ferimentos deste mundo. Fiz um gesto amplo e entoei os encantos quebrando o \"selo\"...

-- Alef Elohiam Mi beth!

Tudo silenciou, um rumor baixo começou a emanar da árvore e por fim a runa se desfez. Em seu lugar uma arcada abriu-se, permitindo nossa passagem. Escadas escuras levavam para baixo.

-- Está cada vez mais interessante! — Dea/Mithra sorria.

-- É... Interessante.

Caminhamos enfrentando monstros e aprendendo novos truques, nada inesperado. Mesmo assim... Numa curva meu corpo retesou. Via claramente a mulher de negro, com sua lanterna brilhante. Fita-mo-nos diretamente.

-- Nada é intocado. -- Ela sorriu.

-- Mitrha... Você viu isso?

-- O que? -- Dea parecia ocupada com algo em seu peito.

-- Aquilo -- Apontei, mas para meu espanto, o corredor estava vazio. --... que estava ali.

-- Não vi nada. Mas tem algo errado aqui. Meu indicador de contaminação está indicando quebra de segurança.

-- Como assim? Esse Eidos não está on-line, realmente, como pode ter havido quebra de segurança?

-- Eu não sei, mas não gostei nada disso. Imagine quantas pessoas podem se contaminar. Acho melhor irmos para a cidade... -- Dea estava muito séria.

Eu nem quis insistir no assunto. Tratamos de voltar o mais rápido possível por onde havíamos vindo. Curiosamente já estava escuro e a estrada estava apinhada de gente. Muitas duplas e grupos de quatro pessoas, algumas tinham ferimentos e falavam baixo umas com as outras. Chegando próxima ao portal de entrada um homem alto de cabelos negros atados as costas, roupas claras e uma armadura prateada, dirigiu-se para Mitrha. Seu olhar denotava surpresa, fitou-me rapidamente, para me ignorar logo em seguida.

-- Salve. Sou Aragon, Troiano a serviço do castelo real. Buscamos aventureiros para uma missão especial. O nosso destino depende de sua ajuda! -- seus olhos não desgrudavam da Dea.

Aragon... Era o Marcus. A casca dele. Mas porque tinha sido tão direto com a Dea? As coisas estavam cada hora mais estranhas.

-- Lamento, Aragon. Mas encontramos uma coisa muito estranha e queremos comunicar aos \"servidores\". Meu medidor de segurança apontou área instável. O que me diz?

Ele não pareceu surpreso com nada do que Dea dissera.

-- É exatamente isso. Precisamos resgatar sua majestade, Princess. Pois o castelo foi cercado por hakers, que ameaçam contaminar o servidor. Eu preciso de você...

Não podia acreditar! Ele achava que Mitrha era EU! Mas como? Não se poderia identificar quem era quem, apenas saber se alguém fazia parte do seu MOD. Então como ele...? Minha mente ficou chocada com a possibilidade. Ele havia hakeado o MOD com um programa de identificação. Por isso me conduziu para liderar. Se eu não tivesse trocado com a Dea, ele poderia ter pego meu IP primario ou pior... A raiva subia quente por todo meu corpo.

Toquei o ombro de Mitrha.

-- Melhor ir para a taverna eu vou com... Aragon. Temos de avisar a Astinos! -- tentei fazer com que ela me entendesse.

-- Sim... Está bem. Ela vai com você. -- Mitrha seguiu sem aguardar resposta.

Aragon estava chocado. Mas não exatamente surpreso. deve ter concluído que eu, ou melhor Mitrha, sabia da trapaça e ficara chateado. O que não podia imaginar era, que não era Andéa, quem iria acompanha-lo.

-- Droga... Seu amigo é muito imprudente.

-- Não. Acho que só está chateado com essa coisa de contaminação. Só não entendo uma coisa... Me disseram que esse lugar era off BCR, como isso aconteceu?

Caminhamos em direção de um grupo maior.

-- Parece que uma das portas de subrede foi habilitada para uma linha de comunicação móvel. Uma rotina de chat, foi modificada para banda de dados. Pelomenos é o que sabemos.

-- Umm... -- tentei disfarçar, mas aquilo era grave. Um simples \"telefone\" pode ter gerado uma crise realmente perigosa. PORQUE não fui avisada disso? Tentei me acalmar. -- Porque nos escolheu? Não sabemos tanto do cenário como você parece saber... Então?

-- Droga Mendonsa, eu sou Marcus. Sei que você e a Emy tem certa habilidade com haks e por isso queria as duas comigo. -- Ele estava aborrecido.

-- Como é?! Você passou do limite. Ela vai te esfolar e com razão. De qualquer forma: não mexemos com haks, nossos pais sim. Temos um conhecimento só.

Antes que pudessemos continuar uma mulher no meio do grupo, que tinha asas azuis, elevou-se para falar.

-- Servidores, Auxiliares e jogadores. Compreendem o perigo que estamos passando? Nosso nível de segurança foi comprometido. Quem não quiser se arriscar siga para a cidade, pois ela é um servidor a parte. Conseguimos isolar o castelo do resto do cenário, então as coisas vão se resolver lá. Formem grupos de cinco e acessem o cod. Eforo em seus itens de ajuda.

Nos entreolhamos. Aragon chamou tês conhecidos, Daeva — tessália divina; Sekhet — troiano arqueiro; e Ishtar — helena engenhoqueira; para formarmos nosso grupo. Estavamos prontos.

-- Senhores? -- Todos fitavam Daeva. -- Prontos?

Assentimos com a cabeça e em unisom...

-- Cod. Eforo