Eco

1 Transparência


Notas iniciais
Pois é, tava meio brabo para escrever essa, mas enfim terminei! Espero que gostem, erros? alguma parte não ficou muito clara? Sugestões? ... Conhecem a música "Witch" da Luka Megurine? Acho que é uma boa trilha para essa história, apesar de não ter muito haver não *gota* Talvez o final lembre um pouquito, mas nada a ponto de eu marcar em "songfic" só tava pensando em como a Robin ia sair da enrascada em que a enfiei xD Sem mais spoilers q Espero que gostem sz

- Meus caros! Se deixarmos passar, a nossa situação irá se tornar pior que agora! Pela Igreja que prega implacavelmente seus ideais! Precisamos tomar uma atitude, ou queimaremos! — Zoro exclamou com uma firmeza que bem contrastava com o medo que seus colegas expressavam.

- Mas então o que faremos? Devemos falar com nossa irmã antes?

- E você acha que ela está em condições de opinar em nossa causa? Está enfeitiçada pelo nobre! — exclamou severo, não omitindo o seu desgosto pelo destino da colega.

- Não me diga que... — Nami deixou a pergunta no ar, provavelmente todos os presentes se perguntavam a mesma coisa.

- Não há o que fazer... Teremos de transgredir a Lei.

De acordo com a crença dos sujeitos presentes, se poderia viver livre desde que em comunidade com a Natureza, respeitando em sua plenitude: desde as águas; o fogo; a terra; o ar ; o espírito que carregavam. Com o respeito devido a esses tesouros da humanidade, se poderia fazer o que quiser “desde que não prejudiques ninguém”. Era essa é a Lei. “Tudo o que fizeres voltará em seu triplo valor”.

Essa é uma história de sofrimento, em que homens e mulheres cometeram um forte ferimento na psique de uma pessoa, quando fez o amor não mais existir naquele mundo... O mundo dela. E a fez afundar...

Essa mulher se chamava Robin. Em seus braços, seu amante se acomodava imóvel. Não mais sorria, não mais respirava. Um corpo em decomposição. E naquele momento foi que dois mundos se encontravam outra vez, como ele e Robin em outro tempo, mas diferente daquela vez, não procuraram se entender, se compreender. Seria incompreendida, apedrejada e julgada como o próprio Demônio a partir dali. Naquela época algo bem aceitável...

Por que era uma bruxa.

Mas, diferente do que o coletivo imaginava, Robin não adorava a entidade satânica, e sim a Vida. Talvez ainda mais quando aquele jovem viera bater em sua porta...

Luffy estava perdido. Tinha ido a floresta para caçar algum animal que valesse a pena comer... Quando se perdeu. Por sorte, encontrou uma casa no meio da floresta — realmente era algo estranho de ver para um jovem que viveu boa parte da vida nos Centros, mas naquele momento aquilo pouco importava.

- Ô de casa! — ele exclamou de frente a casinha clara localizada em uma clareira.

- Quem...?

O que Luffy viu foi uma bela mulher de cabelos negros, que se vestia com um manto do mesmo tom. Tinha os olhos mais curiosos que o garoto já que era uma raridade alguém aparecer por ali.

- Oi, eu sou o Luffy e estou perdido. Como se chama?

- Er... — a mulher ficou um tempo observando-o, estava hesitante do que deveria contar -... Não importa. Você só quer ir embora desse lugar não é mesmo? Eu te mostro o caminho.

- Ah, que chato. Como vou conversar se nem sei seu nome?

- Pra quê tanta insistência... Pode me chamar de Robin. — disse, de forma a deixar dúvidas sobre sua verdadeira identidade.

- Oh, então se chama Robin? É um nome bonito.

E deu um belo sorriso como se tratasse de sua própria amada, o que incomodou Robin.

- Obrigada. O seu é bem incomum de toda a forma. De onde vens?

- Ah, não tenho casa. — ele falou como se tivesse acabado de se lembrar.

- Então não está perdido, se não tem para onde voltar...

- É verdade. — Luffy inclinou a cabeça, como se estivesse a pensar, para balançar a cabeça pouco tempo depois — O que eu faço? Ah! Tem algum problema ficar um tempo com você? É só até eu ter uma ideia para onde ir...

- Não sei se deveria...

- Garanto que não sou ninguém suspeito!

-... Certo. Mas quando for embora, não fale para ninguém que estava aqui!

- Hã? Por quê?

- Não ia ser bom... Não gostaria de ver mais pessoas andando por aqui!

- Tudo bem então — Luffy seguiu a direção contrária para onde seguiam, voltando a casa de Robin.

Os dias passaram. Luffy parecia bem longe de querer se afastar daquele lugar, e Robin tampouco aquela altura queria expulsar seu curioso convidado. O rapaz trazia algo que Robin parecia ter esquecido com o tempo... A espontaneidade de um sorriso, das palavras sem ironia, os abraços sem motivo e lugar. Como uma criança, mas sem ser uma. Aquilo a encantava, sendo que quando ainda vivia sobre a “civilização” não incomum um trato frio, ou indiferente, ou sarcástico contra ela — mesmo quando não assumira definitivamente para si sua ideia de modo de vida. Um dia ele disse:

- Eu te amo, Robin.

Como sempre, esses “avanços” vinham em um momento inoportuno: No momento estava se banhando no lago próximo de sua casa, apenas com a cintura para baixo oculta pela água. Instintivamente mergulhou o corpo na água, deixando apenas a cabeça à mostra.

- Ah, mas não vou deixar você se esconder de mim! — E o jovem se lançou nas águas com roupa e tudo.

- Garoto! Você tem ideia do que está fazendo? Tenho idade para ser sua tia, até mesmo sua mãe! — Robin comentou, tentando parecer chateada, mas não estava conseguindo.

Luffy era alguém tão transparente que contaminava as pessoas com o seu jeito. Era difícil para Robin querer omitir para o garoto sendo ele tão direto.

- Eu só estou me declarando para a pessoa que eu gosto. Se eu gosto não importa como ela seja. — Luffy falava com sua seriedade rara, para depois voltar a sorrir muito.

- Hum... Mesmo que essa pessoa seja uma bruxa?

- Mais ainda! Assim eu tenho um motivo a mais para lhe proteger.

- Ora... — Robin não conseguia dizer mais nada, tinha sido pega em sua própria armadilha.

- Então? Não vai dizer o mesmo para mim? — exigiu como uma criança que quer receber um presente, os olhos brilhando em expectativa.

- Bem... Sei que não vai se importar, mas acho que me sentiria mais à vontade colocando alguma roupa.

- Ah, é porque não estamos combinando? Perai que eu tiro também...

- Não... Me dê sua camisa. É o suficiente... — Robin comentou, há muito tempo que não ficava tão sem jeito...

- Shishishi... Tudo bem. Não quero forçar. — Luffy fez o que a mulher pediu.

- Obrigada. — Robin ouviu o som das cigarras e disse mais alerta: — Vamos entrar? Já é noite e tem perigos na floresta...

- Tá! Então você termina aquela história?

- Ah. “As Aventuras de Gol D. Roger”? Você gostou mesmo desse livro...

- Claro! Esses piratas são bem legais! Se eu pudesse também me tornava um...

- Mas se embarcasse não íamos poder nos ver...

- Ah. Então esquece... E se eu arrumasse um jeito de te levar junto?

- Hum... Eu recusaria. Meu lugar é aqui e apenas aqui.

- Você nunca pensou em ir embora?

- Estou presa ao meu destino de bruxa, nunca ia ser aceita lá fora. Você é o único que...

- Robin? E quem é esse aí com você?

Era Zoro.

- Ah não. — Robin sussurrou ficando pálida.

- Quem é?

- Responda-me primeiro. — Zoro falou muito sério.

- Eu me chamo Luffy. Agora responde você.

- Zoro. E isso não é brincadeira. Não era para um forasteiro estar aqui.

- a Robin só está cuidando de mim, não tenho lugar para onde ir! — reclamou o garoto, não gostando daquela atitude hostil.

- Vá tentar outro lugar... Qualquer outro lugar é melhor. — Zoro falou como se tentasse se conter em vão.

- Qual é a sua? Chegando aqui de repente e dizendo o que quer... Você nem é dono disso aqui!

- Luffy...

- Eu sou líder do grupo que essa mulher participa. É o suficiente. Alguém de fora não entenderia.

- É, eu não entendo! E acho que não quero entender como alguém como você chegou a ser líder. Acho que quero arrebentar sua cara.

- Luffy... Você disse que me protegeria. Então não brigue sem necessidade. — Robin segurou-o firmemente. — Zoro, eu sou a que mora mais longe da vila e nunca vi o Luffy sair daqui desde que o encontrei não tem como ele contar nada mesmo que quisesse...

-... Não posso deixar, Robin. — falou Zoro deixando o ar que respirou ser solto devagar — Se algo vir a público, todos nós...

-... Tá. Se eu estou sendo um incômodo eu vou embora. Mas não por você — Luffy disse claro, e virou-se para Robin, falando baixinho em seu ouvido — Quando você mudar de ideia, você vem me encontrar? Vou estar te esperando...

- Luffy, eu já lhe falei...

- Vou estar esperando — Luffy repetiu firme, logo voltando a sua atenção ao outro homem mais descontraído — Eu posso ir nesse instante, também, é melhor ir embora antes que a mulher me faça pagar a conta da comida shishishi...

Não era por seus valores, que se mostraram contrários aos de sua amada após sua saída. O motivo por ter acabado por “soltar” o segredo de onde estivera aos seus semelhantes era por ser tão transparente que lhe era difícil guardar um segredo, não importasse o quão importante fosse... Era de sua natureza. Mas as conseqüências de seu deslize seriam graves...

Ele não voltou mais, mas não foi pelo motivo que Robin imaginava. Demorou um bom tempo até ela descobrir a verdade, onde ela teve de descobrir das piores formas...

- Luffy... Você...

- Shishishi... Desculpa. — o fantasma lhe respondeu com uma pontada de tristeza na voz

Dia das Bruxas, 31 de outubro. É a época em que esse grupo de pessoas celebrava a ida de seus entes queridos ao outro mundo. A ideia não era receber a mensagem destes, mas sim ver a situação como parte da Vida, que na verdade sempre foi, mas que para os humanos poderia ser difícil superar. Esse foi o caso da bruxa Robin, que olhava melancólica para o fogo da lareira; em um dia frio de inverno como aquele, há não muito tempo atrás, ela e seu amado estariam apoiados um no outro próximo à lareira. Isso ainda acontecia, porém não era um corpo quente que se apoiava em seu ombro e sim um transparente, sem vida, mas que sorria para ela da mesma forma. Aquele, entretanto do que se pensaria, não era Luffy, apesar da forma que o ser mantinha.

Era sua consciência, que ecoava de sua mente a memória daquele seu querido que partiu sem aviso — com apenas um “até logo” não cumprido. Robin sabia que poderia acontecer alguma coisa, a um tempo razoável conheceu aquele sujeito e sabia suas limitações, mas mesmo assim acabou por não impedi-lo... A culpa estava a matando pouco a pouco, por ela querer viver em sua comodidade... Por não querer se juntar a ele o quanto pôde, ele não teria voltado para casa, eles poderiam encontrar um novo lar... Mas estava também assustada com essa possibilidade, depois de tanto tempo para encontrar seu lar tranqüilo... O Destino resolveu acertar as contas por ela, por fazer uma pessoa preciosa como aquela ser perdida em vão. Naquele momento podia se lembrar de parte da Lei “O que fizeres voltará em seu triplo de valor”: o havia deixado ir, e agora Luffy a deixava para sempre... E o Destino não a deixava esquecer, a mente em conjunto com o destino criado por ela agora lhe pregavam peças.

Aparentemente alheio aos seus sentimentos, um Luffy despreocupado continuava a chamá-la, insistindo para que saíssem dali e aproveitassem o banquete.

- Não estou com fome. — foi o que disse, realmente, sentia uma terrível pressão no estômago que a impedia de digerir qualquer coisa.

- Ah, então traz para mim. To morrendo de fome! — algumas lágrimas começavam a querer cair, mas Robin as segurava.

- Robin.

Ouviu seu nome ser chamado, quando levantou a cabeça se deparou com Zoro. Suspirou. Ele pediu para se sentar ao seu lado, tinha chegado a hora de por a limpo a situação.

- Er... Bem, eu sabia que não ia demorar muito para descobrir...

- Desde que você falou com ele. — Robin declarou sombria.

- Assustadora até para mim... — Zoro balançou a cabeça com descrença, não tinha conseguido enganar a mulher nem um pouco.

- Estou acostumada às pessoas esconderem coisas de mim, não é nada demais... Sabia que se o Luffy acabasse falando alguma coisa, você tomaria providências... E acabou acontecendo não? Nem posso encará-lo como vilão...

- Você pode encarar como quiser. — Zoro declarou — Tem todo o direito que me odiar, não irei reclamar disso. Mas como líder tinha que pensar primeiro nos nossos irmãos... Nós iremos sair daqui depois da festa, foi o que decidimos. Se eles descobrirem... O corpo do garoto... Vão se demorar um bom tempo com os preparativos... É nossa chance de escapar. Você decide o que vai fazer agora, não vou te obrigar a nos seguir depois dessa... Transgredimos a Lei, você foi a única que não ficou sabendo diretamente de nós... Você pagará da sua forma, assim como nós...

- Eu...

Robin começou, mas nada disse além de olhar para onde aquele seu Luffy imaginário teria se metido. Estava de frente a ela, não sorria como de costume, apenas esboçava um semblante preocupado, como temeroso do que ela poderia ser sua decisão.

-... Vou manter minha promessa. — Robin terminou para si mesma, quando Zoro se fora para conversar com seu pessoal.

Era bem cedo. Robin fora até o local indicado por seu colega Zoro, que há muito tempo haviam saído com seus colegas a um novo lar, pouco depois da celebração feita no dia anterior. Ela estava decidida, não iria voltar, fosse o que a esperasse a partir dali. Dessa forma, cavou com as próprias mãos o túmulo...

- Ei, quem é você? E quem... — a voz de Ace morreu, junto com a agitação que era espalhada pelo grupo de busca, quando viram a bela Robin, vestida de negro. Em seus braços a pessoa que incansavelmente procuravam, principalmente o Ace que era da família.

- Eu estou me entregando... Eu uma bruxa roubei a vida desse homem...

O som das cigarras anunciava ser muito tarde. As pessoas se agrupavam ao seu redor, como um divertido espetáculo a ser assistido. Seguravam tochas, cuspiam na sua direção, soltavam xingamentos. Robin tinha a face de pura pena para elas, podres pessoas que não sabiam viver a própria vida, tendo de depender de ideais prontos.

Mas a verdade iria ir junto com ela sobre o que realmente teria acontecido...

“Isso não é o suficiente para pagar o seu pecado jovem dama” Uma voz que não reconhecia qual chegou até ela. “Viva, que é a melhor pena que você pode ter. Fuja até não poder mais... E o encontre sem mágoas no mundo além deste”

A principio Robin ficou surpresa, depois sorriu para o céu acima de sua cabeça, um sorriso amargurado. É, bem sabia que não iria se livrar tão fácil assim... Ainda tinha que percorrer o que devia ser percorrido de seu caminho, que fora imobilizado pelo seu medo da rejeição de sua forma de viver. Desde sempre devia saber que nem todos podem ficar ao sol, desde que algo fosse aceito, automaticamente um outro seria rejeitado, era o destino que escolhera para proteger seus ideais. E não morreria por eles, mas viveria com eles. Não se esqueceria de seu ente querido, e viveria o bastante para compensar a sua perda e que impedisse que outra triste amarga história como aquela voltasse a acontecer. Asas apareceram em suas costas, e antes que o fogo as queimasse, elas se lançaram com força aos céus, uma força até então desconhecida, diferente de tudo o que experimentara antes, levando-a junto a um novo amanhã.

A voz dele iria ecoar em sua cabeça eternamente, como uma canção.

Notas finais
Pois é, a fic ficou bem diferente do plano orginal, era para a Robin morrer ali mesmo, mas preferi deixar assim mesmo... Ah, e o Zoro não ficou o vilão que eu tinha imaginado, esse chatão q (não estou falando mal do personagem até porque é um dos meus preferidos da série ok?) Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!