Echo (eco)
9 Milão...e essa droga de segredo - Parte II
Notas iniciais
AVISO: A HISTÓRIA "PERFECTLY FLAWED" FOI DELETADA DO SITE E EU REPOSTEI ELA AQUI:
http://www.fanfiction.net/s/8883245/1/Perfectly-Flawed-Achele
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Rachel’s POV
– Você se lembra?
– Do que? – Quinn e eu continuávamos na mesma posição, sentadas no chão da cozinha e tentando absorver os recentes acontecimentos.
– De como foi que você se tornou imortal? Quando?
– Eu não sei... Parece que a minha vida só começou quando eu me tornei imortal. Parece que antes disso, eu não existia.
– Então você não se lembra?
– Eu me lembro de quem eu era, mas não me lembro direito quando foi que deixei de ser aquela pessoa para me tornar o que sou hoje, sabe?
– Uhum... E você se questiona o porque de ter virado imortal?
– Eu me tornei imortal depois do acidente de carro envolvendo minha família. Por algum motivo eles morreram mas eu fiquei. Alguma coisa me puxou de volta para a vida, e quando vi, estava em uma cama de hospital sentindo e vendo coisas que eu não deveria. Foi estranho e até hoje eu não entendo muito bem o que aconteceu.
– Você já esta a muito tempo aqui no planeta?
– Acredito que á quase um milênio...
– Caramba Rachel, é muito tempo... E você NUNCA se interessou em saber o porquê de ter tido essa segunda chance?
– Claro que sim, mas eu nunca soube por onde começar exatamente... E todas as vezes que eu tentei me aprofundar nesse assunto, pessoas estranhas e coisas estranhas apareciam na minha vida.
– E porque você teria medo de humanos? Você é imortal!
Dei uma risada, Quinn estava sendo tão ingênua.
– Quinn, eu não falo apenas de humanos... Há muita coisa por ai que você não faz ideia que exista.
Quinn deu um pulinho do meu lado, fazendo eu me afastar sem pensar.
– E você vai me contar tudo né? Por favoooor!
Dei um sorriso pequeno – Quinn, a primeira vez que eu te vi na escola, você estava me encarando e enfiando um flash na minha cara.
– Si-Si... E daí?
– E daí que eu tentei ser o mais grossa possível com você e tentar cortar qualquer assunto que você tentasse ter comigo. E por algum motivo você continuou insistindo
– E?
– E que eu estou a muito tempo sem ter ninguém na minha vida e eu me acostumei com isso. E do nada você e Brittany surgem na faculdade e resolvem que querem ser amiga da pessoa mais esquisita da escola!
– Eu não te acho esquisita. Você é fofa e uma grande artista... Aliás, agora tudo faz sentido. Você deve ter tido muito tempo pra praticar. – Quinn deu uma risada e fiquei a observando.
– Quinn... Você – Corei. Será que ela percebeu que tinha acabado de me chamar de fofa? – O que você está querendo de mim?
– Meu deus Rachel! – Ela deixou os braços caírem sobre as pernas, num movimento de frustração. – Será que você pode parar de ser tão complexada e aceitar que eu só quero ser sua amiga? Olha, eu não sei por que, mas desde... desde a primeira vez que te vi, algo me atraiu e eu não consegui mais parar de te perseguir ok?
Continuei a observando, sem saber direito o que falar e como reagir. – Ok. Eu acho. Mas fique sabendo que falar isso não me deixa menos apavorada. Você acabou de falar que me perseguia por ai?
Ela pareceu ficar com vergonha das próprias palavras – A culpa não foi minha! Eu tentei mostrar que queria me aproximar o máximo possível, e era uma patada atrás da outra e...
– Patada? – Franzi a testa.
– É, patada, fora... Um fora atrás do outro e...
– Fora? – Continuei franzindo a testa, sem entender aquele vocabulário.
– Rachel! O que eu quero dizer é que você continuou me ignorando ou me tratando mal sabe?
– Ah ta... Eu não entendo esse vocabulário dos jovens de hoje em dia, são tão inexpressivos...
– Meu deus Rachel, você esta agindo exatamente como uma pessoa de quase 1000 anos agora!
– Bom, talvez porque eu tenha quase mil anos! – Fiz uma cara de como se aquilo fosse óbvio. – Enfim, prossiga.
Quinn revirou os olhos – E de repente você começou a se aproximar da Brittany, e aquilo me deixou mais frustrada ainda! Por que você se aproximaria dela e de mim não?
– Porque eu sei que a aura de Brittany é pura! E pelo amor de deus, se você pudesse ler os pensamentos dela... Ela é a garota mais pura que eu já conheci em todo esse tempo vivendo aqui. E quando se trata de você... Eu não sei o que pensar... Quando você está perto é vazio, silencioso e muito tranquilizador.
– Você tem que me explicar esse negócio de aura, Brittany sabe... Aquele papel que eu achei, você que mostrou pra ela né?– Quinn bufou de uma forma que eu não consegui entender o porque dela estar tão brava.
– Sabe... Eu acho que não deveria te falar mais nada por enquanto Quinn. Tanto ela como você já sabem demais...
– Sério Rachel? Você acabou de cortar um braço fora bem aqui na minha frente e não acha que mereço explicações? – Observei ela se levantando, ficando irritada novamente.
Me levantei também, mantendo a mesma distância entre nós duas – Você não entende! Todas as pessoas que se aproximam de mim... elas acabam morrendo!
– Eu realmente não entendo! Como você pode não sentir isso também? Que droga, parece que alguma coisa nos conecta, você não percebe? Me de um motivo para você não conseguir ler meus pensamentos, ver minha aura e sei lá mais o que? Me de uma explicação Rachel! Se isso não quer dizer nada para você, eu não entendo!
– Como eu vou saber se isso significa alguma coisa? Não é só porque eu estou vivendo faz tempo que eu tenho que ter resposta pra tudo!
– E a culpa não é minha se todos que você conhecia morreram! Você não pode aparecer na minha vida desse jeito e depois sumir esperando que eu finja que nada aconteceu!
– E-Eu – A olhei apavorada e sem saber o que dizer direito.
Quinn me encarou, sua expressão mudando radicalmente e aquela feição amorosa voltando.
– Desculpa! – Ela passou as mãos no cabelo. – Meu deus, eu não me lembro qual foi a última vez que gritei com alguém. Isso é tão “não eu”. Me desculpa Rachel. Eu não sei porque fico tão frustrada com você por perto. – Ela jogou os cabelos para trás e suspirou, controlando a respiração. Continuei a encarando, analisando seus movimentos.
– Ok... – Eu disse cautelosamente. – Não se preocupe... Vamos, vem aqui. Eu vou te mostrar umas coisas legais, hun? – Sorri.
– Sério? – Os olhos de Quinn brilharam.
– Mesmo. Acredita que eu consigo quebrar uma parede no meio sem nem mesmo fazer força?
– Mentira! Eu preciso filmar isso! – Quinn ligou a câmera e começou a me seguir até o outro cômodo.
FIM RACHEL'S POV
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– Por que você e a Berry se odeiam tanto? – Emily e Vanessa andavam lado a lado nas ruas da cidade, sem saber exatamente o que fazer. Elas tinham comprado uma garrafa de vodka, porque parecia ser a única diversão que elas teriam ali, juntas. Ambas não confiavam uma na outra, muito menos estavam esperando que aquilo ali se tornasse uma amizade.
– Por que você odeia todas elas? – Vanessa replicou, bebendo mais um gole direto da garrafa e logo depois devolvendo para Emily, que fez o mesmo.
– Eu não odeio todas elas! Eu só sinto falta da minha amizade com a Santana e um pouco de raiva porque as duas garotas que eu me interessei parecem estar se aproximando demais.
– Você se interessou pela Quinn? – Vanessa a olhou incrédula, falando com uma voz ríspida. – Você não pode ficar com ela!
– Ta louca garota? Vai dizer que ta afim dela também? – Emily sorriu sarcasticamente e encarou a expressão séria da outra. – Ai meu deus, eu não acredito! Bem vinda ao clube. – Emily bebeu mais um gole da vodka. – Só pra você saber, nem lésbica ela é. – continuou.
– Você não a conhece ok? Nós pertencemos uma a outra! Sempre foi assim! Até aquela mortal aparecer... — Vanessa já estava bêbada e perdendo um pouco do filtro, falando as coisas sem pensar.
– Nossa, você realmente é mais louca do que eu achava... Você usa drogas?
Vanessa revirou os olhos. – Esquece tudo que eu falei. Vamos voltar para o hotel? Você está me entediando. – Vanessa virou para o lado oposto e começou a fazer o caminho de volta. Emily revirou os olhos e a seguiu, mantendo uma distância de alguns passos e concentrada na repentina felicidade que a vodka parecia lhe trazer.
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– Sant, ta muito escuro aqui!
– Shiu, calma amor – Santana beijou a orelha da garota, depois foi descendo para o pescoço, depositando vários beijinhos no pescoço branco da loira.
– Que horas são? Eu acho que a gente deveria voltar para o hotel... – Brittany falou baixinho.
As duas estavam dentro de uma casa abandonada. Sim, uma cidade inteira para conhecer e Santana tinha que arrastar Brittany até uma casa abandonada.
– Shiu, vamos aproveitar vai brit brit. – A latina repousou a mão esquerda por baixo da blusa da loira, traçando pequenos círculos com as unhas.
– Santana! – Brittany tentou empurrar a latina, que finalmente pareceu perceber e se afastou um pouco, ainda repousando os braços em volta de Brittany.
Santana a observou sem entender direito o porque daquele olhar reprovador da loira. – Eu fiz alguma coisa?
– Você tem que ser mais delicada e se controlar um pouquinho. – Brittany fez um bico. – Eu sei que todo mundo acha que eu sou burra...
– Você não é burra! Você é linda, a garota mais linda que já conheci. – Santana colocou uma mecha do cabelo loiro atrás da orelha da garota. – Desculpa se eu estava sendo apressada demais ok? É que eu realmente gosto de você Brit Brit... – A latina sentiu as bochechas corarem ao perceber que tinha sido a primeira vez que tinha falado isso para alguém. Ela nunca havia se desculpado com alguém por ser “apressada”. Se a garota não quisesse ela simplesmente procurava outra que fosse mais fácil. Mas Brittany era diferente... Algo a fazia querer proteger a garota de todas as formas possíveis.
– Jura? – Brittany voltou a ter aquele sorriso fofo e olhar sonhador de sempre.
– Juro, juro, juro – Santana pegou umas das mãos da garota e levou até seu coração. – Olha como eu fico perto de você! – Logo depois ela foi depositando leves beijinhos no braço da garota e subindo pelo braço inteiro.
– Para Sant! Eu tenho cócegas! – Brittany ria sem parar.
– Ah é? – Santana começou a fazer cócegas na barriga da loira. – Eu só paro se você me der um beijo antes de voltarmos pro hotel.
Brittany fez que não com a cabeça, colocando os lábios para dentro e desviando o rosto da latina.
– Não vai me dar um beijo? – Santana fez uma cara incrédula. – Eu não acredito nisso Brittany S. Pierce! Eu vou ter que ter uma conversinha de novo com o lord tubbington?
Brittany congelou no lugar, abrindo e fechando a boca várias vezes. Logo depois sussurrou – Foi você que fez ele ler meu diário? Foi você!
– Sim! E se você não me der um beijo AGORA, eu vou mostrar de novo para ele onde você esconde seu diário.
Brittany pareceu pensativa, mas logo depois se inclinou para frente e selou seus lábios com o da latina carinhosamente.
As duas sorriram ao se separar, de repente tudo ficando silencioso. Santana pegou a mão da garota com firmeza e começou a guia-la para fora dali.
Depois de minutos com aquele silêncio confortável e as duas ainda caminhando pelas ruas de mãos dadas, elas finalmente estavam chegando ao hotel.
– Ei Brit, me desculpa por hoje?
– Uhn? – Brittany fez uma cara confusa.
– Você sabe... Por ter sido um pouco rude. Eu não posso esquecer que com você as coisas são diferentes...
– Ah, tudo bem Sant, eu já tinha esquecido!
Oh meu deus. Era oficial, Santana Lopez estava apaixonada! Ela encarou aqueles olhos azuis, e ela poderia ficar assim por anos, décadas. O cheiro, o sorriso, o olhar, tudo. Brittany era perfeita, parecia-se com um anjo, e era tão inocente. Perdoava fácil e sua mente vagava por lugares que Santana nunca conseguiria entrar. Ela sorriu amorosamente para a loira. – Posso dormir na cama com você hoje?
– Claro Sant. – Brittany finalmente avistou o hotel e as duas entraram, indo direto para o quarto descansar. Ninguém parecia ter notado a fuga delas. E as garotas mal lembraram que deveriam esperar as outras na frente do hotel.
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– Eu não acredito que você já esta me fazendo voltar pra lá! – Quinn estava elétrica, pulando de um lado para o outro na rua.
– Quinn, daqui a pouco vai dar o horário que combinamos, não podemos nos atrasar.
– Mas eu estava me divertindo, e eu não acredito que você consegue carregar um carro! Isso é bizarro! – Quinn riu.
– Obrigado? — Rachel observava a loira rindo e sorriu de volta.
– Eu não falei de uma forma maldosa! É que você é a coisa mais bonitinha que eu já conheci na vida, e você é tão pequena, tão delicada... Não dá pra acreditar!
Rachel revirou os olhos. Será que Quinn realmente não percebia as coisas que dizia?
– Para de ser tão velha Rach! – Quinn continuava andando em círculos em volta da morena.
– Para de dar voltar em torno de mim! Céus Quinn, você é muito hiperativa.
– Você que é uma velha chata!
– Eu não estou gostando dessa intimidade sabia? Preferia quando você tinha medo de mim. – Rachel parou, ficando tonta com todos aqueles giros da loira. No mesmo instante Quinn parou também e ficou encarando a morena.
– Eu nunca tive medo! Você é fofa demais pra isso... – Quinn continuava a encarando daquela forma inexpressível.
– Quinn – Rachel colocou a franja para trás da orelha. – Você tem que parar de falar essas coisas.
– Que coisas?
– Sério? Eu já perdi a conta de quantas vezes você me chamou de “fofa” “bonitinha” e essas coisas.
– Você não gosta? – Quinn se aproximou mais sem nem perceber.
– N-Não é isso. É que eu – uhn – Rachel pigarreou, desviando o olhar do rosto da loira. Algo estava estranho. Aquela energia que pulsava em seu corpo quando a loira se aproximava era assustador.
Quinn parecia perdida. Ela estava ciente que se desse mais um passo e se inclinasse um pouquinho, poderia entender melhor o que era aquela atração que a deixou curiosa desde a primeira vez que viu aqueles olhos cor de chocolate. – Você é linda Rachel...
– Quinn... – Rachel não conseguia se afastar por mais que quisesse. Ela não sabia o que exatamente Quinn estava fazendo, mas ela queria descobrir.
Quinn se aproximou mais, e inclinou seu rosto até sua boca estar a centímetros de distância do da morena. Ela permaneceu com os braços soltos, sem tocar em Rachel.
Rachel sentiu a respiração da loira próxima á sua e não conseguiu mais pensar normalmente. Ela lambeu os lábios e aguardou o que ela sabia que estava por vir.
Quinn entendeu aquilo como um “sim” e selou seus lábios com o da garota.
Assim que eles se tocaram, o corpo de Quinn foi arremessado para alguns metros de distância enquanto Rachel sentiu aquela mesma dor na cicatriz em sua testa, um choque parecia passar por cada parte de seu cérebro.
Rachel foi a primeira a se recuperar e correu na direção onde Quinn tinha sido jogada. Ela se agachou ao lado da loira.
– Quinn! Você esta bem?
Quinn sentou no chão, segurando a cabeça com uma das mãos e se apoiando sentada com a outra. – O que foi isso Rach?
– Eu- Eu não sei. – Rachel estendeu a mão para ajudar a garota a se levantar. – Me desculpe, eu realmente não sei.
Quinn segurou a mão da garota e soltou um grito, sentindo um choque passar por todo seu corpo.
– Quinn! Meu deus, Quinn!
A loira continuou sentada, segurando a cabeça com as duas mãos. – O que é isso Rachel?
– Eu não sei!
Quinn finalmente se levantou e começou a andar novamente. Rachel a seguiu em silêncio e assim ficaram até estarem quase na porta do hotel.
Antes que Quinn pudesse entrar, Rachel ultrapassou a garota e parou em sua frente, fazendo de tudo para não toca-la.
– Me desculpa Quinn! Eu nunca iria te machucar de propósito.
Quinn deixou uma lágrima escorrer. – Eu não sei porque estou me sentindo tão triste Rach. Aquilo doeu muito...
– Você está com dor ainda? Espera. – Quinn ficou observando a morena retirar duas luvas do bolso e as colocar nas mãos. Logo depois ela estendeu os braços na frente da loira. – Posso tentar?
Quinn pareceu um pouco acanhada mas disse um “sim” bem baixinho.
– Eu não quero te machucar Quinn. – Rachel aproximou lentamente as mãos do rosto da loira e fechou os olhos, com medo do que podia acontecer. Assim que tocou a bochecha dela, seus olhos se apertaram mais ainda, com medo de machucar a garota novamente. Ela ficou assim por alguns segundos, até ter certeza de que Quinn estava bem, e ainda parada ali.
Rachel abriu os olhos e encontrou olhos esverdeados a encarando com medo, mas ao mesmo tempo, gentilmente.
– Por que você não pode me tocar?
– Não sei Quinn... É estranho porque já tínhamos nos tocado antes e não aconteceu nada. — Rachel continuou fazendo carinho no rosto da loira, tentando acalma-la do susto. Algo havia crescido nela e parecia estar explodindo em suas veias. De repente, tocar Quinn parecia tão certo, como se aquilo já tivesse acontecido muitas vezes... Ela foi descendo as mãos lentamente, por todo pescoço de Quinn, fazendo carinho.
As bochechas de Quinn coraram, e tudo que ela queria era beijar Rachel. – Eu realmente queria te beijar. – A loira sorriu, colocando as mãos nos bolsos de seu casaco.
– Por que você queria me beijar Quinn? O que é isso?
– Isso o que?
– Essa energia, essa força que você tinha falado que parece te atrair até mim. E agora isso...
– Eu não sei o porque, eu só sei que me parece algo natural, algo que eu preciso fazer. – Quinn deixou mais uma lágrima escorrer. – Eu queria tanto poder te abraçar agora. – Ela não sabia porque tinha ficado tão sentimental de repente. Mas algo desesperador pareceu tomar conta dela. De repente, toda aquela paciência para se aproximar na hora certa, não fazia sentido. Ela não podia conviver com o fato de tocar Rachel só quando estivessem com roupas, luvas, e muitos casacos.
– Shiu. Nós vamos descobrir o que foi que acabou de acontecer ok? — Quinn fez que sim com a cabeça. Rachel sorriu e colocou suas mãos dentro do bolso de Quinn, onde as mãos da garota também estavam.
– Rachel... – Quinn soltou um pequeno gemido frustrado e suspirou.
– Vamos, você precisa descansar. – Rachel retirou as mãos dela dos bolsos da loira, mas puxou a mão direita da garota, entrelaçando seus dedos. Quinn abaixou a cabeça, focando sua atenção no chão.
Assim que elas entraram no hall, Quinn soltou seus dedos dos da morena. – Eu vou ficar um pouco ali. – Quinn apontou para uma parte ao ar livre que tinha dentro do hotel, com uma sacada e alguns bancos.
– Tem certeza? Quer que eu fique aqui com você?
– Não, eu queria ficar um pouco sozinha... — Quinn sorriu, pedindo desculpa com o olhar.
– Sem problemas. Eu vou te esperar no quarto ta?
Quinn fez que sim com a cabeça, virando de costas para Rachel e as duas seguiram direções opostas.
Eram tantas coisas que passavam na cabeça de Quinn. Ela se sentiu horrível por ter pensando, nem que tenha sido por um segundo, que Rachel havia feito aquilo com ela de propósito. Por mais estranho que soasse, a loira era muito insegura. E de repente uma garota aparece em sua vida e tudo parece tão mais vivo, tão mais intenso. Uma garota que parecia não gostar dela. Mas de repente essa garota passa a ser uma pessoa doce e agradável.
Mas é claro que Rachel não faria aquilo de propósito! Quinn descartou essa hipótese logo depois de ter pensado. A loira foi até um dos bancos, se preparando para sentar, quando avistou alguém ali. Era Emily.
– Ei, Emy. – Quinn deu um pequeno sorrisinho, sem saber se as duas eram amigas, ou qualquer coisa do tipo.
– Ei. – A mente de Emily parecia estar longe.
– Posso ficar aqui também?
– Claro.
As duas ficaram em silêncio. Quinn observava os ombros caídos e olhar triste de Emily. Ela odiava ver as pessoas assim...
– Emy. – A loira colocou uma das mãos na coxa da garota e apertou, tentando conforta-la. – Você é uma garota muito bonita, e tenho certeza que muito legal também, mesmo que eu não tenha passado muito tempo com você ainda. Não deixe essa energia ruim te atingir.
– O que você esta falando? — Emily a encarou com as sobrancelhas franzidas.
– Você sabe muito bem o que eu estou falando.
– Pra falar a verdade eu não sei. – Emily insistiu.
– Deixa pra lá, mas se você precisar conversar com alguém, eu estou aqui viu?
– Obrigado Quinn. – Emily sorriu fraco, repousando sua mão por cima da mão da loira. – Você é tudo que alguém poderia querer sabia?
– Emily... — Quinn pigarreou, soltando a mão da coxa da garota e se afastando um pouco.
– Se você deixasse... Eu poderia te fazer muito feliz Quinn. Eu sei que pareço durona mas a verdade é que eu só estou perdida.
– Emily... Eu não sou gay. Eu te acho linda, e eu tenho certeza de que você poderia me fazer feliz. Mas não é assim que as coisas acontecem.
– Você não é gay? – Emily riu – Você praticamente come Rachel com olhos!
– É diferente... Ela...É diferente! – Quinn se levantou abruptamente. – Olha, acho melhor eu ir dormir.
– Quinn. – A garota puxou o braço da loira. – Desculpa, eu não quis ser grossa. Eu realmente quero ser sua amiga, sério.
– Bom. Se você realmente quer ser minha amiga...
– Sim, eu quero! – Emily se levantou também. – Eu preciso aprender a me controlar sabe? Desacelerar as coisas...
– Tudo bem Emy. Nós podemos tentar ok? Agora vem, vamos subir. – Quinn deu um abraço rápido na garota e as duas voltaram para o hall, chamando o elevador.
Assim que entraram, Quinn finalmente pareceu perceber a garrafa de vodka na mão da morena. — Ei, você andou bebendo?
– Sim, e daí? – Agora que estava mais claro, Quinn podia ver o olhar torto de Emily e como a garota parecia realmente bêbada.
– Você vai se lembrar do que conversamos agora?
– Provavelmente não. – Emily riu alto.
– Uhn. – Quinn encostou no espelho do elevador sob o olhar insistente de Emily. – O que foi? -Emily sorriu de lado e apertou o botão que parava o elevador. – O que você esta fazendo Emily?
Emily foi se aproximando mais e segurou os braços da loira contra o espelho quando Quinn tentou apertar o botão para o elevador voltar a subir.
– Me solta Emily!
– Por favor Quinn, eu preciso de um, só um beijo seu. – Emily aproximou seus lábios dos da garota. – Eu preciso.
Quinn não sabia o que fazer, a morena parecia possuída por alguma força, alguma coisa que não era ela. Como se aquele beijo fosse tudo na vida dela. – Emily, não!
– Eu nem vou me lembrar disso amanhã Quinn! Por favor. – Emily segurou a cintura da loira, deixando seus lábios a milímetros de distância dos da Quinn. Ela olhou mais uma vez para a garota, e assim que percebeu que não teria mais resistência, a beijou com muito desejo.
Foi um beijo tão intenso que assim que Emily se separou, Quinn não conseguia nem se manter em pé direito. Uma sensação estranha passou por todo seu corpo, mas ela permaneceu em silêncio, tentando controlar sua respiração irregular e se segurando na parede.
Emily não disse mais nada, apenas apertou o botão do elevador e logo elas estavam dentro do quarto. – Eu não quero dormir em uma cama de casal com a Rachel. Eu fico com a cama de solteiro e você que durma com ela! – Quinn não estava entendendo nada. A velha Emily parecia estar de volta, e o pior, fingindo que nada tinha acontecido!
– Ok, eu- eu durmo com ela.
Havia duas camas de casal no quarto, e duas de solteiro. Santana e Brittany estavam deitadas em uma, Vanessa em uma de solteiro, e Rachel sozinha na de casal.
Ainda um pouco cambaleante, Quinn se deitou na cama com as mesmas roupas que estava, tentando não acordar Rachel. Assim que ela terminou de se ajeitar, Rachel virou em sua direção, dando um susto na loira. – Oi. – A morena falou acanhadamente.
– Eu te acordei?
– Não... Eu não durmo – Rachel sussurrou bem baixo.
– Sério?
Rachel balançou a cabeça, confirmando. – Sério. Eu não preciso dormir.
– Então porque você está aqui, deitada?
– Eu queria... Eu estava preocupada com você. – Rachel ficou observando Quinn. – Você está pálida, aconteceu alguma coisa?
– Amanhã a gente conversa ok? – Quinn sussurrou, fechando os olhos. Ciente de que Rachel a observava e respirava tão perto dela. – Hoje foi muito confuso e... estranho.
Rachel apenas fez um som com a boca e minutos depois, ela observou que Quinn já estava dormindo. Ela pegou a mão da garota e segurou na sua.
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