EarthMoon - Interativa

19 Agosto — 5ª Parte


Notas iniciais
Nada a falar aqui, mas muito a falar nas notas finais.

– Eu simplesmente não consigo entender o porquê das pessoas ficarem tristes ou ficarem com raiva de quem mata. Matar é um gesto primordial dos humanos e de qualquer outro ser vivo. — Hugo começou a falar, e suas "primeiras palavras" já conseguiram chocar Laryssa. — As pessoas dizem que eu sou estranho, psicopata... Eu não entendo isso. É por que eu mato e não me arrependo? Mas isso não é o que chamam de "seleção natural"? Atrás de toda a ação, há um motivo; e as pessoas normalmente preferem ignorar este motivo do que entender. Eu sou afiliado com aquele grupo porque concordo com os motivos dele, e também em tese sofri com isso, apesar de não entender direito.

"Se eu me lembro bem, foi há sete ou oito anos atrás. Foi uma das únicas notícias sobre Lunianos que saiu no jornal para alimentarem o racismo. Havia um conjunto habitacional para Lunianos que viviam na terra. Mas lá também viviam algumas famílias de Terráqueos, que se davam bem com Lunianos e por isto foram aceitos lá. Era um lugar bem legal, mas existiu uma tarde que deve ter sido a pior para a vida de muita gente...

Fomos presos nas nossas casas e os Terráqueos que moravam lá começaram a ser assassinados, um por um. Eu morava com uma família adotiva, que também deve ter sido morta naquele dia. De alguma maneira nas quais não me lembro, eu e algumas outras crianças conseguiram escapar.

E então apareceram uns caras e prometeram que nos ensinariam uma maneira de honrar nossos pais. Eles ensinaram tudo que era necessário para os que estão massacrando Lunianos nesse exato momento. Eu abandonei aquele lugar e passei a morar na rua pouco tempo depois de chegar. Não tinha carinho ou empatia nenhuma com minha família adotiva, por isso eu não odeio Lunianos."

– Se você não odeia Lunianos, por que matou um deles? — Laryssa continuou questionando.

– Todo mundo morre um dia. Eu não gosto quando as pessoas morrem sem saber que chegou a hora ou sem se realizar; tinha e ainda tenho o pressentimento que isso vai acontecer com alguns lá, por isso resolvi ajudá-los. Mas o motivo principal não é esse, foi mais um ato irracional. — Hugo, que estava sentado, se agachou e pegou o boneco de pelúcia. — Eu dei esse boneco para um amigo meu que era depressivo, eu ganhei do meu pai biológico e passei para ele. Por algum motivo, quando eu descobri que aquele cara estava estudando aqui fiz o ato irracional de eu mesmo ir lá para matar ele. Não sei porque fiz isso, não deixei ele morrer nas mãos dos outros, já que independente das mãos ele iria morrer de qualquer maneira. É o mesmo tipo de irracionalidade que foi retirar você do colégio, já que é Terráquea. Sei lá, esses dois casos foram impulso, nem eu mesmo entendo.

Hugo estendeu o boneco de pelúcia para Laryssa e lançou aquele sorriso dele.

– Pode cuidar dele para mim? Quero deixar em boas mãos.

...

– Você não está achando que vai conseguir passar de mim, não é? — Arthur perguntou para Ayesha, ele estava vigiando vários corpos, a maioria morta mas alguns se forçando para viver. Entre os corpos se esforçando, estava o de Leen. — Parece que eu não tenho escolha se não matar você também...

Arthur sacou em questão de segundos uma faca, porém antes de sequer encostar no rosto de Ayesha, ela usou a pistola para parar o ida da arma e deixou o cano rente ao rosto do Terráqueo; atirou logo após, atingindo de raspão e abrindo um extenso corte no rosto dele e mandando a faca para trás devido a força que Ayesha colocara.

O Terráqueo fora arremessado para o chão por conta do impacto, ou foi isto que parecera. Ele usou um dos pés para ficar na altura do quadril dela, já com uma pistola na mão.

– Ah, não vai não!

Quem havia falado era Leen, que derrubara Arthur com a faca que ele havia deixado cair. Os dois foram para o chão, com o Terráqueo em grande risco, visto que havia uma faca encostando em seu pescoço.

– Não quero parecer mal-agradecida, mas quando tremeu sua mão para só me acertar de raspão, aceitou os riscos. — Leen falou para Arthur, que se debatia para tentar sair daquele aperto.

Enquanto Ayesha fora ajudar os Lunianos que ainda estavam vivos, deixando Leen com Arthur. O que a fez voltar para onde estava foi o som de um tiro, um único tiro, disparado por Arthur em si mesmo.

– Eu prefiro morrer de mim mesmo do que para vocês... Mas parece que no fim, não foi tão ruim... — Foram as últimas palavras daquele Terráqueo.

...

– Merda! Não acredito que estou perdendo para um Luniano! — O Terráqueo que havia brigado com Khal reclamava e xingava o mesmo, que havia ido atrás dele e dessa vez saía na vantagem.

– Cale essa sua boca! — Após dar aquela ordem, Khal pegou a faca e enfiou de uma vez no ombro do Terráqueo que mordeu a boca de dor, mas não gritava. — Quer saber, eu vou fazer você gritar!!

Khal só fora interrompido por um companheiro do Terráqueo que lhe deu um tiro de raspão nas costelas, o que lhe deu tempo suficiente para retirar o colega e dar alguns tiros no chão para distrair o Luniano.

– Estamos batendo retirada! — O Terráqueo que havia chegado falou para o Luniano. Em seguida, de todo o colégio se ouviu passos se afastando.

– É... Parando para pensar agora, parece que eu não fiz nada diferente do que eles... A vingança realmente mexe conosco. — Khal refletiu, jogando as armas fora e sentando onde estava.
...
– Está esperando o quê?! — Um Terráqueo, que fora preso por See, gritava para o Luniano. — Você ganhou, porque não me mata??

– E-Eu... Eu... Eu não consigo... — See disse com palavras pesadas e chorando. — Eu quero, mas a minha mão não se move...

Sem See perceber, alguém lançava um tiro matara aquele Terráqueo. Era Baltazar.

– E aí, feliz desse jeito? — Ele perguntou. — Achou que eu tinha morrido? Você ainda é criança, por isso é fraquinho. Além do mais, nos lugares que você me atacou é impossível de matar alguém, só se essa pessoa fosse bem fraca. Mas... See, o seu olho está...

– Está preto, não é? Parece que eu vou morrer de um jeito ou de outro mesmo... Droga, ainda tinha tantas coisas que eu prometi fazer aqui... — O Luniano falou conformado com a situação. — Mas ao menos consegui me vingar um pouco pelos que morreram. Um pouco mesmo, porque quem fez a maior parte foi você.

See começou a rir baixo; já não havia mais Terráqueos lá, provavelmente haviam ido embora, visto que vários Lunianos saiam de onde estavam escondidos.

...

– Eu estou preocupada... Se eles ainda estão vivos... — Laryssa sussurrou em tom de preocupação para Hugo.

– Você não confia neles?

– Claro que sim!

– Então não se preocupe; confie que eles estão vivos.

Eram quase quatro da manhã. Muito vento se formou na área da praça; eram três helicópteros da polícia indo rapidamente na direção do colégio.

Estava quase a amanhecendo. Os Lunianos que ainda estavam vivos ficavam apenas observando os últimos rastros daquela lua cheia.

Notas finais
Esse foi o último capítulo dessa primeira parte da história, que corresponde ao primeiro semestre. Obrigado a todos que acompanharam e comentaram até aqui. Eu sei que não foi muito tempo já que eu postei bem rápido; mas vocês entenderam. Desculpe aos que tiveram personagens que apareceram pouco ou não apareceram. Eu não gosto de introduzir um personagem de qualquer maneira e muito menos de jogar em alguma cena só para dizer que aparaceu. Leitores no qual seus personagens pouco apareceram, me perdoem. Não sei quando sairá a segunda parte, o segundo semestre. Também é possível que saia outra interativa minha antes dela; eu não quero é nem vou fazer algo corrido ou de qualquer jeito. Caso algum dos leitores se interesse, posso mandar a sinopse a ficha por MP para vocês já garantirem a vaga de vocês (Acesso antecipado, não propaganda xD). Vai sair acho que no máximo até sexta-feira, porque eu obviamente vou esperar até estar 100% novamente (Diria que agora estou 75%). Mais uma vez, obrigado a todos que acompanharam até aqui. Vejo vocês o quão antes possível! O/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!