Echo (eco)
1 Yale
Notas iniciais
Espero que gostem!
Entrar na faculdade no meio do ano já não era um bom começo. Eu demorei para decidir entre artes dramáticas e fotografia, mas acabei me inscrevendo para fotografia, que é o que eu realmente amo. Consegui entrar em Yale e aqui estou, no meu primeiro dia de aula, totalmente perdida nesse lugar e procurando meu dormitório.
– Perdida? – Me virei de frente para uma garota com traços latinos e muito bonita.
– Sim... Você pode me ajudar? – respondi, um pouco envergonhada. A garota me olhava de cima a baixo.
– Claro – ela sorriu maliciosamente – Você é de qual curso?
– Fotografia...
– Ah sim, vem comigo, eu te levo pro seu dormitório.
Caminhamos em silêncio por alguns minutos, até ela voltar a me encarar.
– A propósito, meu nome é Santana.
– O meu é Quinn.
– Uhn... Eu vou ser bem sincera com você Quinn. Normalmente eu não trataria bem novatas, mas eu fui com a sua cara. – ela sorriu e eu sorri mais constrangida do que eu já estava antes.
– Obrigado, eu... eu acho. – ergui uma sobrancelha – E você estuda o que aqui?
– Artes dramáticas, estou no segundo ano.
– Sério? – Elevei a voz um pouco demais, pigarreei, tentando parecer uma pessoa normal – Eu quase me inscrevi para artes dramáticas, mas fotografia é realmente o que eu sempre quis. Como é o curso? Você gosta? Já conseguiu trabalhar com alguma coisa no cinema ou TV?
– Calma ai loira – Santana me olhou ameaçadoramente, me encolhi e abaixei a cabeça.
– Foi mal...
– Relaxa garota. Eu gosto sim, é o melhor curso que eu poderia ter escolhido. Você não se arrependeria. Mas acho que você realmente parece ter um futuro como fotógrafa.
– Sério? – ergui os olhos na sua direção.
– Sim, você tem todo esse olhar sonhador e esse jeito de garota que não consegue ficar presa em um lugar só. E essa câmera profissional da Nikon não é algo que um amador teria... Talvez uma Canon, ou uma Sony, até mesmo uma Nikon, mas não ESSA Nikon.
– Acho que você acertou... – sorri, mexendo na minha câmera – Você entende sobre câmeras?
– Um pouco... digamos que eu entendo bem dos modelos mas não sei tirar fotos.
– Eu posso te ensinar qualquer coisa. – Fiquei vermelha dos pés a cabeça depois de notar como aquilo soou, e pelo jeito que ela me observava quando nos conhecemos, isso realmente parecia uma indireta. – Se... Se você quiser.
Ela percebeu meu desconforto e soltou uma risada – Eu adoraria Quinn, aprender a tirar fotos ou qualquer coisa que você quiser me ensinar.
Ok, era impressão minha ou aquela garota realmente estava dando em cima de mim?
Fiquei em silêncio, fingindo interesse na minha câmera.
– Da onde você é?
– Oi?
– Onde você morava?
– Lima, é um lugar bem pequeno pra falar a verdade... Acho que você tem razão em relação ao olhar sonhador, e sobre não conseguir ficar presa num lugar só.
– Lima? Sério? Eu também morava lá... Me mandei daquele lugar na primeira oportunidade que tive.
– Sério? Uau, isso é muita coincidência.
Chegamos em um corredor com vários dormitórios. Santana apontou para um e entramos. Coloquei minha mala em um canto do quarto, não havia nenhum sinal de movimentação ali ainda então presumi que minha colega não tinha chegado.
– Quer dar uma volta comigo?
– Claro, seria ótimo conhecer um pouco mais do campus.
Fomos andando sem rumo e Santana me explicava cada pedaço da faculdade. Ela era uma garota legal, um pouco meio sem noção, e sem medo de falar o que pensava, mas mesmo assim... legal.
– Ei vadia! EI, você ai mesmo Lopez. Estou te procurando a décadas.
Santana se virou e começou a rir para uma garota de cabelo curto e escuro, olhos verdes e mais alta do que eu. – Nossa, o seu amor por mim é tão grande assim? Não consegue ficar nem alguns minutos longe Emy?
– Cala a boca Lopez. Hoje é dia de novatas e você adora tanto quanto eu quan... – Ela chegou mais perto e notou minha presença ali – Quem é essa garota com cara de hipster?
– Hipster? – ergui uma sobrancelha.
– Cala a boca você Emy. Para de falar merda. Essa é a Quinn.
– “Essa é a Quinn”. Sério mesmo Lopez? Perdi alguma coisa? – ela olhou para Santana estranhamente. Eu não estava entendendo nada.
– Trate ela bem Emy, é uma das nossas.
Uma das nossas?
– Ok. – Ela parecia meio indignada. – Meu nome é Emily. – me olhou.
– Vamos terminar de mostrar a escola para ela. Vem Quinn.
– Vamos lá, hipster.
Resolvi ignorar aquilo. Será que eu seria muito idiota de não saber o que é hipster?
Andamos pelo campus que parecia interminável. Elas me mostravam tudo e às vezes Santana e Emily se provocavam, mas logo depois estavam rindo que nem melhores amigas, que eu deduzi que fossem.
Peguei minha câmera e comecei a tirar algumas fotos. O melhor de tudo era estar estudando em uma escola de artes, onde cada pessoa encontrava uma forma de se expressar através das roupas, aparência ou gesto. Aquilo me renderia ótimas fotos.
Estávamos andando sobre o imenso jardim quando meu olhar pousou sobre uma garota ao lado de uma das árvores. Ela tinha um imenso quadro no chão e muitas tintas ao lado. Se debruçava sobre o quadro que, sério, devia ser duas vezes maior do que ela. Era morena, baixinha, seu rosto estava sujo de algo que se parecia com... argila? Usava uma bandana nos cabelos, impedindo a franja de cair sobre os olhos.
Peguei minha câmera e a fotografei algumas vezes.
– Quem é aquela garota ali?
– Quem? Rachel Berry? – Emily e Santana riram juntas. – Nem vale a pena saber, acredite.
– Por quê?
– A garota é uma arrogante, grossa, mal educada. E olha que sou EU que estou dizendo – Emily riu mais ainda.
– Verdade. Ela é uma estúpida. Não fala com ninguém, parece que vive no seu próprio mundinho. Mas é uma artista incrível, tenho que admitir...
– É... Ela pode desenhar, pintar, criar, em qualquer lugar, fazer qualquer coisa. Uma de suas esculturas foi vendida por muito dinheiro para o dono de Yale, acredita?
– Eu acredito que secretamente ela deve dormir com ele.
– Emily!
– O que? É verdade...
As duas começaram a discutir novamente e eu me aproximei da morena. Ela não parecia tão... má. Na verdade ela se parecia mais como uma garota doce e gentil. Observei seus gestos. Ela franzia a testa e olhava em direção ao desenho. Foto perfeita. Sorri. O flash foi diretamente em seu rosto e ela levantou o olhar em minha direção. Um olhar nada agradável pra falar a verdade.
Meu sorriso largo sumiu quando ela me olhou emburrada, jogando o cabelo no rosto. Fiquei vermelha e sai correndo dali.
– Nós dissemos que ela era uma estúpida Quinn... Desista. – Santana fez um sinal de positivo com o dedão.
– O que ela estuda? – perguntei, curiosa.
– Artes plásticas, entrou no meio do ano passado.
– Eu aposto que eu conseguiria comer ela se eu quisesse. – Emily soltou, o que fez com que eu arregalasse os olhos.
– Emy, não fale assim na frente de pessoas que acabamos de conhecer, pelo amor de deus. Ela vai achar que somos taradas ou malucas. – Santana bateu no braço da outra garota.
ACHAR? Elas definitivamente eram malucas...
– Pelo jeito que Quinn a estava encarando eu não sou a única que está tendo pensamentos impuros.
– Eu... Eu – abaixei a cabeça, jogando o cabelo no rosto.
– Querem fazer uma aposta?
– Que aposta Emy? – Santana olhou, entediada.
– Vamos apostar quem come a Berry primeiro?
– Ela é hetero Emy.
– Assim como você, eu e aposto que a Quinn também é.
– Você não é hetero – Santana revirou os olhos.
– Tanto faz.
– Eu não acho uma boa ideia gente... Ela parece ser uma garota legal.
– Ta com medo de perder Quinn?
– Por que esse interesse repentino nela Emily? Até ontem você nem ligava...
– Ciúmes Lopez? — Ela olhou Santana atrevidamente.
Santana bufou.
– Eu aposto que consigo comer ela antes que você.
– Assim está melhor. – Emily e Santana deram as mãos, fazendo um trato. – E você Quinn, não quer entrar na brincadeira?
Olhei novamente para Rachel. Eu não estava gostando nada daquilo.
– Não... Eu não gosto dessas coisas. – Abaixei meu olhar para o chão.
Emily deu de ombros.
– Quem perder faz o que a outra quiser, qualquer coisa.
– Trato feito – Santana riu.
Aquilo estava me incomodando demais, e eu nem tinha um motivo para isso.
Notas finais
bj
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