EarthMoon - Interativa

7 Maio — 3ª Parte


Notas iniciais
Yey, nem saiu de noite.

Laryssa POV

Amanhecera no colégio. Mesmo correndo risco em potencial, eu e outros alunos fomos para as aulas. Mas era até um pouco prazeroso ver Lunianos e Terráqueos agindo como se fossem uma só raça, todos prezando por sua segurança acima de tudo.

– Ei! Vocês vão na frente! Não são vocês que estão nos atacando?! — Um deles gritou grosseiramente.

É, nem tanto...

Ayesha havia saído do dormitório mais cedo. Eu não sabia muito bem o por quê, mas tenho uma idéia que fosse para se sentir mais segura. Não conseguia deixar de ficar preocupada com a minha companheira de quarto e com Hugo, que havia se arriscado de andar só a noite e dormir sem proteção.

No momento que entrei na sala, respirei de alívio e um pouco de felicidade; Hugo estava lá, em uma das cadeiras ao lado da janela e com uma expressão tranquila, como se não estivesse acontecendo nada fora do comum. Mas ao mesmo tempo, ainda estava preocupada um um detalhe; aquilo que ele falara na noite anterior fazia muito sentido.

Mesmo depois de confirmar que Hugo estava bem, continuei angustiada com tudo aquilo que estava acontecendo. Por que uma represália tão violenta? Eu entendo que a morte do Luniano em si foi bastante violenta, mas realmente era nescessário tudo isso? Eu poderia parecer, sentada na minha carteira, mais uma aluna; mas eu me senti como se houvesse um alvo mirado em minha cabeça.

Perdida em meus pensamentos, levei um susto forte quando senti uma mão pousando em cima da minha.

– Está tudo bem. — Era Hugo, que sentava ao meu lado. Ele se limitou a dizer estas palavras, e quando percebeu que eu havia me acalmado, mesmo que só um pouco, sorriu e voltou a olhar para a janela.

As aulas foram normais, mesmo com tudo aquilo ocorrendo. Alguns conversavam, outros brigavam, outros dormiam ou viajavam em seus pensamentos... Esse clima cotidiano me relaxou muito, esqueci do que estava acontecendo. Durante o tempo da aula, aquele parecia mais um dia comum.

Me separei de algumas colegas quando as aulas terminaram. Iria direto para o dormitório protegido; pretendo manter esta rotina até as coisas por aqui se acalmarem. Hugo novamente resolveu perambular por aí ele me preocupa; não sei se é coragem, burrice, ou se ele está envolvido com isso tudo. Infelizmente para mim a mais provável seria a terceira. Ele me parece um bom garoto, mas que já passou por poucas e boas.

Começei a ouvir o som de um piano quando passei perto do prédio que ficava a sala de música. Era uma música bonita, que me trouxe mais calma. Minha vontade foi de ficar ali parada apenas para continuar a escutar a música, mas voltei a realidade e continuei a andar.

Mesmo estando distraída, minha mente deveria estar em alerta; quando me virei por ter achado que havia ouvido algo, vi uma mão ensangüentada estendida no gramado, atrás do meu dormitório. No momento, estava com as pernas paralisadas, não sabia o que eu fazia.

Não me lembro por quanto tempo fiquei lá, sem fazer nada. Apenas "acordei" quando percebi os dedos daquela mão se mexendo. Foi uma reação de instinto o que eu fiz, sem considerar as consequências, corri até a pessoa caída socorrê-la.

– Ayesha...?! — Falei baixo para não chamar muita atenção. Ela ainda estava acordada, e olhou para mim.

– Cui... Cuidado com ele... — Ayesha balbuciou essas palavras antes de, ao que me pareceu, cair inconsciente.

Tentei colocá-la nas costas, mas não tinha força o suficiente para levantá-la. Pensei em gritar por ajuda, porém o autor desta barbaridade poderia estar ainda por perto. Estava em um desespero que não me era comum.

– Beleza... — Hugo apareceu, aparentemente do nada, e colocou Ayesha no ombro. — Deixa comigo.

Ayesha sinalizou algo para Laryssa, que entendeu na hora o que significava. Uma raiva cresceu em sua cabeça ao ver uma parte da calça de Hugo com sangue e o que parecia um cabo de couro escondido em sua camisa.

– Seu...! — Quase gritei, mas interrompi na primeira palavra. Passei Ayesha do ombro dele para o meu ombro. Hugo me olhava sem expressão. — Bem que me disseram para não mexer com você!

– Ei, Laryssa... — Hugo tentou falar, mas eu o interrompi.

Saí cambaleando por conta do peso de Ayesha o mais rápido que pude, eu só queria me afastar no Hugo naquela hora. Depois disso, fiquei andando o máximo que pude em busca de alguém, mesmo sabendo que eu estava na parte mais deserta do colégio, ou indo em direção a enfermaria.

– Ali! Ali! — Alguns alunos gritaram e apontaram para mim, meu primeiro pensamento foi que haviam pensado que eu atacara ela; mas para meu alívio era uma equipe de enfermeiros que, de algum jeito, descobriram como nós.

Quiseram me levar logo com escolta para o dormitório protegido, mas eu precisava tomar um pouco de ar por conta do que havia ocorrido nos últimos trinta minutos. Ia em direção mesmo ao dormitório protegido. Pensava em quase tudo, dúvidas se instalavam na minha cabeça.

A única ação que quebrou os meus pensamentos foi uma forte pancada na minha cabeça. Depois disso, apenas me senti caindo no chão e metade de um pedaço de madeira quebrado e com um pouco de sangue na minha frente.

3ª Pessoa

– Na última semana, uma série de ataques ocorreu no Colégio EarthMoon. Até o presente momento, cinco Terráqueos e dois Lunianos foram atacados, e três morreram. Além disto, sete pessoas de ambas as raças se encontram desaparecidas. O motivo dos ataques é a represália pela morte de um Luniano que se encontrava dentro do colégio. Até o momento, ninguém assumiu a culpa da morte ou dos ataques e a investigação está em andamento.

– Ocorreram várias manifestações para que o colégio fosse fechado. Algumas manifestações racistas, e outras prezando a segurança dos alunos Terráqueos. O governo disse que irá rever as medidas de segurança, porém fechar o colégio já é algo fora de questão.

Laryssa POV

Acordei em um quarto escuro e isolado, sem ventilação, janelas ou nenhum tipo de luz. Tentei mexer as minhas mãos, mas parecia que estavam algemadas ou presas á algo. Também senti algo além de minha roupa em meu tórax.

O-Onde estava, afinal?

Notas finais
O próximo será um pouco mais grandinho, pretendo fazer com 2000 e poucas palavras ou até mais. Será a conclusão de Maio.