East End - Jaminique
7 The Lion, the Witch and de b****
Quando Fred viu que James estava olhando na minha direção, se despediu rapidamente com um beijo no meu rosto e saiu atrás de uma garota muito bonita que riu quando ele quase caiu em sua frente.
Olhei na direção de James e percebi que ele ainda estava me olhando, provavelmente pensando se teria mesmo que me levar até o salão, já que ele era o monitor e Carter não estava por ali (pela primeira vez). Não dei tempo de ele pensar e simplesmente sai andando, com toda a confiança que eu criei em seis anos na França. Levantei o rosto, joguei os cabelos para trás e perguntei calmamente para um garoto que estava perto qual era o caminho para o Salão da Grifinória.
Sabia que estava no lugar certo assim que vi os quadros que cobriam o corredor. Leões dormindo, personagens históricos e ao fundo a famosa pintura da mulher gorda, que meu pai já havia falado milhares de vezes. Andei confiante até o quadro, que me olhava sem expressar nenhuma reação.
— A Senha, querida?
— Perdão?
— A senha para entrar no Salão, mocinha. Como espera que eu deixe alguém que não sabe a senha entrar na casa dos leões?
— Mas...Mas… — eu gaguejei, começando a ficar desesperada — eu estou usando o uniforme, olhe!
— Sinto muito, não posso abrir a porta se não me disser a…
— Diabretes da Cornualha. — a voz grossa de James preencheu o ambiente, enquanto ele aparecia atrás de mim. Como ele chegou aqui tão rápido?
Ele estava muito perto, fazendo com que eu reparasse em coisas que nunca tinha visto antes. Ele era quase dez centímetros mais alto que eu, tinha uma pequena cicatriz no queixo (que fiquei curiosa para saber como conseguiu) e cheirava a hortelã.
— Jamie, que bom ver você de volta este ano. — a mulher disse, enquanto se afastava do fundo da pintura, revelando um corredor. James segurou a "porta" aberta enquanto eu passava, sem falar nenhuma palavra.
O salão era enorme. Tinha uma grande lareira na extremidade oposta e vários sofás vermelhos espalhados. No meio tinham mesas de estudo com muitos livros em cima, alguns jogos de tabuleiro e algumas malas, provavelmente dos estudantes que não buscaram.
— Bom. — ele ainda evitava me olhar diretamente, falando comigo pela primeira vez em seis anos. — A senha obviamente é "Diabretes da Cornualha", ela vai mudar novamente no final do mês. No mural há uma lista com os nomes e o número do seu quarto. Dormitórios femininos são para a direita e masculinos para esquerda. — ele olhou para o teto, tentando lembrar o que mais deveria falar e depois olhou para seu relógio de pulso, verificando as horas e começando a falar mais rápido e menos formalmente — garotos não são permitidos no dormitório feminino e a sua mala está ali no centro, se precisar de ajuda posso levar a mala até o topo da escada. Alguma dúvida?
— Alguma dúvida? — repeti, revirando os olhos. Ele bufou, olhando o relógio que tinha no pulso mais uma vez, ainda evitando me olhar nos olhos. — Não preciso da sua ajuda, consigo me virar sozinha. Pode ir. . — cuspi as palavras com o pior tom de voz que consegui.
Ele acha o quê, que evitar me olhar vai me assustar? Eu sobrevivi seis anos com as piores garotas da França, cara feia nenhuma ia me tirar do sério.
Estalei meus dedos, fazendo minha mala levitar enquanto eu andava em direção ao quadro, verificando que por conta do sobrenome iria dividir o quarto com algumas outras Weasley: Rose e Lucy. Lily provavelmente ficou em outro quarto já que seu sobrenome oficial é Potter.
— A educação mandou um oi… — ele resmungou baixo, pensando que eu não ouviria.
— O que disse?
— Nada.
Bufei, revirando os olhos e andando de costas para ele. Se eu vou ser tratada mal, com ele nem olhando na minha cara direito, ele vai receber o mesmo tratamento.
— Típico. — falei, por fim, ainda andando para longe.
— O que disse? — ele perguntou, alto, enquanto eu já começava a subir as escadas.
— Eu disse “Típico”, James, sabe o que isso significa? Algo previsível, como as suas atitudes.
— Você é maluca, eu nunca te fiz nada.
Não me dei nem ao trabalho de olhar para trás para responder.
BUM.
Um barulho ensurdecedor preencheu o ambiente, fazendo com que eu perdesse a concentração e minha mala rolasse escada a baixo, graças a Merlin, sem abrir.
A agitação que veio depois do barulho foi pior que ele. Dezenas de alunos entrando correndo no salão enquanto outros saiam dos quartos para tentar ver o que aconteceu. James ainda olhava em minha direção, nem um pouco assustado com o que tinha acabado de acontecer. Vi ele balançar a cabeça negativamente enquanto olhava para o relógio no pulso de novo.
— James! Você perdeu! Foi HI-LÁ-RIO! — gritou Hugo Weasley, um dos últimos a entrar no Salão. Sua irmã vinha em seguida, junto com Lucy e quase todos os Weasley-Potter. — A bomba de bosta explodiu bem na hora que ele abriu o armário e…
Ah, então essa era a grande surpresa? Uma pegadinha?
Desci, empurrando algumas garotas no meio da caminho para tentar pegar minha mala. Agora que tinham tantas pessoas ali eu não podia mais simplesmente levitar ela de volta até mim.
Tateei a lateral da mala, procurando a Varinha que eu quase nunca utilizo.
Vi Alisson passar ao lado da mala, empurrando um pouco para longe “sem querer” e indo em direção a James, que já estava rindo com nossos primos. Ela puxou a mão dele, perguntando algo inaudível que ele respondeu sério, enquanto iam para o topo da escada do dormitório masculino conversar em particular.
— Nick! Quer ajuda? — perguntou uma garota com a voz doce, já puxando a lateral da minha mala para ela ficar em pé.
Lucy me olhou, sorrindo, começando a tagarelar sobre como pegou o jeito de transportar a mala nos últimos anos.
Primeiro Albus, depois Fred e agora Lucy?
Todos estavam me tratando tão bem que eu não entendia o que estava acontecendo. Onde estão as pessoas com medo do que eu posso fazer? Onde estão as caras assustadas, os olhares julgadores?
Então eu percebi.
Eles não sabem.
James não contou para ninguém, Vic e Louis também não. Eles devem achar que eu simplesmente resolvi ir para a França de uma hora para outra!
Alisson me olhou do topo da escada, claramente irritada que eu estava ali.
“Merlin sabe que é melhor do que vocês acabarem encontrando James e ele ter que lidar com isso de novo”
Olhei para ela, que ainda estava parada em frente a James, na porta dos dormitórios masculinos. Ela sussurrou algo em seu ouvido, pegando em sua mão e olhando para mim enquanto ele a cercava com um abraço.
Ela sabe.
James contou para ela algo que nem mesmo nossa família sabia, algo que não era dele para ser contado.
Quando olhei para a escada novamente, nenhum dos dois estava ali.
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